Mês: dezembro 2014

O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós!

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“No príncípio, Deus criou o céu e a terra. Ora a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn 1,1-2). “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito” (Jo 1,1-3). Se o coração do Gênesis é a imagem do Deus que salva e cria, o coração do Evangelho de João é o testemunho da encarnação histórica de Jesus de Nazaré. Acredita-se que a intenção do prólogo da comunidade joanina é a atualização do primeiro capítulo do Livro do Gênesis. Tanto Gênesis 1 quanto João 1 começam com a palavra ‘no princípio’. Se o primeiro utiliza o termo hebraico B’reshit, o segundo falará a partir da expressão grega En arché. Trata-se da afirmação de que em Cristo se dá um novo Gênesis, uma nova origem, uma nova criação, uma nova humanidade. A palavra criadora do Gênesis torna-se criatura em João.

Etimologicamente, o termo ‘encarnação’ é proveniente do latim clássico in-carnare. É a manifestação mais crível de que um dia Deus se tornou carne em nossa carne, sangue em nosso sangue, história de nossa história e vida em nossa vida.

Diante da encarnação podemos afirmar que “nada do que é humano é estranho a Deus” (Montaigne). Ele havia criado tudo, inclusive o humano, mas nunca havia sido humano. Deus se torna humano em Jesus. Por isso que diante da encarnação está a história do Deus que se tornou Humano, para que o humano se torne divino. “Divinando- se o homem é mais homem. Humanando- se Deus é mais Deus para nós” (Leonardo Boff). Na encarnação, o Filho de Deus se apresenta como o encontro entre o Sagrado e o Profano. Eis o Deus Redentor!

Vale ressaltar que o movimento do Encarnado na história não foi uma aparição miraculosa ou fantástica, mas, sobretudo, a concretude do amor em carne. O amor do Pai torna-se carne (sarx). Por isso, Jesus é Sacramento do Pai Eterno. Não estamos defrontes a um Deus mágico, mas perante um Deus que teve que aprender a ser humano. Um Deus que “não responde, pergunta. Não soluciona, põe em conflito. Não facilita, dificulta. Um Deus que não gera meninos, mas faz adultos” (Inácio Larrañaga).

Jesus de Nazaré não assume a história a partir de fora, mas vem de dentro. Não assume um corpo emprestado, no qual habita o seu espírito. Pelo contrário, esvazia-se de sua condição divina para tornar-se plenamente humano.

“Jesus nasceu em uma pátria insignificante, dentro de uma vila interiorana. Não sabia grego nem latim, as grandes línguas da época. Falava um dialeto – o aramaico. Jesus sentiu a opressão, conheceu a fome, a sede, a saudade, as lágrimas pela morte do amigo Lázaro, a alegria da amizade, a dor da traição, a tristeza, a tentação, a raiva, o pavor da morte e passou pela noite escura do abandono de Deus” (Leonardo Boff).

Diante do presépio está a incidência do Deus que busca o homem e do homem que busca Deus. A pessoa humana chega a Deus porque Deus chega primeiro à pessoa humana. A iniciativa sempre será do Divino. O atemporal entra na ordem do temporal. O Infinito conhece a finitude do humano. O Onisciente, o Onipresente e o Onipotente se coloca como pequeno e frágil.

Devemos olhar e admirar o Jesus criança que nasce na manjedoura da pobreza humilhante, porque não encontrou lugar no coração da humanidade. Jesus vem como criança para nos mostrar que Deus não nos ameaça ou condena. E assim a encarnação vai sendo atualizada na história e não se torna um fato do passado.

“Quando o pobre que pouco tem ainda reparte: o verbo se faz carne novamente. Quando o sedento dá água e o faminto dá o pão: o verbo se faz carne novamente. Quando o fraco fortalece o impotente, quando se diz a verdade onde reina a mentira, quando se ama onde há ódio, quando se prega a paz onde vigora a guerra: o verbo se faz carne novamente” (Leonardo Boff).

Desta forma, encarnação nos fornece a chave de leitura para compreendermos muitas questões não respondidas atualmente. As pessoas muitas vezes perguntam: por que a dor? Qual o sentido do sofrimento? Por que a humilhação, a fome e a miséria? “As pessoas perguntavam e Deus se silenciava. Na encarnação Deus responde e a pessoa se silencia. Deus não responde ao porquê do sofrimento. Ele sofre junto. Deus não responde ao porquê da dor. Ele se faz homem das dores. Deus não responde ao porquê da humilhação. Ele se humilha” (Leonardo Boff).

Deus não assiste a tragédia do humano. Ele entra na história e se encarna nela. Um Deus Emanuel – Deus Conosco. Companheiro de Jornada e irmão da história. Diante das decepções da vida e das frustrações do cotidiano nunca nos esqueçamos de que o verbo se fez carne e habitou entre nós por amor!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Reitor da Basílica de Trindade

A luz vem ao mundo

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O tempo litúrgico do Advento nos prepara para a vinda do Senhor na celebração do Natal. É um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele vem, pela fé, renascer em nossos corações. O encontro com Jesus ilumina e alegra a nossa vida e nos devolve a esperança por um futuro bom.

Que cada um de nós esteja vigilante e em atitude de oração para acolher a Luz do alto que vem nos visitar: “Deus é luz e nele não há treva alguma. Se caminhamos na luz, como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros” (1Jo 1,5.7). Portanto, quem acolhe a Luz, torna-se livre de toda rixa, contenda e ciúme, busca pacificar o coração para viver em comunhão com os irmãos. E quando é difícil olhar nos olhos de algum irmão ou quando estamos feridos, podemos confiar e esperar que o amor de Deus coloque a nossa cabeça e o nosso coração no eixo. Nunca podemos esquecer que Deus é Pai e sempre vem ao nosso encontro com amor eterno para nos perdoar e nos socorrer em nossas fraquezas. Por meio do Menino Jesus, o Pai Eterno ilumina a nossa vida e revela o seu amor por nós: “Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12,46).

Jesus Cristo ilumina a nossa vida e restaura em nós a alegre esperança para sermos, com ele, luz e vida para o mundo. Não deixemos que as dificuldades do momento tirem o brilho do amor de Deus que há em nós. Cada um de nós é maior que os problemas que possa ter e é justamente nas horas difíceis que temos a oportunidade de testemunhar ao mundo a razão da nossa fé e da nossa esperança. Quem encontra Cristo encontrou a alegria de viver. Conservemos no coração o mandamento do amor para que a nossa alegria seja plena.

O amor é que ilumina e alegra a vida. O verdadeiro amor se revela nas atitudes. Quem ama como Jesus amou não discrimina pessoa alguma. O amor não faz justiça com as próprias mãos, isto é, não aceita a “lei do olho por olho, dente por dente”. Quem ama perdoa, reparte o pão e paga o mal com o bem. Se amamos, as portas do céu se abrem para nós. Jesus é a maior expressão do amor do Pai por nós. Ele veio ao mundo para nos ensinar a amar porque o amor é a única força que liberta e salva. Que a ternura do Menino Jesus desperte em nós o amor aos irmãos para vivermos alegres e iluminados.

Feliz e abençoado Natal para todos!

Pe. Fábio B. da Costa, C.Ss.R.
Provincial dos Redentoristas de Goiás

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