Mês: fevereiro 2016

Sanados por Jesus, sanemos!

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Com o tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24) damos início à Campanha da Fraternidade – 2016, entremeada pela Quaresma e o Jubileu da Misericórdia, em plena sintonia com a Carta Encíclica Laudato si’, cuja autoria é do Papa Francisco e em conformidade com o Decreto Unitatis Redintegratio (A restauração da Unidade), decorrente do Concílio Vaticano II (1962-1965).

É a quarta vez que grandes expressões religiosas brasileiras se unem para a celebração de uma ação ecumênica, sob a coordenação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). As outras três campanhas da fraternidade, perpassadas pelo dom do Ecumenismo, se deram com as seguintes temáticas: “Novo Milênio sem exclusão: dignidade humana e paz” (2000), “Felizes os que promovem a paz” (2005) e “Economia e vida: vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (2010).

Na mesma medida em que há diferenças doutrinais abertas, impedindo a plena comunhão eclesiástica, também existe o desejo fiel, no coração destas comunidades cristãs, em se reunirem no entorno de questões relacionadas à justiça social e à dignidade humana. Desde então cada uma delas concedem um fiel testemunho da unidade solicitada pelo Evangelho de Jesus: “Para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (João 17,21).

Por se tratar de uma atividade conjunta a campanha conta com a participação efetiva da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Aliança de Batistas do Brasil, Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep) e Visão Mundial.

Não deixa de chamar a atenção o posicionamento de uma pequeníssima parcela de católicos, equivocadamente críticos, ao fato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) trazer reflexões sociais nestes quarenta dias tão propícios da graça divina, compreendidos entre a quarta-feira de Cinzas e o domingo da Páscoa. Pensa essa minoria que seria mais interessante colocar eixos temáticos relacionados aos sentimentos da alma. Porém, não pode haver caminho penitencial que não passe antes pelo atalho necessário da dor alheia. É preciso olhos bem abertos para enxergar aqueles que têm tido os seus direitos fundamentais repetidamente negados, tal qual ocorre com os seis milhões de sofredores, mundo afora, que ainda não possuem acesso a um banheiro, segundo a Organização Mundial da Saúde.

É uma dolorosa lesão na alma humana que aponta para a profunda desigualdade econômica e socioambiental a acometer os mais pobres. As mortalidades infantil e adulta, ocasionada por Poliomielite, Hepatite A, Febre Tifoide e Paratifoide, Cisticercose e Leptospirose, dentre outras doenças, poderia ser evitada caso houvesse um saneamento básico suficiente e de qualidade. Ainda assim, não basta sanear. É necessário que tanto a água encanada quanto o esgoto coletado sejam devidamente deslocados para uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Só depois disso é que podem ser destinados aos rios ou ao mar, dentro de parâmetros legais que não ofereçam riscos à biodiversidade da saúde humana, animal e vegeta

Dados coletados pelo Instituto “Trata Brasil” apontam que 35 milhões de brasileiros, sobretudo os moradores das periferias e das zonas rurais, carecem desse serviço elementar. Já nas metrópoles vigora o permanente descaso com os esgotos a céu aberto que, além de atentarem contra a coletividade, dão sinais claros da inoperância do poder público, responsável por salvaguardar um direito constitucional por saúde.

A Quaresma nos convida ao abraço da fé e à conversão do coração. Nada mais concreto do que nos reconciliarmos com a nossa Casa Comum, lutando pelo direito de todos ao saneamento básico. Se formos olhar para o sentido da palavra ‘saneamento’ encontraremos o verbo ‘sanear’. Ele se remete à pessoa que está restaurada e reconciliada. Nela o mal foi sanado. Passou-se do estado de insalubre à condição de saudável. Que não sigamos adiante sem mirar entre aqueles que permanecem em condições indignas de vida, à margem da sociedade, com direitos básicos menosprezados. Eles contam com a nossa defesa por uma sociedade mais justa e menos desigual. Abençoada Quaresma!

