Dia: 19 de agosto de 2012

NÃO SOMOS CÓPIAS. SOMOS ÚNICOS!

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Há momentos em que a existência torna-se padronizada. Ainda mais quando tudo é oferecido da mesma forma para todos. Não se considera nem a individualidade nem aquilo que se passa, exclusivamente, no coração da pessoa. Aqueles que não se adequam à “opinião da galera” ou “vontade das massas” são tidos como bitolados, retrógrados, sendo até excluídos por isso.

Nos tempos atuais, muitos têm esquecido o conceito de singularidade. Este termo tem origem na Física e é utilizado para designar as realidades que se encontram além do que conhecemos ou podemos prever. Seria uma espécie de limite, que a ciência sempre enfrenta diante de realidades que resignificam o conhecimento.

Porém, na linguagem religiosa, a singularidade é tida a partir das características subjetivas (interiores), capazes de nos distinguir das demais pessoas. É aquilo que nos faz únicos. Só assumimos uma identidade e desenvolvemos comportamentos específicos porque somos singulares, em outras palavras: exclusivos! O Pai Eterno nos fez e depois quebrou a forma. Não somos imitações ou cópias de quem quer que seja. A maturidade cristã também nos convida a agirmos de forma particular e não como reproduções, muitas vezes impostas.

O que nos faz singulares? A história de vida e as experiências dela oriunda, a vivência da fé em uma determinada comunidade ou em várias, a participação da família e a transmissão dos valores, o modo como fomos educados e socializados, os traumas superados, os medos não confessados, as verdades que nos movem, dentre outras realidades.

Assim sendo, uma pessoa que nasceu em um lar católico terá uma imagem de Deus diferente de quem nasceu em um lar onde não há uma prática de fé. Quem viveu ao lado de um pai e de uma mãe acreditará na família de uma maneira distinta de quem não conheceu um pai, de quem perdeu a mãe no parto ou de quem, infelizmente, foi criado nas ruas. Nossa singularidade dependerá do passado e será atualizada no presente.

Mas, como conhecer uma singularidade? Observando as coisas que gostamos (nossas preferências); as palavras que utilizamos (nossas emoções moderadas ou agressivas); a forma como tratamos os outros (nossa visão de indivíduo); as roupas que vestimos, as músicas que ouvimos, as cores que escolhemos, os cursos que fazemos (nossas referências); as pessoas que convivemos, por escolha ou por familiaridade (nossa capacidade de aceitação) e, por fim, o modo como concebemos a existência (nossos significados).

Enquanto não compreendermos a singularidade das pessoas: iremos tratá-las como meras extensões de nós. Não reconheceremos individualidades nem aprenderemos que a conviver com o diferente. Seremos reticentes e não aceitaremos algo que difere do que temos estabelecido como correto, sem ao menos perguntar o porquê de tal disparidade. Há pessoas que sofrem muito por não aceitar opiniões desiguais e pensamentos destoantes. Travam verdadeiras batalhas dentro de casa ou no ambiente de trabalho. Sinceramente, desconhecem o dom do diálogo, pois só suas verdades prevalecem.

Paremos um pouco para refletir se não temos sido rudes com a existência dos outros e, talvez, até mesmo com a nossa. Olhemos para o Pai Eterno e aprendamos com Ele como é que se tratam as pessoas: de forma incondicional, sem preconceitos ou julgamentos, de modo a compreender cada um a partir de sua singularidade.

Nem todo alcoólatra bebe porque é alguém sem determinação, nem toda nervoso é um desequilibrado, nem toda pessoa grossa é insegura, nem todo moralista é santo. Há casos de alcoólatras que só deixarão o vício quando resolverem os sofrimentos que lhe afligem. Bebem para fugir da difícil realidade, por mais injustificada que seja a bebida contínua. Há nervosos que são hostis, pelo fato de terem aprendido que isso é o correto, pois tudo o que conseguiram na vida foi na base do grito: infelizmente!

Aos poucos, a singularidade nos ensinará a ver as pessoas com olhos ternos e a partir daí elas mudarão de vida. Não se trata de conformismo. Trata-se, na verdade, de compreender o outro a partir do outro, para que nasça a conversão. Do contrário, estaremos impondo e colonizando os demais, a partir do que pensamos ser o melhor.

Recorrendo à literatura, finalizo com as sábias palavras do diálogo da raposa com o Pequeno Príncipe: “Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas […] serás pra mim o único no mundo […]. Conhecerei o barulho de seus passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo” (Antoine de Saint-Exupéry).

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
Twitter: @padrerobson
www.paieterno.com.br

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