“Acaso sou guarda de meu irmão?” (Gn 4,9)

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O relato bíblico do quarto capítulo do Livro do Gênesis narra a história de dois irmãos, Abel e Caim. Abel era pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. Ao oferecerem a Javé as primícias de seus trabalhos, o texto diz que Javé agradou-se de Abel e de sua oferenda. Por esse motivo, Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido. Furioso, armou uma cilada. E, no campo se lançou contra seu irmão e o matou (cf. Gn 4,1-8).

Para esta reflexão, podemos nos perguntar: será que Caim não amava a Javé nem a seu irmão Abel? O que motivou tal atitude? Ciúme? Inveja? Falta de amor próprio? Ou, tudo ao mesmo tempo? O que este relato diz a nós hoje? Respeitamos nossos irmãos e irmãs como eles verdadeiramente são, ou somos levados pela onda do padrão social politicamente correto?

Vamos dar um salto na História Bíblica para tentar discorrer sobre o assunto partindo do Primeiro ao Segundo Testamento. O mandamento maior que recebemos de Jesus sugere-nos o amor a Deus sobre todas as coisas. E, como extensão, amar o próximo como a si mesmo. O amor é o elo que une afetiva e efetivamente as pessoas. Amar é querer bem os irmãos mesmo após as ofensas sofridas (Gn 45,1-28). É ser suporte (Ef 4,1-3) paciente, prestativo, benigno, caridoso, serviçal (1Cor 13,4-7). É assumir a atitude do bom samaritano (Lc 10,29-37) do pai misericordioso diante dos filhos perdidos (Lc 15,11-32), do bom pastor (Jo 10,1-18). É oferecer a ele o perdão (Lc 23,43) como caminho para a Ressurreição (Lc 24,13-35).

Amar implica, necessariamente, “saber onde está o irmão para dele cuidar. É manifestar interesse pelo que lhe acontece para alegrar-se com as alegrias e amparar-se mutuamente nos desânimos” (Faria, 2015). Neste sentido, ocupar-se do irmão não significa curiosidade pela vida pessoal, particular do que lhe acontece. Saber do irmão – de sangue ou de fé – ajuda no momento do perdão, da reconciliação e da orientação de vida. Favorece a compaixão ao entender e respeitar a outra pessoa em sua totalidade. Aquilo que ela verdadeiramente é: sem rugas, enganos, mentiras, máscaras, rodeios, subterfúgios.

Ocupar-se do irmão é ato gratuito de serviço prestado sem intenção de retorno. É assumir a atitude de Jesus que não apenas chama Levi (Mt 9,9) para ser um dos seus, mas toma partido ao defendê-lo diante de seus acusadores: “Não vim chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mt 9,12). Por isso, amar, cuidar, defender e querer bem o irmão é correr o risco de ser mal interpretado, mal entendido assim como Jesus o foi. Sêneca, orador romano, insiste em dizer que, ainda que corramos risco é preciso arriscar, pois “somente a pessoa que corre riscos é livre para viver e amar”.

Não ocupar-se do irmão é o mesmo que dizer: “Você não tem importância para mim!”.  Brizzolara afirma que “o caminho para encontrar a fraternidade passa pelo reconhecimento da diversidade”. Se Caim tivesse aceitado ser “diferente” de Abel, não o teria matado, com o qual matou também a possibilidade de ser “irmão”. Quando se aprende a amar desde cedo se aprende também a respeitar a outra pessoa em sua dignidade, a não falar mal da vida alheia nem espalhar cizânia, intrigas e fofocas. Aprende-se a “tirar as sandálias” (cf. Ex 3,5) diante do diferente ao saber que ali está um “solo sagrado” onde ninguém tem o direito de invadir, rotular, preconceber, destruir, matar.

A falta de cuidado passa pela dificuldade em compreender verdadeiramente aquilo que se é. Para amar, cuidar, respeitar e não “matar” a outra pessoa é preciso antes saber amar e cuidar de si mesmo. Isso constitui na prática um grande desafio uma vez que esse cuidado exagerado conduz ao egocentrismo narcisista. Para Boff “o cuidado de si implica, em primeiríssimo lugar, acolher-se a si mesmo, assim como se é com suas aptidões e seus limites. É poder criar uma síntese onde as contradições não se anulam, mas o lado luminoso predomina”.

Saber-se amado é condição básica, fundamental para o cultivo do amor sincero e verdadeiro. É o dedicar tempo para falar, ouvir, sorrir, se divertir, chorar juntos. É ter esperança no amanhã e entender que nem todas as pessoas correspondem ao nosso amor da mesma forma que gostaríamos, ou do modo como a elas devotamos os nossos sentimentos e afetos.

Podemos finalizar então, dizendo que cuidar é respeitar as diferenças.  E, que para viver bem e feliz, a condição básica é ocupar-se do irmão e não querer destruí-lo. Onde está o teu irmão Abel? Esta foi a pergunta que Deus fez a Caim no passado. E, pode estar fazendo a mim e a você neste momento!

Pe. Edinisio Pereira, C.Ss.R.

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

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