O que vem a ser a fé?

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Muito se ouve dizer que o problema da humanidade moderna é a falta de fé. Alguns especialistas da área das ciências humanas, como o filósofo Sousa (2010), dizem que “o grande problema do homem moderno é a falta de sentido  da vida e o vazio de sua  interioridade”. Pergunto, então:  o que vem a ser a fé? Ela contribui ou atrapalha a vida do ser humano? Favorece ou limita sua capacidade para ser livre, criar, produzir e transformar?

Pretendo, muito rapidamente, sem ousar querer esgotar o assunto, discorrer sobre essa realidade tão vital para o ser humano. Duvidar, questionar, pesquisar e  refutar não é problema algum. É próprio de quem busca clareza de vida, do mundo que o rodeia, das pessoas com as quais convive e da existência de Deus. O problema é o fechar os olhos à possibilidade de conhecer minimamente aquilo que se é, donde tudo provém e para onde tudo se finaliza.

O Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa define a fé com uma “adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro. Um sentimento de quem acredita em determinadas ideias ou princípios religiosos”. E, alarga esta compreensão ainda que na forma de uma simples crença ao dizer que ela é um “estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo”. Na Carta aos Coríntios, Paulo afirma que neste mundo caminhamos movidos pela fé. E, ainda que ela nos aponte Deus, não somos capazes de vê-lo claramente em todos os seus mistérios (cf. 2 Cor 5, 7) de forma que a compreensão que temos d’Ele assemelha-se a um mirar num espelho. Ou seja, uma visão de maneira confusa e imperfeita (cf. 1 Cor, 13, 12).

A Carta aos Hebreus diz que a fé é um conhecimento de Deus, um “firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem. Pois, Deus, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho” (Hb 1,1-2). A fé nos coloca em sintonia com o Pai Eterno obedecendo os desígnios e propósitos divinos que Ele tem traçado para cada um de nós. “Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento de Deus, e partiu para uma terra que viria a receber como herança: partiu, sem saber para onde ia (Hb 11, 8). Pela fé, viveu como estrangeiro e peregrino na terra prometida. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. (CIC 145)”. E, Maria deu a luz ao Salvador, Jesus Cristo.

Fé se aprende a ter. Nenhum de nós nasceu tendo fé. A fé não é uma herança genética. Ela é adquirida e construída “pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento”. (Becker, 1993). Foram nossos pais ou avós quem nos introduziram, inicialmente, no universo da fé que professamos. Posterior a isso, contribuíram conosco leigos piedosos, catequistas, padres, religiosos e religiosas.

No mais profundo existir, a fé é dom. É gratuidade de Deus. Ao dizer que o Pai Eterno não esmaga uma cana quebrada nem apaga um pavio que ainda fumega (cf. Is 42,3), o Profeta Isaías aponta para a realidade de um Deus que é justo, plenamente bondoso, generoso, misericordioso. Um Deus que ama, que acredita e confia na pessoa humana e está sempre disposto a perdoá-la. Se ele perdoa é porque acredita, tem fé. Dá uma nova chance, uma oportunidade a mais a quem vacilou, errou, pecou, caiu. E, confere-nos o poder da fé: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: arranca-te e replanta-te no mar, e ela vos obedecerá” (Lc 17, 6). Ou, “direis a esta montanha: transporta-te, daqui para lá e ela se transportará,  e nada vos será impossível” (Mt 17, 20).

Ao contrário de impedir e limitar a fé conduz-nos à liberdade plena e total auxiliando na cicatrização e cura de muitas mazelas e fraquezas humanas que são inerentes à nossa condição frágil, limitada, pecadora. Sendo assim, a fé cristã transforma o mundo e nos aponta para Deus e nos ensina n’Ele confiar num ato de sabedoria. Além do mais, a fé nos leva a acreditar na Ressurreição e a aguardar o feliz dia do nosso retorno à vida eterna.

Concluo essa rápida reflexão dizendo que é preciso ter fé para crer até mesmo no absurdo. E, que o problema maior do mundo moderno é a arrogância humana diante de questões às quais ainda não somos capazes sequer de imaginá-las como elas verdadeiramente são. Ter fé é ser capaz de, mediante os limites e fraquezas humanas dar uma resposta inteligente aos desafios da vida e questionamentos de Deus para nós: “Filho do homem será que estes ossos podem voltar à vida?” (Ez 37,3).

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

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