Mês: agosto 2017

Alcançar o Céu deve ser mérito nosso

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Deus tem um desejo para todos nós: que sejamos santos, bons e agradáveis a Ele. Tudo isso para que a nossa vida corresponda ao Seu amor. E nós, que somos verdadeiros cristãos, desejamos, mais que tudo nesta vida, alcançar o Reino dos Céus. Muitas vezes, falamos que queremos ir para o Céu. Porém, as nossas atitudes não condizem com o que dizemos.

Não adianta apenas dizer da boca para fora, se eu não faço por merecer realmente alcançar essa graça. O próprio Jesus nos mostra que devemos nos esforçar, fazendo até mesmo sacrifícios, em prol daquilo que desejamos. A escolha por querer o Céu é pessoal e esse deve ser o bem maior que vai me alegrar a minha vida, e que vai me satisfazer.

Alcançar o Céu deve ser mérito nosso. Porém, muitas vezes, mesmo sem mérito, pedimos que o Senhor seja misericordioso para com a nossa pequenez e veja nosso esforço. Por isso, é importante que nós tenhamos valores em nosso coração.

De nada adianta ganhar o mundo inteiro, se eu perder a minha alma. Vemos muitas pessoas ricas, milionárias, que são infelizes. Por outro lado, existem outras que, com muito pouco, são mais felizes que muitos de nós. A felicidade é uma escolha. Dinheiro não traz felicidade. Pelo contrário, pode até trazer mais dor de cabeça, se você for uma pessoa gananciosa, avarenta, ávida.

Se nós escolhemos o caminho que nos leva ao Pai Eterno, a ganância não deve fazer parte do nosso dia a dia. Devemos fugir deste sentimento que tem o poder de afastar de Deus de nossas vidas, sendo um deus maligno, porque nos chama ao egoísmo, à cobiça. Nós sabemos que, se nos esforçarmos, Deus será misericordioso e nos dará aquilo que, até mesmo sem mérito algum, nós queremos alcançar.

A palavra de Deus fala de um pescador que lança a rede e puxa vários peixes. Daí, ele separa os peixes bons e o restante, aqueles que não são bons, joga fora. Se o Reino de Deus é o mais importante para nós, nós seremos os peixes bons que o pescador irá escolher. Seremos os peixes de melhor qualidade para o pescador, que é o Pai Eterno e, um dia, vai separar maus de bons. Ele que, um dia, vai nos julgar por aquilo que pudemos fazer e não fizemos, que tínhamos a obrigação de realizar e não realizamos.

Quando chegar este dia, Ele vai dizer (cf. Mt. 25,34) “Vinde, benditos de meu Pai, eu tenho um lugar preparado para vocês na morada eterna”. E, para os outros vai dizer (cf. Mt. 25,41): “Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos”. Se a sua vida não for uma vida de quem busca a Deus em primeiro lugar e se não houver esforço pela conversão, você será aquele peixe ruim e perderá as oportunidades que Deus nos concede.

Não podemos deixar o tempo passar, temos que refletir sobre o que estamos fazendo com a nossa vida. Devemos querer fazer tudo para Deus e com o olhar sempre voltado para o céu. Eu não devo ser bom porque tenho medo de não ir para o céu. Mas, sim, porque o Pai Eterno é o mais importante em minha vida e eu quero agradá-Lo, amá-Lo e fazer com que o Seu Reino Eterno prevaleça.

Peçamos a Deus que nos dê sabedoria. Reconheçamos a nossa pequenez diante de Sua infinita grandeza e deixemos que Ele tome conta do nosso coração, da nossa alma. Deus não desampara aqueles que são seus. Por isso, lute, meu irmão! Lute, minha irmã! Peça a Deus sabedoria e discernimento. Cure o seu coração, a sua alma, equilibre a sua vida. Seja uma pessoa honesta e correta sempre.

Faça o bem! E o Senhor vai ouvir a sua oração e ainda lhe dará aquilo que muito mais do que o que você pediu porque o Pai Eterno é bom e olha por Seus filhos, especialmente, àqueles que se voltam a Ele de coração aberto e sincero. Roguemos também à Mãe de nosso Senhor Jesus, para que ela nos ajude a ter a compreensão, o discernimento e a sabedoria daqueles que amam e temem a Deus. E que apesar das perseguições, calúnias, maldades e enganações, com sua doçura de Mãe do Céu, ela nunca permita que o nosso coração se endureça. Mas, que sejamos bons sempre e humildes para sermos, assim dignos das promessas de Cristo.

