Mês: março 2017

A plenitude do amor e a doação de si mesmo

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A Quaresma é um período em que a Igreja nos convida a intensificar nossa vivência do amor de Deus, contemplando os mistérios e os ensinamentos deixados por nosso Senhor Jesus Cristo. A experiência de viver uma vida pautada e guiada pelo Pai Eterno deve acontecer durante todo o ano. Mas, o Calendário Litúrgico da nossa Igreja tem uma maneira didática e especial de nos ajudar a relembrar o quanto o Pai Eterno nos ama a ponto de enviar Seu Filho, que passou por tantas provações e sofrimentos, para nos redimir dos nossos pecados.

E é justamente neste tempo em que estamos agora, da Quaresma, que temos a oportunidade de refletir profundamente sobre a vida, paixão e morte de Jesus. Isso acontece porque somos convidados a colocar em prática os Seus ensinamentos, e todo aquele que se assume cristão tem a incumbência de dar continuidade à missão de Jesus.

Desde a encarnação até a ressurreição, o Pai Eterno operou as Suas maravilhas na vida de Cristo e daqueles que o seguiam, para revelar todo o Seu amor pela humanidade. Em Jesus, está a plenitude de todas as promessas de Deus para a vida daqueles que se fundamentam no amor maior, que é Deus Pai.

Através de Seu Filho, Jesus Cristo, Deus se fez homem, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue, história da nossa história, com o objetivo de nos salvar a partir da nossa condição existencial. Com Suas atitudes de amor ao próximo, com as curas e o acolhimento aos pobres e aos doentes; e Sua proximidade com Deus, por meio do jejum e da oração; Jesus nos mostra como devemos agir para estar no caminho que leva ao Pai. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

Nesse sentido, devemos ser como Jesus buscar vivenciar o jejum, a caridade e a oração, especialmente neste quaresmal. Neste período, Igreja nos ajuda a viver essa plena conversão que não está relacionada somente ao meu próprio ser, mas a como eu me posiciono e ajo em comunidade, fazendo o bem aos irmãos e irmãs.

Não podemos discriminar as pessoas por seus pecados, ou por suas limitações. Ao contrário, temos que acolhê-las de forma plena, amorosa, humilde e verdadeira. É justamente por isso, que a Igreja propõe aos cristãos que vivenciem, durante os 40 dias, a oração, o jejum e a caridade. Pois, essas são formas de dar continuidade à missão iniciada por Ele aqui na Terra. Devemos pedir ao Pai Eterno que nos dê o dom da sabedoria para que não façamos nada com o sentido de envaidecer o nosso coração, mas, somente, para agradar o coração de Deus.

Na Liturgia deste tempo, Jesus nos ensina que nossas ações não devem ser para engrandecimento pessoal, mas, para a glorificação de Deus. “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu” (Mt 6,1).

Entre Jesus e a pessoa humana não há um troca de papéis ou uma inversão de valores, mas, sobretudo, uma entrega cotidiana de duas vidas, que se unem e se assumem em um único caminho rumo ao Coração do Pai Eterno. É esse o grande desafio que assumimos ao escolher a vida cristã, o de amar. Enxergar Jesus no irmão e ser Jesus para ele.

Cristo é a fonte do amor mais pleno e é Nele que devemos nos abastecer. Ele não foi um simples mensageiro. Ele é a própria mensagem de amor que o Pai Eterno nos enviou e que se mantém viva em nossos corações, por meio do Espírito Santo. Somente por meio da experiência da fé vinculada à razão, é que seremos capazes de enxergar Jesus no outro. A partir do momento que aceitamos viver e entender o Seu amor, se torna mais fácil agir conforme os ensinamentos Dele.

Tenhamos a firmeza da fé para mergulhar nessa fonte do mais puro amor, que são os exemplos deixados pelo próprio Jesus: fé, amor, oração e caridade. Reflitamos sobre a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré e aprendamos com Ele a viver como filhos queridos e amados do Pai Eterno!

