É bom ter família, família em Deus

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Ao observar a realidade diante de nós, percebemos que estamos vivendo um tempo de graves crises e dificuldades dentro de contexto histórico marcado pela desconfiança nas instituições, de insegurança diante da violência, de fragilidade em face  dos grandes problemas sociais e econômicos.

Não me lembro de outro tempo em que tenha sido tão necessário, neste “deserto” que atravessamos, encontrar um “oásis”, um lugar onde possamos descansar, nos alimentar e nos refazer para não desistirmos de nossa caminhada e não perdermos a esperança.

Cada vez mais percebo a família como essa possibilidade. Não uma família que seja um mero ajuntamento de pessoas ligadas por interesses afetivos, financeiros ou mesmo por carências. Mas uma família edificada e vivida a partir do Projeto de Deus revelado de diversos modos na Escritura e, sobretudo, na palavra de Jesus. Ele mostrou que o matrimônio não é apenas um ato humano, marcado pelo desejo e pelas necessidades inerentes ao ser humano. O matrimônio é chamado a se descobrir como um ato sacramental, marcado pelo desejo de viver o projeto de Deus e ser, por Ele, abençoado, iluminado e conduzido.

A família, cada vez mais, tem se apresentado como a realidade mais necessária tanto para a vida da pessoa, como também para a vida da sociedade. Não a família apresentada meramente sob uma ótica sociológica ou ideológica, mas a família percebida como uma proposta que ultrapassa qualquer compreensão baseada em sistemas que buscam apossar-se da vida da pessoa por meio de suas ideologias, ou em projetos particulares de certos grupos.

Existe uma música, que conheço pelo título “É bom ter família”, que tem o seguinte refrão: “Como é bom ter a minha família, como é bom!/ Vale a pena vender tudo o mais para poder comprar/ esse campo que esconde um tesouro, que é puro dom./ É meu ouro, meu céu, minha paz, minha vida, meu lar!” De fato, precisamos desse ambiente, tanto da família biológica/afetiva, como da família espiritual/afetiva (Comunidade), este é o verdadeiro tesouro que nos sustenta e ampara.

Porém, é preciso nos esforçarmos para conhecer a proposta do Evangelho do Matrimônio e do Evangelho da Família; perceber os meios de realizar essa proposta tanto na Igreja (através da evangelização), como na sociedade (através de políticas públicas); e buscar os meios de defendê-la (nos organizando, nos posicionando e agindo) em meio aos desafios e mesmo às ameaças que a família enfrenta, vindas das fragilidades humanas, como também das investidas de grupos e propostas contrários ao projeto de Deus.

A Pastoral Familiar é a resposta da Igreja para ajudar as famílias e cada pessoa, na sua realidade própria, a conhecer, acolher e viver o Evangelho do Matrimônio e da Família. Se queremos um futuro, precisamos cuidar da família; e se queremos famílias que realizem a vontade de Deus e transformem a realidade, precisamos acolher e incentivar as atividades da Pastoral Familiar. Afinal, como lembrava São João Paulo II “Acreditar na família é construir o futuro!”.

Dom Moacir Silva Arantes

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Goiânia

 

Um minuto pela paz

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No dia 8 de junho, foi realizado em vários países o “Um minuto pela paz”, que recorda o terceiro aniversário do encontro entre o Papa Francisco, o patriarca Bartolomeu e os presidentes da Palestina, Abu Mazen, e de Israel, Shimon.  O momento histórico aconteceu em 2014 no Vaticano e marcou um encontro de oração pela paz entre cristãos, judeu e muçulmanos. O próprio Santo Padre convida todo o mundo a se unir neste pequeno momento de oração, pois existe uma grande necessidade de rezamos pela paz.

Ao homem – e nesse sentido refiro-me à raça humana, sendo homem ou mulher – o Pai Eterno concedeu o dom da inteligência, que pode ser utilizada tanto para o bem, quanto para o mal. A cada dia que passa nos surpreendemos com tantas coisas que vêm acontecendo e que podem desencadear para algo muito maior e mais sofrido, como uma guerra mundial.

