Mês: agosto 2015

Cuidemos de nossa casa comum

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A aguardada Encíclica do Papa Francisco (Laudato si), publicada em 18 de junho, nos convida a uma séria revisão de vida, principalmente, no modo como temos maltratado e saqueado o planeta. É imprescindível que o clamor dos pobres e o grito da Terra rompam com as agressividades que perpetramos contra o meio ambiente, vilipendiado por um modo de vida consumista e insustentável.

Nos alerta o Santíssimo Padre que o ambiente natural se degrada em conjunto com o ambiente humano. Neste sentido, as preocupações ecológicas e as abruptas mudanças climáticas dizem respeito a todos nós, que devemos reconhecer a contribuição, seja ela pequena ou grande, que temos na destruição do ambiente. Afinal de contas, trata-se da nossa habitação comum e essa é uma realidade global, de um sistema que impõe a lógica do lucro a qualquer custo, ignorando a destruição da natureza e a exclusão social.

Equivocadamente, pensamos que os recursos naturais são inesgotáveis. A biodiversidade é cada vez mais reduzida e tem impacto direto em nossa alimentação e até mesmo na cura de doenças, que poderiam ser tratadas a partir de elementos da própria natureza. Nesses atos de negligência, colocamos em risco o presente e o futuro das próximas gerações. Além dos problemas ambientais, os hábitos vigentes levam a outras sérias questões como a fome, a corrupção e a impunidade generalizada; o preconceito, a discriminação e o racismo; o desemprego como exclusão social; e a leis que beneficiam os ricos e menosprezam os pobres.

A indústria costuma nos alienar, nos levando, com suas fabricações em série, a uma homogeneização cultural. Soluções exclusivamente técnicas ignoram as problemáticas e dinâmicas locais. A alienação se estende, ainda, aos produtos que consumimos. Desconhecemos suas origens, a maneira como foram feitos, a quantidade de animais sacrificados, o número de florestas derrubadas, a porção de poluentes lançados em nossos rios e na atmosfera, a extensa contaminação da água e do solo. A produção é tão acelerada que não se pensa mais no destinatário de determinado produto. Produz-se para um ‘eu coletivo’ sem nome, história e lugar. A qualidade do produto não é medida pelo feitio da apurada peça. Pelo contrário, a qualidade é associada à quantidade de mercadorias comercializadas indiscriminadamente.

Ignoramos, até mesmo, o trabalho escravo, ou análogo à escravidão, que ali foi empregado sem o menor pudor. Fundamentada no lucro alienado, a indústria agrícola, têxtil e eletrônica, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro, sem proporções. O trabalho que, antigamente, enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador.

Embora a situação tenha se agravado nas últimas décadas, ainda temos a chance de intervir, de maneira positiva, permitindo que a Terra e o homem retomem as condições propícias para revivificar-se. A regeneração é uma das suas características mais visíveis. Ao mesmo tempo, também nos ensina as consequências das destruições que nela operamos.

É urgente a conversão da nossa mentalidade, construindo uma nova consciência ambiental. Não é a Terra que necessita de nós, somos nós que dela precisamos. “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.” (Albert Schwweitzer).

A casa partilhada precisa ser mais bem cuidada. Para tanto, devemos assumir a cordial obrigação de responder pelo futuro do planeta. A temática da sustentabilidade não é propriedade dos intelectuais, muito menos, dos ecologistas. É preciso tomá-la, pelas mãos, se quisermos oferecer um lar, segundo o coração de Deus, para as próximas gerações. Conforme ressaltou a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, em 2003, “o ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte”.

Diante da crise, falta Deus, falta amor, falta caridade; dentro de uma ampla ausência de consideração pelo humano. O ofício de cuidar da criação nos foi confiado. E nós, como comunidade católica, devemos ser semeadores da mudança, adeptos da cultura da solidariedade e do encontro. Questionemos nossas atitudes e reconheçamos se, por algumas vezes, e dos mais variados modos, não alimentamos o capitalismo do lucro pelo lucro. Examinemos nossa consciência nos juros que cobramos. Olhemos se não estamos consumindo sem limites. Revisemos nossas prateleiras existenciais e perguntemos: Qual foi a última atitude que fizemos em favor de um pobre? Qual foi o dia em que deixamos de ir passear para visitar uma família carente na periferia de nossas cidades? Quando foi o último celular que compramos e a última cesta básica que doamos? Agora, é hora de questionar se temos correspondido à fé que é: moral e política, doutrinal e histórica, cultural e, integralmente, ecológica. Que possamos retirar um tempo para a leitura, colocando em prática os dizeres desta importante Encíclica Social!