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Quaresma: um convite à conversão

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A vida oferece tempo e espaço para tudo e para todos. Neste sentido, nós Cristãos Católicos estamos vivenciando neste mês de março o Tempo Litúrgico da Quaresma. Ocasião oportuna para a prática da oração, do jejum e da caridade.  Um verdadeiro convite à conversão. Para que isso aconteça de modo satisfatório como a Igreja nos propõe, é preciso um profundo exame de consciência, uma corajosa revisão de vida e coração para celebrar dignamente a Páscoa de Jesus que também é nossa Páscoa e Ressurreição.

Existem situações nesta vida que não valem a pena insistir nelas. Inicialmente, por mais agradáveis que sejam, só nos causam dores, sofrimentos e amarguras. A tomada de consciência dos fracassos, erros, tropeços, quedas e pecados que cometemos dia a dia é o ponto de partida para uma sincera conversão de vida e coração. Cada um de nós somos conhecedores de nós mesmos. Por isso, sabedores do que é que nos pesa a consciência mediante situações faladas, praticadas ou omitidas para conosco mesmos, para com nossos irmãos e irmãs, e especialmente para com o Divino Pai Eterno.

Estradas retas construídas em relevos altos e planos quase sempre são perigosas e traiçoeiras. Aparentemente, dispensam atenção e cuidados para uma boa direção defensiva. Na vida, não é diferente. Aquilo que por hora se nos apresentam como realidades atraentes e prazerosas, em sua maioria são seduções enganadoras que nos conduzem à emboscadas fatais, às quais dificilmente sairemos delas ilesos, sem ranhuras, machucões ou fraturas.

Um objeto qualquer adquirido na condição de ouro, após revelar seu verdadeiro estado de bijuteria, escurece. Ao escurecer, gera no coração de quem o adquiriu um profundo sentimento de desilusão, pesar e frustração.  Seu fim último é o desprezo. O descarte total como se faz com um pedaço de pano usado que é jogado fora no fundo de um quintal, que com o passar dos tempos desaparece sem deixar vestígios, marcas ou sinais de que um dia existiu ou fez parte de história alguma.

Converter-se é mudar de um estado de vida para outro. É crer que o Pai Eterno não se cansa de nós nem de nos perdoar. É crer, confiar e aguardar pacientemente o julgamento final após nossa partida desta vida. Julgamento que não existe para nossa pronta, imediata e irrevogável condenação. Mas, para nos curar, redimir, libertar e salvar. É saber que uma vez absolvidos de nossas antigas culpas, somos conduzidos por Deus e seus anjos à Pátria Celeste, meta fundamental e esperança feliz de todos nós. É saber ainda que a condenação parte justamente do coração empedernido que rejeita e recusa o resgate da mansão triste dos mortos pelo Sangue do Cordeiro imolado na Cruz.

A conversão é condição interior que tem início nos acontecimentos simples, pequenos e diários da vida. Começa dentro de nós até alcançar o coração de Deus. Agora, se para uma transformação radical de vida for necessário mudança de casa, bairro, cidade, estado ou país, que assim o procedamos. No entanto, que deixemos para trás o objeto que nos oprime, escraviza e nos faz pecar e sofrer.  Do contrário, de nada adiantará tal esforço se ele for levado conosco. Terá sido uma luta em vão. Conforme o ditado popular, teremos apenas “mudado cebola de lugar”.

A chave que abre passagem para uma vida nova?  O perdão dado e recebido: o de Deus e dos irmãos e irmãs. Não há muros nem barreiras que resistem à força do perdão. Uma vez ao chão, o amor se encarrega de limpar definitivamente os escombros produzidos por elas. E elimina, de uma vez por todas, quaisquer sombras de vestígios, sinais, dúvidas ou cicatrizes deixadas em nossos corações. Perdoar não é fácil. É tarefa lenta, demorada e para poucos. Somente quem muito ama e vive conforme os ensinamentos de Jesus conseguem fazê-lo.

O perdão salva duas vezes. Ao que sofreu a ofensa e a quem ofendeu. Olhemos para a parábola do Pai Misericordioso do Evangelho de Lucas (Lc 15,11-32). Nela, percebemos nitidamente que o perdão do Pai Eterno devolveu a Ele a chance de ser Pai. E, ao filho arrependido a possibilidade de novamente vir a ser filho. No perdão dado e recebido, Pai e filho voltaram a ser família. Os dois juntos, igualmente se salvaram.

