Mês: julho 2012

O PASSADO DETERMINA O PRESENTE E PROJETA O FUTURO

Comentários: 0

Fiquem à vontade para discordar do título deste artigo, ainda mais porque o diálogo é sempre bem-vindo. É assim que construímos o conhecimento e nos tornamos mais maduros em nível psicológico. No dia-a-dia são muitas as dificuldades que passamos; algumas breves, já outras mais duradouras. A grande maioria das pessoas sofre sem questionar sobre a origem de tal sofrimento. Dá mais alívio negar-se ou culpar os outros no presente, sem olhar para os traumas ocasionados antigamente. Questionar-se, pensar sobre si é uma tarefa árdua, que demanda tempo e, além disso, exige coragem.

Às vezes, criticamos certas condutas nos outros, examinamos determinados modos de agir ou reclamamos de antigos problemas alheios que se tornam, cada vez mais recorrentes, sem olhar para as histórias de vida de quem as vivencia. Quer compreender o defeito contínuo de alguém? Detenha-se no seu passado.

A essência de uma pessoa não está separada do ambiente onde a mesma nasceu, foi educada e se tornou adulta. Todo o nosso sistema de crenças, (nossos valores, forma de pensar, a nossa consideração sobre o certo e o errado, o que rege a nossa maneira de viver), são em grande parte constituídos sobre informações ‘descarregadas’ em cima de nós por pais, avós, bisavós e até por tios e tias…” (Márcia Dario).

Nos últimos tempos, a experiência pastoral e os livros que tenho lido, me fizeram refletir que o passado ‘não resolvido’ só tende a determinar a vivência do presente e, por conseguinte, do futuro. Não falo de determinismo causal, pois nem tudo acontece do mesmo jeito com todos. Não somos robôs ou marionetes. Pelo contrário, somos pessoas, dotadas de uma série de condicionamentos, mas também possuímos o livre-arbítrio. Talvez, aqui esteja o ponto chave da questão: mesmo condicionados, somos capazes de dizer ‘sim’ ou ‘não’, desde que estejamos conscientes das forças subjetivas que agem em nós.

Na mesma direção o passado não pode ser responsabilizado por todos os nossos erros, pois existem contextos situacionais, que dependem do momento em que ocorrem. São eventos momentâneos. Por outro lado, há situações que se arrastam por anos afins, traumas somatizados, crises constantes, depressões periódicas que possuem raízes em fatos passados, gerados por algum adulto ou por nós mesmos.

É importante considerar que por trás de cada comportamento há uma emoção, capaz de gerar um comportamento. Dificilmente, uma pessoa se dá a conhecer por inteiro. Sempre é necessário verificar o que se esconde sob as sombras das atitudes, analisando não o ato em si, mas a sua motivação.

A maneira como enfocamos o passado também tem consequências no presente: “Pesquisadores da Universidade de Granada (UGR) descobriram que a atitude das pessoas sobre eventos passados ​​influencia a sua percepção de saúde e sua qualidade de vida. ‘Temos observado que quando as pessoas são negativas sobre acontecimentos passados ​​em sua vida, eles também têm uma atitude fatalista ou pessimista para os eventos atuais. Isso gera mais problemas em seus relacionamentos e essas pessoas apresentam piores indicadores de qualidade de vida'” (Rick Nauert). Não é apenas uma questão simplória de pensar positivo ou negativo, mas, sobretudo, de reconhecer-se positiva ou negativamente.

Coloquemo-nos diante do Pai Eterno e assumamos a viagem mais bela que podemos realizar: a excursão para dentro de nós, conhecendo o nosso eu interior, nossas sombras e luzes, erros e acertos, santidade e pecado. A pessoa que se conhece, em Deus, é capaz de encontrar um sentido para a vida, não obstante os sofrimentos que aparecem em seu caminho. É alguém forte, pois Deus é sua própria força. Além do mais, não nos esqueçamos de que: “Não há despertar da consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão” (Carl Jung).  

