Conflito religioso e o diálogo inter-religioso

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Nos últimos anos, tem-se acompanhado, em nível mundial, o desenrolar de diversos conflitos religiosos. Na Irlanda do Norte, a maioria católica deseja separar-se dos protestantes. O conflito entre palestinos e israelenses motivado, sobretudo, pela ocupação de terras pelo Estado de Israel em 1948. A guerra entre Índia e Paquistão pela posse da Cachemira com maioria da população mulçumana. O sangrento massacre na ex-Iugoslávia que ficou conhecido como a “limpeza étnica”: os sérvios identificados como ortodoxos e os croatas como católicos.

Em 2001, no dia 11 de setembro, o ataque às torres de Nova Iorque, que posteriormente levou à guerra no Afeganistão, e a identificação do islamismo com o terrorismo.  Em 2010, o triste conflito entre muçulmanos e cristãos na cidade de Jos, ao Norte da Nigéria, que chegou a 460 mortes.  Em 2012, os protestos contra os EUA devido a um filme que ironizava o profeta Maomé. E, em novembro de 2015, acompanhamos os ataques terroristas que deixaram 129 mortos em Paris, apenas dez meses após os atentados no semanário satírico Charlie Hebdo. E, recentemente, em Nice, no sul da França, um caminhão atropelou e vitimou diversas pessoas que estavam assistindo à queima de fogos em comemoração ao 14 de julho, dia da Bastilha. O autor dos atentos mantinha relações com o estado islâmico. A partir de tais acontecimentos precisamos nos perguntar pelo sentido e significado da tolerância religiosa.

É certo que o diálogo entre as religiões não é um fato somente sociológico. É também teológico, pois vem à baila a discussão e a compreensão sobre Deus.  O conceito para lidar com esses conflitos é denominado diálogo inter-religioso. Para a teóloga Catherine Cornille, “o diálogo inter-religioso envolve um intercâmbio aberto e construtivo entre indivíduos pertencentes a diferentes religiões”. Significa que nenhuma religião existe de modo isolado das outras religiões.

Sobre o tema do diálogo inter-religioso, a Declaração Nostra Aetate, da Igreja Católica, apresenta um importante ensinamento: “todos os povos, com efeito, constituem uma só comunidade. Têm uma origem comum, uma vez que Deus fez todo o gênero humano habitar a face da terra”. O Papa João Paulo II, na Encíclica Redemptoris Missio lembra que o “diálogo inter-religioso faz parte da missão evangelizadora da Igreja”. O Papa Bento XVI, em sua Mensagem para a Celebração da Jornada Mundial da Paz de 2011, em Assis, recordou a necessidade da tolerância religiosa, em vista dos constantes conflitos que envolveram a Igreja Siro-Católica, em Bagdá, onde, no dia 31 de outubro de 2010 foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis por grupos radicais islâmicos.

O Papa escreve que “a liberdade religiosa encontra expressão na especificidade da pessoa humana, que pode ordenar a própria vida pessoal e social a Deus”. Na Encíclica Caritas in Veritate, Bento XVI ressalta a importância do “direito à liberdade religiosa” como recurso necessário ao desenvolvimento do ser humano. A experiência de fé pode ser vivida pelo ser humano como forma de caminho em vista ao diálogo com as outras religiões, sem, porém, ferir a identidade da própria fé.

Aos católicos, o Decreto Nostra Aetate ensina ainda a reconhecer nas outras religiões seus valores religiosos, pois “a Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões” existe de verdade para eles. O diálogo inter-religioso, como lembra Catherine Cornille, “baseia-se também na premissa ou crença que pode haver mais verdades entre duas ou mais tradições do que em qualquer religião isoladamente”. O teólogo Claude Geffré acredita no diálogo inter-religioso pautado na igualdade entre os interlocutores. O evangelista Marcos sugere a olhar para Jesus e observar que Ele chama ao diálogo inter-religioso: “a minha casa será chamada de ‘Casa de Oração’ para todos os povos”.

Pe. Elismar Alves dos Santos, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

 

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