Dia: 6 de Janeiro de 2018

Epifania do Senhor

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Quando nós finalizamos a oitava de Natal, celebramos a grande Festa da Epifania do Senhor. Em sua etimologia, é uma palavra que vem do grego Epiphaneia e do latim Epiphania. Segundo o dicionário Michaelis, quer dizer “festa litúrgica dos cristãos, que comemora a apresentação de Jesus Cristo à humanidade, representada pela visita dos reis magos no décimo segundo dia após o Natal manifestação”. E é exatamente esse o sentido para nós, cristãos católicos.

O Pai Eterno manifestou-se ao Seu povo, se fez presente em nossas vidas. A Festa da Epifania do Senhor vem nos lembrar que Ele cumpriu Suas promessas e realizou a Sua obra de salvação, plenificando-a e tornando realidade tudo aquilo que foi predito pelos profetas. Essa verdade se tornou visível, palpável, a partir do momento em que Deus veio ao nosso encontro e se revelou às nações.

O Senhor se manifestou de uma maneira extraordinária em nossas vidas, muitas vezes, de modos que nós não podemos entender. E a cada ano, durante a celebração de Natal, a Igreja Católica nos traz a cena do presépio. Jesus em uma manjedoura, na simplicidade e na humildade, onde Ele foi adorado por representantes de povos do oriente.

No presépio, estavam os reis e os pastores, além de José, Maria e ainda os animais daquele estábulo. Todos adoravam a Deus que ali se manifestou, se fez homem para vir ao mundo trazer o amor verdadeiro e a salvação. A solenidade da Epifania do Senhor representa isso, esse Deus que chega em nossas vidas, trazendo esperança de um mundo novo, de paz, amor e fraternidade. Mais que isso, Ele vem e se faz encontrar por todos os povos, todos os homens de bem que acreditam Nele e O acolhem em suas vidas e em seus corações.

Mas, não foi esse o primeiro local em que os reis buscaram pelo Menino Deus. (cf. Mt 2,13).  “Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a Sua estrela no oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2,1-2). Nesse contexto do nascimento de Jesus, a Bíblia nos traz também a figura de Herodes, um homem perverso que acolhe os reis, com a má intenção de encontrar Jesus para matá-Lo.

E foi a Herodes que, inocentemente, os reis perguntaram pelo Senhor dizendo que queriam adorá-Lo. Contaram-lhe sobre a estrela, que deu a eles a certeza de que a profecia estava se cumprindo. Herodes se sentiu ameaçado e, de forma articulada, os recebeu bem e pediu que eles indicassem exatamente onde estava esse Rei para que ele próprio pudesse também adorá-Lo.

Herodes simboliza todo o mal deste mundo de trevas, um mundo egoísta, que nega a presença do Senhor e faz tudo o que for possível para ignorá-Lo e até mesmo destruí-Lo. Seu coração estava cheio de maldade e ambição, portanto, sua única preocupação era a de ser derrubado e perder o seu poder.

Porém, Jesus não é e nunca foi esse rei da visão humana. Seu reinado vai muito além da nossa forma racional de entender. Ele não veio com cetro, nem coroa, nem riqueza. Mas, sim, na simplicidade, na pobreza e total despojamento. Na própria Palavra de Deus vemos que nem mesmo aqueles que acreditavam no Senhor, tiveram um coração aberto para acolhê-Lo e permitir que Ele nascesse em um lugar especial e digno de toda Sua majestade.

Essa, no entanto, foi a vontade de Deus. O Altíssimo, o Patrono do universo, o Criador do Céu e da Terra, nos enviou Seu próprio Filho para nascer na simplicidade com o objetivo de nos mostrar que se nós queremos que o Senhor se manifeste em nossa vida, devemos ter humildade, bondade, caridade, misericórdia. Devemos acolher a Palavra do Senhor para que tenhamos nossas vidas transformadas e sejamos pessoas diferentes neste mundo.

Tudo isso para que, por meio de nós, no nosso testemunho de vida e de fé, Ele mostre a Sua glória, Sua força, Seu amor e Sua luz. Sejamos como os reis magos e os pastores que acreditaram e foram em busca de Jesus. É isso o que Ele quer, se manifestar em nossas vidas e nos trazer a alegria, o júbilo e a força para vencermos as trevas e termos condições de realizar a Sua obra.

Precisamos guardar a mensagem e o significado de sermos filhos amados de Deus. Ofereçamos a Ele aquilo que é o melhor de nós, reconhecendo a divindade Daquele que estava ali naquela manjedoura. Peçamos a Deus que tenhamos a capacidade e clareza de mente e espírito para reconhecer a Deus em nossos irmãos e para manifestar a Sua luz e glória na vida deles.

Não sejamos como Herodes, egoístas, para continuar vivendo na vaidade, como pagãos. Que aquilo que eu realizo em minha vida, como filho de Deus, seja de fato fruto daquilo que eu creio, professo e adoro: a glória de Deus, a beleza de Sua bondade e a força de Sua misericórdia. Tenhamos essa convicção para que cada atitude de nossa vida seja guiada pelo Mistério desta graça que nos envolve, nos arrebata e nos envia ao amor.

 

Pe. Robson de Oliveira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

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