Procedendo-nos de tal modo, iremos perceber que em face às agitações, tribulações, tentações e aflições desta vida, haverá tempo e espaço suficientes para ouvir os apelos de Deus à conversão, e acolher a salvação gratuita que Ele tem reservada a cada um de nós desde toda a eternidade!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Trabalho, princípio ordenador da sociedade

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O Papa Francisco desde o início do seu pontificado teve a preocupação de que os católicos conhecessem mais sobre a Doutrina Social da Igreja. Pediu, apoiou e divulgou o “Docat”, uma obra muito interessante para que os jovens tivessem acesso a estes assuntos. Nesta linha, apresentamos hoje algumas reflexões sobre o trabalho humano e a sociedade.

O trabalho de um homem se entrelaça naturalmente com o de outros homens: “Mais do que nunca, trabalhar é uma ação com os outros e um tarefa para os outros: torna-se cada vez mais um fazer qualquer coisa para alguém” (São João Paulo II, Centesimus annus, 31).

O trabalho, portanto, é o princípio ordenador da sociedade. Também os frutos dele oferecem ocasião de intercâmbio, de relações e de encontro. O trabalho não pode ser avaliado equitativamente, se não se leva em conta a sua natureza social. Essa noção de trabalho se encontra hoje em perigo, porque existe uma corrente de pensamento economicista que pensa que ele deve produzir somente renda.

O economicismo, ao colocar o imperativo do crescimento econômico como finalidade absoluta, subverteu as finalidades do trabalho. Fez do progresso econômico a “lei suprema”.

A sociedade, ao afastar-se de Deus, caiu nessa perspectiva economicista, na qual o trabalho é visto apenas como força e aparece subordinado exclusivamente à sua finalidade econômica. Nesse ponto de vista, o trabalho humano tem até menos valor que uma máquina. O trabalho, na perspectiva do economicismo, degrada.

“Cristo não aprovará jamais que o homem seja considerado – ou que se considere a si próprio – unicamente como instrumento de produção; que seja apreciado, estimado e avaliado apenas segundo esse princípio. Cristo não o aprovará jamais! Por isso mesmo, deixou-se pregar na Cruz (…) para opor-se a qualquer degradação realizada mediante o trabalho. Cristo permanece perante os nossos olhos na sua Cruz para que todo homem seja consciente da força que Ele lhe deu: “Deu-lhes o poder de vir a ser filhos de Deus” (Jo 1, 12. Cf. São João Paulo II, Homilia aos operários de Nova Huta, 9-VI- 1979).

São João Paulo II, na encíclica Laborem Exercens, denunciou o economicismo, condenando ao mesmo tempo o liberalismo capitalista e o coletivismo marxista. Este último seria apenas mais radical, pois tem a audácia de dizer-nos que é precisamente o trabalho entendido apenas como fator de produção, o que é o homem e o que haverá de realizar para sua libertação.

O economicismo defende a economia pela economia e, ao fazê-lo, reduz o homem a suas relações econômicas. Mas a Doutrina Social da Igreja ensina que o trabalho não somente procede da pessoa, mas é também ordenado a ela e a tem por finalidade.

O trabalho deve ser sempre orientado para o sujeito que o realiza, pois, a finalidade do trabalho, de qualquer trabalho, permanece sempre o homem. Não se pode negar que existam componentes objetivos do trabalho, mas tudo isso deve estar subordinado à realização do homem.

Portanto, é possível afirmar que o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho, e que a finalidade do labor, de todo e qualquer que seja ele realizado pelo homem – ainda que seja o mais humilde, o mais monótono na escala do modo comum de apreciação e até o mais marginalizado – permanece sempre o próprio homem. (São João Paulo II, Carta enc. Laborem Exercens, 6)

A prova disso para nós católicos é a famosa cena da Última Ceia do Senhor, em que Jesus lava os pés dos seus Apóstolos para ensinar que o trabalho, desde o mais humilde ao mais especializado, é antes e acima de tudo um serviço ao nosso próximo. (Jo 13, e ss).

