Mês: março 2014

Esperança nossa, Salve!

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A esperança é uma virtude que nasce da fé. A fé nos revela realidades e mistérios que a nossa razão não pode atingir: a fé, portanto, é uma luz divina, uma graça, um dom que Deus nos concede para conhecermos, ainda que imperfeitamente, nossa origem, nossa vocação e nosso destino eterno. Sem a fé, é impossível chegar até Deus. Como os mistérios revelados pela fé são maravilhosos e de suma importância para nós, a fé desperta em nós o desejo de os possuir, de participar desses mistérios. O desejo de participar e a possibilidade de os possuir, faz nascer em nós a Esperança.

A esperança é a força interior que nos faz querer e buscar as realidades reveladas pela fé. É verdade que, só em Deus, como fonte e fundamento de nossa esperança, é que podemos depositar nossa esperança. Como podemos, então, chamar Nossa Senhora de Esperança nossa? O próprio Deus quis dar para nós a resposta a esta dificuldade: Só dele vem a graça e a salvação. Só Jesus é o nosso Redentor e Salvador. Mas, no entanto, não quis realizar tudo sozinho: quis precisar da mediação de uma mulher – Maria-Mãe de Jesus – para realizar a salvação do mundo. O Salvador já fora prometido no paraíso, após o pecado de nossos primeiros pais. Mas Deus, Pai misericordioso, não quis que a humanidade entrasse em desespero, e por isso fez uma promessa: “Eu porei inimizade entre você e a mulher; entre a tua descendência e a descendência dela. Estes vão esmagar-te a cabeça, e tu ferirás o calcanhar deles” (Gn 3,15).

A promessa da vitória final não deixou que nossos pais e nossos antecedentes entrassem no desespero! Havia uma promessa de libertação e de salvação. E a promessa feita pelo próprio Deus, fez nascer a esperança no coração da humanidade. Mas a promessa de vitória estava vinculada a dois novos personagens: a uma mulher, que seria a mãe do Salvador e a seu Filho. A promessa faz que firmemos nossa esperança no poder e na veracidade de Deus, como fonte e fundamento de nossa esperança. Vamos olhar, agora, como essa promessa se realizou.

São Lucas, em seu Evangelho, descreve de maneira simples, mas encantadora, o momento solene do início da Salvação da humanidade. O Anjo Gabriel, enviado por Deus, deposita a esperança de Deus nas mãos de uma jovem: Maria. Do seu “sim” estava dependendo a salvação do mundo. Maria se tornou, por escolha de Deus, a depositária da esperança. Por sua fé em Deus, que pode realizar o impossível, tornou-se possível a Salvação da humanidade. Naquele momento a esperança da humanidade estava concentrada numa pessoa: Maria. Ela era a nossa esperança. A fé e a esperança de Maria trouxeram a Salvação para o mundo.

Todos nós sabemos que Maria não é a nossa Salvadora, mas nem todos sabem que, sem Maria, não haveria a Salvação. Em Maria se realizaram a promessa e a esperança de Deus de poder salvar o mundo por meio de seu Filho, tornado humano, que nasceu e se tornou homem no ventre virginal de Maria. Se o próprio Deus depositou sua esperança em Maria, será que estaremos errados em depositar nossa esperança nela? Deus é a fonte e o princípio da Salvação, mas ela só chega a nós pela mediação de Jesus, que, por vontade do Pai, se tornou filho de Maria. Maria, sois a nossa esperança!

Pe. Ângelo Licati
Missionário Redentorista

Ecologia e Consciência

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O que se entende por ecologia? Segundo o Dicionário Aurélio da língua portuguesa, há dois campos semânticos em que o termo “ecologia” ganha expressão e vulto. Primeiramente, ecologia é entendida como a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ou ambiente em que vivem bem como as suas recíprocas influências. Em segundo, significa o ramo das ciências humanas que estuda a estrutura e o desenvolvimento das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente. Os estudiosos explicam que “o termo ecologia é formado das palavras gregas oikos (casa) e logos (conhecimento). Portanto, ecologia é a ciência da nossa ‘casa comum’: o meio ambiente, a natureza, a terra”. Esta explicação é do teólogo jesuíta José Roque Junges, retirada de seu livro, Ecologia e Criação.