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

JESUS, O NOSSO PERPÉTUO SOCORRO

Comentários: 0

Antes da leitura prévia deste artigo paremos um pouco e nos imaginemos diante do ícone de Nossa Senhora da Paixão, mais conhecido pelo título de “Perpétuo Socorro”, tão venerado nos locais por onde passam os Missionários Redentoristas. Deixemo-nos interpelar pelo olhar desta mulher que nos segura pelas mãos. Permitamos que Maria incite a nossa mente e o nosso coração para o Cristo.  Aceitemos que ela mesma nos aponte o seu Filho como caminho para que a nossa vida tenha um norte e a esperança tenha sentido. Contemplemos na realidade mais profunda do nosso ser a presença simples daquela que invocamos como a “Mãe do Perpétuo Socorro”.

A palavra “perpétuo” é proveniente do latim “perpetuu” e significa: aquilo que dura para sempre, que é contínuo, sem interrupção, inalterável e eterno no Coração de Deus. Já a palavra “socorro” se aproxima de socorrer, derivada do latim “succurrere”. Esta última traz em seu sentido etimológico as seguintes expressões: defender com a própria vida, proteger um indivíduo, prestar auxílio a outrem, acudir nos momentos de dificuldades, prestar socorro em perigo de morte, remediar para prover do necessário, evitar o mal e, por fim, esmolar o favor de alguma pessoa. São títulos fortes que expressam a realidade espiritual e cristã da manifestação artística do Sagrado.

A arte dos ícones contradiz o fetiche capitalista e a existência mercantil ultramoderna, pois não é produzido pelas leis do mercado, todavia, pelas as leis da fé. Antes de ser pintado, o ícone é rezado. Anterior à confecção está a contemplação. O discurso sagrado que fundamenta a feição dos ícones orientais é a teologia da encarnação. Neste sentido, é o próprio Deus quem se encarna nas formas artísticas para ser adorado e reconhecido como Deus e Senhor nosso.

Agora detendo-nos mais precisamente no ícone do Perpétuo Socorro visualizamos o quadro original, medindo 53 x 41,5 cm, com o rosto pobre e sofredor de uma mulher. Ela está no centro artístico, contudo, não é o centro teológico da obra. Por trás da consternação de Maria apresentam-se os símbolos da dor e da paixão que ora se aproximam do pequeno Jesus. Os olhos de Maria são grandes e pintados de forma exagerada para expressar sua atenção diligente por nossas necessidades. No entanto, os lábios são apoucados para demonstrar o silêncio e a reverência pelas dificuldades perenes de nossa história. Estamos defrontes a Mulher que há todos os instantes nos remete ao homem Jesus quando afirma: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Maria está vestida com uma túnica vermelha, roupa essa utilizada pelas virgens nos tempos de Nazaré. A cabeça e o restante do corpo são revestidos por um manto de cor azul com forro verde que significam a maternidade e a divindade de Maria, presente também em todas as Marias dos tempos hodiernos. Outras interpretações vão afirmar que as cores azul, vermelha e verde eram distintivas da realeza e só utilizadas pelas imperatrizes do passado. No manto azul, robustecido com traços dourados, há uma estrela de oito pontas, que pode ter sido acrescentada por um artista posterior no intuito de demonstrar que Maria é a estrela que reflete o sol da justiça. Trata-se de uma teologia oriental que apresenta mais Maria da fé do que a Maria histórica que viveu ocultamente em Nazaré. No entanto, ambas as realidades, fé e história, vão conceder força e vigor para aquilo que chamamos de “Perpétuo Socorro”.

Além da figura mariana verifica-se mais adiante a presença substancial de dois arcanjos. Seus nomes são denotados pelas letras gregas sob suas cabeças que diz: Miguel e Gabriel. Estes dois, antes mesmo de serem apresentados como emissários da glória majestosa de Deus, como bem se percebe na doutrina angelical tomista (de São Tomás de Aquino), são colocados como mensageiros da paixão. Eles não trazem nem trombeta apocalíptica nem a harpa angélica, mas sim os instrumentos da dor e da agonia de Jesus: a cruz e as lanças. No ícone também se inverte o relato evangélico da anunciação de Maria. Em vez de anunciar o nascimento do Filho do Homem, o anjo prediz a morte do Filho de Deus.

