Mês: Fevereiro 2019

“Você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3,19)

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Viemos do solo fértil de Deus que, em sua generosidade mais bonita, enraizou-se à nossa existência, adubando-a de muito amor, fazendo-nos não apenas criaturas, mas, para além disso, Seus filhos queridos. Do latim temos a palavra húmus, que significa terra. Desse radical vem o termo ‘humano’ e, junto dele, a expressão ‘humildade’. Na história vivida, contada e, só depois, escrita no livro do Gênesis, o autor sagrado demonstrou que o criado está intimamente ligado ao seu Criador. Um jamais se distancia do outro. Nem mesmo o pecado consegue nos afastá-los. Ele pode até desumanizar. Porém, logo em seguida, vem a graça para humanizar novamente, segundo a imagem e semelhança de Deus (Cf. Gn 1,26).

A fé que humaniza nos faz reconhecer aquilo que somos, de verdade, distante de toda arrogância. Nesse lugar privilegiado para o reconhecimento de si não há escapatórias, nem disfarces, muito menos fugas. “Humildade, humano, húmus – estamos todos no mesmo nível em relação à nossa dignidade. Existem pessoas que […] não conseguem aproveitar as oportunidades porque não têm humildade. Qual é o contrário da humildade? Arrogância. Gente arrogante é gente que acha que já sabe, que acha que não precisa aprender […]” (CORTELLA, M. S. Qual tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. Petrópolis: Vozes, 2017, n. p.).

A Quaresma se torna, então, o tempo propício para resgatarmos a nossa humanidade, sepultarmos a arrogância pecaminosa, celebrarmos o dom da humildade, trazendo no coração a certeza de que uma hora retornaremos ao pó, à terra fértil, ao solo que a todos nivela. Eis aí o simbolismo das cinzas quaresmais. De um modo geral, elas decorrem das sobras do fogo. São resultantes diretas das substâncias dos ramos bentos que sofreram um processo de combustão. Na prática dos antigos judeus as cinzas dos animais sacrificados eram tidas como santificadoras. Para nós, cristãos, elas falam da transitoriedade da existência e da fragilidade da condição humana (Cf. Lv 1,16; Nm 4,13; Jd 7,4; Is 44,20; Jr 6,26; Mc 1,12-15).

Sobrepostas na fronte, mas sempre trazidas na alma, as cinzas nos remetem à experiência do recomeço, perante um Pai que cria por amor desmedido e incondicional: “Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7). Definitivamente, Ele não desiste de nós! Por isso, nos convida à conversão integral, sobretudo, das palavras, do pensamento e das atitudes. É chegado o tempo de visitar as palavras torpes e agressivas, pedindo perdão por cada uma delas. Momento favorável de abandonar os pensamentos de quem vive julgando os outros, mas se esquece de analisar os próprios comportamentos. Reduzidos às cinzas e renascidos delas: celebraremos, adiante, a Páscoa de Jesus.

Para tanto é de fundamental importância o arrependimento sincero e, sua consequência direta, o perdão dos pecados. O erro existe para ser corrigido e é assim que aprendemos: endireitando o rumo, fortalecendo o prumo, aparando as arestas, reparando os exageros, fortalecendo-nos acima de tudo. O arrependimento que gera o perdão só é possível quando nos enxergamos, nos narramos e nos colocamos na condição de pecadores. Em contrapartida, esse reconhecimento faz com que, diante do Pai Eterno, também vejamos a natureza bondosa e agraciada que nos foi concedida por Jesus. No fundo, a Quaresma está a nos dizer que não somos: nem totalmente ruins nem completamente bons. Somos inteiros. Feitos de sombras e luzes!

Só não podemos perder de vista o pedido maior que a própria fé nos faz: “Convertei-vos! Renunciai a todas as vossas faltas! Que não haja mais em vós o mal que vos faça cair” (Ez 18,30b). Sim! Precisamos ficar em pé, sem fazer do pecado uma muleta, amparando-nos somente no poder da conversão. Mas, se cairmos pelo caminho, a graça divina estará ali presente para nos reerguer sempre que necessário o for. Ainda que enfraquecidos, não podemos desanimar. Mesmo em dúvida, não devemos perder as estribeiras. Embora calejados pelo sofrimento, somos capazes de superá-lo dia após dia. Que, partindo das cinzas, possamos chegar aos gestos concretos de reconciliação conosco e com os outros. E, se assim o fizermos, também nos reconciliaremos com o Divino Pai Eterno: “Então o pó volta para a terra de onde veio, e o sopro vital retorna para Deus que o concedeu” (Ec 12,7). Abençoada Quaresma a todos nós!

 Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.

Presidente-Fundador da Afipe e Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

 

O sentido da Quarta-feira de Cinzas

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O Mistério Pascal de Cristo, isto é, o evento de sua Paixão, Morte e Ressurreição, é fundamento e cume da fé que professamos. Nesse acontecimento, encontra-se, também, a identidade e a razão do culto que elevamos ao Senhor. Por isso, a Igreja celebra o evento pascal com grande solenidade.

Ponto de partida daquele que chamamos de Ano Litúrgico é o comingo, o Dia do Senhor, do qual testemunham várias passagens do Novo Testamento, sobretudo as que falam das aparições do Ressuscitado no primeiro dia da semana (cf. João 20, 1.19,26 etc.). Enriquecido ao longo dos séculos, este dia será importante não só pela Igreja, mas também pela vida social.

Pelo meado do II século, os cristãos escolhem um domingo – a data é motivo de animada discussão – para celebrar a solenidade da Páscoa. Desde o século IV, já existe um tempo de preparação, ao qual é dado o nome de Quaresma, para indicar sua duração de quarenta dias. Este número tem muitas recordações bíblicas, desde a caminhada do povo de Deus, rumo à terra prometida, até o jejum de Jesus, no deserto.

No tempo do papa Leão Magno (+ 461), em Roma, a Quaresma começava no sexto domingo antes da Páscoa e, na conta, compreendiam-se os domingos, dias, porém, em que não se jejuava. No século seguinte, para manter o jejum de quarenta dias, antecipou-se o início da Quaresma na quarta-feira anterior. Eis a origem da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início do tempo de preparação e intensa espiritualidade, para dar sentido não somente à celebração da festa, mas para tornar mais coerente com a vida, a celebração da Páscoa.

O sentido deste dia pode ser encontrado nos textos bíblicos e nas orações da liturgia do dia. Na tradição cultural dos povos antigos, também do povo hebraico, colocar cinzas na cabeça é gesto de penitência (cf. Jó 2,12; 2Sm 13,19; Lm 3,16), como destacam as palavras que introduzem o rito de bênção das cinzas: “Roguemos instantemente a Deus Pai que abençoe com a riqueza de suas graças estas cinzas, que vamos colocar sobre as nossas cabeças em sinal de penitência”.

Na oração de Coleta, pede-se que “a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal” e a oração sobre as cinzas que “os fiéis que vão receber estas cinzas… possam celebrar de coração purificado o mistério pascal do vosso Filho”. Numa segunda oração, reza-se: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos… obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova à semelhança do Cristo ressuscitado”.

Caracterizam esta celebração as palavras: penitência, perdão dos pecados, conversão, coração purificado, domínio dos nossos maus desejos, vida nova, celebrar com fervor a paixão do Filho, Mistério Pascal. O exemplo que Jesus nos deixou e seus ensinamentos, tornam-se referencial para os seus seguidores. O tempo de Quaresma, experiência da divina misericórdia e do perdão do Senhor, aponta para uma vida marcada pelas obras que mostram o batizado qual testemunha de um novo projeto de vida.

O Evangelho do dia (Mateus 6) recorda as três ‘obras’ que distinguem um fiel hebreu: a esmola, a oração e o jejum. Uma insistente recomendação – sempre atual – por parte de Jesus: “Não façam isso só para serem vistos”; neste caso, vocês perderiam “sua recompensa”. Tem um jeito próprio dos discípulos de Jesus: agir sem exibicionismo ou vanglória, ligados só no olhar amoroso do Pai.

Iluminados pela Palavra e a Liturgia, possamos iniciar e viver este ‘tempo favorável’ como precioso dom do Senhor para uma vida renovada e coerente. Por isso, cada um entre em si mesmo, e na sinceridade do seu coração, “converta-se, e acredite no Evangelho”, como pede o ministro enquanto coloca as cinzas em nossas cabeças.

Dom Armando Bucciol

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia – CNBB

 

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