O homem é indiscutivelmente um ser de relação. Ora, sendo relação o mesmo precisa ser tomado como realidade capaz de viver “uma conversão ecológica pela qual o ser humano deixe de se autocompreender como indivíduo separado, para se ver como parte de um conjunto de inter-relações naturais e sociais”, escreve o mesmo teólogo citado anteriormente. O ser humano não consiste numa realidade separada dos demais seres que compõe o ecossistema. Ou ainda, não devemos compreender a ecologia como um sistema a parte ou contraposto à vida humana. Ao contrário, a “conversão ecológica” ensina-nos que ser humano e ecologia caminham unidos, pois ambos fazem parte de um mesmo sistema planetário. A consciência do ser humano como ser social evidencia que toda ação traduzida em forma de comportamento, só é possível porque há o dado relacional em sua gênese humana.

O problema ecológico quando tomado pela ótica da responsabilidade pode ser analisado pela ótica antropológica e moral. Pois, sem criar uma cultura da consciência, talvez nada possa ser feito no que toca aos efeitos catastróficos da ação do ser humano na natureza. A constituição Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II (1962-1965) ensina sabiamente que Deus não criou o homem como realidade isolada, mas ao contrário: “o homem é, com efeito, por sua natureza intima um ser social” (n.12). Com essa característica peculiar de ser social, portanto, relacional, o ser humano é convidado a repensar como vem ocorrendo sua relação com a natureza. Nesta acepção, Deus não o criou só, mas ao seu lado como relata o livro do Gênesis, criou também a natureza com suas particularidades. Analisado por esse prisma, a ação transformadora deve ocorrer por meio da consciência.

A consciência faz lembrar que existe em nossa estrutura psíquica uma lei. Essa, por sua vez, não deve ser tomada simplesmente como um imperativo calcado no dever, mas proporciona ao homem a capacidade de refletir e pensar sobre as consequências do seu agir, de suas intenções, de sua intencionalidade que decorrerá em forma de comportamento. Sabiamente a Gaudium et Spes recorda aos homens e mulheres de boa vontade: “na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei: faze isto, evita aquilo. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (n.16). Por isso, reflitamos sobre nosso comportamento relacionado aos desafios ecológicos da atualidade. A Igreja Católica por meio da Campanha da Fraternidade de 2011 convidou-nos a repensar sobre nossas ações relacionadas com as demais vidas no planeta.

Pe. Elismar Alves dos Santos, CSsR
Missionário Redentorista

Patrono da Província

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No dia 15 de março, fazemos memória de São Clemente Maria Hofbauer. Um genuíno missionário redentorista, responsável pela expansão da Congregação para além dos Alpes. Homem forte na fé, alegre na esperança e cheio de caridade apostólica, Clemente enfrentou críticas e oposição dos redentoristas que viviam no Reino de Nápoles e nos Estados Pontifícios e foi duramente perseguido pelo Estado anticlerical e absolutista. Várias vezes viu sua obra destruída e teve que começar tudo de novo noutro lugar. Nenhuma dessas dificuldades intimidou Clemente. Ele alcançou e centralizou a vida em Jesus Cristo aplicando a si mesmo as palavras do Apóstolo Paulo: “Somos atribulados por todos os lados, mas não esmagados; postos em extrema dificuldade, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados. Incessantemente e por toda parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Por isto não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós, o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno da glória que elas nos preparam até o excesso. Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Cor 4,8-10.16-18).

São Clemente foi criativo e ousado no modo de pregar o evangelho atraindo pessoas simples e alcançando o coração de vários intelectuais de seu tempo. Ele teve uma dedicação especial às crianças através de orfanatos e colaborou com a formação da juventude indicando que “o mandato conferido à Congregação de evangelizar os pobres visa a libertação total da pessoa humana através do anúncio explícito do Evangelho e a solidariedade com os pobres” (Const. 5). É de São Clemente o pensamento que inspira os redentoristas que hoje buscam reestruturar a vida num contínuo processo de conversão e renovar as estruturas para a missão: “Anunciar o Evangelho de modo sempre novo” (São Clemente).

Por tudo isso é que os redentoristas de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins escolhemos São Clemente para ser o nosso patrono. Animados pelo testemunho de Clemente e certos de que ele intercede por nós, prosseguimos realizando a nossa missão com ousadia, esperança, ardor, criatividade e perseverança. Nos santuários e nas paróquias, pelos meios de comunicação social e na sobras sociais, na formação dos seminaristas e da juventude redentorista, vamos anunciando e testemunhando a abundante Redenção em Cristo Jesus.

Pe. Fábio Bento da Costa, C.Ss.R.
Superior Provincial

Perdoai-vos e reconciliai-vos!

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Na caminhada do humano o perdão tem sido uma das realidades mais esquecidas e menos valorizadas. Estruturas são criadas, análises construídas, fenômenos descobertos e as pessoas continuam inflamadas pela mágoa, aniquiladas pelo rancor e doentes, literalmente, acamadas por não conseguirem perdoar. Meu Deus, quantas situações não resolvidas e quanto ódio nos corações! Devido à ausência de perdão a vida vai se tornando amarga e a existência assume o viés da frustração.

