Reconciliação ou Penitência

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Uma das passagens bíblicas que me emocionam desde criança, e que hoje me chamam muito a atenção sobre o Sacramento da Reconciliação, é a parábola do Pai Misericordioso de Jesus. Aquela que comumente chamamos de parábola do filho pródigo (Lc 15,11-21).

Por que é tão difícil perdoar? Por que é tão difícil sentir-se perdoado(a)? Por que é tão difícil para nós assumirmos a atitude de filhos(as) arrependidos(as)? Por que é tão difícil experimentar o Deus misericordioso de Jesus de Nazaré? Não pretendo esgotar o assunto. Ele é muito extenso, complexo. Quero apenas oferecer pistas com o propósito de ajudar a quem tem dificuldade de receber o perdão necessário e dar o perdão devido, para uma vida longa, alegre e feliz.

Estamos vivendo o tempo da Quaresma. Ocasião oportuna para uma verdadeira conversão de vida. Para um bom retorno à Casa do Pai Eterno. Por isso, quero tratar, neste espaço especificamente, sobre o Sacramento da Reconciliação, que tem por finalidade e efeito alcançar a reconciliação com Deus. A Igreja Católica (Católica, porque Universal) sempre atenta aos passos e ensinamentos de Jesus, coerente com sua tradição e magistério, oportuniza a seus fiéis os Sacramentos “que são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina” (CIC §1131).

Para compreender esta problemática, precisamos recordar que somos herdeiros de uma sociedade patriarcal machista, onde o homem é apresentado como aquele que tem a última palavra. Por esse motivo, inúmeras pessoas têm dificuldade no relacionamento com o pai biológico. Relação que é muito facilmente transferida para Deus, em sua condição de Pai criador. E isso também faz parte da nossa tradição catequética: fui catequizado assim, e creio que você também – não quero aqui atirar pedras em minhas catequistas. Ou seja, aprendemos que o Pai Eterno é um Deus severo, castigador. Que está a contabilizar nossos erros e pecados para “descontar” no dia de nossa morte.

Mas quando voltamos o nosso olhar para a pessoa de Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado, vamos reconhecendo o rosto misericordioso do Pai Eterno. Não consta na literatura bíblica nenhuma passagem que narra Jesus deixando alguma pessoa sem resposta. Para todas Ele tem palavras que pacificam, convertem. Os textos nos mostram que havia um longo diálogo entre Jesus e quem o procura. Ele é paciente, escuta a todos. Neste diálogo, a pessoa apresenta a ele sua dor, sua necessidade. Neste diálogo a intenção de Jesus é clara: levar a pessoa a tomar consciência de si mesma, saber que precisa dar passos, caminhar, mudar, arrepender-se, converter-se. Somente depois dizer: “Levanta-te, pega tua cama e anda” (Mt 9,6).

O que é tomar consciência, segundo Jesus? Vejamos! Primeiro: todo ser humano é um ser espiritual por natureza. Ele crê em algo que alimenta, sustenta sua fé e dá sentido à sua vida. Segundo, todo ser humano é um ser afetivo por natureza. É a capacidade de amar a si mesmo, a Deus, as pessoas e o mundo. Como o contrário também é verdade. Ou seja, odiar a si, a Deus, as pessoas e o mundo. Terceiro, todo ser humano é um ser emocional desde o seu gene. Nos alegramos e nos entristecemos. Sorrimos e choramos. Esbravejamos ou deprimimos.

Quarto, todo ser humano é um ser sexual por natureza. Não me refiro diretamente ao ato sexual ou a órgão genital. Refiro-me, inicialmente à beleza interior. A beleza do sorriso alegre e espontâneo que nos faz sentir belos, bonitos, amados, queridos, desejados por Deus. A beleza que atrai, encanta, seduz. Que irradia amor livre, contagiante, envolvente. Quinto e último, todo ser humano é um ser social desde sua concepção. Um ser que relaciona-se consigo mesmo, com Deus, com as pessoas e com o mundo onde vive, trabalha, realiza. Assim somos nós. É esse conjunto de dimensões humanas que forma o todo, o belo e complexo que somos.

Essa rápida viagem pela psicologia humana foi para ajudar você a entender que tipo é o perdão que Jesus nos oferece. E, também que o perdão somente acontece quando estamos em perfeita harmonia conosco mesmo, com Deus, com as pessoas e com o mundo onde vivemos. Então, não é possível reconcilia- ção pela metade. Ou ela acontece por inteiro ou não acontece de jeito nenhum. Penso que agora você já tem condições de entender porque as vezes é tão difícil perdoar e sentir-se perdoado(a). É tão difícil sentir o perdão pleno de Deus em nós.

Vale a pena recordar que a graça de Deus que há em cada um de nós, é infinitamente maior que qualquer fraqueza que venhamos a ter. É esta mesma graça que nos dá forças para o exercício da humildade interior. O reconhecer que erramos, pecamos e queremos voltar. Olhando para o particular de nossa vida, feito uma viagem humilde pelo nosso interior vou me assumir, me redimir, me salvar. Sim, me salvar “porque o Deus que criou você sem você, não quer salvar você, sem você” (Santo Agostinho). Assim, tomo consciência de quem sou. Me torno melhor a cada dia. Trabalho em mim as minhas limitações e fragilidades. Reconheço e valorizo minhas qualidades e potencialidades.

Então, reconciliação é perdão de mim para comigo mesmo. É o estar em união íntima com Deus, com o mundo e com as pessoas. É o exercício da paz regado com muita oração, silêncio, meditação e leitura orante da Palavra de Deus. Compreendendo que o amor do Pai Eterno por nós é imensurável e que Ele nos ama do jeito que somos, voltamos a ser o filho pródigo abraçado pelo Pai misericordioso da parábola de Jesus!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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