Longe do Brasil, vemos pela mídia uma grande violência, que ataca povos e nações por meio de atentados, ataques terroristas. Já aqui, em nossa própria casa, nosso próprio país. É muito forte o sentimento de insegurança das pessoas quando saem às ruas. Muitos são aqueles que se aproveitam da vulnerabilidade alheia e acabam roubando, ferindo e até mesmo matando. Sem contar ainda a violência que conseguimos perceber ao avaliar o quadro político do nosso país. Muitos políticos encaram o poder, que foi dado a eles pela própria sociedade, como um passaporte para a fonte do benefício próprio.

As pessoas perderam a noção do amor. Não se preocupam mais com o outro, nem mesmo consigo mesmas. Vivem a cultura da violência física e também da violência moral.

Nós, que somos cristãos, devemos lutar pelo amor. Só ele pode transformar os corações e dar sentido à existência humana. É preciso que compreendamos o verdadeiro sentido do outro em nossas vidas para que nos tornemos mais sensíveis e humanizados. Só seremos capazes de chegar a Deus servindo ao nosso irmão.

Precisamos nos colocar no lugar do outro para que sejamos capazes de entender as suas necessidades. Somente assim, será possível encontra o caminho que leva ao amor verdadeiro que vem do Divino Pai Eterno.

A Romaria de Trindade é uma forma de encontramos o caminho que leva ao amor verdadeiro que vem do Divino Pai Eterno. Durante os dez dias de festividades, milhares de romeiros vêm a Trindade como forma de manifestar sua fé. São diversas as formas de orações, pedidos, louvores e agradecimentos. Uma oportunidade fundamental para reunir, com muita emoção, irmãos de vários lugares que, com o mesmo intuito, visitam a Casa do Pai para proclamar e reavivar a sua fé.

Aproveitemos esta oportunidade para encontrar dentro de nós mesmos a paz que buscamos no mundo. Esta pode ser uma verdadeira experiência de encontro e total entrega ao Pai, tendo como exemplo a Virgem Maria, que este ano é homenageada e nos ensina a dizer ‘sim’ para a vontade de Deus em nossa vida. Ela, que é a serva humilde e fiel ao Pai Eterno nos dá a certeza de que Ele nos ama e nos recebe de braços abertos.

Vamos fazer com que esse amor se prolifere. Amemos a Deus e também aos nossos semelhantes. Que em todos os ambientes onde estivermos nós possamos nos tornar fonte de paz e canal da graça que o Pai Eterno quer derramar na vida de nossos irmãos. E que juntos possamos fazer uma corrente de oração para fortalecer a nossa fé e pedir pelos irmãos que tanto sofrem por conta de toda a maldade existente no mundo.

Não percamos a fé em Deus e não percamos a fé também na humanidade. Aceitemos o chamado que nos faz o Santo Papa para rezar pela paz, não somente por um minuto, mas sempre. Lutemos pela paz, confiando na bondade e misericórdia do Pai Eterno e aceitando a única condição que Ele nos impõe, que é espalhar pelo mundo o amor misericordioso e incondicional que Ele mesmo oferece a cada um de nós.

Deus nos abençoe!

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e

Presidente-fundador da Afipe

Maria: Serva humilde e fiel ao Pai Eterno

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Estamos em Festa! É a cidade de Trindade, o nosso querido Estado de Goiás e todo o Brasil com o olhar voltado para as maravilhas que o Pai Eterno realiza na humanidade através do “Sim” de Maria. É tempo de graça e salvação. É o coração do Brasil e o coração do povo brasileiro unido fortemente ao Coração de Deus, nosso Pai. Maria: serva humilde e fiel ao Pai Eterno, é o tema central da Romaria 2017,um tema que está em sintonia com a Igreja no Brasil que celebra o Ano Mariano e os 300 anos do achado da imagem de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP). E em comunhão com toda a Igreja que celebra os 100 anos das aparições de Fátima, em Portugal.