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

 

Você precisa de tudo o que carrega em sua sacola?

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O telefone toca. Desesperada, aquela nobre senhora procura-o dentro de sua bolsa que mais parece um velho baú cheio de quinquilharias. Sem sucesso. Há tantas tranqueiras em tão reduzido espaço, que ela sequer encontra o aparelho antes que pare de tocar. Ela abre o zíper de sua bolsa e despeja tudo em cima da mesa. Eram quatro aparelhos. Pensativa, ela fita-os, um a um e murmura: “Qual deles, meu Deus, será que tocou?”. Passado o susto a conversa entre nós prossegue. E, mais um pouco, ela reclama que há muito convive com fortes dores lombares. Também pudera, pois com todo aquele peso…

O guarda-roupas está cheio do que já não se usa mais. Na garagem, quatro carros de marcas diferentes. Nas paredes da sala de estar, quadros de fotografias antigas. A estante cheia de lembrancinhas e de objetos antigos, amarelados pelo tempo. Empoeirados até. Nas prateleiras do escritório enciclopédias, títulos e livros que, conforme Raul Seixas, “só servem para quem não sabe ler”. “São peças que não se pode jogar fora”, diz o primeiro. “É necessidade”, argumenta o segundo. “São registros que jamais poderão ser esquecidos”, pondera o terceiro. “Todas estas coisas – e outras tantas – são muito caras a mim. Me são úteis. Não posso, não consigo viver sem elas”, justificam todos. E, assim, a vida passa…

Com o passar dos tempos, o do guarda-roupas reclama do mau cheiro dentro do quarto. O dos carros protesta contra o alto e abusivo preço dos combustíveis e o valor do licenciamento anual de seus veículos. A dona das fotografias começa a apresentar sintomas de depressão ao relembrar parentes e amigos que já se foram. O outro, ainda, vai às pressas à farmácia comprar medicamentos para combater a alergia por conta dos ácaros, fungos e bactérias nos livros antigos… Nesse contexto, a vida vai amargando, ficando pesada. Com os excessos, os corpos começam a apresentar sinais de cansaço, fadiga, estresse. O “caminho”, que era para ser bonito e prazeroso, torna-se difícil e longo. Cada pequena coisa acumulada, no todo, torna-se, para eles, pesada por demais.

Alguns acumulam por medo do amanhã. Outros, para serem vistos pelo que têm. Outros, para se sentirem seguros, amparados. Outros ainda, pelo pior de todos os males, ambição, ganância. Jesus é muito claro em Seus ensinamentos. Ele não é contra o “ter”. É a favor do básico, do necessário: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento” (Mt 10,9-10). Água demais mata a planta afogada. Se faltar, ela morre de sede. O ideal é que seja irrigada na medida certa: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,33).

Contudo, se eu não guardar para o amanhã, o que vou comer, então? O que vou beber? O que vou vestir? Bem, neste caso, o importante é não cruzar os braços na doce ilusão de que tudo caia pronto do céu, pois “você comerá seu pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3,19). Assim nos orienta Jesus: “Não vos inquieteis o coração”. E nos diz ainda: “Os gentios é que procuram todas estas coisas; pois, o vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mt 6,31-32). Vale aqui o conselho para o trabalho diário que dignifica a pessoa humana e os bens adquiridos por ele são graça e dom recebidos de Deus.

Não é possível viver na mentira e ser uma pessoa iluminada e feliz. “Terra não guarda segredos”, diz um ditado popular. A todo momento, o ser humano tem que decidir entre o bem e o mal, ficar e partir, chorar e sorrir, amar e odiar, viver e morrer. Deste modo, cada um de nós traz dentro de si duas realidades: a fome física, que é diária e cessa com a nossa morte para esta vida; e a fome de Deus, que nada mais é do que a necessidade de amar e sentir-se amados. Essa realidade terá sua saciedade na eternidade, em Deus.

