Mês: Fevereiro 2018

Em Cristo Redentor somos todos irmãos (Mt 23,8)

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Vivemos em um mundo ferido e violento. Independente de quem causou a lesão, precisamos reconhecer que ferimento se cura com o remédio da fraternidade. A dimensão fraterna da vida não se faz apenas com ajudas ocasionais aos mais próximos, com laços isolados de amizade ou, ainda, com simples partilhas de ideias. Isso soa como superficial. Fraternidade tem a ver com um movimento de encontro consigo e com os outros, sem esquecer de que o fundamento desse encontro está no amor de Deus Pai. Vinculados a Ele aprendemos a nos vincular aos outros, sem maiores reservas e sem requisitos prévios. Não há imposição de condições para o bom exercício da fraternidade. “Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele” (I Jo 4,16b).

Quisera Deus que não precisássemos discorrer sobre a fraternidade tamanha fosse a nossa persistência nela, muito menos necessitássemos de uma Campanha da Fraternidade para nos recordar da violência e da indiferença para com nossos irmãos. Mas, somos falhos e limitados. No caminho da honestidade pessoal e comunitária é possível perceber a fragilidade de algumas relações que construímos. Faz-se necessário peregrinar, durante toda a Quaresma, se quisermos ultrapassar os possíveis desacordos do dia a dia. É forçoso o movimento de saída para que encontremos, no rosto das pessoas, a face amorosa de Cristo.

Se os nossos afetos estiverem orientados para o Pai Eterno não temeremos tratar aos demais como irmãos, pois acima de tudo está a comunidade de oração, a comunidade de missão e a comunidade de fraternidade com as quais nos comprometemos lá no Batismo. Já que a fé nos deu asas, nos esforcemos para que as diferenças não nos criem gaiolas. A salvação passa primeiro pela reconciliação e pela perseverança “no amor fraterno” (Hb 13,1).

Sabemos bem que, antes de sermos cristãos, somos todos irmãos. Não possuímos laços sanguíneos, nem parentesco próximo. Nosso único vínculo é Cristo e Ele nos diz: “todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). O mesmo Novo Testamento também nos orienta: “Vivam em paz entre vocês. Por favor, irmãos, corrijam os que não fazem nada, encorajem os tímidos, sustentem os fracos e sejam pacientes com todos” (I Ts 5,13-14). A Quaresma também nos pede para ‘amarmos’ mais e nos ‘armarmos’ menos. Na verdade, cada vez menos. Até que a violência, nas suas mais variadas formas, seja definitivamente sepultada.

A ocasião solicita que cessemos as contendas entre nós. O acúmulo de mágoas e o cultivo de ressentimentos só fazem adoecer a fraternidade que nos move. No lugar do maldizer, o bendizer. Em vez de intrigar, devemos congregar. Ao invés de enfraquecer-nos uns aos outros, precisamos nos fortalecer mutuamente no Senhor. “Tenhamos consideração uns com os outros, para nos estimular no amor e nas boas obras. Procuremos animar-nos sempre mais” (Hb 10,24-25). Somos um corpo eclesial, cuja cabeça é Cristo. É um engano supor que podemos fazer algo a sós ou por iniciativa própria. Tudo o que realizamos parte da fraternidade, dela depende e para ela retorna.

Pessoas machucadas geram feridas aos mais próximos. Comunidades feridas também machucam os seus membros. Uma realidade não se separa da outra. Estão fortemente vinculadas, tanto nos avanços quanto nos retrocessos. Enfim, a saúde da vida cristã está sujeita a uma convivência fraterna, capaz de unir a todos, mesmo na diferença que nos constitui. De bom grado, aceitemos que as diferenças geram plenitude e pluralidade, jamais nos enfraquecem.

Por outro lado, é preciso recobrar a esperança que supera a todo desânimo. Se a vida é ferida pelo sofrimento é ela quem vai cicatrizando cada desgosto e contragosto, cada dor e dissabor. A esperança não é apenas uma virtude teologal, usada no exercício do bem ou na renúncia do mal. Junto disso, ela se apresenta como uma disposição pessoal no transformar de sonhos em realidade. Sonhos carregados de verdade: da nossa verdade mais profunda!