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Lixo ou flores?

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Existe uma pequena estória, rica em significados, que diz o seguinte: “Certa vez, em um país distante, havia um homem muito rico que se gabava de sua riqueza. Nela, tal homem rico depositava toda sua confiança. Além de muito avarento e soberbo, era também um profundo zombador dos seus semelhantes. Principalmente, dos pobres e abandonados. Certo dia, aquele homem rico deu uma cesta cheia de lixo a um homem pobre. Este, por sua vez, a recebeu de bom grado. Sorrindo, o pobre homem correu até sua casa, uma humilde choupana construída ao pé da serra com a cesta na mão. Cuidadosamente, a esvaziou. Lavou e encheu-a das mais lindas flores do seu pequeno jardim! Retornando, entregou novamente aquela cesta de lixo ao homem rico. Ao ver tal atitude, e o que havia dentro da cesta, o homem rico ficou muito comovido. Surpreso, perguntou: ‘Por que me deu flores se lhe dei somente lixo?’ Sorrindo, olhando nos olhos do homem rico, aquele homem pobre respondeu: ‘Porque cada um dá aos outros aquilo que tem de melhor no coração!’.”

Estamos vivendo em uma época difícil de nossa história. A sociedade como um todo esvazia-se de antigos valores considerados até então como imutáveis, perenes, inquestionáveis. Vive-se um forte período de grandes conturbações de ordem religiosa, política, moral, ética e social. A equação matemática do mundo moderno não é somar, dividir, partilhar. Ao contrário, é subtrair para multiplicar. Ou seja, retirar do outro e acumular para si.

O que recebemos nesta vida, e consequentemente na vida futura, é fruto da semente que aqui plantamos. Isto é uma verdade de fé que nos vem de Jesus: “Se vocês plantarem uma árvore boa, o fruto dela será bom: mas, se vocês plantarem uma árvore má, também o fruto dela será mau” (Mt 12, 33). A terra produz abrolhos, espinhos e flores. Todos eles são igualmente importantes e cada um desempenha uma determinada função na natureza. A bondade e a maldade não são características inatas do mundo. Elas passam a existir à medida que são favorecidas, plantadas, regadas e cultivadas no coração da pessoa humana desde o nascer ao morrer.

Se é verdade que a boca fala do que está cheio o coração (cf. Mt 12,34), é mais verdade ainda que ninguém dá aos outros aquilo que se não tem. Exemplos cristãos de solidariedade, fraternidade e amor ao próximo não nos faltam. Todavia, quero ressaltar a pessoa de Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado como o maior ícone de doação bondosa e generosa que o mundo já conheceu. Tendo vindo ao mundo em sua condição humana e divina, deixou-nos este grande legado: “Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade a Deus. Ao contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens” (Fl 2,6-7). Além de nada acumular para si, doou ao mundo o dom mais precioso e sagrado que recebeu do Divino Pai Eterno no alto da Cruz: sua própria Vida.

Insultos, ultrajes, chibatadas, escárnios, cusparadas, bofetões? Jesus não devolveu a seus algozes a coroa de espinhos que lhe puseram sobre a cabeça. Nem os cravos que lhe cravaram as mãos. Muito mais ainda, o fel que lhes dera de beber ou a lança que traspassara o seu lado. Do alto da Cruz, deu-lhes o seu perdão: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23, 34).

Na vida há os que gostam das flores e os que amam os espinhos. Lixo ou flores? O que você tem ofertado às pessoas com as quais se relaciona, convive, trabalha? Não cabe aqui estabelecer critérios de juízo moral a ninguém. Cada um é livre diante de Deus, de si mesmo e das outras pessoas para decidir que caminhos na vida se quer tomar para alcançar os fins desejados e os frutos esperados de suas obras. No entanto, nos adverte o Senhor: “Eu lhe propus a vida e a morte, a bênção ou a maldição. Escolha, portanto, a vida, para que você e seus descendentes possam viver, amando a Javé seu Deus, obedecendo-lhe e apegando-se a ele a sua vida e o prolongamento de seus dias. Desse modo você poderá habitar sobre a terra que Javé jurou dar aos seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó” (Dt 31, 19-20).