“É preciso deixar tudo para ganhar tudo”, conforme nos ensina Santo Afonso. Ter pouco e um coração agradecido, ou ter muito e viver na lamúria, é escolha pessoal. Carregar na bagagem do coração o totalmente necessário ou o absolutamente supérfluo é opção de cada um. É como diz o ditado: “Plantou, colheu”. A nobre senhora dona da bolsa? Não sei por onde anda! Deve estar por aí, em algum lugar do Planeta Terra com a bolsa mais cheia que antes, aguardando novas ligações…

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Francisco ternura

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Eu sempre apostei na sensibilidade, na ternura, no afeto. Minha vida inteira foi assim. Com essas armas enfrentei o mundo desde pequeno na casa da minha família. Sou partidário do carinho, do abraço, do beijo, da alegria de viver. Olho para o Papa Francisco e, além de prestar atenção em suas palavras, observo seus gestos. Ele é sempre tão afetuoso com as crianças, com os idosos, com as famílias, com os jovens, com os noivos. Durante a viagem que ele faz à nossa América do Sul, procurei acompanhar, nas imagens da TV e nas fotos, os momentos em que ele se derrama de ternura em gestos bem simples de carinho.

Uma dessas situações ocorreu em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Essa cidade me toca bastante porque lá reside meu único confrade cardeal da Igreja, Dom Julio Terrazas Sandoval, C.Ss.R., que por sinal está atravessando problemas sérios com a saúde. Santa Cruz é uma cidade que tem quase a idade do Brasil e é a segunda mais importante do País. Lá, o Santo Padre, em cima de um belíssimo altar, enquanto aguardava o momento de falar, foi surpreendido com a aproximação de uma criança indígena com seu vestidinho branco. Ela chegou e já foi se aconchegando no colo do Papa. Francisco acolheu a criança como se fosse alguém que ele conhecesse desde o nascimento, com a intimidade de um “avô” querido. Passou a mão na farta cabeleira da garotinha e ficou olhando para o desenrolar da cerimônia. A menina ficou um tempinho, se desenrolou dos braços do Papa e saiu enquanto ele a acompanhava com olhos sorridentes.

Um gesto de enorme simplicidade, rápido e creio que nem foi tão notado pelas câmeras. Os grandes holofotes estavam com atenção dividida. Os maiores se endereçavam a polêmicas artificiais como aquela de terem espetacularizado a troca de presentes, como de praxe fazem todos os chefes de estado quando visitam oficialmente uns aos outros, entre Evo Morales e o Papa. O presidente boliviano doara um crucifixo de madeira com o crucificado sobre os símbolos clássicos do comunismo. Pelos esclarecimentos posteriores, se tratava de uma peça artesanal feita por um jesuíta assassinado e que tinha a intenção de mostrar a presença da dor de Cristo na luta dos camponeses pobres da Bolívia.

Outros holofotes, menores, procuravam dar eco à palavra inspirada e profética de Francisco que, num encontro com movimentos sociais, pediu: “Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”.

Eu, da minha parte, sem me esquecer dessas realidades mostradas pela cobertura jornalística que dá dois pesos e duas medidas para os assuntos, me volto para a cena daquela menina e o Papa. A mudança do mundo se dará, no meu entendimento, somente no dia em que os povos, as famílias e as pessoas aprenderem a lição explícita do que fez a menina e o Papa: aproximarem-se sem medo uns dos outros; acomodaram-se com confiança no território do coração uns dos outros e, ao voltarem para seus lugares, permanecerem alegres com a certeza de que a paz está sempre garantida onde se planta a não-violência.

Aquela menina indígena, em seu rápido passeio pelo colo do Papa Francisco, me deixou uma mensagem que eu levarei para minha vida a fim de corrigir meu comportamento e confirmar meus propósitos: a ternura poderá salvar o mundo. Papa Francisco tem sido um extraordinário apóstolo dessa verdade. E, junto aos povos mais flagelados pela pobreza aqui nessa parte de baixo da América, nos confirma no caminho do Reino já presente nesse mundo e o definitivo que nos aguarda na eternidade.

Pe. Abdon Dias Guimarães, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

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