Mês: novembro 2015

O dom da escuta à mensagem sinodal do Espírito Santo

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A atitude colaborativa e consultiva, decorrente das Assembleias Sinodais, nos remete às origens históricas da nossa Igreja. É possível constatá-la naquilo que os historiadores eclesiásticos compreendem como o Concílio Regional de Jerusalém, conforme apresentado nos Atos dos Apóstolos, ao debater sobre a admissão dos gentios (não judeus) à comunidade dos recém-cristãos (At 15,6-29). Na contemporaneidade, o Sínodo dos Bispos completa 50 anos, sendo considerado como uma das mais bonitas heranças deixadas pelo Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965).

A sinodalidade pressupõe a humildade serviçal, promotora de um coração receptivo, em profundo respeito à consciência das pessoas, sem abrir mão do essencial, cujo objetivo é a verdade nas palavras e a misericórdia nas ações. Não podemos perder de vista que, na etimologia da palavra ‘Sínodo’ há dois sufixos bastante significativos para compreendê-lo: sya (junto) e odòs (estrada). Como se vê é um caminho a ser construído e percorrido juntos. Tudo em função da unidade, por meio dos variados dons concedidos pelo Espírito Santo de Deus. Eles são doados para fortalecer a comunidade cristã. Jamais devem ser utilizados no sentido do favorecimento pessoal, mas sempre voltados ao crescimento da fé, mediante o ânimo fraterno.

Deste modo, pensamentos diferentes convergem para um denominador comum: a fé! Não se trata de democratizar posicionamentos, mas de escutar o que Cristo Jesus, por meio dos padres sinodais, tem a dizer à sua Igreja (Ap 2,7). Mesmo havendo a limitação humana, precisamos reconhecer que o compromisso e a tarefa da unidade são marcas bastantes características da caminhada espiritual e pastoral da Igreja. Eis um itinerário que se expressa na colegialidade dos bispos, no diálogo entre as instâncias eclesiásticas, na celebração dos sínodos diocesanos e no próprio esforço da Igreja de Roma perante a comunhão com as outras sés patriarcais de Alexandria, Jerusalém, Constantinopla e Antioquia.

Unidade não tem nada a ver com uniformidade de pensamento, muito menos, com a redução das diferenças, como se fosse possível submeter a todos a uma única consideração. Pelo contrário, a unidade traz as raízes mais esperançosas da concórdia nas vontades, em favor da atividade missionária e evangelizadora da Igreja.

Aquele que encontra, na missão, o sentido da vida, tem consciência de que precisa viver para as mesmas pessoas que Jesus viveu. Ele não exclui a ninguém, mas costuma começar primeiro por aqueles que estão à margem da sociedade. Os materialmente pobres e os espiritualmente abandonados, assim o são, não por falta de iniciativa ou por motivos de preguiça. Na verdade, para a grande maioria deles, faltou mesmo a ditosa oportunidade de um olhar misericordioso. Uma apreciação panorâmica traz à nossa memória os milhões de refugiados mundo afora, as vítimas das facções terroristas, os cristãos perseguidos, o meio ambiente agredido, os injustiçados pela miséria e a fome, os idosos vilipendiados, as mulheres violentadas; as crianças comprometidas, tolhidas e tiranizadas pelo trabalho escravo; os doentes abandonados, dentre tantos outros vulneráveis, como os divorciados e os recasados.

Junto da sinodalidade, é imprescindível a prática concreta da misericórdia. Ela passa do necessário diálogo à unidade das diferenças. Se mirarmos na etimologia desta palavra encontraremos a bonita junção dos dizeres latinos: miserere (ter compaixão) e cordis (coração). Em síntese: é a terna compaixão do coração pela infelicidade de outrem. Qualquer mudança pastoral, na Igreja, passa antes pela generosa peneira da misericórdia. É através dela que vemos, sentimos, constatamos e nos deixamos tocar pelos sofrimentos dos próximos e distantes.

