Mês: outubro 2014

Por uma existência mais espiritual

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Na atualidade precisamos recorrer não somente aos tratados espirituais, mas, sobretudo, aos gran­des mestres da espiritualidade para sermos pessoas mais contemplativas e, ao mesmo tempo, mais humanas. Na vida dos místi­cos está o itinerário fundamental para a li­bertação interior do indivíduo: o encontro com Jesus de Nazaré! Nele e por Ele somos capazes de adentrar o mistério de Deus!

Infelizmente ainda é intensa a quantidade de pessoas que se distanciam da experiência da fé. Esperam chegar à terceira idade para assumirem uma vida de conversão em Deus. Muitos são aqueles que pensam a espiritualidade como um meio de tolir a nossa liberda­de. Espiritualidade seria sinônimo de caroli­ce, fechamento, isolamento das pessoas e das coisas boas da vida, resignação e sofrimento.

Viver espiritualmente não é uma perda, mas um ganho da pessoa humana. Ganhamos em qualidade de vida ao nos tornamos pesso­as redimidas pela experiência de Deus. Nossa vida ganha sentido, nosso coração lucra um norte e nossa história se investe em esperan­ça! Parece até uma linguagem capitalista, todavia é só uma forma de linguagem para expressar que Deus não nos tira nada, pois é pura gratuidade. A única coisa que perdemos é aquilo que nos afasta de seu amor de Pai e de sua ternura de Mãe.

O objetivo maior da vida espiritual é comunicar às pessoas o cenário do Transcen­dente e a hierofania do Sagrado no tempo. É um caminho de silêncio e de busca incessante pela face do Divino que se apresenta na solidão acompanhada pelo humano. Aqui a oração se apresenta como essencial para a vi­vência do Reino de Deus. A oração é o hálito da alma e a experiência fundamental para o reconhecimento da necessidade que temos de Deus. Por meio da oração, a espiritualidade é gestada no interior da pessoa humana.

Vivenciada interiormente a espiritualida­de torna-se manifestação de Deus no mun­do. Logo depois vem a leitura bíblica, como devoção e não como debate teológico. Em seguida está a entrega contínua à vontade de Deus e por fim, seguem as demais realidades: na autodisciplina, na orientação pelo Espírito Santo, na virtude do amor e no julgamento prático. Na experiência mística a oração se volta para a conversão do “eu interior”: é o momento do “estar a sós” para que o Divino se torne humano e o humano de torne Divino, em um movimento contínuo da encarnação de um no outro, sem simbiose, mas na reci­procidade existencial dos dois seres ontoló­gicos.

Por meio da espiritualidade histórica a mística torna-se a proclamação da liberdade e da fidelidade em Jesus de Nazaré. Assim continuamos a missão redentora de Jesus na peregrinação interior pelas trilhas do mundo. Aprendemos a olhar o mundo e o tempo na ótica de Deus. Diante das dificuldades na pe­regrinação interior no mundo, Deus se apre­senta como o único recurso seguro e eterno. Posteriormente a espiritualidade nos convoca a uma vida piedosa em Deus e a luta paulati­na contra a intolerância à justiça e a favor da fraternidade entre os povos.

Por outro lado, a espiritualidade também insiste que a mensagem bíblica não deve fi­car somente nos redutos, mas deve ser antes impregnada ao coração, para ser vivenciada e testemunhada no mundo. Assim nos torna­mos “andarilhos de Cristo” na sociedade.

Na essência da espiritualidade está a de­dicação de oferecer-se a Deus sempre e em todo lugar. Viver uma vida de oblação na escola da caridade! Tornamos-nos pessoas atentas às necessidades do mundo. Somos capazes de reconhecer no rosto dos pobres o rosto de Cristo, que ainda peregrina no sofri­mento humano. Nossos tímpanos são rompi­dos pelos gritos de dor e desespero que ema­nam no coração do mundo. A espiritualidade nos ensina o limite da vida e constrói em nós um coração próximo ao de Deus! Por isso, que ao falar de espiritualidade é impossível dissociá-la da conversão da pessoa humana. As raízes do nosso ser são transformadas por meio da experiência em Deus.

