Mês: julho 2016

O Pai Eterno é Misericordioso

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A misericórdia não nos pede qualidades, nem méritos. Em si, ela é pura gratuidade. Já por si é a maior de todas as virtudes. O coração da misericórdia pulsa por redenção. Nele, não cabem recompensas. Isso porque a ação do Pai Eterno nasce de uma grandeza constante, sem restrições, pronta a nos humanizar. Nisso consiste a Sua onipotência. Fiel à bondade que O move, Ele acolhe a todos na incondicional soberania de Seu amor. A ternura de Deus não vê as diferenças que excluem, mas enxerga prontamente o sofrimento que solicita a inclusão de cada um, em especial, dos mais pobres e abandonados. São eles os primeiros endereçados da misericórdia.

Durante a Festa do Divino Pai Eterno, a nossa missão é proclamar, com ações e depois com palavras, que o rosto de Deus é misericórdia. Ele faz a nossa mensagem passar da bela retórica aos gestos concretos. Onde a dor impera, não somos juízes da moral nem reguladores da doutrina, mas servos da ação misericordiosa do Pai, que cura os feridos da vida com o bálsamo da compaixão e o remédio salutar da esperança.

Todas as vezes que agimos com unidade no trabalho missionário, com respeito à dignidade do outro, com consideração àqueles que estão à nossa volta, com a disposição de servi-los: a Misericórdia se faz carne novamente! Longe de um agrado açucarado, a sua correta aplicação não diminui a importância dos sacramentos nem enfraquece a vivência da fé.

Neste tempo em que nos aproximamos de mais uma Romaria, muitos romeiros vêm a Trindade expressar sua fé e amor, através da oração, do louvor, da súplica e também do agradecimento ao Divino Pai Eterno. É momento de se reunir com muita emoção a milhares de irmãos que, durante os dez dias de Festa, chegam a todo momento à Casa do Pai. Essa é uma forma de proclamar e reavivar a fé vivenciada pelo povo e fundamentada no amor de Deus. É vivenciar a experiência de encontro com o Pai, tendo a certeza de que Ele nos ama e nos recebe de braços abertos, por misericórdia.

Tenhamos esta certeza: O Pai Eterno é misericordioso. Para que assim possamos seguir em frente com nossas vidas, contemplando o amor que Ele tem por cada um de nós. E muito mais que isso, façamos com que esse amor ultrapasse as barreiras e se prolifere por meio da ação do Espírito Santo em cada um de nós. E é esse mesmo Espírito é o que nos une como irmãos e nos permite enxergar no irmão a face de Jesus Cristo.

Quando olhamos para os nossos irmãos e vemos o rosto de Cristo, temos a capacidade de seguir os exemplos Dele, amando o próximo sem nenhuma distinção, ou divisão de classe, cor, gênero etc. É por meio desse olhar de santidade que podemos também enxergar que todos somos fracos, e mesmo assim, o Pai Eterno nos acolhe, nos ama e nos perdoa, porque é grande a Sua misericórdia para conosco. A partir do momento em que seguimos os Seus exemplos, somos capazes de ter compaixão pelo outro, amando-o, perdoando-o, sendo misericordioso, como o Pai é misericordioso (cf. Lc 6,36).

A nossa fé e devoção é simples, porém forte. E é neste período de Romaria que ela se fortalece ainda mais com a reunião do povo de Deus, do romeiro, do peregrino, daquele que crê, confia e se entrega ao Pai Eterno. A fé é um dom, uma certeza que não estamos sozinhos neste mundo, pois é nela que nos reconhecemos como filhos amados do Pai Eterno. Pela fé nos convertemos e realizamos muitas obras de amor. É ela que promove todo o bem e nos faz alcançar a misericórdia divina. Pela fé, Deus age em nossas vidas, nos faz sentir o Seu amor e a Sua misericórdia, nos converte e nos traz muitas bênçãos.

Durante esse período festivo, que nos proporciona momentos de oração, reflexão e aproximação com Deus, a nossa fé é fortalecida para que nossa caminhada seja contínua. Temos, então, a oportunidade de falar com o Pai Eterno e aprender com Ele, nos tornando mais sábios e fortes, pois encontramos o caminho para a solução de angústias e conflitos. Em meio às grandes dificuldades, pela oração, a pessoa é sustentada pelo amor misericordioso de Deus. À medida que nos deixamos conduzir por essa experiência da fé, os problemas deixam de ser o fundamento de nossa vida, pois um só é o fundamento: o Divino Pai Eterno.

Então, na entrega confiante da vida ao Senhor, alcançamos a paz que o mundo não pode oferecer. Ele nos concede conforto sempre que entregamos a nossa vida à Sua Providência Divina. Esta paz e a certeza da Sua misericórdia divina é uma dádiva que Ele oferece para nós que cremos, amamos e buscamos viver com fé.

