Dia: janeiro 30, 2017

Perspectivas da Arquidiocese de Goiânia para 2017

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Depois da Sua paixão, morte e ressurreição e antes de ascender aos céus, Jesus disse aos Apóstolos: “Não cabe a vós saber os tempos ou momentos que o Pai determinou com a sua autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). A Igreja primitiva, que ainda era uma pequena comunidade constituída em torno dos Doze, era então enviada, por todo orbe conhecido, a dar testemunho do que viu e ouviu (cf. 1Jo 1,1-4), anunciando Jesus Cristo a fim de que o verdadeiro Reino de Deus fosse construído.

Os caminhos da providência divina fizeram com que a Igreja, conduzida pelo Espírito do Senhor, de fato chegasse até os confins da Terra e, ao longo desses quase dois mil anos, pouco a pouco, fosse testemunhando Jesus, fazendo aumentar o Seu rebanho e pastoreando-o em Seu nome. Nós, que somos a Igreja particular de Goiânia, nos reconhecemos destinatários desse mesmo envio, por isso, nos vemos interpelados a continuar, em 2017, nosso caminho de testemunho de Jesus e de cuidado do Seu rebanho.

A chegada providencial de Dom Moacir como bispo auxiliar, além de nos encher de alegria, nos dá a possibilidade de aprofundar e expandir a cura pastoral direta do Bispo às diversas comunidades e necessidades de nossa Arquidiocese. Os desafios são inúmeros e requerem uma presença qualificada do Pastor a quem foi confiada esta porção do rebanho do Senhor. Assim, o bispo diocesano, com seus auxiliares, torna presente o cuidado de Jesus por Sua Igreja e manifesta o amor do Pai pela humanidade.

Uma vez que os bispos precisam da colaboração dos sacerdotes no exercício do seu ministério episcopal de pastor, desejamos continuar a incrementar o trabalho da Pastoral Vocacional em vista do crescimento do número e da santidade das vocações ao ministério ordenado. A ordenação de três novos padres em dezembro de 2016 e, em fevereiro de 2017, de três novos diáconos, traz alento e esperança. Desejamos seguir adiante preparando com cuidado os nossos seminaristas, investindo na qualidade dos nossos seminários: o Centro Vocacional São João Paulo II, o Seminário Propedêutico Santa Cruz e o Seminário Interdiocesano São João Maria Vianney. Com alegria, neste ano de 2017, inauguraremos o novo Centro Vocacional, nas dependências do Centro Pastoral Dom Fernando.

Como as cidades que fazem parte de nossa Igreja particular crescem em ritmo acelerado, reconhecemos a necessidade de expandir a presença e a Missão Evangelizadora da Igreja por meio da criação de novas comunidades que possam atender as necessidades espirituais dos nossos irmãos residentes nesses novos locais. Como a Igreja primitiva, sentimo-nos enviados a testemunhar Jesus até os confins e, por isso, desejamos estar presentes, por todos os meios e pessoas possíveis, na vida quotidiana das famílias e pessoas a fim de oferecer a elas a possibilidade de conhecerem o Senhor e viverem a Sua Palavra.

A vida de uma Igreja particular se dá na história e, por isso, respeita tempos e processos dentro dos quais o passado serve de fundamento, e o presente, como espaço do exercício da responsabilidade que nos foi confiada pelo Senhor em vista da futura instauração definitiva do Seu Reino. Essas perspectivas salientadas e tantas outras não enumeradas são o horizonte que se abre diante de nós no ano de 2017, que queremos viver como mais um passo desse caminho com Jesus e no serviço aos irmãos, acolhendo tudo o que já foi feito e nos lançando para o futuro. Com São Paulo queremos dizer: “Lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber no Cristo Jesus. (…) No entanto, qualquer que seja o ponto a que tenhamos chegado, continuemos na mesma direção” (Fl 3,14.16).

 Dom Washington Cruz, CP

Arcebispo Metropolitano de Goiânia

 

Ano Novo, Vida Nova. Certo?

