Mês: dezembro 2013

Ontem, Belém; hoje, nossos corações!

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Ao pensar neste artigo, recordei-me do período em que residi na Irlanda e na Itália por dois anos. Foram momentos difíceis, longe da família, dos amigos e do Brasil. Por outro lado, foi um tempo de muitas descobertas no estudo contínuo para o mestrado em Moral, na aproximação com uma fé centralizada nas fontes do catolicismo e, por fim, no contato e convivências com culturas, por assim dizer, secularizadas. Todavia, o mais marcante na Europa foi o tempo do Natal. Algumas composições, ainda hoje, ressoam em minha mente. Dentre elas, destaco a canção Tu scendi dalle stelle (Tu desces das estrelas). Trata-se de uma harmoniosa melodia composta em 1755, por Santo Afonso Maria de Ligório. Se fôssemos comparar, poderíamos associá-la a Jingle Bells, ou então à conhecida Noite Feliz. Esta é, na verdade, a música natalina oficial e mais popular na Itália. Nada de estrangeirismos, mas partilho com vocês uma experiência de fé a partir desta canção natalina traduzida para o português.

A primeira estrofe nos apresenta simplicidade do pequeno Jesus: “Eis que lá das estrelas, ó Rei celeste, tu vens nascer na gruta, num frio agreste. Ó Menino, meu divino, eu te vejo aqui tremer. Ó Verbo Encarnado, oh quanto te custou ter-me amado. Eis faltam ao Senhor, Deus das alturas, os panos e o calor das criaturas. Meu divino Pequenino, tal pobreza grande assim mais me enternece se penso que é o amor que te empobrece!” Santo Afonso oferece a imagem de um Deus que na sua riqueza visita a pobreza do humano e se torna pobre por amor a nós. Jesus nasce em uma manjedoura que, de acordo com a tradução hebraica da Bíblia, era um buraco cavado entre as rochas, sendo utilizado para depositar os alimentos dos animais. Um Deus que nasce junto aos animais porque não encontrou lugar no coração dos homens.

Será que hoje esta história não se repete? Uma pequena criança que sente fome, que conhece a dor, a saudade, o desprezo e o cansaço. Em Jesus, o Divino se torna humano para que o humano se torne divino e não se esqueça de sua origem primeira em Deus. A criança de Nazaré vem para nos recordar que nossa vida só tem sentido em Deus. No silêncio da noite, no ocaso de uma nação insignificante e no entardecer de uma vila interiorana, nasce o Menino Jesus!

A canção continua: “Gozando lá no céu toda a ventura, tu sofres nessas palhas tantas agruras. Doce eleito do meu peito, aonde vais em teu amor? Jesus, eu penso: por que sofrer assim? Ó amor imenso! Mas se é tua vontade sofrer tanto, por que chorar assim sentido pranto? Terno Esposo, Deus ditoso, meu Jesus, compreendo, sim. Senhor querido: tu choras, não de dor… de amor ferido!” Uma vida marcada pela consternação. Esta é a maior cruz do pequeno menino. As lágrimas do recém-nascido são a profecia da missão e da morte que Ele mesmo irá sofrer.

No nascimento, não vemos holofotes nem liquidações de última hora, nada de ofertas ou presentes consumistas, não encontramos nenhum Papai Noel e muito menos shopping centers ou galerias de moda; pelo contrário, Ele vem ao mundo marcado pelo mais absoluto silêncio que exige contemplação. Hoje, em vez de ouvir a esquecida frase “vamos à Belém?”, só conseguimos escutar o famoso “vamos às compras”. Muitas vezes e dos mais variados modos, tiramos Jesus de nossos corações e abrimos nossas sacolas para preenchê-las dos mais supérfluos bens de consumo. No lugar de conceder Jesus às pessoas, simplesmente damos presentes. Para alguns, o Natal deixou de ser uma confraternização religiosa para tornar-se uma festa dispendiosa, de tamanha opulência, que não tem nada a ver com a sua figura principal. Como temos facilidade de mudar o sentido das coisas! Vivemos em um mundo que até mesmo o Menino Jesus foi substituído por outras realidades financeiramente mais vantajosas!

Continuemos com Santo Afonso: “Tu choras porque sabes o meu pecado: depois de tanto amor não ser amado… Ó eleito de meu peito, se o passado foi assim, eu só reclamo que tu não chores mais, porque já te amo! E quando estás assim adormecido, teu coração não dorme, enternecido! Deus amado, imaculado! Em que pensas tu então? ‘Penso na morte, que hei de sofrer por ti!’ Que amor tão forte!”

No presépio está o rosto de um Deus apaixonado por nós. Mesmo com nossos erros e pecados, Ele não desiste do humano! E nós, será que já desistimos de Deus? Estamos à procura desesperada do deus da prosperidade, que é obrigado a realizar todos os nossos caprichos pessoais ou buscamos o Deus que já deu tudo o que devia nos dar, inclusive sua própria vida? Como será o nosso Natal? Tiraremos um pouco do nosso precioso tempo para passarmos juntos àqueles que amamos? O que é mais importante: estar com a família de sempre ou com os amigos passageiros? Atravessaremos o Natal com um copo de cerveja em mãos, fazendo rachas pelas ruas, ou estaremos em oração, cultivando a nossa vida e a dos outros? O Natal é uma festa cuja maior companhia é o Menino Jesus. Estar longe Dele é deturpar o verdadeiro sentido desta festa!