Por fim, a espiritualidade não se reduz às técnicas de oração nem somente a cami­nhos para a meditação. Pelo contrário, ela está presente na gênese da experiência da fé. A espiritualidade também não é só conceito, mas, principalmente vivência eficaz e assaz, com conceitos vivos e sem ambiguidades, do mistério de Deus. A espiritualidade é precisa, simples e extremamente esclarecedora. Resu­me-se em um modo de ser e viver, no mundo, sob a ótica de Deus. Que estejamos abertos para permitir que Deus possa “ser e viver” em nós!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

 

Viver e anunciar o Evangelho

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Refletir sobre a ação evangelizadora da Igreja nos faz lembrar do Apóstolo Paulo, o missionário das Nações, que tinha paixão por Jesus Cristo e uma clara certeza de que a sua vida estava a serviço do Evangelho: “Anunciar o evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho!”(1Cor 9,16). Inspirados e provocados pelo ensinamento e pelo exemplo de São Paulo, todos os batizados que fazem a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo pela fé, têm a obrigação de anunciar o evangelho e testemunhar que Jesus Cristo é o Senhor. Muito mais espera-se essa atitude daqueles que consagraram a vida para serem missionários.

Os missionários redentoristas aplicam a si mesmos as palavras do Apóstolo – “Ai de mim, se eu não evangelizar!” – porque têm consciência de que existem para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus aos mais pobres e abandonados. “A Congregação participa do mandato da Igreja que, por ser sacramento universal de salvação, é, por natureza, missionária”(C. 1). A nossa ação evangelizadora tem por objetivo levar as pessoas ao pleno conhecimento de Jesus Cristo pela fé, e, consequentemente, à conversão para que vivam na dinâmica do Reino de Deus e cheguem à salvação.

O grande desafio para o missionário é que ele seja um homem de fé e que esteja em contínuo processo de conversão. Palavra e atitude não se separam. Por isso, nossos desejos e nossos sentimentos precisam ser evangelizados, pois o modo de viver do missionário é um eloquente anúncio do evangelho, ou não.

Crer em Jesus Cristo e viver de acordo com o evangelho é tarefa dura porque exige renúncias, rupturas, podas, disposição para perder e para morrer. É o dilema do cristão que vive no mundo sem ser do mundo. Viver segundo o evangelho e ser um evangelizador implica andar na contra-mão do mundo. Poucos têm essa coragem. É mais fácil e dá prazer entrar no esquema do mundo. É pena ver jovens cristãos, inclusive na Vida Religiosa, acomodados na zona de conforto do mundo, aderindo ao que é supérfluo e se entupindo de coisas na ilusão de prencher o vazio existencial. Tornam-se superficiais e perdem o sentido da vida.  A juventude devia ser criativa, dinâmica, crítica e lúcida para fazer a diferença no mundo sem sal e sem luz. O Papa Francisco chamou a atenção dos cristãos para “o risco de se tornarem mundanos”. É triste econtrar “cristãos diluídos, que se parecem com o vinho aguado, e já não se sabe se são cristãos ou mundanos”.

Anunciar o evangelho é nossa obrigação porque consagramos a nossa vida para isso. A graça de Deus nos conceda ser homens de fé profunda, de esperança alegre e inflamados de caridade para testemunhar que Jesus Cristo é o centro e o fundamento da nossa vida.

Pe. Fábio Bento da Costa, C.Ss.R.

Superior Provincial

O Sínodo nos leva ao Evangelho de Jesus e ao Jesus do Evangelho

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A misericórdia é a marca registrada dos Evangelhos. Engana-se quem a define a partir da mera piedade, a ponto de confundi-la com aquela comiseração vazia de sentido, que beira a dó diante do sofredor, inclusive por não lhe propor nenhum tipo de transformação. Ali, onde a dor impera, não somos juízes da moral nem reguladores da doutrina, mas tão somente servos da ação misericordiosa de Deus, que cura os feridos da vida com o bálsamo da compaixão e o remédio salutar da fé.

É necessária alma samaritana para compreendê-la, na verdade e na justiça que lhe são merecidas (cf. Lc 10,30-37). Distante de ações concretas, não há misericórdia que se sustente. Ela sempre solicita respeito, jamais requer, para si, qualquer tipo de pena. No lugar de condenar, a misericórdia acolhe e redime. Em vez de gerar sanções legalistas, ela abraça, perdoa e reconcilia. Só depois disso é que solicita a conversão do coração.

Pelo fato de Deus agir, única e exclusivamente, pelo princípio da misericórdia, com a comunidade eclesial não poderia ser diferente. A Igreja não é apenas agente, mas também alvo da misericórdia divina. É, ao mesmo tempo, remetente e destinatária da misericórdia. Assim atesta o Concílio Vaticano II (1962-1965), por meio da Constituição Dogmática Gaudium et Spes.

Nos tempos atuais, precisamos deixar ressoar aqueles dizeres sempre novos do texto conciliar, sobretudo, ao afirmar o vínculo irrestrito e profundo da Igreja com a história humana, entremeada por conquistas e adversidades: As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.

