Dia: 15 de Março de 2018

Para além do jejum de palavras, Maria nos ensina o dom do silêncio

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Em nossas comunidades paroquiais pode haver silêncios que necessitem ser rompidos e barulhos que precisem ser cessados. “Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança” (Mc 4,39). Às vezes, falamos demais e escutamos de menos. Antes do benéfico direito de falar, nos foi dado o dever de ouvir, inclusive, para que compreendamos uns aos outros. É o que fazem as crianças, ao desenvolverem primeiro a audição e só depois a linguagem. Ruídos, em excesso, geram toda sorte de boatos. Já boatos demasiados suscitam verdadeiros estardalhaços. É um ‘disse que me disse’ de cá e um ‘zum-zum-zum’ de lá. Ambos parecem desproporcionais. Talvez, por não abraçarem a medida da misericórdia derradeira.

Cultivar o silêncio, da Quaresma para a vida, não tem nada a ver com comportar-se de modo isolado, permanecendo recluso na indiferença ou distante dos compromissos comunitários. Pelo contrário, é afastar-se de todo e qualquer burburinho, apto a comprometer a nossa fé na comunidade. Em alguns momentos, acontece da história de uma pessoa ser exposta, não só em conversas informais, mas até mesmo em eventos comunitários, quando o maior interessado do assunto não se encontra ali presente. Mesmo um culpado possui o direito da ampla defesa e do acesso à informação que pesa sobre ele. Como tal, não pode ser o último, a saber, daquilo que lhe diz inteiro respeito.

Tal comportamento gera uma atmosfera de intriga e desconfiança entre os fiéis, como se todos vivessem rodeados por certos espiões ou delatores (Cf. Zc 8,17). A ninguém foi outorgada a incumbência de analisar, às escondidas, os passos, as conversas e os comportamentos dos demais. Afinal, Jesus não nos pede para sermos agentes secretos, mas, em contrapartida, irmãos (Cf. Jo 13,34-35). Não havendo nada de bom a proclamar, também não há nada de ruim a acrescentar.

Existem circunstâncias nas quais precisamos guardar muitas palavras em nossos corações: seja porque não possuem um sentido de resposta, seja para dizermos na ocasião propícia, de acordo com a lição instruída por Maria (Cf. Lc 2,19). Seguindo o exemplo da Virgem do Silêncio, principalmente na Quaresma, é importante cobrir o outro com o manto do cuidado. Isso nada tem a ver com omissão ou cumplicidade. Trata-se de um comportamento pacífico, conciliador, cheio de boa vontade para com os outros, sem sabatiná-los, mas exortando-os, acima de tudo, ao amor (Cf. Tg 3,17).

Servimos às palavras, em especial, aquelas do bem dizer. Se, por algum motivo desconhecido, temos nos focado na tarefa, cansativa e enfadonha, do maldizer, então, algo está seguindo no sentido equivocado. Nosso tempo deve ser gasto com a evangelização, não com questões vãs e infrutíferas. Quem ama de todo o coração, se preocupa e vai ao encontro dos demais, sobretudo, os feridos desde mundo (Cf. 1 Pd 1,22). Caso alguém esteja perdido, em nossas comunidades, precisamos suportá-lo, não no sentido pejorativo, mas servindo de auxílio e suporte para que ele possa reencontrar o caminho da fé (Cf. Cl 3,13).

Adiante disso, o desassossego com a vida do outro não está no medo de que a Igreja fique mal afamada. Isso é corporativismo. Também não se detém na inquietude de que a reputação pessoal seja perdida. Isso é a publicidade de quem vive empenhado em produzir apenas boas notícias. Igualmente, não permanece na suspeita, nas opiniões infundadas ou no julgamento explícito. O que conta não é a sua verdade nem a minha verdade, mas a nossa verdade, decorrente dos fatos. A preocupação cristã se encontra no bem-querer, naquela afeição de irmãos e no zelo pelo bom êxito da evangelização (Cf. Mc 16,15).

Quem olha para o ícone do Perpétuo Socorro, também conhecido como Senhora da Paixão, na Tradição Oriental, percebe a Virgem de lábios apequenados e cerrados. Com humildade, miremos Nela. Suas palavras não são espessas nem amargas. Apenas apontam para o silenciamento de Jesus. Que, juntos de Maria, aprendamos a ser tão comprometidos com o silêncio, assim como o somos com as palavras. Permitamos, portanto, que Ela nos ensine, em todas as coisas, a primazia do amor e do amar, superando a violência, inclusive aquela proveniente do mau uso das palavras.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e Presidente-fundador da Afipe

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