No colo de Maria está uma figura trêmula e frágil, um Deus que parece mais humano que Divino. Estamos diante da Criança que tem medo da paixão e, por conseguinte, da morte: fruto de sua opção pelo Reino do Pai em vista dos pobres e abandonados. É um Menino que, contemplando os instrumentos da paixão, corre tão velozmente para os braços da Mãe que deixa as sandálias perder do pé. No simbolismo da sandália está a insegurança de alguém com a vida sob o pêndulo. Na narrativa bíblica os pés são lavados e beijados, enquanto que no ícone ficam desprotegidos. Perder a sandália é não conseguir andar por muito tempo nos caminhos pedregosos da existência. É prefiguração da morte. Ficar sem sandálias é despojar-se de si mesmo para assumir a ferida do humano. Não possuir sandálias nos pés é adentrar o caminho da mais absoluta entrega por meio da encarnação, paixão e ressurreição.

Adentrar o caminho iconográfico do Perpétuo Socorro é por fim tornar-se “perpétuos socorros” para o mundo que tem fome e sede de Deus. Ser cristão é assumir a missão de agir como socorro perpétuo em vista do amor e da consagração da vida. Vale ainda ressaltar que o “Perpétuo Socorro” nos faz assumir uma nova visão de Deus debaixo para cima, do temporal para atemporal, do finito para infinito; também nos faz descobrir um novo rosto de vida cristã, entendendo-a como serva e não como senhora. Por fim, nos faz compreender as novas e futuras relações na Igreja e na sociedade em vista da implantação cotidiana do Reino de Deus em nós e por nós! Olhemos para Maria, que nos apresenta Jesus, o nosso “Perpétuo Socorro”.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

AMAR COMO O PAI AMA: EIS A MISSÃO DA IGREJA!

Comentários: 0

A experiência de Deus: tocá-Lo, vivenciá-Lo e testemunhá-Lo, no cotidiano, é marca registrada da vida cristã. Sem ‘experiência’ é impossível falar do Mistério Divino. Longe da ‘experiência’ estaríamos apenas teorizando e deixando de lado a prática. A ‘experiência’ é a única linguagem permitida para nos remetermos ao Deus que nos ama sem impor condições. Assim, quem quiser conhecê-Lo deverá, em primeiro lugar, experimentá-Lo.

De antemão, faz bem enfatizar que, no Cristianismo, a fé é experimentada em comunidade. Aqueles que se denominam cristãos e querem viver longe da Igreja precisam reconhecer que de tal modo não há vida cristã que se sustente. Nela todos se reúnem, partilham do mesmo pão e comungam da mesma fé, para constituir a comunidade de salvação e continuar a missão de Cristo no mundo.

Fiel depositária da Revelação de Deus, a Igreja procura, com todas as suas forças, levar a mensagem de Cristo a todos os lugares, por meio da palavra, mas, sobretudo, do testemunho de seus fiéis. Além de viver inserida no Mistério Divino, a Igreja é povo de Deus que se coloca a caminho do outro, procurando dar um sentido para a existência de cada um, em vista da vida eterna.

Não nos esqueçamos de que a Igreja é constituída pelo Pai, é também obra do Filho e se atualiza, na sociedade, pela ação do Espírito Santo. A comunidade cristã se reúne em torno da mesa da Palavra e da Eucaristia, pois é convocada pela Santíssima Trindade. “O Espírito Santo, que nos é dado pelo Pai, por meio do Verbo feito carne, transforma, internamente, o nosso coração, infunde-nos confiança e amor filial, para que possamos chamar Deus de Pai” (HACKMANN apud ALFARO).

Junto aos seus irmãos, cada fiel experimenta a filiação divina e compreende que a paternidade de Deus é universal e concedida para todos. Talvez, aqui esteja uma das principais características da catolicidade da Igreja. O amor do Pai é estendido a cada pessoa, individualmente, sobretudo aos pecadores para que onde “se multiplicou o pecado, a graça transborde” (Rm 5,20).

