A salvação pela Cruz

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Um momento forte da liturgia de nossa Igreja que se vive durante a Semana Santa é a Celebração da Cruz. Ela acontece às quinze horas da Sexta-feira da Paixão. No tempo de Jesus, a cruz era um terrível objeto de tortura no qual eram crucificados contraventores e malfeitores da sociedade. Um famoso instrumento de suplício e dor. Eis, então, a grande questão: como entender a morte de cruz de Jesus que passou por este mundo fazendo o bem e falando de amor e de paz? Como um objeto de horror e morte pôde se tornar em um grande sinal de graça e salvação?

Leonardo Boff, diz que “ao longo da história, a piedade cristã compreendeu a cruz de Jesus como sendo um sacrifício exigido pelo Pai e necessário para nossa salvação”. Para Boff “esta compreensão comum da piedade cristã, tem seu fundamento na Teologia de Santo Anselmo, e nos leva a ver Jesus paciente, resignado, conformado com o sofrimento e a morte. Mais do que isso, leva os cristãos a aceitarem e justificarem as situações de sofrimento e de morte ao longo da vida. Isso, nós sabemos, não é a intenção da fé cristã acerca da cruz de Jesus de Nazaré”.

Ao longo dos tempos, fomos assimilando também a ideia de que a cruz de Jesus é uma ordem explícita do Pai Eterno, a qual Ele aceitou como um cordeirinho levado para o matadouro. Sendo assim, Jesus teria nascido para morrer em nosso lugar. Nada disso. A morte de cruz de Jesus é fruto de Sua obediência irrevogável ao projeto do Pai Eterno em Sua vida. É resultado de Sua opção consciente e radical pelo Reino de Deus. Ele que “se fez obediente até a morte, à morte de cruz” (Fl 2,8).

Deste modo, a atitude de Cristo é a maior prova de amor e fidelidade que somente um ser totalmente humano e plenamente divino poderia dar. Sua obediência o fez resgatar a todos do poder da morte e do pecado. Do contrário, se diante da cruz Cristo tivesse abandonado sua missão, toda Sua vida e Seus ensinamentos teriam sido em vão. E, o plano de Deus para a humanidade mais uma vez haveria falhado, como no episódio do primeiro homem: Adão!

Os projetos de Deus ninguém pode calar. Ao decidir morrer por amor, Jesus reconciliou consigo todas as coisas “tanto as terrestres como as celestes, estabelecendo a paz pelo Seu sangue derramado na cruz” (Cl 1,20). Ao ser levantado da terra, Cristo atraiu todos a Ele (cf. Jo 12,32) ao perdoar “todas as nossas faltas, anulando o título de dívida que havia entre nós, deixando de lado as exigências legais e fazendo-o desaparecer pregando-o na cruz (Cl 2,14).

A morte de cruz de Jesus é também razão para o seu seguimento pleno e consciente: “se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Ou, em outra passagem, “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mt 10,38). Com Sua morte de cruz, Cristo nos libertou e nos fez participantes de Sua Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Seguir a Cristo é assumir na própria vida a vida que é Dele próprio. A vida que recebeu do Pai Eterno e comunicou a todos os que são Dele pelo Batismo.

Na Cruz está a vida. Através dela Jesus desceu à mansão triste dos mortos para resgatar aqueles que outrora haviam se desviado de Deus. No alto da Cruz, do lado esquerdo de Jesus, verteu sangue e água: brotou a Vida. Pela cruz, Cristo não só venceu a morte como superou o poder das trevas, do mal e do pecado. Nela, Cristo inaugurou um novo tempo e cumpriu a promessa de Deus à humanidade, na Ressurreição. Toda Sua confiança estava depositada nas mãos Daquele que podia resgatá-Lo e fazê-Lo sentar-se à Sua direita. Com este gesto de entrega, Cristo atraiu junto a si, pela promessa feita a Abraão, todos os filhos e filhas de Deus.

Vale ressaltar que a Cruz de Jesus não é um trunfo para nós cristãos. Ela é antes de tudo uma graça. Uma glória conforme nos diz São Paulo na carta aos Gálatas: “quanto a mim, que eu não me glorie a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl 6,14).

Diante dessa realidade e verdade de fé, compreendemos que a Cruz é um sinal de Ressurreição. Uma semente de vida eterna. Quem olha para a Cruz de Cristo e tudo o que ela representa, deseja fazer de Cristo seu melhor amigo, seu companheiro, seu confidente. Estar sempre em Sua presença e unido, para estar unido ao Pai Eterno e Sua Mãe Maria Santíssima.

A cruz, por ela mesma, não diz nada. Sendo assim, podemos entender que a salvação de Deus que Cristo nos propõe não está no objeto no qual Ele foi morto. Mas sim, no cumprimento pleno à vontade Daquele que o enviou: o Pai Eterno. Desta forma, Cristo pede que façamos o mesmo que Ele fez. E, celebremos na vida o que cantamos na liturgia: “Quanto a nós devemos gloriar-nos da Cruz, de nosso Senhor Jesus Cristo. Que é nossa salvação, nossa vida. Nossa esperança de ressurreição. Pela qual fomos salvos e libertos”!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.
Reitor do Santuário Basílica
do Divino Pai Eterno

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