Assim, acreditamos em um Deus que nos cria no amor, espera na fé e salva na misericórdia. Nossa missão é sermos homens e mulheres de esperança, pessoas prontas para proclamar ao mundo a nossa fé. Busquemos a experiência, a paz e a misericórdia do Pai, para que nosso testemunho seja fruto daquilo que vivenciamos. Estejamos preparados para os desafios que a espiritualidade cristã nos provoca.

É fazendo a experiência da misericórdia que compreendemos o valor das verdades que fundamentam a vida cristã. Nessa direção, o Santuário Basílica existe para que os filhos do Pai Eterno se sintam nele acolhidos, reconciliados e fortificados para viver de acordo com o Evangelho da misericórdia. Permitamos, então, que o Pai nos fite nos olhos e nos conduza ao encontro com os redimidos. Eles têm muito a nos ensinar. Abençoada festa a todos!

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e presidente-fundador da Associação Filhos de Pai Eterno (Afipe)

Misericórdia sempre? Ou, só de vez em quando?

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A temática da Misericórdia proposta pelo Papa Francisco no ano passado está em alta na Igreja. Sistematicamente, o tema da Misericórdia está sendo aplicado aos documentos da Igreja, simpósios, congressos, retiros, estudos, encontros teológicos, citações em artigos de revistas e artigos monográficos, temas de cantos litúrgicos e religiosos… Bem como, inspirando temas de festas religiosas pelo Brasil e mundo a fora.

Isso é muito bom, naturalmente. O Papa Francisco afirma “que sempre é tempo de misericórdia”. O ser humano sempre se mostrou muito hábil na arte de reinventar a vida. Basta surgir uma situação nova de vida e ele está pronto para o desafio. Sua capacidade criativa o faz audaz, destemido, ousado. Alçar voos, desbravar terras, ir à conquista de novos horizontes e desafiar seus próprios limites são apenas algumas virtudes humanas. É assim que sempre caminhou a humanidade.

Vivemos numa época de difíceis e profundas transformações sociais. Tempos de expectativas, de muitas interrogações e poucas respostas. Ao passo que isso aproxima o ser humano de Deus, pode também afastá-lo para longe do Criador. Tudo depende do modo como cada um se vê perante a vida. De acordo com o Cardeal Walter Kasper, “o afastamento de Deus leva o homem a afastar-se da natureza e dos seus semelhantes”. Deste modo, a pessoa humana pode tornar-se insensível e fechada à graça e à misericórdia do Pai Eterno em sua vida. Principalmente, quando dela mais precisa.

Frei Luiz Turra diz “que muitos homens e mulheres sofrem por viverem à superfície de si mesmos e da História”. Segundo Francisco, a humanidade de nosso tempo precisa tanto de misericórdia “porque é uma humanidade ferida, uma humanidade que possui feridas profundas que não sabe como curá-las ou acredita que não é possível curá-las”. Sofrimentos diários e dores constantes podem levar o ser humano a perder a esperança diante da vida. Consequentemente, esquecer a ternura de Deus. O que para a humanidade seria um caos total.

Sabemos que nenhuma forma de amor humano pode fazer uma pessoa plenamente realizada e feliz. A felicidade é uma conquista que tem origem no esforço diário, cotidiano. Ela é superação. É conquista feita com braço forte. Ela não acontece por acaso, de forma sistemática. Ou, como num passe de mágica ou num instante de magia. Portanto, ela não acontece por acaso na vida de uma pessoa. Nesse sentido, uma vida ativa dentro da comunidade Igreja favorece a confiança em Deus na superação dos limites e fracassos humanos, bem como, a perceber que Deus aproxima de nós justamente quando dele mais precisamos.

Segundo a bula Misericordiae Vultus, n°. 12b, “é determinante para a Igreja e para a credibilidade de seu anuncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia. A primeira verdade da Igreja é o amor de Cristo. E, deste amor que vai até o perdão e o dom de si mesmo, a Igreja faz-se serva e mediadora junto aos homens”.

Falar de misericórdia em tempos atuais é mérito do papa Francisco? Ou, uma ação do Espírito Santo inspirada a partir das experiências pastorais de um homem de Deus acostumado com as durezas da vida nas ruas de Buenos Aires como uma “primavera na Igreja?” Assim diz Francisco: ““Na realidade, Deus mostra-se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade”.

A misericórdia de Deus para nós é semelhante à água contida permanentemente num imenso lençol freático. Ela está sempre lá, circulando de um lugar para outro do subsolo aguardando que algum peregrino sedento, dela precisando matar a sede, escave o solo até encontrá-la gratuitamente pura, límpida, inodora, insípda e incolor. Para Kasper, ela é “a vontade salvífica e universal de Deus que por sua misericórdia nos elegeu e chamou à vida e em virtude do qual Jesus Cristo se entregou por nós na Cruz”.

Então, que falemos muito da misericórdia de Deus. Que ela não se canse de ser anunciada, praticada e vivida em todos os cantos e lugares onde possa haver um coração humano que dela precise. E aprendamos, pois, que não basta apenas falar de misericórdia. É preciso fazer e ser, a exemplo de Cristo, o rosto da misericórdia do Pai Eterno!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

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