“ONDE VOCÊ GUARDA O SEU RACISMO?”

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Sem pretensões ou acusações que só tendem a generalizar, sirvo-me da expressão de uma campanha, voltada para a igualdade racial, iniciada em 2001, por 40 organizações da sociedade civil, cujo objetivo é suscitar “Os diálogos contra o racismo”. A ciência, por meio do Projeto Genoma, já questionou o conceito de raça, sintetizando que não existem genes raciais entre os humanos. Por isso, ao falarmos de raça estamos nos remetendo a uma construção social, não a uma verdade religiosa ou científica. Uma convenção, muitas vezes utilizada para separar negros, brancos, índios e amarelos (japoneses).

Um dos agravantes de enfatizar o conceito de raça foi o aparecimento da escravidão, no passado e do racismo, na atualidade. Por detrás da definição de racismo está aquela ideia fixa de que existem hierarquias entre os agrupamentos humanos, capazes de separar as raças em: inferiores (minorias) e superiores (maioria). Trata-se de uma ideologia que justifica a dominação de um grupo racial sobre outro. Foi o mesmo que aconteceu na Alemanha Nazista, durante a Segunda Grande Guerra, quando se defendia a raça ariana e se perseguia os judeus.

Se olharmos bem à nossa volta veremos o racismo e seus primos mais próximos: o preconceito, a discriminação e o estereótipo agindo com habilidade, mas, sobretudo, com sutileza. Um inimigo oculto, difícil de combater, pois ele não se mostra por inteiro, só às escondidas e continua a gerar exclusão social. O foco está em colocar o negro como um ser inferior, que deve ser mantido longe das conquistas sociais, sem oportunidades de ascensão e benefícios.

Junto à problemática há contextos nos quais aqueles que lutam contra o racismo são tidos como racistas. Alguns que leem este artigo podem até pensar que o padre é racista ou do contrário vê racismo em todas as partes. Não é isso! A verdade é que o racismo é enfocado somente como um problema do outro, além de nós. Não temos nada a ver com ele. “No Brasil, uma pesquisa realizada junto a uma amostra representativa da população nacional indicou que quase 90% dos entrevistados se considera não racista, ao mesmo tempo em que igual percentagem de brasileiros acredita que existe racismo no Brasil” (Marcos Lima & Jorge Vala). No mínimo é estranho uma mesma porcentagem se declarar não racista e acreditar na existência do racismo. Eis o resultado final: “eu não sou racista, mas o outro deve ser ou provavelmente o é”. O fato é que dizer-se racista causa reprovação social. É algo que deve ser mantido às encobertas, nunca às claras.

Houve ocasiões em que a história do Brasil foi contada, exclusivamente, na perspectiva do branco. Esqueceu-se a narrativa do negro e renegou-se a herança do indígena. Ao branco, o trabalho intelectual; ao negro, o trabalho braçal. Pior discriminação não há. Diante do coração do Pai Eterno somos todos iguais: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

É no cotidiano que o racismo é introjetado e disseminado. Mas, o grande problema está na invisibilidade da discriminação racial no Brasil e no modo como “não se nota, não se discute nem se deseja notar ou discutir. É como se não existisse. A história narrada nas escolas é branca, a inteligência e a beleza mostradas pela mídia o são. Os fatos são apresentados por todos na sociedade como se houvesse uma preponderância absoluta, uma supremacia definitiva dos brancos sobre os negros. Assim, o que se mostra é que o lado bom da vida não é nem pode ser negro” (Hélio Santos). Muitas vezes, costuma-se ouvir: “Negro destino daquele rapaz”; “A coisa está ficando preta para fulano”; “O lado negro da vida é horrível” (Hélio Santos). Porque não se fala do lado branco da existência? Parece que há uma arrogância em associar ao negro aquilo que é ruim, depreciativo ou obscuro; quando, na verdade, o mal não possui cor.

Por mais que a discriminação seja séria, uma grande maioria parece não percebê-la. Há pessoas que não são capazes de enxergá-la, enquanto outros ainda insistem no mito da democracia racial brasileira: onde há oportunidades iguais para todos – brancos e negros. Mas, são poucos aqueles que trazem à tona a violência de alguns policiais, como se todo negro fosse perigoso e tendencioso ao crime. Com todo respeito à querida população do Rio de Janeiro, faz bem lembrar que ao serem presos, os chefes do tráfico nos morros tinham uma cor: eram brancos. O crime independe de etnia.

Constata-se que no fundo da questão está a injustificada necessidade dos brancos de se colocarem acima dos negros. A miopia nos faz ver-nos elevados. Os racistas ainda não perceberam que agindo assim estão se tornando mesmo: inferiores, tiranos e desumanos. Na condição de cristãos devemos gerar debates, ampliar a consciência das pessoas para a prevalência da igualdade racial. E aqui fica o meu pedido: “Brasil, por favor, admita-se por inteiro. Tu és negro, indígena, amarelo e também branco”!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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