Mês: novembro 2014

Afinal de contas, vale a pena ter esperança?

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Nos tempos hodiernos vivemos imer­sos em uma realidade conturbada! Há todos os instantes somos asso­lados por depoimentos, notícias e situações que testemunham à construção de uma so­ciedade consumista, ególatra e hedonista. Em primeiro lugar o que vale é o consumo, portanto o único interesse presente é consu­mir a própria vida e a dos demais, seguin­do os moldes da mentalidade neocapitalista. Assim, é criado um sistema onde cada um vale aquilo que consome ou produz. As pes­soas passam a ter valorização pelo que tem ou fazem e não pelo que são enquanto filhos de Deus. O consumo confere existência.

O Cogito ergo sum de René Descartes dizia: “Penso, logo existo”, já o consumis­mo atual diz: “Consumo, logo sou”. Será que é possível inculcar valores eternos em uma mentalidade supérflua e passagei­ra? Vale a pena falar de esperança já aqui nesta terra diante da compulsão hiperbó­lica pelo consumo? Até que ponto o con­sumismo não está orientando, guiando e conduzindo a nossa existência como um vírus dispendioso na subjetivação do eu?

Mais adiante vemos configurar-se no cená­rio da existência uma espécie de individualis­mo ultramoderno. Trata-se da doutrina segun­do a qual a sociedade, a economia, a religião e até mesmo Deus, passam a ser analisados em profunda consonância com os critérios do eu individualista. Esta situação também entrou de forma sutil na caminhada tempo­ral da família humana. Em certos contextos sociais fica visivelmente claro alguns dizeres como: “meu carro”, “meu lugar para sentar”, “meu pedaço de carne predileto”, “meu pro­grama de TV”, “minhas manias”, “meu ho­rário”, “minhas vontades”, entre outros. Não há mais a passagem evangélica do “eu” ao “nós”, mas, pelo contrário, do “nós” ao “eu”.

Assim, vamos criando uma vida intimista, cujo resultado é a penhora de toda e qualquer esperança. Não se fala mais de interesses ou imagens coletivas, pois até mesmo no comu­nitário a única bandeira hasteada é exclusiva­mente a do “eu”. Por conseguinte, acabamos por confeccionar uma fé, uma Igreja, uma doutrina, um deus que é nada mais, nada me­nos que a projeção do nosso próprio “eu”.

Vale ressaltar que o individualista não tem a coragem de se visitar e nem mesmo de conhecer sua história existencial, mas somente de se satisfazer. Para o eu indivi­dualista não há sentido nenhum em alicerçar a vida na prática da esperança. Não é nada agradável dispor um pouco de tempo para ajudar na construção de um mundo me­lhor. Não se faz presente em seus compro­missos pensar ou articular meios suficien­tes para a confecção de sistemas dignos de moradia e emprego, pois isso não faz parte da realidade de alguém que não se dispôs para sair de si e ir ao encontro dos demais.

Como consequência da situação, encon­tramos o hedonismo, considerado como a doutrina do prazer pelo prazer. Alguns imaginam que esta última só se verifica no contexto da sexualidade-afetividade. No entanto, se observarmos bem vamos en­contrar pessoas ditas cristãs que só fazem o que lhes concede prazer: só vão à Igreja, à missa, ao terço, às obras de caridade, aos favelados e marginalizados se isso lhes pro­porcionar prazer. Morreu o prazer acabou a esperança de mudança e, na sequência, a opção pelo Evangelho dos pobres de Nazaré.

Agora podemos perguntar: Desde quando é prazeroso cuidar de uma ferida purulenta no corpo ou no coração das pessoas? Até que ponto podemos sentir prazer em reconhecer a situação de miséria em que vive boa par­te de nossos irmãos e irmãs? Muitas vezes ir  à missa ou participar de uma reunião não é prazeroso, mas vamos ao encontro de melho­rias religiosas e sociais, porque esperamos um mundo mais humano e mais digno para todos. Filiamo-nos a uma sociedade alter­nativa, chamada pela Igreja de Civilização da Esperança. Não vivemos em grupo para cumprir um mandamento, mas, pelo con­trário, pelo fato de assumirmos um preceito existencial, no qual somos capazes de dizer a nós mesmos que vale a pena ter esperança!

