Dia: 9 de julho de 2012

ANTERIOR AO FUTEBOL VEM A JUSTIÇA SOCIAL!

Comentários: 0

O futebol é uma genuína paixão do brasileiro. De acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) há 35.000 esportes catalogados, com mais de 120 categorias diferentes. Mesmo assim, nenhum deles causa tanta mobilização como o futebol. Com origens diferentes na China, na Grécia e na Roma antigas, o futebol só foi organizado em regras na Inglaterra. De primeiro foi praticado pelos pertences à nobreza inglesa e só depois popularizado. Tornou-se um esporte profissional em 1885. Curiosamente, em 1897, uma equipe de futebol inglesa, chamada Corinthians, viajou por grande parte da Europa, divulgando essa prática esportiva a várias partes do mundo.

Por mais que haja regras, o futebol tornou-se tão popular pela facilidade de jogá-lo. Entre os grandes clubes e as agremiações populares um só é o objetivo: divertir-se. Pode parecer uma finalidade muito pequena, mas o futebol nunca deve perder a sua dimensão de diversão. Do contrário, o revanchismo e a violência se consolidam. É uma linha tênue, onde qualquer torcedor pode perder o foco do divertimento e partir para a agressão.

Na noite do último dia 04, o Corinthians se tornou o campeão da Copa Libertadores da América 2012. Trata-se de um evento, promovido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), cujo alvo é a disputa entre clubes profissionais da América do Sul. Como se sabe, no futebol não é possível vencer por merecimento, mas, sobretudo, por preparo, organização e competência. Dados confirmam que em 14 partidas, o Corinthians venceu oito e sofreu o empate de seis. Ao todo foram 22 gols consolidados.

Com meu sincero respeito à Nação Rubro-negra e aos seus 130 milhões de torcedores, a conquista dessa semana nos faz pensar sobre a mobilização nacional que houve em torno dessa conquista inédita. Infelizmente o futebol brasileiro, principalmente durante os governos populistas, sempre foi utilizado para transformar o esporte das multidões em política de massas. Uma forma concreta para reunir e unificar a população em torno de uma causa de grande comoção nacional. Aí nasce a identidade do povo agregado ao futebol.

Por outro lado, mesmo com a elevação da nova Classe C, percebem-se níveis alarmantes de uma pobreza absoluta e de uma miséria que, às vezes, parece irreversível. A má distribuição de renda, bem como a escassez de alimentos são problemas sérios que devem ser enfrentados com iniciativas eficazes e objetivas, resolvendo o problema lá onde ele nasce. Medidas paliativas podem solucionar as aparências, mas não acaba com o mal em suas causas.

O grito da miséria imerecida precisa atingir o coração de todos e romper os nossos tímpanos que, em determinadas situações, parecem não querer ouvir os clamores dos pobres. Não nos esqueçamos de que, no Brasil, a cada cinco minutos uma criança morre de fome e todos os dias 36 milhões de brasileiros não sabem quando terão a próxima refeição. Unida ao futebol, essa também não seria uma causa para a mobilização nacional na luta contra a fome?

Não podemos ter respostas simplistas afirmando que as pessoas vivem na miséria porque não trabalham. É necessário olhar para a história de estagnação política e industrial em muitas regiões do país. Uma coisa é não querer trabalhar, outra é não ter condições de renda para exercer o seu serviço.

Hoje, quatro milhões de famílias vivem sem terra e estão à mercê do sistema e sendo castigadas pela fome. Essas são formadas pela população ribeirinha, por indígenas, quilombolas e populações tradicionais do campo. Segundo os últimos dados, organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), nos últimos 25 anos: 2.709 famílias foram expulsas de suas terras; 63 pessoas assassinadas na luta por um pedaço de chão; 13.815 famílias despejadas pelo Poder Judiciário e cumpridas pelo Poder Executivo, por meio de suas polícias; 422 pessoas presas por lutar pela terra; 765 conflitos diretamente relacionados à luta pela reforma agrária; 92.290 famílias envolvidas em conflitos por terra; 1163 ocorrências de assassinatos, com 20 condenações e apenas um executor na cadeia! A democratização da terra, junto ao futebol, também necessitaria causar paixão nos brasileiros.

Além da fome há outros problemas sérios como a corrupção e a impunidade generalizada; o desemprego como significado de exclusão social; o preconceito que gera discriminação e racismo; as leis que beneficiam os ricos e menosprezam os pobres; o analfabetismo que atinge 16 milhões de brasileiros; a violência urbana que em 30 anos causou a morte de 1 milhão de pessoas. Número muito maior que em países como a Angola, o Iraque e o Afeganistão, que vivem em guerra civil ou em conflitos armados também nos últimos 30 anos.

O Evangelho nos apresenta um Deus que não impõe condições para amar. O Pai Eterno age assim. Independente de corintianos e não corintianos todos são seus filhos amados. Não obstante a miopia social nos é confiada àquela missão de orientar a sociedade, quando esta perde de vista os principais temas que também devem causar mobilidade nacional. No coração do Pai, somos filhos de uma mesma pátria e conquistadores de uma mesma história: lutar por um Brasil mais solidário, justo e igual para todos! Meus parabéns aos corintianos!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

Missas

De segunda a sexta

Missas: 7h e 19h30

Sábado

Missas: 7h, 10h e 17h30

Domingo

Missas: 5h45, 8h, 10h, 12h, 15h e 17h30

Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quarta, quinta e sexta: 7h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h