Amar como o Pai ama, agir solidária e caritativamente como Ele age, ir ao encontro dos mais abandonados, reconhecer Cristo na figura do pobre, levar os Sacramentos como sinais de salvação é uma das inúmeras missões da Igreja. “Perante a recusa do homem, o amor do Pai celeste permanece fiel; o seu amor não tem fronteiras. Ele enviou o seu Filho Jesus para redimir toda pessoa, restituindo-lhe plenamente a sua dignidade. Diante de tal atitude, como poderemos excluir alguém de nossos cuidados? Pelo contrário, devemos reconhecer nos mais pobres e marginalizados que a Eucaristia… nos compromete a servir” (HACKMANN apud JOÃO PAULO II).

Antes de ser uma Instituição Social, fundante para a sociedade, a Igreja é Sacramento de Salvação. Ela é o sinal concreto do Reino de Deus que já está entre nós; Mediadora entre o visível e o invisível, Encontro do Sagrado que converte o profano, Lugar privilegiado para abandonar o pecado e acolher o dom da santidade.  Sua unidade, em torno de Cristo, é garantia de esperança e salvação no cotidiano do mundo. Mesmo com o pecado de alguns de seus filhos, a Igreja sempre será a ponte das pessoas ao coração de Deus.

Na dimensão eclesial, a instituição é vista como serviço e a hierarquia como comunhão; a tradição é enfocada não como algo esquecido, mas de forma viva e atuante; até mesmo a pluralidade caminha em unidade com a fé. E por falar na fé, sabe-se que a Igreja, não crê individualmente, mas em comunhão: cremos juntos, oramos juntos, sofremos juntos e nos salvamos juntos! Não há individualismo na vida cristã! Vivemos a doutrina do ‘nós’ em contraposição ao endeusamento do ‘eu’.

No núcleo da fé cristã está um Deus “que é amor, que nos ama muito mais do que podem amar-nos um pai ou uma mãe, que ama sem condições, que perdoa sem limites, que o faz com todos, sem exceção (começando pelos mais desprezados e também pelos pecadores), que o amor é a única lei da vida, que o serviço é a norma…” (Andrés Torres Queiruga).

Aproximemo-nos do Pai Eterno e busquemos amar a nossa Casa de Irmãs, a Igreja! Agradeçamos a Ela, pois tudo o que experimentamos, enquanto cristãos, veio pela sua mediação. Procure, no dia de hoje, rezar pelo seu Bispo, pelo seu padre e por todos os cristãos deste mundo! Quando rezamos passamos a reconhecer a importância de cada um deles. Se só vemos coisas erradas, demos o exemplo, vivendo uma vida coerente com aquilo que acreditamos e professamos. Finalizo com os sábios dizeres de São Boaventura: “Ó cristão, toma consciência da tua dignidade”.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

ANTERIOR AO FUTEBOL VEM A JUSTIÇA SOCIAL!

Comentários: 0

O futebol é uma genuína paixão do brasileiro. De acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) há 35.000 esportes catalogados, com mais de 120 categorias diferentes. Mesmo assim, nenhum deles causa tanta mobilização como o futebol. Com origens diferentes na China, na Grécia e na Roma antigas, o futebol só foi organizado em regras na Inglaterra. De primeiro foi praticado pelos pertences à nobreza inglesa e só depois popularizado. Tornou-se um esporte profissional em 1885. Curiosamente, em 1897, uma equipe de futebol inglesa, chamada Corinthians, viajou por grande parte da Europa, divulgando essa prática esportiva a várias partes do mundo.

Por mais que haja regras, o futebol tornou-se tão popular pela facilidade de jogá-lo. Entre os grandes clubes e as agremiações populares um só é o objetivo: divertir-se. Pode parecer uma finalidade muito pequena, mas o futebol nunca deve perder a sua dimensão de diversão. Do contrário, o revanchismo e a violência se consolidam. É uma linha tênue, onde qualquer torcedor pode perder o foco do divertimento e partir para a agressão.