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A vida não é feita de intervalos e interrupções. Ela é uma sucessão de acontecimentos interligados entre si que não se anulam, mas que se fundem, se completam. Olhar o passado de nossa história com amor e gratidão nos faz sorrir no presente e enxergar o futuro de nossa existência com mais alegria e esperança. Ano Novo, vida nova. Certo? Bem, este é o sonho de cada um de nós!

A vida neste mundo é uma travessia arriscada, perigosa. No entanto, ela é uma ponte segura quando construída sob os alicerces da fé e sustentada pelos pilares do amor ao Pai Eterno acima de todas as coisas e também ao próximo como a si mesmo. Vida que pouco dela sabemos. Mas, que a aguardamos confiantes nas promessas que Cristo fez para nós, pois quem possui a vida eterna dentro de si já passou da morte à vida (cf. Jo 5,24). O certo é que o hoje de nossa vida terrena determina a vida que virá: a salvação ou a perdição eterna.

Ainda que em Cristo a vida neste mundo seja uma ponte segura que nos garanta à vida Eterna, ela é caminho que não pode ser percorrido sozinho. Para isso é preciso contar com a ajuda de outras pessoas que nos auxiliem na travessia impedindo assim, que sejamos assaltados, roubados ou sequestrados de nós mesmos e de nossos próprios sonhos. Contar com pessoas certas. Não com pessoas perfeitas, ideais, pois elas existem somente no mundo das ideias e das fábulas infantis. A idealização vive da espera e faz sofrer. A certeza vive da realidade e faz ser feliz.

No processo de construção do Ano Novo que queremos para nós mesmos e para as pessoas com as quais convivemos, ou aquelas a quem o Pai Eterno colocou sob nossos cuidados, é preciso contar também com amizades acertadas. Amizades acertadas nos ajudam a corrigir e superar erros, limites e imperfeições. Amizades acertadas não nos julgam nem nos condenam, pois sabem que elas também são portadoras de frágeis realidades humanas. Pe. Fábio de Melo diz que “quando encontramos alguém que verdadeiramente está desbravando seu universo de possibilidades e limites, de alguma forma nos sentimos motivados a fazer o mesmo”.

Fazer escolhas acertadas não é fácil. Acertar nas escolhas feitas também não é. Diante dessa premissa, insisto mais uma vez, citando Fernando Pessoa: “Enquanto não atravessarmos a solidão do nosso próprio eu, continuaremos a nos buscar em outra metade. Antes, para viver a dois é preciso ser um”. O nós existe a partir da construção do eu que há em mim, e do tu que há em você. Assim como somos. Querer que os outros sejam aquilo que gostaríamos que fossem é um equívoco grave. Isso não é humano, justo, honesto, nem cristão.

Refugiar-se atrás de si mesmo e das próprias fraquezas é não desejar ir além. Para não correr o risco de cair na mesmice de sempre é preciso dispor-se a sair de um estado de vida para alcançar outro. Não existe receita para a felicidade. No entanto, não deixe de sonhar, de acreditar. E, evite criar expectativas demais. Faça apenas planos e projetos possíveis de serem alcançados.

Ao encerrar um ano civil há sempre no coração de cada um de nós o desejo de que tudo se torne melhor no ano vindouro. O que deu certo e foi bom, que continue. Aquilo que deu errado e não foi bom, que seja melhorado. Em todo caso, as expectativas são sempre as melhores possíveis. Amor que se multiplica é amor que Ressuscita sempre. Quer experimentar tudo novo em 2017 e ver tudo se multiplicar em sua vida? Siga os exemplos de Cristo. Esvazie-se de si, faça uma faxina interior, renove-se espiritualmente e busque experimentar Deus em todas as coisas por ele criadas. Busque viajar, sair mais de si em direção ao outro. Busque mais o desejo que o prazer, pois o desejo é eterno e o prazer é passageiro. Por fim, ame mais, pois “é na afetividade e no sentimento que Deus pode tocar o ser humano, e é com a afetividade e o sofrimento que experimentamos Deus” (Anselm Grün).

Quer acertar no plantio em 2017 e colher frutos sadio nos anos futuros? Plante sementes boas no presente. Feliz, Ano Novo!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

 

 

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