Dia: 12 de agosto de 2012

O QUE TEMOS FEITO PELOS POBRES?

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Há todos os dias quando assistimos o noticiário, quando lemos o jornal ou quando acessamos nossa internet acabamos por nos deparar com cenas dolorosas, nas quais a realidade torna-se precária e desumana. Nestas situações as pessoas vão perdendo aquilo que elas têm de mais precioso: a dignidade de filhas de Deus! São as vítimas de um sistema brutal e tirano, capaz de criar aquilo que erroneamente chamamos de pobres e miseráveis.

Na verdade, são inúmeros os problemas sociais que ferem a existência humana e imprimem o jugo da dor no coração do povo de Deus: “Não ter onde morar”; “lutar para possuir um atendimento digno, em nível de saúde”; “não conseguir uma educação de qualidade”; “viver desempregado”; “não possuir o que comer ou vestir” são cenas de uma novela social que parece não ter fim, pois o protagonista sempre será o desejo egoísta pelo dinheiro e não o interesse evangélico pela pessoa humana.

Em cada momento histórico se eleva o grito da fome, da miséria e das doenças. Este grito visa romper os nossos tímpanos para a escuta do clamor dos pobres. Saibamos que no grito dos pobres está o grito do Pai Eterno! Na dor e na lágrima dos pequeninos está também a dor e a lágrima do próprio Deus. Iremos permanecer imóveis ou assumiremos nossa responsabilidade pessoal e comunitária frente a tais questões? Onde dormirão os pobres? Essa última era uma das perguntas que durante vários anos marcou a vida e caminhada de nossa Igreja e de nossa sociedade na América Latina.

Vivemos em um mundo doente e torturado pela fome de pão e fome de Deus. São muitos aqueles que buscam o lucro e, por conseguinte, o poder a qualquer preço. Isso se verifica quando o próprio homem considera o outro na condição de mercadoria, como uma máquina industrial a ser explorada e deixada de lado quando não for mais útil. Da mesma forma, seguem-se as condições de ausência no saneamento básico, a marginalização e o abuso do trabalho infantil, a guerra capitalista que gera novos pobres, a extrema pobreza com seus crucificados pelo sistema, e por fim a penhora da própria vida mediante a ganância obsessiva pelo ter, o poder e o prazer.

Neste contexto somos convidados a assumir o apostolado da caridade. Não somente da caridade de compaixão e benevolência, que já é importante, mas também, da caridade social e política. A junção destes dois modelos caritativos faz com que a realidade seja transformada até as últimas consequências, pela esfera do amor de Deus. Por últimas consequências compreende-se “pisar e calçar as sandálias dos pobres”, no intuito evangélico de descobrir qual grande é sua dor.

Ademais, precisamos assumir a causa dos pobres, independente de nossos credos ou posição social e política. Ser um com o pobre a exemplo de Jesus, que sendo rico se fez pobre por amor a nós (II Cor 8,9). Deste modo, iniciaremos a passagem lenta da miséria para a obtenção do necessário, da falta de saúde para a aquisição do bem estar médico, do analfabetismo para uma educação, das iniquidades sociais para o triunfo da justiça e da paz. Enfim, construiremos o desenvolvimento integral da pessoa humana.

Compreenderemos que não é o trabalho que dignifica o homem, mas, sobretudo o homem que dignifica o trabalho. Também seremos capazes de não conceber o lucro como o fundamento da vida, e ao mesmo tempo, reconheceremos que tanto a economia quanto a política estão a serviço do homem e da mulher, não o contrário.

Olhar para o pobre com os olhos do Pai é um desafio que se impõe a todos nós! A isto chamaríamos de “opção preferencial pelos pobres”. No entanto, percebe-se de modo sutil a implantação de outra visão intitulada de “opressão preferencial pelos pobres”, ou seja, quem deveria optar pelo pobre acaba oprimindo-o. Quem deveria lutar pelo pobre assume a função de massacrá-lo. E aqui não falamos de políticas públicas ou economia globalizada, falamos por ora de pequenas situações, que tanto eu como você, podemos alimentar sem pensar que estamos dando continuidade a um sistema que crucifica os pequeninos de Deus.

Questionemos nossas atitudes e reconheçamos se por algumas vezes e dos mais variados modos não alimentamos o capitalismo do lucro pelo lucro. Examinemos nossa consciência nos juros que cobramos. Olhemos se não estamos consumindo sem limites. Revisemos nossas prateleiras existenciais e perguntemos: Qual foi a última atitude que fizemos em favor de um pobre? Qual foi o dia em que deixamos de ir passear para visitar uma família carente na periferia de nossas cidades? Quando foi o último celular que compramos e a última cesta básica que doamos?

A responsabilidade pelo pobre não é só política, mas se estende a todos nós. É um preceito existencial reconhecer na vida do pobre a vida de Cristo que ainda caminha pelo mundo no desempregado, no indigente, no abandonado, no sem teto, e no marginalizado. Reflitamos como nos diz a canção: Seu nome é Jesus Cristo e passa fome e grita pela boca dos famintos. E a gente quando vê passa adiante. Às vezes pra chegar depressa a Igreja. Seu nome é Jesus Cristo e está sem casa e dorme pelas beiras das calçadas e a gente quando vê aperta o passo e diz que ele dormiu embriagado.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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