Não só em nível teórico, mas, sobretudo, em nível prático, o perdão nos transforma em agentes da liberdade. Perdoando, nos reconciliamos e nos reconciliando, perdoamos. Esse pequeno trocadilho confere cor e sabor de santidade à nossa vida. Trata-se de uma lei natural: aquele que se sente incapaz de perdoar acaba sofrendo até a fase terminal do existir. E aqui nos cabe questionar: quem é que sofre mais, quem odeia ou quem é odiado? Quem odeia. Quem é que se amargura mais, aquele que magoou ou aquele que foi magoado? O que magoou. A pessoa que denigre, briga, amaldiçoa e fere sai mais prejudicada que o denegrido, o brigado, o amaldiçoado e o ferido. Anulados pelo ódio, perdemos a nossa identidade no amor.

O perdão é muito maior que imaginamos. Em primeiro lugar precisamos nos reconciliar com a nossa história. Por mais que houve sofrimentos e perdas, ao ponto de criar traumas, temos a necessidade de assumir nosso modo de viver. Muitas vezes somos calejados pela dor e, ao mesmo tempo, redimidos em Deus. “Somente o que é assumido, é redimido” (Santo Irineu). Ao não aceitarmos a existência como dom e o sofrimento como acidente de percurso, nos tornamos escravos do passado. Diante da maturidade psicológica o passado influencia, mas não pode determinar o nosso presente. A crise, as palavras torpes, as pesadas discussões não podem funcionar como um pântano inconsciente, no qual estamos imersos. Justamente por isso, urge a tarefa de reconciliar-se consigo. O perdão nos faz maduros e adultos. Não perdoando nos infantilizamos.

O itinerário do perdão pressupõe a reconciliação com os pais, irmãos e demais parentes, professores, patrões e amigos. Às vezes, ruminamos fatos momentâneos e mal entendidos por tudo uma vida. Por outro lado, há situações que perduram por longa data. Mulheres que foram violentadas, oprimidas pelo marido, massacradas por humilhações e detonadas pela embriaguez do cônjuge. O mesmo também serve para os esposos que foram traídos ou abandonados pela mulher. Eis situações que carecem de perdão.

Não podemos nos esquecer de que muitos casos de dependência química (drogas alucinógenas, entorpecentes, maconha e narcóticos) e alcoólica, prostituição, doenças psicológicas, depressão e até câncer são provocados pela omissão no perdão. É quase uma fórmula matemática da condição existencial: a ferida não cuidada e cultivada pelo tempo torna-se doença fria e purulenta.

Por mais que não concordemos, Deus precisa ser perdoado. Teologicamente tal afirmativa não possui nenhum cabimento, pelo contrário, beira à heresia. Contudo, não raras vezes culpabilizamos Deus pelas catástrofes que acontecem em nossa vida. O Pai Eterno não envia e muito menos ratifica algum tipo de mal. Mesmo assim, temos o péssimo costume de atribuir a Ele tudo o que nos acontece. Infelizmente, nos esquecemos de que nem tudo o que nos ocorre é fruto da vontade Divina.

Defronte a morte de alguém querido, perante a perda de imóveis ou bens pessoais, diante de danos irreparáveis surgem tais indagações: Porque isso foi acontecer comigo? O que foi que eu fiz para merecer isso? Até quando, meu Deus? Porque Deus permitiu? Isso é justo? Nos momentos de desespero aquilo que acreditamos vem à tona e as razões da nossa fé são reveladas.

Nestes casos precisamos perdoar a imagem que fizemos de Deus e não a Deus diretamente. Reconciliar-se com aquilo que imaginamos de Deus e deixar de culpabilizá-lo é perdoar a origem do nosso ser. Desta forma, resgatamos o sentido maior da nossa vida, que a partir de então, ganha um norte de perdão e uma esperança de reconciliação.

Não nos é lícito perdoar de modo superficial ou não nos abrir ao perdão. Aquele que não perdoa é enfermo e escravo de si mesmo. O ódio é uma ferida que se alimenta do nosso fracasso. Quanto mais nos fechamos à reconciliação, mais fracos e desestimulados ficamos. Só quem é livre, liberta. Somente o amado é capaz de amar. Apenas o perdoado é apto a perdoar e perdoar verdadeiramente. Permitamos, portanto, que o Pai Eterno nos ensine a perdoar, principalmente, no quaresmal que se inicia em breve! Perdoemos e nos reconciliemos e livres seremos!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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