Dia: 28 de Janeiro de 2014

Para uma nova evangelização

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Quando Santo Afonso Maria de Ligório, em 9 de novembro de 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, em Nápolis na Itália, foi-se desenvolvendo uma prática pastoral de acordo com a necessidade daqueles trabalhadores rurais nas montanhas cuidando de seus rebanhos e cultivando as plantações nativas daquela região. Santo Afonso deixou como principal inspiração a certeza de que encontramos em Jesus Cristo a “Copiosa Redenção”, ou seja, a Misericórdia infinita, o perdão e a reconciliação. O Papa Francisco tem demonstrado em seus escritos e mensagens a importância de uma profunda conversão vinda de dentro da própria Igreja para chegarmos ao exercício de uma nova evangelização. Em sua mais recente Exortação Apostólica Evangelii Gaudium” (a alegria do Evangelho), destaca, ao falar sobre o “coração do Evangelho”: São Tomás de Aquino ensinava que, também na mensagem moral da Igreja, há uma hierarquia nas virtudes e ações que delas procedem. Aqui, o que conta é, antes de Aqui, o que conta é, antes de mais nada, a fé que atua pelo amor” (Gl 5,6).

Continua o papa:

O elemento principal da nova lei é a Graça do Espírito Santo, que se manifesta através da fé que opera pelo amor. Por isso afirma que, relativamente ao agir exterior, a misericórdia é a maior de todas as virtudes; na realidade compete-lhe debruçar-se sobre os outros e – o que mais conta – remediar as misérias alheias. Ora, isto é tarefa especialmente de quem é superior; é por isso que se diz que é próprio de Deus usar de misericórdia e é, sobretudo nisto, que se manifesta a sua onipotência.” (Evangeli Gaudium, nº 37, pág. 33) A exortação do Papa Francisco toca a essência do Evangelho quando ressalta como a maior das virtudes, a misericórdia, nos coloca a serviço das pessoas que sofrem para sermos o sinal de Cristo, colaborando para que sejam curadas as feridas e que se libertem de todo o mal que lhes escravizam. Na Congregação do Santíssimo Redentor somos enviados aos mais humildes nos lugares mais distantes e difíceis em que outros não querem ir. Na atualidade quando a maioria da população migrou-se para as cidades grandes somos chamados a evangelizar nas periferias onde estão os abandonados, tanto socialmente como espiritualmente. Somos chamados, também, a acolher e evangelizar todas as pessoas que acorrem aos Santuários buscando a bondade e a misericórdia daqueles que foram preparados para esse serviço e devem se colocar como Jesus, debruçando-se e gastando a sua vida para a realização da Copiosa Redenção em Jesus Cristo. Para sermos testemunhas de Cristo Jesus quando nos ensina a servir com gratuidade. Para chegar-se a uma conversão pessoal é necessário um olhar atento para dentro de si mesmo, uma avaliação das atitudes e um discernimento a partir do coração do Evangelho, que é a prática das virtudes teologais: a Fé a Esperança e o Amor. Chegando ao exercício da misericórdia com todos, especialmente aos excluídos de uma participação digna em todas as dimensões: social, política, cultural, religiosa. Para uma nova evangelização é importante desprendermos das estruturas que proporcionam o comodismo e voltarmos àqueles que peregrinaram em busca de encontrar o sentido para a vocação. Como São Clemente, Santo Redentorista, que nos ensina que o Evangelho deve ser transmitido de acordo com a realidade de cada povo e cultura. E que a mensagem do Evangelho é sempre atual onde os corações se dispõem a serem renovados. Ao mesmo tempo, devemos evangelizar com renovado ardor missionário levando aos mais pobres e abandonados a Copiosa Redenção de Cristo Redentor.

 Pe. João Otávio, C.Ss.R. 

Missionário Redentorista

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