Afinal de contas, vale a pena ter esperança?

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Nos tempos hodiernos vivemos imer­sos em uma realidade conturbada! Há todos os instantes somos asso­lados por depoimentos, notícias e situações que testemunham à construção de uma so­ciedade consumista, ególatra e hedonista. Em primeiro lugar o que vale é o consumo, portanto o único interesse presente é consu­mir a própria vida e a dos demais, seguin­do os moldes da mentalidade neocapitalista. Assim, é criado um sistema onde cada um vale aquilo que consome ou produz. As pes­soas passam a ter valorização pelo que tem ou fazem e não pelo que são enquanto filhos de Deus. O consumo confere existência.

O Cogito ergo sum de René Descartes dizia: “Penso, logo existo”, já o consumis­mo atual diz: “Consumo, logo sou”. Será que é possível inculcar valores eternos em uma mentalidade supérflua e passagei­ra? Vale a pena falar de esperança já aqui nesta terra diante da compulsão hiperbó­lica pelo consumo? Até que ponto o con­sumismo não está orientando, guiando e conduzindo a nossa existência como um vírus dispendioso na subjetivação do eu?

Mais adiante vemos configurar-se no cená­rio da existência uma espécie de individualis­mo ultramoderno. Trata-se da doutrina segun­do a qual a sociedade, a economia, a religião e até mesmo Deus, passam a ser analisados em profunda consonância com os critérios do eu individualista. Esta situação também entrou de forma sutil na caminhada tempo­ral da família humana. Em certos contextos sociais fica visivelmente claro alguns dizeres como: “meu carro”, “meu lugar para sentar”, “meu pedaço de carne predileto”, “meu pro­grama de TV”, “minhas manias”, “meu ho­rário”, “minhas vontades”, entre outros. Não há mais a passagem evangélica do “eu” ao “nós”, mas, pelo contrário, do “nós” ao “eu”.

Assim, vamos criando uma vida intimista, cujo resultado é a penhora de toda e qualquer esperança. Não se fala mais de interesses ou imagens coletivas, pois até mesmo no comu­nitário a única bandeira hasteada é exclusiva­mente a do “eu”. Por conseguinte, acabamos por confeccionar uma fé, uma Igreja, uma doutrina, um deus que é nada mais, nada me­nos que a projeção do nosso próprio “eu”.

Vale ressaltar que o individualista não tem a coragem de se visitar e nem mesmo de conhecer sua história existencial, mas somente de se satisfazer. Para o eu indivi­dualista não há sentido nenhum em alicerçar a vida na prática da esperança. Não é nada agradável dispor um pouco de tempo para ajudar na construção de um mundo me­lhor. Não se faz presente em seus compro­missos pensar ou articular meios suficien­tes para a confecção de sistemas dignos de moradia e emprego, pois isso não faz parte da realidade de alguém que não se dispôs para sair de si e ir ao encontro dos demais.

Como consequência da situação, encon­tramos o hedonismo, considerado como a doutrina do prazer pelo prazer. Alguns imaginam que esta última só se verifica no contexto da sexualidade-afetividade. No entanto, se observarmos bem vamos en­contrar pessoas ditas cristãs que só fazem o que lhes concede prazer: só vão à Igreja, à missa, ao terço, às obras de caridade, aos favelados e marginalizados se isso lhes pro­porcionar prazer. Morreu o prazer acabou a esperança de mudança e, na sequência, a opção pelo Evangelho dos pobres de Nazaré.

Agora podemos perguntar: Desde quando é prazeroso cuidar de uma ferida purulenta no corpo ou no coração das pessoas? Até que ponto podemos sentir prazer em reconhecer a situação de miséria em que vive boa par­te de nossos irmãos e irmãs? Muitas vezes ir  à missa ou participar de uma reunião não é prazeroso, mas vamos ao encontro de melho­rias religiosas e sociais, porque esperamos um mundo mais humano e mais digno para todos. Filiamo-nos a uma sociedade alter­nativa, chamada pela Igreja de Civilização da Esperança. Não vivemos em grupo para cumprir um mandamento, mas, pelo con­trário, pelo fato de assumirmos um preceito existencial, no qual somos capazes de dizer a nós mesmos que vale a pena ter esperança!

Como filhos amados do Pai Eterno não nos é lícito deixar de acreditar na vida e muito me­nos cruzar os braços defronte as dificuldades do cotidiano. Não podemos assumir a postu­ra daqueles que cruzaram os braços por que deixaram de ter esperança. “Uma pessoa pode viver quarenta dias sem alimento, três dias sem água, oito minutos sem ar, mas nenhum minuto sem esperança” (Autor desconheci­do). Ela é a vida de Deus que brota em nós.

Deixar de ter esperança é o mesmo que deixar de viver, assumindo, assim, uma realidade vegetativa. Os consumistas, os ególatras e os hedonistas são pessoas que desistiram da existência e abraçaram aqui­lo que lhes foi apresentado imediatamen­te como resposta fácil e descompromis­sada. Iremos nós nos unir a esta torcida? Ou buscaremos forças para ajudá-los na busca de uma realidade mais redentora e redimida à luz dos filhos da esperança?

É tudo uma questão de escolha! A quem queremos servir? Ao desânimo ou a espe­rança? Para tal basta que deixemos passar tudo o que se coloca como resposta imediata para a vida, mantendo os olhos fixos naquilo que é duradouro: Cristo Jesus, autor e consuma­dor da nossa esperança!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

 

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