Dia: novembro 18, 2016

“Acaso sou guarda de meu irmão?” (Gn 4,9)

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O relato bíblico do quarto capítulo do Livro do Gênesis narra a história de dois irmãos, Abel e Caim. Abel era pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. Ao oferecerem a Javé as primícias de seus trabalhos, o texto diz que Javé agradou-se de Abel e de sua oferenda. Por esse motivo, Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido. Furioso, armou uma cilada. E, no campo se lançou contra seu irmão e o matou (cf. Gn 4,1-8).

Para esta reflexão, podemos nos perguntar: será que Caim não amava a Javé nem a seu irmão Abel? O que motivou tal atitude? Ciúme? Inveja? Falta de amor próprio? Ou, tudo ao mesmo tempo? O que este relato diz a nós hoje? Respeitamos nossos irmãos e irmãs como eles verdadeiramente são, ou somos levados pela onda do padrão social politicamente correto?

Vamos dar um salto na História Bíblica para tentar discorrer sobre o assunto partindo do Primeiro ao Segundo Testamento. O mandamento maior que recebemos de Jesus sugere-nos o amor a Deus sobre todas as coisas. E, como extensão, amar o próximo como a si mesmo. O amor é o elo que une afetiva e efetivamente as pessoas. Amar é querer bem os irmãos mesmo após as ofensas sofridas (Gn 45,1-28). É ser suporte (Ef 4,1-3) paciente, prestativo, benigno, caridoso, serviçal (1Cor 13,4-7). É assumir a atitude do bom samaritano (Lc 10,29-37) do pai misericordioso diante dos filhos perdidos (Lc 15,11-32), do bom pastor (Jo 10,1-18). É oferecer a ele o perdão (Lc 23,43) como caminho para a Ressurreição (Lc 24,13-35).

Amar implica, necessariamente, “saber onde está o irmão para dele cuidar. É manifestar interesse pelo que lhe acontece para alegrar-se com as alegrias e amparar-se mutuamente nos desânimos” (Faria, 2015). Neste sentido, ocupar-se do irmão não significa curiosidade pela vida pessoal, particular do que lhe acontece. Saber do irmão – de sangue ou de fé – ajuda no momento do perdão, da reconciliação e da orientação de vida. Favorece a compaixão ao entender e respeitar a outra pessoa em sua totalidade. Aquilo que ela verdadeiramente é: sem rugas, enganos, mentiras, máscaras, rodeios, subterfúgios.

Ocupar-se do irmão é ato gratuito de serviço prestado sem intenção de retorno. É assumir a atitude de Jesus que não apenas chama Levi (Mt 9,9) para ser um dos seus, mas toma partido ao defendê-lo diante de seus acusadores: “Não vim chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mt 9,12). Por isso, amar, cuidar, defender e querer bem o irmão é correr o risco de ser mal interpretado, mal entendido assim como Jesus o foi. Sêneca, orador romano, insiste em dizer que, ainda que corramos risco é preciso arriscar, pois “somente a pessoa que corre riscos é livre para viver e amar”.

Não ocupar-se do irmão é o mesmo que dizer: “Você não tem importância para mim!”.  Brizzolara afirma que “o caminho para encontrar a fraternidade passa pelo reconhecimento da diversidade”. Se Caim tivesse aceitado ser “diferente” de Abel, não o teria matado, com o qual matou também a possibilidade de ser “irmão”. Quando se aprende a amar desde cedo se aprende também a respeitar a outra pessoa em sua dignidade, a não falar mal da vida alheia nem espalhar cizânia, intrigas e fofocas. Aprende-se a “tirar as sandálias” (cf. Ex 3,5) diante do diferente ao saber que ali está um “solo sagrado” onde ninguém tem o direito de invadir, rotular, preconceber, destruir, matar.

A falta de cuidado passa pela dificuldade em compreender verdadeiramente aquilo que se é. Para amar, cuidar, respeitar e não “matar” a outra pessoa é preciso antes saber amar e cuidar de si mesmo. Isso constitui na prática um grande desafio uma vez que esse cuidado exagerado conduz ao egocentrismo narcisista. Para Boff “o cuidado de si implica, em primeiríssimo lugar, acolher-se a si mesmo, assim como se é com suas aptidões e seus limites. É poder criar uma síntese onde as contradições não se anulam, mas o lado luminoso predomina”.

Saber-se amado é condição básica, fundamental para o cultivo do amor sincero e verdadeiro. É o dedicar tempo para falar, ouvir, sorrir, se divertir, chorar juntos. É ter esperança no amanhã e entender que nem todas as pessoas correspondem ao nosso amor da mesma forma que gostaríamos, ou do modo como a elas devotamos os nossos sentimentos e afetos.