Não tenhamos medo de abrir nossos corações para a pequena criança de Nazaré que nos solicita abrigo. Antes de nascer em Belém, Ele deseja vir ao mundo em nossas vidas. Nunca é tarde para acolhê-lo. Se hoje fugimos Dele, amanhã Ele nos encontra nas esquinas da vida! Ou pelo amor da existência ou pela dor da história, sempre se encontra Deus. Olhemos para o presépio e nos deixemos tocar pela figura frágil e cheia de ternura do Menino Jesus que está em nossas portas e pede entrada!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

O Espírito Santo e a comunidade cristã

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Não é difícil encontrar a ação do Espírito no Antigo Testamento. Ele é o que dá vida, ânimo, força (Gn 6,17-27), ele indica o mais profundo do ser humano e sua busca de Deus (Sl 77,4.7), é também a energia, movimento que inspira a pessoa a paixões, furor, ira, coragem e resistência (Sl 31; Jz 15,19).

No Antigo Testamento, a ação do Espírito esteve sempre em favor da criação, do povo de Deus e da vida. Sendo aquele que gera, cria, faz nascer, movimenta, inspira, impulsiona, redime e cura. E Jesus bebe desta tradição bíblica-profética tornando-a vida em sua vida.

Toda a vida de Jesus de Nazaré pressupõe a ação do Espírito. Desde a anunciação feita pelo Anjo a Maria, no qual anuncia a concepção: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do altíssimo vai te cobrir com a sua sombra, por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1,26).

No batismo de Jesus feito por João (Mc 1, 9-10), que o impulsionou à missão no comprometimento com o Reino do Pai. Curando o paralítico (Mc 2,5), o leproso (Mc 2,40-42), perdoando os pecados (Lc 7,50), expulsando os Demônios (Mt 8,28-32). No mesmo Espírito, Jesus clama “Abbá, Pai” (Mc 14,36) e entrega-se ao Pai: “Pai em tuas mãos entrego o meu Espírito” (Lc 23,46). Também no Espírito, Jesus é ressuscitado e volta para o Pai, donde Ele envia o Espírito sobre os apóstolos.

Sabemos hoje que essas passagens possuem seu fundamento na releitura que as primeiras comunidades cristãs fizeram do evento Cristo, portanto são pós-pascais. Mas elas nos indicam como Jesus de Nazaré experimentou a Deus e como esse relacionamento com Deus, por meio do Espírito, o conduziu à entrega total por uma causa.

É o Espírito quem torna presente o Reino na pessoa de Jesus de Nazaré, fazendo assim este Reino visível aos olhos dos pobres, pequenos e pecadores. Por isso, os primeiros discípulos não hesitaram em relacionar a ação de Jesus à ação do Espírito de Deus que vem em favor do seu povo.

Em pentecostes (At 1-13), momento em que “simbolicamente” o Espírito foi enviado sobre os discípulos, fundando a Igreja, manifestou-se a força salvadora da obra de Cristo, Encarnado, Morto e Ressuscitado que permanece na Igreja como portadora de sua ação salvífica por meio do Espírito.

É por meio do Espírito de Cristo presente na Igreja, que esta se torna mediadora da salvação. Deste modo, a Igreja, comunidade de fiéis, para ser verdadeiramente portadora da salvação, ou comunidade salvífica, tem que viver segundo o Espírito de Cristo no meio do mundo.

Por isso, ela é sempre convidada a manter os “olhos fixos em Jesus” (Hb 12,1-2) para não perder a meta e o fundamento na qual ela está fundada, que é o próprio Cristo. No entanto, voltar o olhar para o Cristo é antes de tudo voltar o olhar para Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, o carpinteiro. Pois é olhando para Ele que as primeiras comunidades, movidas pelo Espírito, vão reconhecer que Ele é o Cristo da fé, e Nele está a salvação esperada.

Diác. Reinaldo Martins de Oliveira,C.Ss.R.
Missionário Redentorista

Viver na Casa do Amor

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Para receber o Amado que se aproxima e viver na casa do amor é necessário vigilância e prontidão.

O Natal que se aproxima é a celebração do Amor que nos veio visitar e permanece conosco. Deus é amor e veio morar entre nós. Para receber a visita do Amor e com ele permanecer é preciso, preparar a nossa casa. Por isso a Igreja propõe para nós o tempo litúrgico do advento que favorece a indispensável conversão e alimenta a esperança: “O amado está chegando! Abri para ele a porta… Levantai a vossa cabeça e olhai, pois a vossa redenção se aproxima! Nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”.

Para receber o Amado que se aproxima e viver na casa do amor é necessário vigilância e prontidão ativas. Isso significa que cada um de nós precisa ter a coragem de abrir a porta e as janelas do próprio coração para deixar que entrem a luz da vida e a brisa suave do Espírito. Nosso coração fechado vive na escuridão e sofre escravo do medo e do ódio, da inveja e da vaidade, do rancor e da indiferença, do orgulho e da prepotência. Esses sentimentos e atitudes nos jogam no redemoinho da escuridão e da morte. Com a graça de Deus e o nosso esforço pessoal, é possível limpar e arrumar a casa para receber o Amado. Do contrário ficamos vulneráveis e a nossa casa estará sujeita ao ladrão que chega na noite escura e nos pega dormindo ou distraídos. Corremos o risco de estar construindo a nossa casa na areia.

Então, cada um de nós precisa ver como está construindo e verificar se a sua casa, vale dizer – o coração – está arrumada e aberta para acolher o Amado que se aproxima. Não deixemos passar a oportunidade que o advento e o natal nos oferecem para nos tornarmos mais humanos em contínuo e avançado processo de conversão para o Amor. Viver na casa do amor, é sempre a melhor escolha porque nos sentimos livres, ganhamos leveza e experimentamos a felicidade que é habitar a casa do Senhor que vem nos visitar e deseja permanecer conosco.

Abençoado Natal para todos!

Pe. Fábio Bento da Costa, C.Ss.R.
Superior Provincial

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