Dia: 1 de Janeiro de 2014

Ano Novo: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

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Sabemos que tudo o que existe é obra criadora do Pai Eterno: princípio imanente de todas as coisas. Na essência da criação reside a intencionalidade Divina em nos salvar! A própria força do criado nos remete a Deus que apela e se direciona em favor do humano para divinizá-lo no amor, redimi-lo na esperança e reconduzi-lo à fé.

Em Jesus Deus se torna humano! Mesmo criando a humanidade, Deus nunca havia sido historicamente humano: carne em nossa carne, sangue do nosso sangue, vida para nossa vida. Foi em Jesus que Deus assumiu as raízes existenciais do humano, exceto no pecado. Em contrapartida, é no Jesus de Nazaré, testemunhado pelos Evangelhos e, ao mesmo tempo, pela Tradição da Igreja, que encontramos o sentido último da vida e a plenitude realizadora do humano!

Jesus, foi o revelador de dois grandes mistérios da criação, a saber: o mistério de Deus, na incondicionalidade de Pai e o mistério do homem e da mulher, na realidade divina de filhos! Por meio do Cristo, a humanidade ferida peregrina em busca de sua origem: o coração amoroso do Pai Eterno! Muito mais que morrer na cruz por nossos absolutizados pecados, Jesus teve a missão de revelar, por atitudes e palavras, a face de um Deus com rosto de Pai. Justamente por isso, se quisermos compreender a Deus precisamos recorrer à mensagem de Jesus. Nela nos deparamos com um Deus que “está com problemas, louco de amor, perdeu a cabeça de tanto amor” (Santo Afonso). Um Deus que “dá testemunho de si dentro de nós” (Libânio) e que nos ensina a continuar a missão redentora de Jesus sendo, para o mundo, a face do amor! O amor do Pai nos conduz à vivência do Cristianismo.

É por isso que, na condição de filhos do Pai Eterno, precisamos reavaliar o verdadeiro sentido da nossa fé cristã no mundo. Devemos procurar ir ao fundo dos fatos motores que nos impeliram a entregar a vida em favor do mais pobre dos pobres. Eis uma pergunta existencial: Qual a razão do Cristianismo na Igreja e a serviço do mundo? Aquele que é capaz de questionar o sentido da própria fé está alcançando a maturidade em Cristo. Quem não se questiona é infantil e tem medo de se conhecer. Infelizmente nos esquecemos de que as nossas atitudes dão testemunho da fé cristã.

Destarte, urge a tarefa de assumir a vivência radical da caridade testemunhada no Evangelho. Ao escolhê-la estamos optando pela primazia da fraternidade, pela fundamentação no amor gratuito e pela assiduidade na consagração às obras boas. Por fim, escolhemos a uma caridade livre que não se fundamenta nem no tradicionalismo nem no conservadorismo, mas, sobretudo, em uma vida radicada no Coração do Pai, Filho e Espírito Santo.

Na Santíssima Trindade encontramos a nossa eterna morada, a nossa manjedoura existencial. Da Trindade viemos. Nela somos, nos movemos e existimos. Para Ela haveremos de voltar após a experiência mais íntima da fé na morte (cf. At 17,28). A vivência trinitária faz da vida: uma verdade altruísta, faz da história: uma biografia de salvação, faz do seguimento: uma constância perene no coração de Deus.
Adentrando ao Mistério da Trindade resgatamos a origem da nossa criação a partir do Pai, da nossa salvação no Filho e da nossa transfiguração no Espírito Santo. Na medida em que ingressamos pela Escola do Evangelho aprendemos a transpor a nossa figura pela figura da Trindade. Passamos a medir os fatos da vida sob o crivo do Deus, que é amor (cf. I Jo 4,8). Encontramos o sentido para a existência e descobrimos que “não amamos qualidades, amamos uma pessoa; às vezes tanto pelos seus defeitos quanto por suas qualidades” (Jacques Maritain).

Filiados em Deus Pai, irmanados na encarnação de Jesus Redentor e santificados pela força transformadora do Espírito mergulhemos na vida da Trindade! Abramos o nosso coração diante deste Deus que não nos tira nada, pelo contrário, nos concede tudo o que necessitamos para sermos plenos e humanos. Não fujamos do amor de um Deus que faz tudo pela nossa felicidade! Não tenhamos medo de nos entregar ao Amor, mesmo que seja até as últimas conseqüências da fidelidade na cruz. Um feliz e abençoado 2014! Santo e próspero Ano Novo!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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