Podemos finalizar então, dizendo que cuidar é respeitar as diferenças.  E, que para viver bem e feliz, a condição básica é ocupar-se do irmão e não querer destruí-lo. Onde está o teu irmão Abel? Esta foi a pergunta que Deus fez a Caim no passado. E, pode estar fazendo a mim e a você neste momento!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

Anunciar com o coração

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Mês de outubro é dedicado às Missões. Anunciar Jesus com as palavras e também com atitudes de vida. Mês para refletirmos sobre a importância de viver o que cremos, para que a mensagem evangélica chegue ao coração das pessoas. É preciso anunciar com o coração, mais do que com palavras. Diz um ditado popular que “as palavras convencem, os exemplos arrastam”, e é isso que precisamos refletir, estamos, como nosso modo de ser, conquistando pessoas para Deus?

O Papa Francisco tem nos ensinado como evangelizar, como levar a Palavra de Deus ao coração das pessoas e ele nos ensina dizendo que é preciso ter uma linguagem simples, cheia de Deus. Ele fala como Jesus falava, com simplicidade, mas de coração aberto, sensível ao povo destinatário de suas palavras.

Falar simples não é tão simples, pois exige muito mais que falar difícil, pois se trata de conhecer a verdade e ter sabedoria para transmitir às pessoas que escutam. O Papa (em sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho) usa a imagem da mãe. Ele diz: “A Igreja é mãe e prega ao povo como uma mãe fala ao seu filho, sabendo que o filho tem confiança de que tudo o que lhe ensina é para seu bem, porque se sente amado” (EG 139). Francisco nos indica as consequências desta atitude materna a ser usada na pregação, no anúncio da Palavra. A mãe sabe o que o filho precisa, ela sabe escutar suas preocupações, ansiedades, necessidades e aprende com ele também. Isso porque ela ama, e o amor faz que ela esteja atenta para corrigir, orientar, educar através do diálogo.

Deus age conosco como uma mãe. O uso da linguagem materna que dá sabor de mãe ao anúncio. O anúncio não deve ser expressado com uma linguagem distante, mas sim de um modo que os destinatários da Palavra, do anúncio a compreendam e vivam a orientação que vem de Deus. Por isso acentua a importância do diálogo ser cultivado através da proximidade cordial daquele que anuncia, ou seja, anunciar com o coração. É uma verdade a ser meditada: os conselhos de mãe são sempre guardados, mesmo se não são bem aceitos no momento em que os recebemos.

Tenho percebido em minha experiência de quase trinta anos de ministérios sacerdotal que, quando falamos de coração a coração, a Palavra de Deus surte maior efeito nas pessoas e o mesmo acontece ao contrário, quando somos ríspidos, grosseiros, a Palavra não penetra no coração dos destinatários e os leva ao esfriamento religioso, quando não mudam de Igreja se transformando em inimigos da Igreja. Noto que o nosso modo de anunciar reflete por demais nas pessoas, tanto positiva como negativamente. Diante dessa constatação o que devemos fazer? Mudar nosso modo de anunciar. Somos missionários e discípulos de Jesus e, como Ele, devemos anunciar.

Jesus gostava de dialogar com seu povo. Cabe ao missionário sentir prazer de anunciar como o Senhor e ter a alegria de falar como Ele falava ao povo. O Papa Francisco lembra que o anúncio, a missão, é muito mais do que a comunicação de uma verdade, pois não se pode reduzir somente a palavras, mas na comunicação feita com amor. São Paulo escrevendo ao Romanos nos lembra: “A fé surge da pregação, e a pregação surge da palavra de Cristo” (Rm 10,17). O anúncio da Palavra será bom, terá efeito se houver o diálogo dos corações.

Reflitamos sobre essa frase, melhor dizendo, sobre essa expressão do Papa Francisco: “O pregador tem a difícil missão de unir os corações que se amam: o do Senhor e os corações de seu povo” (EG 143). Aquele que anuncia a palavra tem a missão de anunciar Jesus Cristo. Paulo nos exorta dizendo: “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós mesmos, é como servos de vocês que nos apresentamos, por causa de Jesus.” (2Cor 4,5).

A missão deve, portanto ser fruto de uma profunda convicção, de uma fé que está enraizada no coração, para chegarmos e atingirmos os corações das pessoas às quais nos são confiadas no trabalho pastoral. O Papa continua a nos ensinar dizendo: “Falar com o coração implica mantê-lo não só ardente, mas também iluminado pela integridade da Revelação e pelo caminho que essa Palavra percorreu no coração da Igreja e do nosso povo fiel”… “A identidade cristã é aquele abraço que o Pai nos deu quando pequeninos… e faz-nos anelar pelo abraço do Pai misericordioso que nos espera na glória” (EG 144). Estejamos, pois, atentos e procuremos falar de coração a coração, mostrar a convicção que nos faz cristãos, isso certamente provocará conversões. A missão será proveitosa, produtiva, operosa.

Pe. Walmir Garcia, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

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