Francisco ternura

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Eu sempre apostei na sensibilidade, na ternura, no afeto. Minha vida inteira foi assim. Com essas armas enfrentei o mundo desde pequeno na casa da minha família. Sou partidário do carinho, do abraço, do beijo, da alegria de viver. Olho para o Papa Francisco e, além de prestar atenção em suas palavras, observo seus gestos. Ele é sempre tão afetuoso com as crianças, com os idosos, com as famílias, com os jovens, com os noivos. Durante a viagem que ele faz à nossa América do Sul, procurei acompanhar, nas imagens da TV e nas fotos, os momentos em que ele se derrama de ternura em gestos bem simples de carinho.

Uma dessas situações ocorreu em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Essa cidade me toca bastante porque lá reside meu único confrade cardeal da Igreja, Dom Julio Terrazas Sandoval, C.Ss.R., que por sinal está atravessando problemas sérios com a saúde. Santa Cruz é uma cidade que tem quase a idade do Brasil e é a segunda mais importante do País. Lá, o Santo Padre, em cima de um belíssimo altar, enquanto aguardava o momento de falar, foi surpreendido com a aproximação de uma criança indígena com seu vestidinho branco. Ela chegou e já foi se aconchegando no colo do Papa. Francisco acolheu a criança como se fosse alguém que ele conhecesse desde o nascimento, com a intimidade de um “avô” querido. Passou a mão na farta cabeleira da garotinha e ficou olhando para o desenrolar da cerimônia. A menina ficou um tempinho, se desenrolou dos braços do Papa e saiu enquanto ele a acompanhava com olhos sorridentes.

Um gesto de enorme simplicidade, rápido e creio que nem foi tão notado pelas câmeras. Os grandes holofotes estavam com atenção dividida. Os maiores se endereçavam a polêmicas artificiais como aquela de terem espetacularizado a troca de presentes, como de praxe fazem todos os chefes de estado quando visitam oficialmente uns aos outros, entre Evo Morales e o Papa. O presidente boliviano doara um crucifixo de madeira com o crucificado sobre os símbolos clássicos do comunismo. Pelos esclarecimentos posteriores, se tratava de uma peça artesanal feita por um jesuíta assassinado e que tinha a intenção de mostrar a presença da dor de Cristo na luta dos camponeses pobres da Bolívia.

Outros holofotes, menores, procuravam dar eco à palavra inspirada e profética de Francisco que, num encontro com movimentos sociais, pediu: “Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”.

Eu, da minha parte, sem me esquecer dessas realidades mostradas pela cobertura jornalística que dá dois pesos e duas medidas para os assuntos, me volto para a cena daquela menina e o Papa. A mudança do mundo se dará, no meu entendimento, somente no dia em que os povos, as famílias e as pessoas aprenderem a lição explícita do que fez a menina e o Papa: aproximarem-se sem medo uns dos outros; acomodaram-se com confiança no território do coração uns dos outros e, ao voltarem para seus lugares, permanecerem alegres com a certeza de que a paz está sempre garantida onde se planta a não-violência.

Aquela menina indígena, em seu rápido passeio pelo colo do Papa Francisco, me deixou uma mensagem que eu levarei para minha vida a fim de corrigir meu comportamento e confirmar meus propósitos: a ternura poderá salvar o mundo. Papa Francisco tem sido um extraordinário apóstolo dessa verdade. E, junto aos povos mais flagelados pela pobreza aqui nessa parte de baixo da América, nos confirma no caminho do Reino já presente nesse mundo e o definitivo que nos aguarda na eternidade.

Pe. Abdon Dias Guimarães, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

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