Dia: 5 de Fevereiro de 2018

Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus

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É tempo de esperança. Para os bons e maus. Acaso o nosso Deus, o Divino Pai Eterno, é um Deus que encontra prazer e gozo na morte do ímpio, do pecador? Naturalmente que não. Antes, deseja que todos se convertam dos maus caminhos, se voltem para Ele e vivam eternamente (cf Ez 18,23). É tempo de conversão de vida, de praticar a caridade, de exercitar a penitência e o jejum, de intensificar a oração, de preparar bem o coração para a vivência da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, o Tríduo Pascal, centro de todo o Ano Litúrgico da Igreja.

São quarentas dias que nos fazem recordar dos 40 anos de caminhada do povo hebreu pelo deserto rumo à Terra Prometida. É o tempo que Jesus passou no deserto superando todas as tentações de sua natureza humana antes de iniciar o plano de salvação de Deus a que foi enviado. O numeral 40 simboliza uma vida toda. Um tempo necessário para que conheçamos a Deus, nós mesmos, saber de onde viemos e para onde vamos.

O dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define a palavra deserto como um lugar ermo, desabitado, despovoado e estéril. Já a Geografia define como uma região em que ocorre pouca quantidade de chuva, com baixíssima umidade e pouca vegetação. Lugar onde a vida torna-se complicada para seres humanos e outras espécies animais.

Para a Biologia o deserto se caracteriza por apresentar vegetação esparsa com um ciclo de vida muito curto, solo extremamente árido e pluviosidade baixa e irregular. Temperatura muito alta durante o dia e excessivamente baixa durante a noite. Em todas essas definições, o deserto se apresenta como o lugar da transição, do incerto, do duvidoso, do desafio, do contraste, da exigência, da superação e, por vezes, o lugar da morte fria, cruel e impiedosa.

Para o contexto bíblico, deserto é, ao mesmo tempo, o lugar da tentação e o lugar da esperança. Lugar da reflexão e do silêncio interior. Do confronto de si para consigo mesmo. Lugar apropriado para ouvir a voz de Deus. Também para ouvir a voz da própria consciência e os anseios do coração. O lugar da decisão sincera, autêntica, verdadeira, profunda. Da partida consciente, convicta. Do recomeço forte. E, finalmente, o início de uma nova vida e missão.

O Pai Eterno deu Sua vida por nós. O desejo dele é que o justo continue progredindo em seus caminhos e que o injusto se arrependa de seus pecados, se converta e tenha a vida eterna. A gratuidade de Deus para conosco nos coloca em uma condição privilegiada em relação a todas as outras criaturas, pois Ele mesmo nos chama de amigos: “Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão; eu chamo vocês de amigos, porque comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu pai” (Jo 15, 15). Somente a um grande amigo dá-se tudo a conhecer de si mesmo, sem subterfúgios, máscaras e rodeios.

O Pai Eterno é um Deus bondoso, paciente e misericordioso. Bom porque distribui Seu amor em igual proporção para todos. Paciente porque nos chama, com um amor de Pai, quantas vezes forem necessárias até que ouçamos Sua voz a ressoar dentro de nós. Misericordioso porque a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre todos os que O temem. Ele nos faz grandes em Sua presença, pois assim como depositou em Jesus todo o Seu amor, Ele credita também em nós toda Sua esperança.

O Pai eterno é um Deus bondoso e misericordioso. Devido a tanto amor a nos oferecer, e justamente por isso, Ele sabe guardar e cultivar em Seu coração a dor que lhe causamos quando transgredimos Suas ordens e ensinamentos. Todos temos nossas misérias. Com certeza, muitos com situações bem piores que as nossas. E, com certeza, por ignorância ou rebeldia, muitos escondem essas misérias. Elas nos enfraquecem, nos mutilam, nos crucificam, mas o Pai de Jesus e nosso Pai é muito maior em Sua bondade e compaixão que o tamanho de nossas misérias.

Absurdamente incomparável.  Ter medo de Deus? Qual nada. Confiar e esperar, pois “a verdade é que Cristo foi crucificado em razão de sua fraqueza, mas Ele está vivo, pelo poder de Deus. Nós também somos fracos nele, mas com Ele viveremos, pelo poder de Deus para conosco” (2Cor 13,4).

“Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o senhor vosso Deus” (cf Jl 2,12-13). Este é o grande apelo que vamos ouvir do Pai Eterno durante toda esta Quaresma. É preciso “rasgar” mesmo o coração como fez o céu da Judeia logo após Jesus sair das águas do Rio Jordão para ouvir a voz de Deus a nos dizer: “Este é o meu Filho muito amado; nele depositei todo o meu agrado” (Mc 1,11). E, deixar que a Palavra abra o nosso coração, pois é nele que Deus quer morar.

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

 

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