Durante nove dias de Novena e Festa, vamos contemplar no Santuário Matriz e no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, através da imagem da Santíssima Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo coroando Nossa Senhora. E, refletir cada passo dado por Deus através de Maria – que é o símbolo maior de cada pessoa que recebe um dom, um chamado e uma missão especial – para colaborar com Deus na obra da redenção da humanidade. Na contemplação da imagem, a nossa fé nos leva ao Mistério da Igreja, nascida do coração do Pai, que envia Seu Filho e o Espírito Santo, para em Maria iniciar a obra salvadora e redentora.

É o “mistério da Santíssima Trindade, o mistério central da fé e da vida cristã” (CIC nº. 234). Mistério de fé, pois “nela, Deus se revela, mas permanece mistério inefável” como nos diz Santo Agostinho. Podemos nos perguntar, então: o que a Trindade tem a ver com nossa vida? Nós estamos intimamente unidos à Trindade Santa, por intermédio de Maria, nossa Mãe Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja. Nela está representada, a pessoa humana e ao mesmo tempo a Igreja que tem no mundo a missão de continuar anunciando Jesus Redentor a todos os povos e nações. E, um dia a vivermos eternamente no coração de Deus.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumem Gentium, mostra o “mistério da Igreja como comunidade visível e temporal, reveladora do invisível e do eterno: Maria, Mãe de Cristo e da Igreja”. Na imagem, contemplamos a coroação de Nossa Senhora. É a expressão de que Ela é associada, pela Maternidade Divina, ao Mistério da Trindade. De Maria, nasce o Filho de Deus. Mãe de Jesus Cristo, participa Maria de todo o Mistério da Encarnação do Verbo e, na escuta e na meditação da Palavra de Deus, participa do surgimento do Povo de Deus a partir da própria Palavra divina: “Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.

Como chave de leitura e pista para reflexão, meditação e exposição do tema deste ano, focamos no chamado que o Pai Eterno fez à Maria para ser corredentora dele no processo de salvação da humanidade. E, como Maria correspondeu a esse chamado dando-nos o exemplo de disposição livre, consciente e obediente à vontade do Pai Eterno em sua vida, que “pela sua fé e obediência, gerou na terra o próprio Filho de Deus Pai, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo” (LG 63).

Antes de ser serva humilde e fiel, Maria é antes de tudo filha de Deus. Condição que a coloca em unidade perfeita de amor para com seu Filho Jesus que se fez o servo, humilde e sofredor de Isaías (cf. Is 52). Foi pensado com muito carinho, cuidado e atenção uma vez que a Romaria é dedicada ao Pai Eterno. Por isso, o destaque principal e dado à Ele do qual tudo procede, donde tudo vêm, passa por Ele e volta-se para Ele (Rm 11,36). Deus é o único Senhor (Dt 6,4). E, se não for único, diz Tertuliano, “não é Deus”.

Na Bíblia, o ser humano é o centro das atenções de Deus. Nós ocupamos, não por méritos nossos, mas por pura graça divina, um lugar especial no seio da Santíssima Trindade. Quando Deus nos chama, Ele chama porque vê em nós alguma valia. Ainda, que feitos do pó e do barro da terra, ele conta conosco para sermos colaboradores Seus na obra da redenção da humanidade. Para que Sua colheita seja farta, Ele sabe exatamente em qual tipo de solo pode semear suas sementes de forma que elas produzam frutos na proporção de cem, sessenta e trinta por um (Mt 13, 1-9).

Ao olhar para o primado de Deus que convida Maria para ser a Mãe do Salvador, vemos Nela  a representação de toda a Humanidade e também da Igreja de Cristo onde vivemos e celebramos nossa fé no Ressuscitado. E, tomamos consciência de que somos humanos, frágeis, pecadores, limitados, porém, convocados à santidade e convidados a participar no céu da comunhão sem limite e sem fim que o próprio Pai Eterno nos preparou.