 

Dom Levi Bonatto

Bispo auxiliar de Goiânia

Equilíbrio físico e espiritual

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Em fevereiro, dia 11, a Igreja celebra a Virgem Santíssima sob o título de Nossa Senhora de Lourdes. Neste mesmo dia, é também o Dia Mundial do Enfermo. Quando rezamos por alguém que precisa de saúde, não podemos nos limitar somente a pensar naqueles que possuem doenças no corpo, precisamos também pedir por aquelas pessoas que necessitam da saúde na alma.

Resumindo, estou falando do equilíbrio físico e do equilíbrio espiritual. Duas coisas fundamentais para que consigamos ter uma vida tranquila, feliz e saudável. Isso, porque um está ligado ao outro. Ou seja, quando estamos doentes no corpo, ficamos tristes, abatidos. Existem vários casos de pessoas que, quando ficam doentes fisicamente, tendem a ficar pessimistas, depressivas.

Não é por acaso que o Dia Mundial do Enfermo é no mesmo dia em que celebramos a memória de Nossa Senhora de Lourdes. Ela é a padroeira dos enfermos. Conta a história que, em 1858, em uma tarde muito úmida e muito fria, no interior da França, Nossa Senhora fez uma visita agraciada a uma menina muito humilde, frágil e pura, chamada Bernadette Soubirous.

A menina saiu com uma irmã e uma amiga para procurar lenha, gravetos para aquecer o lar, que era um costume muito frequente na Europa, naquele período. Elas estavam em um local um pouco afastado da cidade e Bernadette foi atraída por uma luz saindo de uma gruta. Foi então que ela viu uma linda mulher de branco, com uma faixa azul e um terço na mão. E esta mulher linda e admirável convidava à oração. A jovem começou a rezar e quando terminou a oração, a senhora desapareceu. Bernadette ficou cheia do Espírito Santo e muito feliz com aquele acontecimento que encheu seu coração de paz, amor e esperança.

As aparições foram se repetindo nos dias seguintes, até que em um dos momentos a Virgem pediu à menina que cavasse o chão da gruta e naquele exato local, brotou uma fonte que jorra águas abençoadas até os dias de hoje. A própria Bernadette, que era uma jovem doente, foi curada ali. São milhões de peregrinos que visitam Lourdes todos os anos em busca de bênçãos, curas e verdadeiros milagres. Ali é um marco do amor do Divino Pai eterno, por intermédio de Maria Santíssima.

Além das curas, que deram a Nossa Senhora de Lourdes o título de padroeira dos enfermos, a mensagem trazida ao mundo, por meio da visita a Bernadette, consistia, principalmente, no convite à conversão e à oração do terço. Outro ponto fundamental da aparição no interior da França foi quando a Virgem se identificou como a Imaculada Conceição, o que se tornou motivo da confirmação desse dogma que havia sido proclamado quatro anos antes pela Igreja.

Nossa senhora é a Imaculada Conceição e, por meio de sua santa intercessão ao Divino Pai Eterno, conseguimos alcançar graças infinitas em nossas vidas. Devemos ter uma certeza: sem Deus, nada somos. Por isso, meu irmão, minha irmão, busque viver em uma comunhão com Deus. Saiba que nós não somos merecedores da graça de Deus e, mesmo assim, Ele nos concede e nos permite viver como verdadeiros abençoados, verdadeiros miraculados, como pessoas que são libertas de todos os males que possam vir a nos atingir.

Muitos são os que estão distantes, não participam, não rezam e não buscam a Deus. Busquemos o Senhor, porque nosso tempo é curto neste mundo e nós dependemos de Deus para sermos verdadeiros filhos amados, verdadeiros cristãos neste mundo, e não somente criaturas que caminham sobre a terra.

Peçamos, então, a intercessão de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira dos enfermos, por todas aquelas pessoas que estão doentes, debilitadas na saúde do corpo, para que tenham a capacidade levantar a cabeça diante das cruzes que carrega. Rezemos também por aqueles que necessitam da saúde da alma, pedindo ao Senhor que dê força e ânimo aos corações decaídos, às pessoas com depressão, para que não se sintam acabados, nem fracassados por causa de problemas em suas vidas.

