“E, Deus viu que tudo era bom”

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Ao tratar da origem do universo e da humanidade, o livro do Gênesis diz que o Pai Eterno criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança no amor. Além disso, diz a literatura bíblica, que Deus concedeu à pessoa humana o livre arbítrio – capacidade de criar, agir, decidir – e o direito de dominar os peixes, as aves e os animais domésticos, as feras dos campos e os répteis que rastejam sobre a terra (cf. Gn 1,26-29). Esta realidade bíblica confere ao ser humano um lugar privilegiado no plano salvífico de Deus, de destaque frente ao restante da Criação.

Isso significa dizer que podemos tudo? Que seja feita “nossa vontade”, aqui na terra como no céu? Vamos percorrer um rápido itinerário juntos – porque juntos pensamos melhor e chegamos mais longe – com o objetivo de analisar nossas atitudes e ações frente a tão grande dádiva divina. E, com isso verificar se elas não são filhas de um grave equívoco interpretativo da vontade e do sonho de Deus para a humanidade e para as maravilhas que Ele mesmo criou.

Constitutivamente somos seres sociais, relacionais. Nos relacionamos conosco mesmos, com o mundo em que vivemos, com as pessoas e com o próprio Deus. Todo relacionamento humano é agressivo e invasivo por natureza. O espaço do outro(a) é alterado, modificado com a minha presença. Exagero ou não, há quem diga que a morte de um é sobrevivência de outro. Outrossim, faz-se necessário pensar que desembarcamos neste mundo não como máquinas vorazes. Daquelas do tipo que destroem tudo o que encontram pela frente. Uma máquina para silagem, por exemplo.

Com uma demanda cada vez maior por alimentos, produtos e serviços, o que era para ser o paraíso pensado por Deus – a natureza – está se convertendo em um grande deserto sem vida, árido, com calor escaldante durante o dia e frio intenso durante a noite. Presenciam-se atualmente, grandes catástrofes naturais tais como furacões, tsunamis, avalanches, tornados, abalos sísmicos (terremotos e maremotos). Além de grandes precipitações chuvosas com ventanias, raios e tempestades.

Aparentemente, como o próprio nome sugere, são fenômenos que ocorrem independentemente da ação do homem e da mulher. Acontece que os efeitos de nossas ações afetam e contribuem para o aceleramento, bem como para o agravamento e aumento da intensidade desses fenômenos. Com isso, tem-se registrado ano após ano, temperaturas climáticas cada vez mais elevadas que favorecem inundações frequentes em algumas regiões do globo terrestre e secas prolongadas em outras. Dado que afeta, principalmente o abastecimento de água para os grandes centros urbanos, a produção agrícola e a atividade da pecuária.

A vegetação é para a terra o que a roupa é para o corpo. A constante retirada da cobertura vegetal é dano ainda maior para a manutenção dos recursos hídricos. A água potável, o bem mais precioso e valioso da terra e indispensá- vel para nossa sobrevivência, está se tornando cada vez mais escasso. O lençol freático cada vez mais profundo. Prova disso é o fato de o Brasil estar enfrentado nos últimos tempos uma crise de água sem precedentes na história do país. Os reservatórios de armazenagem e captação de água estão muito abaixo de suas capacidades normais. A ausência de uma política séria e comprometida com o meio ambiente tem ajudado a agravar e piorar ainda mais esta situação. Faltam ainda planejamento e políticas públicas de curto, médio e longo prazo, orientadas para tal fim.

Fatores tais como desmatamento, queima de florestas e combustíveis fósseis, abertura de estradas, coberturas asfálticas, construções de grandes barragens, loteamentos irregulares em cabeceiras de nascentes, retirada de floresta e matas ciliares, têm contribuído sobremaneira para o agravamento da questão. Vale ressaltar que tudo o que precisamos para nossa sobrevivência, desde o necessariamente básico ao absolutamente supérfluo é retirado da natureza. Excessos e exageros hoje geram escassez e privação amanhã. Lembremos que pequenas iniciativas e atitudes pessoais e comunitárias podem salvar uma vida. Podem salvar o planeta.

O que fazer, então? Que medidas tomar para resolver esta situação? A era do amor de Deus parece estar chegando ao fim? Penso que não! Falta-nos aprender a fazer a diferen- ça onde ela ainda não foi feita. E, abandonar a velha pedagogia do “todos”. Todos é ninguém, não é mesmo? Somente realizamos bem feito na vida aquilo que nos dá prazer em realizar. Se amamos a natureza e tudo o que ela contém, vamos preservá-la, defendê-la. Primeiro é preciso que cada um de nós tome consci- ência que não somos daqui. E, que nada nos pertence.  Segundo, assumir nossa missão que é muito mais profunda: defender, conservar, manter, proteger, cuidar da vida em todas as suas dimensões. Somos diferentes dos outros seres criados por Deus porque pensamos. Naturalmente, que isso nos obriga a uma responsabilidade infinitamente maior aos demais.

É preciso também recuperar a harmonia inicial que existiu um dia entre Criador e criatura: “E, Deus viu que tudo era bom” (Gn 1,21b). E, respeitar cada animal, cada vegetal e cada mineral. O direito recebido de Deus? Não o interpretemos erroneamente. Ou seja, façamos dele um dever. O dever de zelar, regar, cuidar. Se meu nariz é grande demais, respiro todo ar à minha volta. E, quem está a meu lado? Morre asfixiado por falta de oxigênio. Então não podemos tudo. Nem aqui e muito menos na eternidade!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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