Lixo ou flores?

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Existe uma pequena estória, rica em significados, que diz o seguinte: “Certa vez, em um país distante, havia um homem muito rico que se gabava de sua riqueza. Nela, tal homem rico depositava toda sua confiança. Além de muito avarento e soberbo, era também um profundo zombador dos seus semelhantes. Principalmente, dos pobres e abandonados. Certo dia, aquele homem rico deu uma cesta cheia de lixo a um homem pobre. Este, por sua vez, a recebeu de bom grado. Sorrindo, o pobre homem correu até sua casa, uma humilde choupana construída ao pé da serra com a cesta na mão. Cuidadosamente, a esvaziou. Lavou e encheu-a das mais lindas flores do seu pequeno jardim! Retornando, entregou novamente aquela cesta de lixo ao homem rico. Ao ver tal atitude, e o que havia dentro da cesta, o homem rico ficou muito comovido. Surpreso, perguntou: ‘Por que me deu flores se lhe dei somente lixo?’ Sorrindo, olhando nos olhos do homem rico, aquele homem pobre respondeu: ‘Porque cada um dá aos outros aquilo que tem de melhor no coração!’.”

Estamos vivendo em uma época difícil de nossa história. A sociedade como um todo esvazia-se de antigos valores considerados até então como imutáveis, perenes, inquestionáveis. Vive-se um forte período de grandes conturbações de ordem religiosa, política, moral, ética e social. A equação matemática do mundo moderno não é somar, dividir, partilhar. Ao contrário, é subtrair para multiplicar. Ou seja, retirar do outro e acumular para si.

O que recebemos nesta vida, e consequentemente na vida futura, é fruto da semente que aqui plantamos. Isto é uma verdade de fé que nos vem de Jesus: “Se vocês plantarem uma árvore boa, o fruto dela será bom: mas, se vocês plantarem uma árvore má, também o fruto dela será mau” (Mt 12, 33). A terra produz abrolhos, espinhos e flores. Todos eles são igualmente importantes e cada um desempenha uma determinada função na natureza. A bondade e a maldade não são características inatas do mundo. Elas passam a existir à medida que são favorecidas, plantadas, regadas e cultivadas no coração da pessoa humana desde o nascer ao morrer.

Se é verdade que a boca fala do que está cheio o coração (cf. Mt 12,34), é mais verdade ainda que ninguém dá aos outros aquilo que se não tem. Exemplos cristãos de solidariedade, fraternidade e amor ao próximo não nos faltam. Todavia, quero ressaltar a pessoa de Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado como o maior ícone de doação bondosa e generosa que o mundo já conheceu. Tendo vindo ao mundo em sua condição humana e divina, deixou-nos este grande legado: “Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade a Deus. Ao contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens” (Fl 2,6-7). Além de nada acumular para si, doou ao mundo o dom mais precioso e sagrado que recebeu do Divino Pai Eterno no alto da Cruz: sua própria Vida.

Insultos, ultrajes, chibatadas, escárnios, cusparadas, bofetões? Jesus não devolveu a seus algozes a coroa de espinhos que lhe puseram sobre a cabeça. Nem os cravos que lhe cravaram as mãos. Muito mais ainda, o fel que lhes dera de beber ou a lança que traspassara o seu lado. Do alto da Cruz, deu-lhes o seu perdão: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23, 34).

Na vida há os que gostam das flores e os que amam os espinhos. Lixo ou flores? O que você tem ofertado às pessoas com as quais se relaciona, convive, trabalha? Não cabe aqui estabelecer critérios de juízo moral a ninguém. Cada um é livre diante de Deus, de si mesmo e das outras pessoas para decidir que caminhos na vida se quer tomar para alcançar os fins desejados e os frutos esperados de suas obras. No entanto, nos adverte o Senhor: “Eu lhe propus a vida e a morte, a bênção ou a maldição. Escolha, portanto, a vida, para que você e seus descendentes possam viver, amando a Javé seu Deus, obedecendo-lhe e apegando-se a ele a sua vida e o prolongamento de seus dias. Desse modo você poderá habitar sobre a terra que Javé jurou dar aos seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó” (Dt 31, 19-20).

A vida tem os seus desafios que exigem muito de nós, naturalmente. Porém, não cansemos e nos preocupemos atoa, por qualquer motivo, pois “o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou e por sua graça nos dá consolo eterno e esperança feliz” (2Ts 2,16). A beleza não está nas flores. Elas sequer sabem que são belas. A beleza está nos olhos de quem as contemplam. Quanto maior o coração, maior as alegrias. Doe flores!

 

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

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