Que, pela nossa fé e oração, o Senhor possa nos reerguer para que possamos caminhar na alegria de estar em Sua presença. Que nós sejamos pessoas saudáveis no corpo e na alma e que o Senhor coloque Sua mão misericordiosa sobre todos os que sofrem, para que alcancem aquilo que necessitam. Amém!

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e presidente-fundador da Afipe

 

A Solidariedade

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Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança no amor, Deus o constituiu portador de direitos, deveres e liberdades que lhe asseguram uma vida livre, digna, justa, solidária, fraterna e feliz. Criou também todas as coisas e as disponibilizou gratuitamente a todos.

No início tudo era de todos. E, todos tinham acesso a tudo. Além do mais, tudo o que dispunham para a sobrevivência era partilhado em direitos iguais de acordo com a necessidade de cada um. Com o passar dos tempos, o ser humano desenvolveu o sentimento de posse: “isto é meu”. Com a apropriação do bem comum gerou, como consequência deste princípio, a desigualdade social. Situação que coloca alguns em condição de privilégio em detrimento a outros.

Imbuída, mesmo que implicitamente do espírito cristão, no dia 10 de dezembro de 1948, foi assinada a Resolução nº 217, da Assembleia Geral das Nações Unidas. O Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos declara: “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Uma tentativa de corrigir a humanidade dessa grande injustiça social criada ao longo do seu caminhar existencial.

A Igreja por sua vez, consciente desta realidade, tocada pelos ensinamentos, atitudes e ações de Jesus, sempre se mostrou atenta, preocupada e solidária com as necessidades mais urgentes da humanidade e com as desigualdades advindas da apropriação indevida dos bens comuns. E denuncia: ” Há iníquas desigualdades econômicas e sociais, que ferem milhões de seres humanos; elas estão em contradição aberta com o Evangelho, são contrárias à justiça, à dignidade das pessoas e à paz (CIC nº. 413). Assim, estimula a todos a desenvolverem ações que visam manifestar a solidariedade como uma exigência da fraternidade cristã.

Ao encarnar-se no seio da humanidade Jesus fez sua opção preferencial pelos pobres e abandonados. Tudo o que Jesus expressa em sua mensagem reflete claramente o amor bondoso e misericordioso do Pai Eterno para com cada um de nós. Movida pelo Espírito de Jesus, a Igreja Católica seguiu este mesmo exemplo. Ou seja, se fez pobre para os pobres buscando socorrê-los em todas as suas necessidades.

O Papa Francisco diz que: “para a Igreja a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica”. A esperança é deles, “pois sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade”, Bíblia Pastoral.

Desprovida da compreensão e sentimentos cristãos a solidariedade restringe-se a um mero assistencialismo social. Quem busca ser solidário com os mais necessitados, assume na própria vida o esvaziamento interior que Jesus nos deixou como exemplo de vida inteiramente doada em favor da remissão de todos os seres humanos.

Quem é cheio de si mesmo não abre espaço para Deus em sua vida nem para seus irmãos e irmãs fugindo da lógica proposta pelas Bem-aventuranças de Jesus (Mt 5, 1-12). Pagola diz que: “quem escuta o coração de Deus começa a privilegiar em sua vida os mais necessitados”.

O que vem a ser, então a solidariedade? O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa a define como: “qualidade do que é solidário, dependência mútua, reciprocidade de obrigações e interesses”. São João Paulo II aprofunda esse conceito em sua encíclica Solicitudo Rei Socialis (38), afirmando que: “a solidariedade não é um sentimento de compaixão vago ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes. Pelo contrário, é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos”. Ou seja, um forte apelo a que voltemos urgentemente às nossas origens.

Pe. Edinisio Pereira 

Reitor do Santuário Basílica de Trindade

Ano Vocacional Mariano

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O Regional Centro Oeste da CNBB esta celebrando no ano de 2017, o Ano Vocacional Mariano, que foi assumido desde a XIX Assembleia do Povo de Deus, realizado em setembro de 2015, onde iluminados pelas cinco urgências nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil se viu a necessidade de ressaltar o aspecto Vocacional, tendo como inspiração a figura de Maria, mãe e rainha da Igreja e das vocações.

