A Família: Célula vital da sociedade!

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Sirvo-me de uma expressão do Decreto sobre o Apostolado dos Leigos – Apostolicam Actuositatem – para tematizar o respectivo artigo. Sabemos que a família é uma instituição humana, social e religiosa. Não se trata de uma imposição da sociedade, como Berger e outros teóricos a definem, mas, sobretudo, de uma condição existencial. Não podemos confundir a família com um mecanismo para o controle dos indivíduos ou uma programação da conduta.

Humanamente, a família é fruto do desenvolvimento da consciência evolutiva dos povos: uma passagem tribal do clã à consanguinidade e à afinidade. Na perspectiva social, a família é uma estrutura criada para a proteção da sociedade. Ela é a escola onde se aprende as virtudes sociais. Por meio de regras claras e disposições ratificadas pelas pessoas, a sociedade é organizada. O objetivo maior é manter a regularidade e, ao mesmo tempo, a satisfação de todos os que se organizam em família.

Religiosamente, a família está radicada no coração do Criador. Ela tem raízes na comunhão de fé e vida da Santíssima Trindade. Porque Deus é família, comunhão de pessoas, nós também o somos ou deveríamos ser. Trata-se de um mistério cujo Pai é Deus e cuja regra é a caridade incondicional. À família cabe a missão de guardar, revelar e comunicar ao mundo a face do amor de Deus.

Infelizmente são muitas as forças que almejam deformar a família ou do contrário, destrui-la. O maior inimigo tem sido a perda dos valores fundamentais que constituem a vida familiar. Disposições como diálogo, perdão, solicitude, reciprocidade e altruísmo são concebidos na ótica do retrógrado. Para muitos, a própria família já é enfocada como um aparelho social arcaico. Vemos surgir movimentos aqui e acolá que almejam compor um novo modelo de família, na qual a dimensão da sacralidade e do divino é destituída de sua importância primordial. Assim, Deus é esquecido. No entanto, estes acabam se esquecendo de que o sepultamento de Deus é também o sepultamento da própria família.

A família tem uma vocação “não só natural e terrena, mas sobrenatural e eterna” (Paulo VI). Um dos grandes desafios da família é a educação da prole. Não são raras as ocasiões em que somos abordados por pais praticamente desesperados pelo caminho vivido pelos filhos nas drogas, no tráfico armado, na prostituição, na vida fútil e no prazer pelo prazer: “a educação para o amor como dom de si constitui também a premissa indispensável para os pais chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. Diante de uma cultura que banaliza em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de maneira limitada e empobrecida coligando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico, o serviço educativo dos pais deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual que seja verdadeira e plenamente pessoal” (João Paulo II).

É na comunidade familiar que construímos a nossa identidade. Nela somos educados para o amor gratuito. Na família tecemos relações incondicionais em que a vida ganha um norte e a esperança passa a ter sentido. Diante de uma sociedade alienada pelo prazer e demente pelo dinheiro, a família ainda é um grito profético contra o alcoolismo e todos os demais pecados que ferem a dimensão sacral da pessoa humana. Contra a falsificação da verdade, é tarefa de cada um de nós lutar pela existência da família, a saber:

“1. Pelo direito de existir e progredir, isto é, o direito de cada pessoa, mesmo o pobre, a fundar uma família e a ter os meios adequados para sustentá-la; 2. Pelo direito de exercer as suas responsabilidades no âmbito de transmitir a vida e de educar os filhos; 3. Pelo direito de crer e de professar a própria fé, e de difundi-la; 4. Pelo direito de obter a segurança física, social, política, econômica, especialmente tratando-se de pobres e de enfermos; 5. Pelo direito de ter uma habitação digna a conduzir conve – nientemente a vida familiar; 6. Pelo direito de criar associações com outras famílias e instituições, para um desempenho de modo adequado e solícito do próprio dever; 7. Pelo direito de proteger os menores de medicamentos prejudiciais, da pornografia, do alcoolismo, etc. mediante instituições e legislações adequadas; 8. Pelo direito à distração honesta que favoreça também os valores da família; 9. Pelo direito das pessoas de idade a viver e morrer dignamente; 10. Pelo direito de emigrar como família para encontrar vida melhor” (Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 46).

Rezemos por nossas famílias para que sejam moradas do Pai Eterno no seio da humanidade!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

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