Você precisa de tudo o que carrega em sua sacola?

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O telefone toca. Desesperada, aquela nobre senhora procura-o dentro de sua bolsa que mais parece um velho baú cheio de quinquilharias. Sem sucesso. Há tantas tranqueiras em tão reduzido espaço, que ela sequer encontra o aparelho antes que pare de tocar. Ela abre o zíper de sua bolsa e despeja tudo em cima da mesa. Eram quatro aparelhos. Pensativa, ela fita-os, um a um e murmura: “Qual deles, meu Deus, será que tocou?”. Passado o susto a conversa entre nós prossegue. E, mais um pouco, ela reclama que há muito convive com fortes dores lombares. Também pudera, pois com todo aquele peso…

O guarda-roupas está cheio do que já não se usa mais. Na garagem, quatro carros de marcas diferentes. Nas paredes da sala de estar, quadros de fotografias antigas. A estante cheia de lembrancinhas e de objetos antigos, amarelados pelo tempo. Empoeirados até. Nas prateleiras do escritório enciclopédias, títulos e livros que, conforme Raul Seixas, “só servem para quem não sabe ler”. “São peças que não se pode jogar fora”, diz o primeiro. “É necessidade”, argumenta o segundo. “São registros que jamais poderão ser esquecidos”, pondera o terceiro. “Todas estas coisas – e outras tantas – são muito caras a mim. Me são úteis. Não posso, não consigo viver sem elas”, justificam todos. E, assim, a vida passa…

Com o passar dos tempos, o do guarda-roupas reclama do mau cheiro dentro do quarto. O dos carros protesta contra o alto e abusivo preço dos combustíveis e o valor do licenciamento anual de seus veículos. A dona das fotografias começa a apresentar sintomas de depressão ao relembrar parentes e amigos que já se foram. O outro, ainda, vai às pressas à farmácia comprar medicamentos para combater a alergia por conta dos ácaros, fungos e bactérias nos livros antigos… Nesse contexto, a vida vai amargando, ficando pesada. Com os excessos, os corpos começam a apresentar sinais de cansaço, fadiga, estresse. O “caminho”, que era para ser bonito e prazeroso, torna-se difícil e longo. Cada pequena coisa acumulada, no todo, torna-se, para eles, pesada por demais.

Alguns acumulam por medo do amanhã. Outros, para serem vistos pelo que têm. Outros, para se sentirem seguros, amparados. Outros ainda, pelo pior de todos os males, ambição, ganância. Jesus é muito claro em Seus ensinamentos. Ele não é contra o “ter”. É a favor do básico, do necessário: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento” (Mt 10,9-10). Água demais mata a planta afogada. Se faltar, ela morre de sede. O ideal é que seja irrigada na medida certa: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,33).

Contudo, se eu não guardar para o amanhã, o que vou comer, então? O que vou beber? O que vou vestir? Bem, neste caso, o importante é não cruzar os braços na doce ilusão de que tudo caia pronto do céu, pois “você comerá seu pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3,19). Assim nos orienta Jesus: “Não vos inquieteis o coração”. E nos diz ainda: “Os gentios é que procuram todas estas coisas; pois, o vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mt 6,31-32). Vale aqui o conselho para o trabalho diário que dignifica a pessoa humana e os bens adquiridos por ele são graça e dom recebidos de Deus.

Não é possível viver na mentira e ser uma pessoa iluminada e feliz. “Terra não guarda segredos”, diz um ditado popular. A todo momento, o ser humano tem que decidir entre o bem e o mal, ficar e partir, chorar e sorrir, amar e odiar, viver e morrer. Deste modo, cada um de nós traz dentro de si duas realidades: a fome física, que é diária e cessa com a nossa morte para esta vida; e a fome de Deus, que nada mais é do que a necessidade de amar e sentir-se amados. Essa realidade terá sua saciedade na eternidade, em Deus.

“É preciso deixar tudo para ganhar tudo”, conforme nos ensina Santo Afonso. Ter pouco e um coração agradecido, ou ter muito e viver na lamúria, é escolha pessoal. Carregar na bagagem do coração o totalmente necessário ou o absolutamente supérfluo é opção de cada um. É como diz o ditado: “Plantou, colheu”. A nobre senhora dona da bolsa? Não sei por onde anda! Deve estar por aí, em algum lugar do Planeta Terra com a bolsa mais cheia que antes, aguardando novas ligações…

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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