Cuidemos de nossa casa comum

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A aguardada Encíclica do Papa Francisco (Laudato si), publicada em 18 de junho, nos convida a uma séria revisão de vida, principalmente, no modo como temos maltratado e saqueado o planeta. É imprescindível que o clamor dos pobres e o grito da Terra rompam com as agressividades que perpetramos contra o meio ambiente, vilipendiado por um modo de vida consumista e insustentável.

Nos alerta o Santíssimo Padre que o ambiente natural se degrada em conjunto com o ambiente humano. Neste sentido, as preocupações ecológicas e as abruptas mudanças climáticas dizem respeito a todos nós, que devemos reconhecer a contribuição, seja ela pequena ou grande, que temos na destruição do ambiente. Afinal de contas, trata-se da nossa habitação comum e essa é uma realidade global, de um sistema que impõe a lógica do lucro a qualquer custo, ignorando a destruição da natureza e a exclusão social.

Equivocadamente, pensamos que os recursos naturais são inesgotáveis. A biodiversidade é cada vez mais reduzida e tem impacto direto em nossa alimentação e até mesmo na cura de doenças, que poderiam ser tratadas a partir de elementos da própria natureza. Nesses atos de negligência, colocamos em risco o presente e o futuro das próximas gerações. Além dos problemas ambientais, os hábitos vigentes levam a outras sérias questões como a fome, a corrupção e a impunidade generalizada; o preconceito, a discriminação e o racismo; o desemprego como exclusão social; e a leis que beneficiam os ricos e menosprezam os pobres.

A indústria costuma nos alienar, nos levando, com suas fabricações em série, a uma homogeneização cultural. Soluções exclusivamente técnicas ignoram as problemáticas e dinâmicas locais. A alienação se estende, ainda, aos produtos que consumimos. Desconhecemos suas origens, a maneira como foram feitos, a quantidade de animais sacrificados, o número de florestas derrubadas, a porção de poluentes lançados em nossos rios e na atmosfera, a extensa contaminação da água e do solo. A produção é tão acelerada que não se pensa mais no destinatário de determinado produto. Produz-se para um ‘eu coletivo’ sem nome, história e lugar. A qualidade do produto não é medida pelo feitio da apurada peça. Pelo contrário, a qualidade é associada à quantidade de mercadorias comercializadas indiscriminadamente.

Ignoramos, até mesmo, o trabalho escravo, ou análogo à escravidão, que ali foi empregado sem o menor pudor. Fundamentada no lucro alienado, a indústria agrícola, têxtil e eletrônica, confundiu a pessoa humana com a máquina, fazendo com que sua vida fosse pautada pela produção contínua, transformando-a em mais uma mercadoria. Hoje, a pessoa, motor da economia, se vê obrigada a ceder espaço para o lucro, sem proporções. O trabalho que, antigamente, enaltecia, agora, desumaniza o próprio trabalhador.

Embora a situação tenha se agravado nas últimas décadas, ainda temos a chance de intervir, de maneira positiva, permitindo que a Terra e o homem retomem as condições propícias para revivificar-se. A regeneração é uma das suas características mais visíveis. Ao mesmo tempo, também nos ensina as consequências das destruições que nela operamos.

É urgente a conversão da nossa mentalidade, construindo uma nova consciência ambiental. Não é a Terra que necessita de nós, somos nós que dela precisamos. “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.” (Albert Schwweitzer).

A casa partilhada precisa ser mais bem cuidada. Para tanto, devemos assumir a cordial obrigação de responder pelo futuro do planeta. A temática da sustentabilidade não é propriedade dos intelectuais, muito menos, dos ecologistas. É preciso tomá-la, pelas mãos, se quisermos oferecer um lar, segundo o coração de Deus, para as próximas gerações. Conforme ressaltou a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, em 2003, “o ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte”.

Diante da crise, falta Deus, falta amor, falta caridade; dentro de uma ampla ausência de consideração pelo humano. O ofício de cuidar da criação nos foi confiado. E nós, como comunidade católica, devemos ser semeadores da mudança, adeptos da cultura da solidariedade e do encontro. Questionemos nossas atitudes e reconheçamos se, por algumas vezes, e dos mais variados modos, não alimentamos o capitalismo do lucro pelo lucro. Examinemos nossa consciência nos juros que cobramos. Olhemos se não estamos consumindo sem limites. Revisemos nossas prateleiras existenciais e perguntemos: Qual foi a última atitude que fizemos em favor de um pobre? Qual foi o dia em que deixamos de ir passear para visitar uma família carente na periferia de nossas cidades? Quando foi o último celular que compramos e a última cesta básica que doamos? Agora, é hora de questionar se temos correspondido à fé que é: moral e política, doutrinal e histórica, cultural e, integralmente, ecológica. Que possamos retirar um tempo para a leitura, colocando em prática os dizeres desta importante Encíclica Social!

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

 

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