Mês: abril 2015

Com o Ressuscitado: ressuscitemos!

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Jesus nasce, vive, cresce, morre e ressuscita a partir da nossa humanidade para nos mostrar como é significante viver de Deus e para Deus. Na vida de Jesus o humano encontra o sentido para a vida ao se potencializar no amor, de forma plena e irrepetível.

Na pessoa de Jesus de Nazaré, em Seu ministério público e em Sua intimidade com o Pai, encontramos o âmago da ressurreição cristã! Acompanhada do sepulcro vazio, a morte na cruz pareceu esvaziar qualquer esperança futura. Imperava tão somente o medo da perseguição e o silêncio derradeiro. Contudo, diante da realidade que se colocava como fim, apresentou-se o começo da ação redentora da fé. Passados aqueles tenebrosos dias, a morte foi obrigada a “entregar os pontos”, por não possuir mais a força do término definitivo e sem sentido do próprio viver, da existência.

Da cessação da vida manifestou-se a magnitude da ressurreição, fazendo com que o testemunho das primeiras testemunhas chegasse até nós. “A este Jesus, Deus O ressuscitou, e disto nós todos somos testemunhas” (At 2,32). Entre Jesus e a pessoa humana não há uma troca de papéis ou uma inversão de valores, mas, sobretudo, uma entrega cotidiana de duas vidas, que se unem e se assumem em um único caminho rumo ao Coração do Pai Eterno! Cremos, não apenas pela marca da história ou pelo relato oral e da escrita, mas, sobretudo, pela eficácia redentora da palavra que nos foi transmitida.

Jesus não retorna a esta vida, porque após a Ressurreição, vive-a plenamente em Deus! Cristo vai além do próprio morrer, pelo fato de assumir a vida na inteireza que lhe cabia. Em nenhum momento permaneceu cativo ao poder da morte, pois a todo tempo esteve atado ao amor do Pai. Ele foi glorificado! E é por meio d’Ele que nós ultrapassamos as nossas mazelas e nos apropriamos do conteúdo originário da salvação e da ressurreição. “Para isso, com efeito, o Verbo se fez humano e o Filho de Deus se converteu em filho do homem: para que todo aquele que se unir ao Verbo de Deus e aceitar a adoção, converta-se em filho de Deus” (Santo Irineu).

Na qualidade de primeiros endereçados da ressurreição, precisamos viver alicerçados na experiência das antigas comunidades cristãs. Para sermos reconhecidos – enquanto homens da redenção – é necessário adentrar o tempo mediado pela fé, dobrando os joelhos no chão, a ponto de atingirmos a esfera do absoluto que está em Deus e nos pobres a quem desejamos e pretendemos, especialmente como missionários, fazer chegar nossa mensagem. Eis uma tarefa diária e forçosa.

Mirando no Ressuscitado, precisamos reconhecer que a ressurreição pela ressurreição, sem implicações na vida humana, não tem sentido. A mensagem de Jesus continua viva e atualizada no mundo a partir de nós. Sigamos adiante, no sentido de que a mensagem do Evangelho jamais seja esquecida. Não somos meros seguidores de Jesus, mas continuadores, por excelência, de Sua obra redentora, no mundo.

Deixemos, então, Deus ser Deus em nossa existência e permitamos que o nosso coração se funda no coração de Jesus, para que construamos uma história bela que depende exclusivamente de nós! “A fé no Ressuscitado nos impulsiona a ir ao encontro dos crucificados de hoje, nos colocar a seu lado, para partilhar com eles este sorriso, a certeza alegre que Deus está vivo no meio de nós, ressuscitando, libertando da morte e fazendo uma nova criação” (Instituto Humanitas Unisinos). Portanto, aceitemos o desafio de viver como ressuscitados e ajudemos nossos irmãos de convivência e de pastoral a trilhar este mesmo caminho. Cristo continua existindo no mundo em nós e nas nossas atitudes!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.
Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente
Fundador da Afipe

A salvação pela Cruz

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Um momento forte da liturgia de nossa Igreja que se vive durante a Semana Santa é a Celebração da Cruz. Ela acontece às quinze horas da Sexta-feira da Paixão. No tempo de Jesus, a cruz era um terrível objeto de tortura no qual eram crucificados contraventores e malfeitores da sociedade. Um famoso instrumento de suplício e dor. Eis, então, a grande questão: como entender a morte de cruz de Jesus que passou por este mundo fazendo o bem e falando de amor e de paz? Como um objeto de horror e morte pôde se tornar em um grande sinal de graça e salvação?