A Pastoral Vocacional tem uma forte dimensão mariana que não se resume em apresentar a jovem Virgem de Nazaré como modelo de vocação, mas sobretudo porque ela nos inspira na realização desta missão. Maria é o melhor referencial para o serviço vocacional que desenvolvemos nas comunidades.

A jovem vocacionada de Nazaré é símbolo da humanidade chamada à comunhão com Deus, mediante a abertura ao Espírito que produz vida e ilumina o caminho dos vocacionados. E ainda, com Maria, também aprendemos que o chamado vocacional implica uma missão. Símbolo da Igreja em saída, Maria se coloca a serviço de quem mais necessita. Se faz preciso um serviço evangelizador e vocacional aberto a outras realidades, vocações e ministérios na Igreja.

O Ano Vocacional Mariano é um momento propício para intensificar a oração pelas vocações e convocar nossas comunidades para que juntas promovam a cultura vocacional. Como nos pede o Documento de Aparecida em seu número 314: “É necessário intensificar de diversas maneiras a oração pelas vocações, com a qual também se contribui para criar maior sensibilidade e receptividade diante do chamado do Senhor; assim como promover e coordenar diversas iniciativas vocacionais”. Como momento comum teremos a Jornada Vocacional Regional, que acontecerá em Brasília nos dias 06 e 07 de maio, com a presença de todas as (Arqui)Dioceses de nosso regional e pastorais, onde todo o povo de Deus é convidado para juntos louvar a Deus pelas vocações e pedir que envie mais santas vocações ao nosso regional.

Apresentamos, para a vivência do Ano Vocacional Mariano, algumas sugestões, que podem ser promovidas pelas comunidades, paroquias e grupos:

– Desenvolver reflexões sobre o papel de Maria na Igreja, ressaltando uma correta devoção mariana;

– Em comunhão com a Igreja no Brasil, celebrar o jubileu de 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida;

– Aproveitar os momentos e encontros já existentes para se meditar sobre o Ano Vocacional Mariano;

– Incentivar e colaborar para que todas as pastorais, movimentos e arqui(dioceses) do nosso regional estejam representadas na Jornada Regional da Pastoral Vocacional, em Brasília, dia 06 e 07 de maio de 2017;

– Valorizar, no nível diocesano e paroquial, o Dia Mundial de Oração pelas vocações que será no dia 07 de maio de 2017;

– Aproveitar para promover a Oração pelas vocações;

– Na medida do possível, utilizar o tema vocacional Mariano nas formações e celebrações;

– Incentivar a oração oficial do Ano Vocacional Mariano nas comunidades, paróquias, pastorais e grupos eclesiais;

Enfim, é preciso fazer com que este nosso Ano Vocacional Mariano seja vivido em cada realidade particular, ressaltando assim, nossa comunhão regional. E que não seja apenas mais um tema de pastoral, mas sim um espírito que anima toda as ações e pastorais. Reconhecendo assim, que Maria leva Deus a cada um dos vocacionados, que somos todos nós e nos eleva até o autor da nossa vocação.

 

Pe. Elias Aparecido da Silva

Diocese de Uruaçu – GO

Coordenador Regional e
Nacional da Pastoral Vocacional – CNBB

 

 

 

Missas

De segunda a sexta

Missas: 7h e 19h30

Sábado

Missas: 7h, 10h e 17h30

Domingo

Missas: 5h45, 8h, 10h, 15h e 17h30

Rede Vida

Segunda, terça, quinta e sexta: 7h Quarta: 9h

Sábado: 7h e 17h30

Domingo: 17h30

TV Anhanguera

Domingo: 5h30

PUC TV

Sábado e domingo: 17h30

TBC

Domingo: 8h

Rede Pai Eterno

Missas Segunda, quinta e sexta: 7h
Quarta: 9h
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 5h45, 8h e 17h30

Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 4h, 12h e 22h Novena do Perpétuo Socorro Todos os dias: 2h

Rádio Difusora Goiânia

Missas Domingo: 8h Novena dos Filhos do Pai Eterno Todos os dias: 13h