Dia: 10 de Maio de 2016

Mãe de Deus e da Igreja

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“Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que, da parte do Senhor, te foram ditas!” Com essa saudação, Izabel acolheu a chegada da Santíssima Virgem, que acabara de ter um encontro com o anjo Gabriel, enviado pelo Pai Eterno para lhe dar a notícia de que ela havia sido a escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo.

Maria é sinônimo de doçura, ternura, silêncio, humildade, obediência e sabedoria. Ela disse ‘sim’ e, por meio dela, a salvação chegou ao mundo, trazendo o amor, a bondade e a misericórdia de Deus, com gestos simples de acolhimento e muita fé. Assim, Jesus Cristo é Deus que se fez homem e veio ao mundo para cumprir Sua missão. Mas, antes disso, Ele mesmo, recebeu o amor, o carinho e o cuidado da Mãe Santíssima.

Em seus momentos de criança frágil, foi Nossa Senhora quem cuidou e O educou na fé; ela O ensinou as coisas básicas que um ser humano precisa aprender para sua vivência: andar, falar etc. Tudo isso para mostrar que, mesmo tendo Sua essência divina, Jesus também precisou de uma mãe. Um exemplo disso podemos encontrar no Ícone de Nossa Senhora da Paixão, mais conhecido pelo título de “Perpétuo Socorro”, tão venerado nos locais por onde passam os Missionários Redentoristas.

No colo de Maria, está uma figura trêmula e frágil, tal como a humanidade. Estamos diante da criança que tem medo do sofrimento iminente: fruto de Sua opção pelo Reino do Pai, em vista dos pobres e abandonados.

É um Menino que, contemplando os instrumentos da Paixão, corre tão velozmente para os braços da Mãe, a ponto de deixar as sandálias soltarem dos pés. No simbolismo da sandália está a insegurança de alguém com a vida sob o encalço da perseguição.

Na narrativa bíblica, os pés são lavados e beijados, enquanto que no Ícone ficam desprotegidos. Perder a sandália é não conseguir andar por muito tempo nos caminhos pedregosos da existência. É prefiguração da morte. Ficar sem sandálias é despojar-se de si mesmo para assumir a ferida do humano. Não possuir sandálias nos pés é adentrar o caminho da mais absoluta entrega, por meio da Encarnação, Paixão e Ressurreição.

Ao adentrarmos o caminho iconográfico do Perpétuo Socorro, nos tornamos “socorros perpétuos” para o mundo que tem fome e sede do Pai. Dessa maneira, assumimos uma nova visão de Deus de baixo para cima, do temporal para atemporal, do finito para infinito; também descobrimos um novo rosto de vida cristã, entendendo-a como serva e não como senhora.

Neste mês, em que nós celebramos como o Mês Mariano e também temos a alegria de celebrar a memória boa e feliz de nossas mães. Devemos agradecer ao Divino Pai Eterno, por essa grande graça que nós, cristãos católicos, temos de ter duas mães: a nossa Mãe do céu e a nossa mãe da terra. Maria, que nos apresenta Jesus, o nosso “Perpétuo Socorro”. E, partindo dela, celebramos também a vida de nossas mães ou a memória daquelas que já se encontram com o Pai.

Deixemo-nos interpelar pelo olhar desta mulher que nos segura pelas mãos. Permitamos que Maria incite a nossa mente e o nosso coração para o Cristo. Aceitemos que ela mesma nos aponte o seu Filho como o caminho de felicidade plena e verdadeira. Contemplemos, na realidade mais profunda da alma, a presença simples daquela que invocamos como a “Mãe do Perpétuo Socorro”.

Que a Mãe do Belo Amor, o nosso Perpétuo Socorro, possa interceder por cada um de nós, em especial pelas, mulheres virtuosas e de muita fé, que vivem um cotidiano de doação de si mesmas, por amor à cada um de seus filhos, que também são os filhos do Pai Eterno. Feliz Dia das Mães!

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e presidente-fundador

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