A vida tem os seus desafios que exigem muito de nós, naturalmente. Porém, não cansemos e nos preocupemos atoa, por qualquer motivo, pois “o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou e por sua graça nos dá consolo eterno e esperança feliz” (2Ts 2,16). A beleza não está nas flores. Elas sequer sabem que são belas. A beleza está nos olhos de quem as contemplam. Quanto maior o coração, maior as alegrias. Doe flores!

 

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

Tal pai, tal filho

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Atualmente, a figura do pai anda um pouco apagada. Em alguns meios, existe uma opção deliberada por destruir completamente a figura paterna. Seria interessante entrar no emaranhado de razões desta situação, no entanto, é muito pano pra manga e talvez seja melhor deixar para outro momento. Uma coisa é certa: a partir do Santuário de Trindade, a figura do pai conserva uma força enorme, pois a experiência de fé de milhares de peregrinos é constituída pela confiança em Deus, carinhosamente chamado como Divino Pai Eterno.

Uma filósofa e ensaísta espanhola chamada Maria Zambrano, em seu livro “Islas”, dizia sobre a importância da paternidade no processo de educação e crescimento da pessoa humana. Segundo ela, nada é mais decisivo que a própria origem, quando nosso pai, além da vida, deu-nos também o nome. O pai não é apenas um homem de carne e osso que nos transmitiu carga genética, mas nos deu um nome, uma estirpe e, consequentemente, um destino. A presença e o acompanhamento do pai no processo educativo de uma pessoa, principalmente nos primeiros passos, possibilita a experiência de confiança na vida.

O que somos hoje é herança, porque somos filhos. Recebemos tanto de nossos pais: características, nome, costumes, língua, religião, cultura e tantas outras coisas. Nada começou conosco; damos sequência, continuação. Por isso, somos responsáveis pela história de continuidade daquilo que recebemos e do que levamos avante. A responsabilidade que temos nos faz humildes em saber que não somos inventores do mundo e, ao mesmo tempo, temos a confiança que, para gerir o grande patrimônio da vida, somos acompanhados pela força e clemência da paternidade.

Neste ano, o Santo Padre Francisco propôs aos católicos do mundo inteiro a celebração de um extraordinário jubileu com o tema da Misericórdia. Sua proposta pede que partamos do ensinamento de Jesus, que diz: “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Este é, pois, o programa do jubileu para todos nós: contemplar a misericórdia de Deus e assumi-la como próprio estilo de vida. Para bem celebrar o jubileu, muito mais que passar por uma porta, é necessário que alcancemos viver no dia a dia, a misericórdia do Pai Eterno. Seu amor misericordioso nos restaura para uma vida nova e inspira a coragem para olhar o futuro com confiança.

Jesus é o rosto da misericórdia do Pai, como disse Papa Francisco. Ele, com Suas palavras e Seus gestos, revelou sua origem divina. Como se diz por aí, tal pai tal filho. Isso se aplica muito bem na vida de Jesus, pois viveu para testemunhar o amor gratuito do Pai Eterno: “como o Pai me amou, eu vos amei” (Jo 15,9). Portanto, todos nós podemos ser homens e mulheres de misericórdia, porque em Jesus Cristo nos tornamos também filhos, herdeiros do amor misericordioso do Pai Eterno que nos acompanha por nossos caminhos. Nada pode nos separar do Seu amor paterno; nenhuma catástrofe pode destruir a confiança que temos em nossa origem, revelada por Jesus, vinda do alto.

 

Ir. Marcos Vinícius Ramos de Carvalho, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

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