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

Vocação: um chamado de Deus

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A iniciativa de toda e qualquer vocação para o bem vem do querer e do desejo de Deus. Essa iniciativa põe a pessoa humana em contínua comunhão de amor para com Ele. Foi o próprio Deus quem criou a cada um de nós. Por isso, não nos criou para a morte, mas para a vida. Portanto, cuidar da vida em todas as suas dimensões é nossa maior, primeira e principal missão neste mundo.

A raiz, a origem de nossa vocação vem do próprio Deus. Nenhum de nós pediu para nascer. Por amor, Ele livremente sonhou com cada um de nós. E, nos criou à sua imagem e semelhança: “Deus criou o homem e a mulher à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27). Somos imagem de Deus porque fomos criados para o amor, para viver a caridade e “a bondade que é o amor de Deus em ação”. A vida é um dom de Deus. Como dom de amor gratuito que vem de Deus: a vida é uma bela poesia divina.

Deus é também um eterno vocacionado. Sua vocação é amar, criar e servir. Quando o invocamos em nossas necessidades, por amor a nós, Ele se torna servidor e criador ao mesmo tempo. Ou seja, Ele nos atende em todas as nossas necessidades nos fazendo novas criaturas, redimidas, curadas, salvas. Então, podemos entender a vocação como dom de Deus, é um serviço, um chamado. Uma proposta que Ele nos faz para uma missão. E a primeira de todas elas é sermos seus filhos e filhas adotivos no amor, através de seu Filho Jesus.

Ao descobrir qual missão Deus tem para nós é preciso dar uma resposta. Para responder ao chamado de Deus no seguimento a Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado, é preciso coragem. Quem se propõe a servir a Deus deve estar disponível, sem reservas e assumir as conseqüências advindas da opção feita.  Quando Deus chama, chama pra valer, pois “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62).

Responder ao chamado que Deus faz a cada um de nós, exige ainda, de nossa parte um voto de confiança, amor e fé. É preciso confiar na proteção e na providência divina. Ter muito amor no coração. Amar uma causa e defendê-la com todas as forças. Até com a própria vida, se preciso for. Pois, só dá a vida por uma causa, quem acredita que ela pode favorecer um mundo melhor, mais justo, humano e fraterno.

O absurdo e a graça convivem na pessoa chamada. Por nossas próprias forças somos frágeis e limitados. Incapazes até para tomar grandes decisões. Somente à luz do Espírito Santo é que somos fortes o suficiente para dar uma resposta de fé ao chamado que Deus nos faz. “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22,14). Contudo, o homem e a mulher são chamados para crescer como pessoa humana em todas as dimensões da vida: consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com Deus.

Ao nos criar livres, como homem e mulher, Deus espera de nós uma resposta nossa na mesma liberdade com a qual nos criou. Mas, podemos aceitar ou recusar o chamado que Ele nos faz. Por desconhecimento dela, dúvidas, medo ou insegurança. Os exemplos de Abraão, Sara, Moisés, Elias, José, Maria, Jesus, Madre Teresa de Calcutá, Santo Afonso, nossos pais, nos ajuda a superar as resistências, os medos e os fracassos de nossa vocação e missão.

O maior e mais belo exemplo de vocação livre, amorosa e humilde que o mundo já conheceu foi a de Jesus. Ele veio ao mundo com uma missão especial: tornar o amor misericordioso de Deus conhecido e amado por todos. E, salvar a humanidade inteira de sua condição de pecado e morte. Inicialmente escolheu doze para estar com ele. Depois, setenta e dois. E, outros mais para tornar concreto o Reino de Deus já aqui nesta terra.

Seguir a Cristo implica em renúncias e entrega de vida sem, contudo deixar de ser quem somos. Participar dos fatos e acontecimentos da vida nos faz perceber a realidade ao nosso redor. Por essa razão, quem se propõe a seguir Jesus de Nazaré, o Cristo Ressuscitado torna-se sensível às necessidades dos irmãos e irmãs. Sobretudo, dos pobres e abandonados, os preferidos de Deus e amados de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Missionários Redentoristas.

Podemos entender, então, que a primeira vocação do ser humano é existir, amar e ser feliz. Que a vocação é pessoal e intransferível. E, que ela é, antes de tudo, uma iniciativa amorosa de Deus para conosco. Isto significa dizer que vocação é uma convocação da Trindade Santíssima para a vida em comunhão e participação. É assumir a dignidade de filho de Deus no seguimento a Jesus de Nazaré como membro da Igreja, encarnando sua vida à Palavra e celebrando os mistérios de Cristo dando testemunho de vida e de fé!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

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