Nesse dinamismo de acolhida também estão todos aqueles que fazem parte da Igreja, enquanto porção do Povo de Deus, no laicato, no seminarístico, no religioso, no presbiterado e no episcopado. Ali a autoridade é resguardada porque se faz serviço, horizontalizando as suas relações, na obediência exclusiva à vontade de Deus Pai. Que possamos acolher, então, a mensagem decorrida da Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada entre 4 e 25 de outubro passado. Junto dela, pensemos também sobre a “Nova evangelização para a transmissão da fé”, bem ao modo de valorizar, suscitar e programar os conselhos paroquiais e comunitários, em harmonia com a sinodalidade tão antiga e tão característica da nossa Igreja.

 Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Comunhão de mesa: sinal do Reino e Deus

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Não restam dúvidas de que o centro do Evangelho de Jesus era o Reinado de Deus. Várias falas e ações de Jesus de Nazaré são fortes argumentos a favor do fato de ele, por vezes, ter falado do Reino como já presente, de alguma forma ou num certo grau, em seu ministério.

O Reino de Deus não é uma invenção de Jesus. Ele apropria-se de um dado corrente na tradição religiosa do seu povo para dizer que esta realidade, até então distante, é passível de se tornar realizada no presente. Com isso, o Nazareno inaugura um novo modo de viver sob este Reinado.

O projeto do Reino é transformar as estruturas sociais, econômicas, religiosas, entendendo-as como dimensões que fazem parte do universo humano. A glória deste Rei apresentado por Jesus é a vida dos seus súditos, vida em abundância, vida em plenitude. E, para que este reinado se concretize, é preciso estabelecer a fraternidade, a acolhida entre os homens e as mulheres que pretendem viver sob o âmbito de Deus.

No entanto, não era bem assim que os judeus, na sua maioria, entendiam ser o Reino de Deus. Marcado por uma incondicional reverência à Lei, o judeu deveria desprezar qualquer tipo de contato com os pecadores e com os gentios. Devia evitar o contato com os marginalizados não só pela religião, bem como, também, pelo sistema econômico.

Jesus vê a comensalidade como um lugar propício para falar e viver o projeto do Reino. O banquete já era uma imagem muito comum no judaísmo para se referir ao Reino de Deus. Tanto é que, para o judaísmo, o grande banquete sinalizava uma dimensão escatológica. Por isso, o fato de sentar-se à mesa com algum judeu tido como pecador perante a Lei ou ainda, sentar-se à mesa com algum gentio, era para o judeu observante da Lei o mesmo que entrar em comunhão com os pecados deles.

O Nazareno, porém, pensava diferente. Para ele, comer junto com um publicano ou uma prostituta era permitir o acesso à salvação. Era a oportunidade que os marginalizados e lascados tinham de entrar em comunhão com a sua pessoa, que por várias vezes expressava o carinho, a misericórdia e a acolhida de Deus.

A espiritualidade da mesa evoca, em todos que se aventuram se assentar ao seu redor, a gratidão. A refeição em comum estabelece vínculo, desperta o espírito de partilha e motiva a união das diferenças. Ela interpela a todos viver uma espiritualidade da gratuidade e do serviço de uns para com os outros.

É a partir deste fato que se pode afirmar que a comunhão de mesa proposta por Jesus sinaliza a experiência do Reino de Deus. Entender que a comensalidade é um sinal do Reino de Deus é um passo significativo no amadurecimento da fé cristã. Porém, ainda não é o bastante. É preciso que o cristão e a cristã de hoje estejam dispostos para vivenciar esta verdade.

Numa sociedade marcada pela desigualdade, pelo exclusivismo, dividida em classes (ricos, classe média, pobres e miseráveis) e movida pela cultura do lucro a todo custo que propicia o individualismo e fomenta o egoísmo humano, o cristão e a cristã têm a missão de implantar a cultura do Reino de Deus. E como fazer isso? Por meio da seguinte dinâmica: aproximar-se do outro, sentar-se à mesa e estabelecer com ele a comunhão de vida.

Pe. Paulo Júnior Silva Leão, C.Ss.R.

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