Leonardo Boff, diz que “ao longo da história, a piedade cristã compreendeu a cruz de Jesus como sendo um sacrifício exigido pelo Pai e necessário para nossa salvação”. Para Boff “esta compreensão comum da piedade cristã, tem seu fundamento na Teologia de Santo Anselmo, e nos leva a ver Jesus paciente, resignado, conformado com o sofrimento e a morte. Mais do que isso, leva os cristãos a aceitarem e justificarem as situações de sofrimento e de morte ao longo da vida. Isso, nós sabemos, não é a intenção da fé cristã acerca da cruz de Jesus de Nazaré”.

Ao longo dos tempos, fomos assimilando também a ideia de que a cruz de Jesus é uma ordem explícita do Pai Eterno, a qual Ele aceitou como um cordeirinho levado para o matadouro. Sendo assim, Jesus teria nascido para morrer em nosso lugar. Nada disso. A morte de cruz de Jesus é fruto de Sua obediência irrevogável ao projeto do Pai Eterno em Sua vida. É resultado de Sua opção consciente e radical pelo Reino de Deus. Ele que “se fez obediente até a morte, à morte de cruz” (Fl 2,8).

Deste modo, a atitude de Cristo é a maior prova de amor e fidelidade que somente um ser totalmente humano e plenamente divino poderia dar. Sua obediência o fez resgatar a todos do poder da morte e do pecado. Do contrário, se diante da cruz Cristo tivesse abandonado sua missão, toda Sua vida e Seus ensinamentos teriam sido em vão. E, o plano de Deus para a humanidade mais uma vez haveria falhado, como no episódio do primeiro homem: Adão!

Os projetos de Deus ninguém pode calar. Ao decidir morrer por amor, Jesus reconciliou consigo todas as coisas “tanto as terrestres como as celestes, estabelecendo a paz pelo Seu sangue derramado na cruz” (Cl 1,20). Ao ser levantado da terra, Cristo atraiu todos a Ele (cf. Jo 12,32) ao perdoar “todas as nossas faltas, anulando o título de dívida que havia entre nós, deixando de lado as exigências legais e fazendo-o desaparecer pregando-o na cruz (Cl 2,14).

A morte de cruz de Jesus é também razão para o seu seguimento pleno e consciente: “se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Ou, em outra passagem, “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10,38). Com Sua morte de cruz, Cristo nos libertou e nos fez participantes de Sua Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Seguir a Cristo é assumir na própria vida a vida que é Dele próprio. A vida que recebeu do Pai Eterno e comunicou a todos os que são Dele pelo Batismo.

Na Cruz está a vida. Através dela Jesus desceu à mansão triste dos mortos para resgatar aqueles que outrora haviam se desviado de Deus. No alto da Cruz, do lado esquerdo de Jesus, verteu sangue e água: brotou a Vida. Pela cruz, Cristo não só venceu a morte como superou o poder das trevas, do mal e do pecado. Nela, Cristo inaugurou um novo tempo e cumpriu a promessa de Deus à humanidade, na Ressurreição. Toda Sua confiança estava depositada nas mãos Daquele que podia resgatá-Lo e fazê-Lo sentar-se à Sua direita. Com este gesto de entrega, Cristo atraiu junto a si, pela promessa feita a Abraão, todos os filhos e filhas de Deus.

Vale ressaltar que a Cruz de Jesus não é um trunfo para nós cristãos. Ela é antes de tudo uma graça. Uma glória conforme nos diz São Paulo na carta aos Gálatas: “quanto a mim, que eu não me glorie a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6,14).

Diante dessa realidade e verdade de fé, compreendemos que a Cruz é um sinal de Ressurreição. Uma semente de vida eterna. Quem olha para a Cruz de Cristo e tudo o que ela representa, deseja fazer de Cristo seu melhor amigo, seu companheiro, seu confidente. Estar sempre em Sua presença e unido, para estar unido ao Pai Eterno e Sua Mãe Maria Santíssima.