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

 

“Eis aqui a serva do Senhor”

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Em toda a história cristã existem vários exemplos de fé e oração a serem seguidos por nós, cristãos e filhos amados do Divino Pai Eterno. Podemos dizer que Maria foi o maior deles, pois ela foi uma mulher de muita fé. Essa é uma das principais características que devemos guardar de Nossa Senhora, que foi uma mulher que viveu toda sua vida incentivada pela sua fé.

Pela fé, Maria se dispôs a servir a Deus. Com seu coração bondoso e humilde, mesmo antes de receber o anúncio de que seria a Mãe de Deus, ela já sabia que era especial, que era filha amada do Pai Eterno e que Ele tinha um plano para a sua vida. E quando esse plano veio, foi muito além de suas expectativas comuns, assim como acontece muitas vezes em nossas vidas.

O que tornou aquela jovem moça de Nazaré grandiosa foi dizer “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1,38). A partir daquele momento, em toda a sua vida, ela viveu momentos de tensão, angústias e sofrimentos causados pelo peso da responsabilidade que ela havia assumido ao dar o seu “sim”. Mas, no meio de todos os sofrimentos e angústias que ela viveu, também houve muitas alegrias e a certeza de que o Senhor estava com ela e honraria a sua obediência.

Apesar das dores e tristezas pelas quais Nossa Senhora passou ao ver tudo o que seu Filho Jesus passou, ao se entregar, morrer na Cruz e ser sepultado; ela rezou e confiou nas promessas de Deus. Por isso, seu coração ficou vibrante de alegria, quando soube da notícia da ressurreição de Cristo. E, por toda sua fé e seu exemplo de Mãe e de serva do Senhor, ela viu toda sua vida ser coroada com a dignidade de ser proclamada Rainha dos filhos amados do Divino Pai Eterno.

Em nossa Mãezinha do Céu reside a dor, mas também o júbilo e o louvor, porque ela era uma mulher de esperança e ela nos ensina que nós também, em nossas dores, nunca devemos perder a esperança. Se passamos pelos problemas da vida sem fé no coração, tudo o que nós vivenciamos é vão. Não nos leva a nada. Não nos ensina nada, nem nos faz crescer.

Hoje, podemos contar com a intercessão de Maria para nossas vidas, nossas famílias, nosso trabalho. Ela não é maior que Deus, nem quer ser. O desejo de Maria é apenas que todos nós possamos entender que Jesus deve ser o Senhor de nossas vidas e de nossas histórias. E que, compreendendo essa verdade, possamos nos abrir ao amor Dele e deixar que Ele nos guie pelo caminho que nos leva ao Reino dos Céus.

E é pela força de nossa oração que conseguiremos estar em comunhão com Deus. O poder da nossa oração é o que age em nossa vida. A oração é uma maneira importante de nos ajudar em nossa comunicação com Deus. É o que nos ensina a ouvir o Senhor, a escutar a voz do Divino Pai Eterno que quer se comunicar com cada um de nós. O próprio Jesus orava, falava com o Pai Eterno, tinha uma intimidade muito grande com Deus. “Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus” (Lc 6,12).

Assim como falou com Maria e com Seu Filho, o Pai quer falar com você. Ele quer que você o ouça, que abra o seu coração e abra também as possibilidades para que o Seu amor entre na sua vida e transborde dentro de você. O Senhor quer fazer de você uma pessoa diferente deste mundo, diferente das pessoas que não acolhem Sua Palavra e Seus ensinamentos. Diferente daqueles que não oram, que não buscam a Ele com alegria e com o desejo profundo de uma comunhão eterna.

Todos nós, que somos filhos amados do Pai Eterno, somos convidados a realizar boas obras e a estar em comunhão com Deus. E a seguir o exemplo de Nossa Senhora que se fez serva do Senhor, por meio da sua fé e oração. E é por meio da oração que somos capazes de estar em sintonia com Maria, com Jesus e com o próprio Deus. Essa comunhão é o que muda nossa mentalidade, nosso jeito de ser, nossas atitudes, nosso modo de julgar, de entender e nos reportar às pessoas. Comunhão que nos faz reconhecer quem somos realmente e a entender qual é a missão que Deus tem para nós, neste mundo.

