Feliz Ano Novo!

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Enunciado muito utilizado neste período do ano. Para alguns, uma frase rica de significados, valores. Principalmente, quando dita a partir de um coração
bondoso, generoso. Um coração que ama profundamente, e sem restrições, deseja o bem para a pessoa amada, querida. Para outros, uma formalidade vazia de sentido. Em todo caso, consciente ou não, sua empregabilidade expressa um sonho, um sentimento, um desejo. Na melhor das hipóteses, um incentivo que visa transferir a outrem a responsabilidade que conduz a um novo recomeço. Um novo desafio.

“Começar é difícil. Recomeçar é quase impossível.”Cresci ouvindo esta frase. Chegou 2015. As festividades de Natal, Fim de Ano e Réveillon ficaram para trás. Agora é hora de voltar à vida real. De assumir as tarefas nossas de cada dia. Daí que um programa de vida articulado, pensado, planejado e bem feito, pode ajudar a superar desafios e fracassos anteriores. Bem como valorizar esforços, consolidar conquistas e projetar o futuro. É hora de dar sentido novo e pleno a muitas coisas. Reorganizar a vida de oração, de convivência, de estudo e de trabalho.

É hora de fazer uma boa faxina na casa. Rever planos, traçar metas, estabelecer objetivos. Lançar-se a novos desafios. Alçar voos a novos ares. Explorar terras desconhecidas. Conquistar horizontes navegando outros rios, oceanos e mares. Rever estratégias e não contar somente com as próprias forças. Acreditar e confiar, principalmente, na ação da graça do Divino Pai Eterno em nossa vida.

É tempo oportuno para uma boa faxina no coração. Organizá-lo. Purificá-lo das paixões maldosas, libidinosas, dos desejos e sentimentos duvidosos. Libertar-se de mágoas, rancores e desafetos passados. Pedir o perdão devido e dar o perdão necessário para caminhar juntos outra vez. Fazer o retorno para Deus percebendo em cada pessoa humana, em cada irmão, em cada irmã, o rosto bondoso do Divino Pai Eterno. E tomar consciência de que o coração que foge de Deus abre um abismo insondável dentro do peito onde faz morada. Afasta-se de si mesmo, dos outros, das obras criadas (mundo), e do próprio Deus. Cultiva, fomenta e alimenta o ódio. E, por que cultivar o ódio se há tantas coisas boas neste mundo necessitadas de carinho e ausentes de amor? Portanto, não odiar é a mais sublime forma de amar.

Há ainda uma verdade que precisa ser entendida, assumida. Ou seja, quanto mais dificuldades e obstáculos encontrarmos na subida, mais chances teremos de completar o horizonte lá do alto. Olhemos para o cobrador de impostos, Zaqueu. Ele desejava ardentemente conhecer Jesus e não conseguia por causa da multidão e de sua baixa estatura. Para realizar o sonho de ver Jesus, escalou em um pé de figueira (cf. Lc 19,1-10). Outro bom exemplo é a cura do paralítico de Cafarnaum. Abriram um buraco no telhado para que ele pudesse chegar à sala onde estava Jesus (Mc 2,1-12). Outro exemplo que também não podemos nos esquecer é o da cura da mulher portadora de hemorragia (Mc 5,25-34).

O desânimo paralisa nossa vida. A dúvida neutraliza nossas ações. O medo enfraquece nosso espírito. A falta de fé abre em nós um vazio existencial impreenchível. Os poucos relatos bíblicos acima citados são indicadores para o incentivo à busca do novo que constantemente se apresentem em nossa vida, tendo como fonte de inspiração Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado. Agora, em se tratando de Ano Novo, vida nova, não podemos jamais nos esquecer do episódio das Bodas de Caná e ouvir o que Maria tem a nos dizer: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser” (Jo 2,5).

Isto é ouvir os apelos de Deus que fala ao nosso coração através das Palavras de seu Filho Jesus. Palavra que liberta, cura e salva a pessoa humana por inteiro. Para fazer tudo novo, de novo, é preciso também dar a tônica nossa vida onde estivermos. Cada lugar neste mundo, seja ele físico ou geográfico, tem a mística e a espiritualidade de quem dele organiza, preserva, cuida.

É também tempo de mudança e revisão de vida, conversão de atitudes. De ouvir o Senhor que nos diz: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12). E ainda, “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Mandamento que não nos é pesado, sofrido, penoso quando vivido à luz do Espírito Santo no seguimento radical a Jesus Redentor, pois “este mandamento, que hoje lhe ordeno, não é muito difícil, nem está fora do seu alcance. Ele não está nos céus, para que você fique perguntando: ‘Quem subirá por nós até o céu para trazê-lo a nós, a fim de que possamos ouvi-lo e colocá-lo em prática?’. Também não está no além-mar, para que você fique perguntando: ‘Quem atravessará por nós o mar, para trazer esse mandamento a nós, a fim de que possamos ouvi-lo e colocá-lo em prática?’. Sim, essa palavra está ao seu alcance: está na sua boca e no seu coração, para que você a coloque em prática” (Dt 30,11-14).

Busquemos, pois, não cair no vazio existencial de palavras soltas e desconexas. E, aprendamos que não nos basta apenas palavras, gestos. É preciso deixar ressoar em nós o convite que o Pai Eterno nos faz ao coração. E buscar a oração, muita oração. Orar e agir. Somente alcançarei o céu, vivendo a plenitude de Deus aqui na terra. Somente alcançarei a plenitude Eterna, vivendo a simplicidade da natureza terrena marcada por situações adversas e contrárias. A dica, então? Use bem as mãos que o Pai Eterno lhe concedeu, “segure firme o arado e não olhe para trás” (Lc 6,69).

Assim sendo: FELIZ ANO NOVO!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica
do Divino Pai Eterno

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