A cruz, por ela mesma, não diz nada. Sendo assim, podemos entender que a salvação de Deus que Cristo nos propõe não está no objeto no qual Ele foi morto. Mas sim, no cumprimento pleno à vontade Daquele que o enviou: o Pai Eterno. Desta forma, Cristo pede que façamos o mesmo que Ele fez. E, celebremos na vida o que cantamos na liturgia: “Quanto a nós devemos gloriar-nos da Cruz, de nosso Senhor Jesus Cristo. Que é nossa salvação, nossa vida. Nossa esperança de ressurreição. Pela qual fomos salvos e libertos”!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica
do Divino Pai Eterno

À mesa com o Mestre: sobre o significado do banquete no Evangelho de Lucas

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Um tema profundo, rico no seu conteúdo teológico e espiritual, nem sempre valorizado em nossa experiência religiosa. Antes de tudo, tomaremos como referência o Evangelho de Lucas. Vale ressaltar um pouco das características do autor desse Evangelho, trata-se de um autêntico evangelista que exercitou com maestria a sua habilidade como escritor, reformulando as fontes, escrita e oral, alcançando os efeitos teológicos desejados. Lucas escreve em primeira pessoa e se dirige diretamente a seus leitores, com objetivos claros: fazer uma investigação acurada de tudo desde o princípio e escrever de modo ordenado com a finalidade evangélica de verificar a solidez dos ensinamentos recebidos.

Quanto aos destinatários, é importante dizer que Lucas não escreveu a sua obra em uma biblioteca isolada. Por um lado, se dirige a uma comunidade cristã imersa no universo cultural do mundo greco-romano do primeiro século, d’outro lado, ele deixa espaço a uma comunidade em ambiente judaico, que possuía um bom conhecimento das Escrituras e da história do povo de Israel, basta ver a insistência lucana em citar a Escritura. Lucas procura construir uma ponte proporcionando ao mundo greco-romano compreender o ambiente judaico e ao mundo judaico compreender e acolher a comunidade no mundo greco-romano.

Dito isto, tornamos ao tema do banquete, “sentar-se à mesa”, que é abundante na Sagrada Escritura. Na obra lucana, este tema aparece ao menos 19 vezes, isto indica que o gesto de fazer um banquete ocupa uma função importante no programa narrativo teológico do Evangelho. Propomos aqui quatro dimensões que permitem uma visão de conjunto do conteúdo deste tema no Evangelho de Lucas:

1) Elemento de inclusão: Uma realidade fácil de ser constatada, e que era na contramão das convicções religiosas da sua época, e também uma tendência hodierna, é o fato de Jesus comer com os pecadores. É comum encontrar Jesus que toma a refeição com grupo dos marginalizados, seja de gênero, classe social, convicção religiosa, etnia: judeu e gentio (cf. Lc 5,29-30; 7,36-50; 9,10-17; 14,1; etc). A este aspecto poderíamos intitular de fraternidade inclusiva à mesa.

2) Exigência de um comportamento específico: Os banquetes com Jesus exigem um comportamento à mesa. Existem instruções (cf. Lc 14): onde sentar? “Não te ponhas no primeiro lugar”; quem convidar? “Chama pobres, estropiados, coxos, cegos”, isto é, aqueles que não podem restituir. Enfim o exercício da diaconia se torna um modelo normativo para uma vida de serviço.

3) Símbolo escatológico: as refeições com Jesus não são uma refeição qualquer. Trata-se de uma ocasião especial de eleição, perdão e bênção escatológica. Mesmo sublinhando a importância do banquete em dimensão horizontal da história, esta não exclui. Ao contrário, é sinal de uma dimensão vertical, escatológica: “Virão do oriente e do ocidente, norte e sul, e tomarão lugar à mesa do Reino de Deus” (Lc 13,29); pertencer ao Reino de Deus é como um convite ao banquete (cf. Lc 14,15-24); bem como o reconhecimento do Ressuscitado acontece por meio de uma refeição (cf. Lc 24,13-35).

4) Inversão de papéis: enfim, é comum encontrar nas refeições narradas no Evangelho de Lucas uma inversão de papéis: a mulher chorosa é erguida por Jesus enquanto o fariseu prepotente é severamente corrigido (Lc 7,36-50); os servos fiéis se sentarão à mesa e o patrão os servirá (Lc 12,37).
Ao concluir, podemos dizer que o gesto constantemente repetido por Jesus de sentar-se à mesa, tomar uma refeição, há uma função indispensável para ressaltar o serviço, a caridade, a fraternidade e a bênção escatológica.

Pe. João Paulo Santos, C.Ss.R.
Missionário Redentorista

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