Na noite do último dia 04, o Corinthians se tornou o campeão da Copa Libertadores da América 2012. Trata-se de um evento, promovido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), cujo alvo é a disputa entre clubes profissionais da América do Sul. Como se sabe, no futebol não é possível vencer por merecimento, mas, sobretudo, por preparo, organização e competência. Dados confirmam que em 14 partidas, o Corinthians venceu oito e sofreu o empate de seis. Ao todo foram 22 gols consolidados.

Com meu sincero respeito à Nação Rubro-negra e aos seus 130 milhões de torcedores, a conquista dessa semana nos faz pensar sobre a mobilização nacional que houve em torno dessa conquista inédita. Infelizmente o futebol brasileiro, principalmente durante os governos populistas, sempre foi utilizado para transformar o esporte das multidões em política de massas. Uma forma concreta para reunir e unificar a população em torno de uma causa de grande comoção nacional. Aí nasce a identidade do povo agregado ao futebol.

Por outro lado, mesmo com a elevação da nova Classe C, percebem-se níveis alarmantes de uma pobreza absoluta e de uma miséria que, às vezes, parece irreversível. A má distribuição de renda, bem como a escassez de alimentos são problemas sérios que devem ser enfrentados com iniciativas eficazes e objetivas, resolvendo o problema lá onde ele nasce. Medidas paliativas podem solucionar as aparências, mas não acaba com o mal em suas causas.

O grito da miséria imerecida precisa atingir o coração de todos e romper os nossos tímpanos que, em determinadas situações, parecem não querer ouvir os clamores dos pobres. Não nos esqueçamos de que, no Brasil, a cada cinco minutos uma criança morre de fome e todos os dias 36 milhões de brasileiros não sabem quando terão a próxima refeição. Unida ao futebol, essa também não seria uma causa para a mobilização nacional na luta contra a fome?

Não podemos ter respostas simplistas afirmando que as pessoas vivem na miséria porque não trabalham. É necessário olhar para a história de estagnação política e industrial em muitas regiões do país. Uma coisa é não querer trabalhar, outra é não ter condições de renda para exercer o seu serviço.

Hoje, quatro milhões de famílias vivem sem terra e estão à mercê do sistema e sendo castigadas pela fome. Essas são formadas pela população ribeirinha, por indígenas, quilombolas e populações tradicionais do campo. Segundo os últimos dados, organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), nos últimos 25 anos: 2.709 famílias foram expulsas de suas terras; 63 pessoas assassinadas na luta por um pedaço de chão; 13.815 famílias despejadas pelo Poder Judiciário e cumpridas pelo Poder Executivo, por meio de suas polícias; 422 pessoas presas por lutar pela terra; 765 conflitos diretamente relacionados à luta pela reforma agrária; 92.290 famílias envolvidas em conflitos por terra; 1163 ocorrências de assassinatos, com 20 condenações e apenas um executor na cadeia! A democratização da terra, junto ao futebol, também necessitaria causar paixão nos brasileiros.

Além da fome há outros problemas sérios como a corrupção e a impunidade generalizada; o desemprego como significado de exclusão social; o preconceito que gera discriminação e racismo; as leis que beneficiam os ricos e menosprezam os pobres; o analfabetismo que atinge 16 milhões de brasileiros; a violência urbana que em 30 anos causou a morte de 1 milhão de pessoas. Número muito maior que em países como a Angola, o Iraque e o Afeganistão, que vivem em guerra civil ou em conflitos armados também nos últimos 30 anos.

O Evangelho nos apresenta um Deus que não impõe condições para amar. O Pai Eterno age assim. Independente de corintianos e não corintianos todos são seus filhos amados. Não obstante a miopia social nos é confiada àquela missão de orientar a sociedade, quando esta perde de vista os principais temas que também devem causar mobilidade nacional. No coração do Pai, somos filhos de uma mesma pátria e conquistadores de uma mesma história: lutar por um Brasil mais solidário, justo e igual para todos! Meus parabéns aos corintianos!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

Missas

De segunda a sexta

Missas: 7h e 19h30

Sábado

Missas: 7h, 10h e 17h30

Domingo

Missas: 5h45, 8h, 10h, 12h, 15h e 17h30

Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quarta, quinta e sexta: 7h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h