Como filhos amados do Pai Eterno não nos é lícito deixar de acreditar na vida e muito me­nos cruzar os braços defronte as dificuldades do cotidiano. Não podemos assumir a postu­ra daqueles que cruzaram os braços por que deixaram de ter esperança. “Uma pessoa pode viver quarenta dias sem alimento, três dias sem água, oito minutos sem ar, mas nenhum minuto sem esperança” (Autor desconheci­do). Ela é a vida de Deus que brota em nós.

Deixar de ter esperança é o mesmo que deixar de viver, assumindo, assim, uma realidade vegetativa. Os consumistas, os ególatras e os hedonistas são pessoas que desistiram da existência e abraçaram aqui­lo que lhes foi apresentado imediatamen­te como resposta fácil e descompromis­sada. Iremos nós nos unir a esta torcida? Ou buscaremos forças para ajudá-los na busca de uma realidade mais redentora e redimida à luz dos filhos da esperança?

É tudo uma questão de escolha! A quem queremos servir? Ao desânimo ou a espe­rança? Para tal basta que deixemos passar tudo o que se coloca como resposta imediata para a vida, mantendo os olhos fixos naquilo que é duradouro: Cristo Jesus, autor e consuma­dor da nossa esperança!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

 

Missionários do Amor de Deus

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No dia 09 de novembro de 1732 nascia a Congregação Redentorista. Santo Afonso afastou-se da cidade e foi recolher-se nas montanhas porque estava cansado. Esse fato simples foi a ocasião que Deus reservou para manifestar-se na vida de Afonso. A Congregação Redentorista é fruto do amor de Deus. A experiência que Santo Afonso fez do amor de Deus, abriu os seus olhos e o seu coração para contemplar e acolher o povo simples e pobre que andava abatido como ovelha sem pastor. Afonso sentiu compaixão daquela gente. Ele cresceu na consciência de que fora ungido para evangelizar os pobres e não teve mais descanso. Decidiu formar um grupo de homens que tivessem fé profunda, esperança alegre e caridade apostólica para testemunhar e anunciar aos mais pobres o evangelho do amor de Deus que a todos quer salvar.

Hoje, os redentoristas assumem o desafio de manter vivo na Igreja o carisma fundacional da Congregação. Isso só é possível ao redentorista que estiver enraizado nas profundezas do coração de Deus. Sem uma profunda e verdadeira experiência do amor de Deus não é possível testemunhar e anunciar o evangelho da copiosa redenção. O que move o missionário redentorista a sair para evangelizar os mais pobres é o amor de Deus que ele experimenta na própria vida: “Nisto conhecemos o Amor: ele deu a sua vida por nós. E nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos”(1Jo 3,16). Para doar a vida aos irmãos, testemunhando e anunciando o evangelho do amor que redime, o missionário redentorista se esforça para ser disponível, dinâmico e criativo. Quando um redentorista se acomoda e coloca restrições para sair em missão, é sinal de que não experimentou o amor de Deus ou esfriou no amor porque descuidou da sua vida espiritual. Cultivar a vida interior, a intimidade com o Santíssimo Redentor é cuidar para que a nossa vida tenha profundidade e esteja enraizada em Deus.

Na força da fé, na alegria da esperança e com o amor de Deus que foi derramado em seu coração pelo Espírito Santo, o missionário redentorista proclama: “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus!”(Ef 2,4-5.8). Ouvir e acolher no coração essa mensagem do amor de Deus manifestado a nós por meio de Jesus Cristo, ilumina a vida, traz esperança e paz. A pregação do redentorista é para recordar às pessoas o tanto que Deus nos ama e suscitar nos corações a liberdade para corresponder a tanto amor, mediante a conversão para viver a vida nova em Cristo.

Que a exemplo de Santo Afonso, São Geraldo, São Clemente, Pe. Pelágio e de tantos outros missionários santos, nós sejamos também santos, audaciosos e vigorosos no anúncio da copiosa redenção.

Pe. Fábio Bento da Costa, C.Ss.R.

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