Que, partindo da Quaresma, possamos passar da estranheza à fraternidade, principalmente, pelo exercício da não violência. Tendo a missão evangelizadora como caminho, descobriremos que o nosso lar é um mundo sedento de Deus.  É no serviço que nos encontramos enquanto cristãos. Com o Pai estabelecemos uma devotada parceira, a ponto de vislumbrar que viemos para servir, especialmente aos mais abandonados. Eles podem estar aí do nosso lado, nesse exato momento, dividindo da mesma necessidade e precisando do mesmo pão. Boa Quaresma a todos!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

 

Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus

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É tempo de esperança. Para os bons e maus. Acaso o nosso Deus, o Divino Pai Eterno, é um Deus que encontra prazer e gozo na morte do ímpio, do pecador? Naturalmente que não. Antes, deseja que todos se convertam dos maus caminhos, se voltem para Ele e vivam eternamente (cf Ez 18,23). É tempo de conversão de vida, de praticar a caridade, de exercitar a penitência e o jejum, de intensificar a oração, de preparar bem o coração para a vivência da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, o Tríduo Pascal, centro de todo o Ano Litúrgico da Igreja.

São quarentas dias que nos fazem recordar dos 40 anos de caminhada do povo hebreu pelo deserto rumo à Terra Prometida. É o tempo que Jesus passou no deserto superando todas as tentações de sua natureza humana antes de iniciar o plano de salvação de Deus a que foi enviado. O numeral 40 simboliza uma vida toda. Um tempo necessário para que conheçamos a Deus, nós mesmos, saber de onde viemos e para onde vamos.

O dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define a palavra deserto como um lugar ermo, desabitado, despovoado e estéril. Já a Geografia define como uma região em que ocorre pouca quantidade de chuva, com baixíssima umidade e pouca vegetação. Lugar onde a vida torna-se complicada para seres humanos e outras espécies animais.

Para a Biologia o deserto se caracteriza por apresentar vegetação esparsa com um ciclo de vida muito curto, solo extremamente árido e pluviosidade baixa e irregular. Temperatura muito alta durante o dia e excessivamente baixa durante a noite. Em todas essas definições, o deserto se apresenta como o lugar da transição, do incerto, do duvidoso, do desafio, do contraste, da exigência, da superação e, por vezes, o lugar da morte fria, cruel e impiedosa.

Para o contexto bíblico, deserto é, ao mesmo tempo, o lugar da tentação e o lugar da esperança. Lugar da reflexão e do silêncio interior. Do confronto de si para consigo mesmo. Lugar apropriado para ouvir a voz de Deus. Também para ouvir a voz da própria consciência e os anseios do coração. O lugar da decisão sincera, autêntica, verdadeira, profunda. Da partida consciente, convicta. Do recomeço forte. E, finalmente, o início de uma nova vida e missão.

O Pai Eterno deu Sua vida por nós. O desejo dele é que o justo continue progredindo em seus caminhos e que o injusto se arrependa de seus pecados, se converta e tenha a vida eterna. A gratuidade de Deus para conosco nos coloca em uma condição privilegiada em relação a todas as outras criaturas, pois Ele mesmo nos chama de amigos: “Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão; eu chamo vocês de amigos, porque comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu pai” (Jo 15, 15). Somente a um grande amigo dá-se tudo a conhecer de si mesmo, sem subterfúgios, máscaras e rodeios.

O Pai Eterno é um Deus bondoso, paciente e misericordioso. Bom porque distribui Seu amor em igual proporção para todos. Paciente porque nos chama, com um amor de Pai, quantas vezes forem necessárias até que ouçamos Sua voz a ressoar dentro de nós. Misericordioso porque a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre todos os que O temem. Ele nos faz grandes em Sua presença, pois assim como depositou em Jesus todo o Seu amor, Ele credita também em nós toda Sua esperança.

O Pai eterno é um Deus bondoso e misericordioso. Devido a tanto amor a nos oferecer, e justamente por isso, Ele sabe guardar e cultivar em Seu coração a dor que lhe causamos quando transgredimos Suas ordens e ensinamentos. Todos temos nossas misérias. Com certeza, muitos com situações bem piores que as nossas. E, com certeza, por ignorância ou rebeldia, muitos escondem essas misérias. Elas nos enfraquecem, nos mutilam, nos crucificam, mas o Pai de Jesus e nosso Pai é muito maior em Sua bondade e compaixão que o tamanho de nossas misérias.

Absurdamente incomparável.  Ter medo de Deus? Qual nada. Confiar e esperar, pois “a verdade é que Cristo foi crucificado em razão de sua fraqueza, mas Ele está vivo, pelo poder de Deus. Nós também somos fracos nele, mas com Ele viveremos, pelo poder de Deus para conosco” (2Cor 13,4).

“Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o senhor vosso Deus” (cf Jl 2,12-13). Este é o grande apelo que vamos ouvir do Pai Eterno durante toda esta Quaresma. É preciso “rasgar” mesmo o coração como fez o céu da Judeia logo após Jesus sair das águas do Rio Jordão para ouvir a voz de Deus a nos dizer: “Este é o meu Filho muito amado; nele depositei todo o meu agrado” (Mc 1,11). E, deixar que a Palavra abra o nosso coração, pois é nele que Deus quer morar.

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

 

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