À mesa com o Mestre: sobre o significado do banquete no Evangelho de Lucas

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Um tema profundo, rico no seu conteúdo teológico e espiritual, nem sempre valorizado em nossa experiência religiosa. Antes de tudo, tomaremos como referência o Evangelho de Lucas. Vale ressaltar um pouco das características do autor desse Evangelho, trata-se de um autêntico evangelista que exercitou com maestria a sua habilidade como escritor, reformulando as fontes, escrita e oral, alcançando os efeitos teológicos desejados. Lucas escreve em primeira pessoa e se dirige diretamente a seus leitores, com objetivos claros: fazer uma investigação acurada de tudo desde o princípio e escrever de modo ordenado com a finalidade evangélica de verificar a solidez dos ensinamentos recebidos.

Quanto aos destinatários, é importante dizer que Lucas não escreveu a sua obra em uma biblioteca isolada. Por um lado, se dirige a uma comunidade cristã imersa no universo cultural do mundo greco-romano do primeiro século, d’outro lado, ele deixa espaço a uma comunidade em ambiente judaico, que possuía um bom conhecimento das Escrituras e da história do povo de Israel, basta ver a insistência lucana em citar a Escritura. Lucas procura construir uma ponte proporcionando ao mundo greco-romano compreender o ambiente judaico e ao mundo judaico compreender e acolher a comunidade no mundo greco-romano.

Dito isto, tornamos ao tema do banquete, “sentar-se à mesa”, que é abundante na Sagrada Escritura. Na obra lucana, este tema aparece ao menos 19 vezes, isto indica que o gesto de fazer um banquete ocupa uma função importante no programa narrativo teológico do Evangelho. Propomos aqui quatro dimensões que permitem uma visão de conjunto do conteúdo deste tema no Evangelho de Lucas:

1) Elemento de inclusão: Uma realidade fácil de ser constatada, e que era na contramão das convicções religiosas da sua época, e também uma tendência hodierna, é o fato de Jesus comer com os pecadores. É comum encontrar Jesus que toma a refeição com grupo dos marginalizados, seja de gênero, classe social, convicção religiosa, etnia: judeu e gentio (cf. Lc 5,29-30; 7,36-50; 9,10-17; 14,1; etc). A este aspecto poderíamos intitular de fraternidade inclusiva à mesa.

2) Exigência de um comportamento específico: Os banquetes com Jesus exigem um comportamento à mesa. Existem instruções (cf. Lc 14): onde sentar? “Não te ponhas no primeiro lugar”; quem convidar? “Chama pobres, estropiados, coxos, cegos”, isto é, aqueles que não podem restituir. Enfim o exercício da diaconia se torna um modelo normativo para uma vida de serviço.

3) Símbolo escatológico: as refeições com Jesus não são uma refeição qualquer. Trata-se de uma ocasião especial de eleição, perdão e bênção escatológica. Mesmo sublinhando a importância do banquete em dimensão horizontal da história, esta não exclui. Ao contrário, é sinal de uma dimensão vertical, escatológica: “Virão do oriente e do ocidente, norte e sul, e tomarão lugar à mesa do Reino de Deus” (Lc 13,29); pertencer ao Reino de Deus é como um convite ao banquete (cf. Lc 14,15-24); bem como o reconhecimento do Ressuscitado acontece por meio de uma refeição (cf. Lc 24,13-35).

4) Inversão de papéis: enfim, é comum encontrar nas refeições narradas no Evangelho de Lucas uma inversão de papéis: a mulher chorosa é erguida por Jesus enquanto o fariseu prepotente é severamente corrigido (Lc 7,36-50); os servos fiéis se sentarão à mesa e o patrão os servirá (Lc 12,37).
Ao concluir, podemos dizer que o gesto constantemente repetido por Jesus de sentar-se à mesa, tomar uma refeição, há uma função indispensável para ressaltar o serviço, a caridade, a fraternidade e a bênção escatológica.

Pe. João Paulo Santos, C.Ss.R.
Missionário Redentorista

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