Presidindo a Igreja, na caridade, o Papa Francisco tem colocado dois itinerários bastante específicos para a fé eclesial, a partir do testamento da misericórdia. O primeiro tem se efetivado neste mês de outubro, mediante a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos de 2014, cuja missão está em receber e reunir os testemunhos de todas as dioceses do mundo, bem como as recomendações para a vivência autêntica da fé entre as famílias. Já o segundo caminho se efetivará na Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, na qual serão traçadas as linhas de ação pastoral voltadas para cada pessoa humana, inserida no contexto familiar.

Na primeira fase, aproximadamente 190 bispos prelados se fizeram presentes, com direito a voto. Além deles, também havia outros 60 colaboradores-especialistas e auditores-observadores, aptos a fomentarem as discussões nos círculos menores, sem a possibilidade de participação nas votações, por se configurarem como não prelados. Independente disso, o sentimento em comum era o de devoção à fé, todos empenhados no acompanhamento das famílias, lendo as suas dores, na perspectiva da misericórdia.

Após uma semana em torno de opiniões diversas, mas nem sempre antagônicas, foi elaborada uma síntese sinodal chamada de Relatio post disceptationem (Discursos depois dos debates), que desembocará em um documento final, num futuro vindouro. Além do aprofundamento teológico sobre o papel eclesial e social das famílias e das temáticas envolvendo a anticoncepção, o aborto, a nulidade matrimonial, as convivências e as uniões de fato, também foram discutidas as relações de casais homossexuais, responsáveis e estáveis, bem como a adoção de crianças daí decorrentes.

Do Sínodo Extraordinário de 2014 ao Ordinário de 2015, algumas questões permanecem em aberto, necessitando de um exame a fundo, a partir da colegialidade eclesial. Um deles é a comunhão aos divorciados e aos reesposados em contrariedade à disciplina canônica. Na condição de médicos da alma e não de censores da fé, os bispos ainda discutirão, à luz da misericórdia de Jesus, se a disciplina atual deverá ser mantida, enquanto regra geral ou se há possibilidade de uma abertura em situações bem precisas e individuais, ponderando cada caso, por meio de um itinerário de penitência e conversão, acompanhado pelo bispo diocesano.

No fim das contas, não se trata de assumir uma postura divorcista, na tentativa de dissolver um laço sacramental que é indissociável por sua constituição divina, mas, talvez, de conceder uma exceção ajuizada, sobretudo, quando o vínculo matrimonial fracassou, independendo diretamente de uma das partes, como é o caso do adultério persistido. Nesses casos pontuais, uma segunda união só seria possível à parte inocente, assim como já acontece nas Igrejas Católicas Ortodoxas, mas só depois de um apurado caminho que passa da confissão à absolvição.

De qualquer forma, é uma abordagem que não me compete aprofundar, inclusive por se tratar de uma matéria de debate, análise e reflexão dos pastores da Igreja. Só me cabe afirmar que nos tempos antigos, São Basílio de Cesaréia e, nos tempos modernos, Santo Afonso Maria de Ligório já denunciavam tanto o laxismo, quanto o rigorismo moral. Ambos sinalizavam para o discernimento misericordioso, dentro da mais primitiva tradição da Igreja.

Em contrapartida, outras questões já podem ser consideradas, em comum acordo entre os bispos, como, por exemplo, o reconhecimento de que a Igreja é uma mãe acolhedora, pronta a receber todos aqueles que desejam fazer a experiência da misericórdia divina, dentre eles os homossexuais. Para além da orientação dos afetos homoafetivos está a dignidade da pessoa humana e o respeito incondicional a ela em quaisquer circunstâncias. Há direitos que lhes devem ser garantidos, pois é uma questão de civilidade e cidadania. Isso não contradiz nem os equipara ao matrimônio cristão, mas lhes concede uma guarida permanente, respeitante e digna, enquanto filhos de Deus.

Mesmo que o Sínodo seja um elemento consultativo, pertencendo ao Papa a decisão final sobre cada tema abordado, fica a herança da colegialidade do Bispo de Roma com os demais bispos, no sentido de levar ao mundo o advento da misericórdia, que resplandece a face amorosa de Deus. Antes das necessárias leis e regras, vem sempre o discernimento dos espíritos, dentro de um contexto real.

Originada de Deus, sagrada e inviolável por natureza, a misericórdia se constitui como a célula vital da Igreja, destinada a servir a todas as famílias: reunidas no vínculo do amor, alicerçadas na fortaleza da fé e alimentadas pelo dom da esperança. Como se vê, não há evangelização que não passe, antes, pelo Evangelho da Família.

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

 

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