É tudo uma questão de fundamento!

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Em alguns, não em todos os cenários sociais, é possível constatar certo ar de superficialidade, às vezes, inserido em ambientes vazios e banais. Ali as pessoas são apresentadas de acordo com os interesses que regem um determinado grupo. Valem somente pelos atributos pessoais e financeiros que possuem. Outras são tratadas de modo dispensável, como se fossem objetos ou pior ainda, como coisas! Sem sentimentos, sem história, sem valor. Ao invés de serem reconhecidas como ‘eu’, passam a ser enfocadas como ‘isso’. O importante é o momento. Faz-se o que dá vontade a todo e qualquer custo. Para estes, os sonhos estão distantes e os projetos são somente para o futuro. Planejamento, metas e objetivos claros são coisas de pessoas retrógadas e caretas. Fundamentos para quê?

Nos demais contextos também há a possibilidade de encontrar não poucos indivíduos que possuem convicções firmes e coerentes. Não são absolutistas, mas seguros de si. Creem e buscam algo maior que eles. Não se encontram centrados em suas picuinhas pes- soais. Pelo contrário, são capazes de visitar suas consciências, para perceber os caminhos que não condizem com as suas escolhas. Há uma espécie de tratado firmado entre aquilo que acreditam e o que praticam. Estes são imbu- ídos por aspirações que indicam um norte para suas existências. Na verdade, há um fundamento que os orienta, norteia, elucida e os esclarece. Suas pretensões são alicerçadas sobre a rocha e não na areia (Cf. Mt 7,24-27).

Hoje se fala muito sobre liberdade. Nada mais justo! Mas, qual seria o fundamento desta tão defendida liberdade? Esquece-se que ela só é plena quando vincu- lada ao amor. Sem o movimento do amor, a liberdade se transfor- ma em egoísmo. Ao assumirmos a postura de egoístas nos tornamos como que buracos-negros: suga- mos a força das pessoas, a ponto de elas saírem mal de nossa pre- sença; absorvemos tudo a nossa volta e não fazemos a síntese de nada concreto; queremos tudo, única e exclusivamente, para nós; tornamo-nos infantis e esperne- amos todas as vezes que nossas vontades infantis não são atendi- das. Somos servidos, quando de- veríamos servir, falamos quando deveríamos nos calar e nos esvaziamos quando deveríamos pre- encher as lacunas de nossa existência.

Ah! Como seríamos mais re- solvidos se tomássemos consci- ência do fundamento que rege a nossa vida. Precisamos fazer, com frequência, a viagem ao interior de nossa alma, para descobrirmos o que tem sido depositado no altar do nosso coração. Ali será desvendado para quem temos prestado culto, oferecido incenso e adorado como senhor. É perigoso expressar o que vou escrever agora, mas a coerência me leva a redigir que: nem sempre é Deus que se encontra na essência de nossas ações. Ainda há muitos ídolos, em forma de vantagens, que precisam ser destronados e colocados à par- te, deixados de lado.

O mais agravante é quando nos fazemos ídolos de nós mesmos. Colocamo-nos em um pedestal e, a partir de então, nos conferimos o direito de ‘senhores da história’, até mesmo da história alheia. Os títulos, as condecorações, os prê- mios e as conquistas devem ser acolhidos e validados de acordo com o seu grau de importância. Porém não podem se tornar o fundamento de uma vida. Somos muito mais que isso!

Devemos sim ter a rédea de nossa existência nas mãos, mas sem nos esquecer d’Aquele em quem depositamos nossa espe- rança (Cf. Jr 14,22). Enganam-se aqueles que fundamentam sua es- perança no dinheiro, nas riquezas e em pessoas, cargos ou funções. Por mais segurança que possam nos conceder tais realidades não nos conferem plenitude, porque são passageiras. Por mais que alguns não reconheçam, temos fome e sede do que é eterno: te- mos necessidade Daquilo que não passa! Contudo, ainda possuímos a insistente teimosia em buscar outros fundamentos que não nos saciam, pelo contrário, só nos es- vaziam.

No tempo da Quaresma, tão propício para uma verdadeira conversão nas atitudes e reconci- liação com a Igreja, ferida, muitas vezes, pelos nossos pecados; faz bem orar com o desejo de revisar o fundamento que conduz nossa existência: “Dá-me, Pai, ser livre como teu Filho, Jesus, o Homem livre por excelência. Lendo os Evangelhos, respiro um clima de liberdade e confronto-me com um Homem livre, livre diante dos homens, diante das ideologias reinantes, dos grupos de pressão… Livre perante a sua vida e a sua morte. Onde encontrar a raiz dessa liberdade pura? Creio, Pai, que essa raiz és tu. Jesus foi livre porque te encontrou, acolheu o teu amor, sintonizou o seu que- rer com o teu querer, não teve ne- nhum ídolo. Ele é o caminho. Que eu possa segui-lo para ser livre e amar como ele amou” (José Antô- nio de Oliveira, SJ).

Que o dom da fé não nos dei- xe perder o foco de nossas ações, exercidas pelo amor, em prol da esperança. Tenhamos a clareza de nossas escolhas fundamentais e não perderemos nossa liberdade. Saibamos que mais vale ser ínte- gro, do que ser vendido por reali- dades vãs, que só nos fazem sofrer e perder o sentido da vida.

Na Quaresma, ‘não pratique- mos a oração, a esmola e o jejum por obrigação’, mas, sobretudo, para descobrirmos quem tem fun- damentado nossa vida: o Deus de Jesus, chamado ‘Pai Eterno’ ou outras realidades, pessoas e situ- ações que colocamos como divin- dades? Uma abençoada Quaresma a todos, baseada em um sincero retorno ao Grande Fundamento de nossa fé!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente Fundador da Afipe

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