Quando observamos a nossa vida, somos capazes de perceber nossa pequenez e nossa miséria humana e a grandeza do amor de Deus que, mesmo em nossas dores, fraquezas e dificuldades, abraça a nossa vida. Confiemos a nossa vida nas mãos do Senhor, por intercessão da Virgem Santíssima e reconheçamos que nada somos sem a presença de Deus em nossas vidas.

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

“Acreditam na vida antes da morte?”

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Muito desconcertante a pergunta, não? José Tolentino Mendonça (presbítero, poeta e teólogo), em seu livro: “Nenhum caminho será longo – para uma teologia da amizade”, relata ter sentido “um baque” ao vê-la “grafitada num muro”. Ao ler tal pergunta, confesso não ter entendido muita coisa também. Instigado, quis aprofundar em sua compreensão uma vez que o autor pouco discorre sobre ela. Terá sido escrita por algum ateu cujo objetivo principal era opor-se ao cristianismo que acredita na Ressurreição e na Vida Eterna, ou afirmar que existe vida somente neste mundo?

Depois de muito refletir sobre o assunto, aplicando à pergunta um sentido cristão, cheguei à conclusão de que é tão bom quanto necessário crer na vida antes de morte. Com o objetivo de ouvir outras opiniões, fiz a mesma pergunta a várias pessoas. Algumas ficaram surpresas. Outras, em silêncio. Apenas o Seu. Vivaldino de Souza Canêdo, num sorriso largo, quase que sem pensar disse-me: “Claro que sim. Senão eu não plantava, eu não criava o meu gado, eu não tinha construído uma família”. E, finaliza: “É muito bom acreditar na vida após a morte, mas eu tenho que acreditar na vida também enquanto estou vivo senão eu não faço nada e fico parado só aguardando o meu dia de morrer”. Verdade, pois “quem não quer trabalhar, não coma” (2Ts 3,10a).

Nossa fé nos leva a crer que a vida é um grande dom recebido de Deus através do qual tudo foi criado por iniciativa d’Ele e tudo converge-se para Ele na pessoa de seu Filho Jesus com quem precisamos urgentemente aprender a viver. Pagola acentua que “a vida de um cristão começa a mudar no dia em que descobre que Jesus é alguém que pode ensiná-lo a viver”. Sendo assim, desde o primeiro milagre nas Bodas de Caná (Jo 2,1-11), à ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45) e sua entrega no alto da Cruz (Mt 27, 45-55), Jesus nos mostra claramente que tudo fez para devolver a vida à pessoa humana ferida em sua condição frágil, limitada e pecadora.

Deus criou a vida antes da morte. Ela, a morte, só entrou no mundo após a desobediência (o pecado) de Adão e Eva. E, quando tudo parecia perdido, enviou Seu Filho Jesus ao mundo para dar vida nova a quem estava morto, pois “assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho do Homem também dá a vida a quem Ele quer dar” (Jo 5,21). A mãe que espera o nascimento do seu filhinho, o semeador que sai pelos campos a semear, a professora a ensinar, o pai a amar, instruir e educar, o médico a tratar o paciente, o pregador a espalhar a Boa Notícia de Jesus… São apenas alguns exemplos de pessoas que acreditam na vida antes de morte.

O Pai Eterno não se cansa de nos chamar à construção de um mundo novo pautado nas coisas simples, puras, verdadeiras e despojadas de quaisquer interesses que não sejam os de sua própria vontade. Para realizar essa vontade de Deus em nossa vida é preciso crer e aprender a amar na liberdade que Cristo nos propõe, à qual é antes de tudo, a libertação da cegueira espiritual. Desde já possuímos a vida eterna. No entanto, não haverá vida futura caso ela não seja bem construída no tempo presente como consequência das boas ações solidárias que realizamos em favor dos irmãos e irmãs menos favorecidos através dos carismas, talentos e dons recebidos de Deus (Mt 25, 14-30).

O amor é a base de tudo. Ele nos faz livres e felizes. Quem acredita na vida faz as coisas acontecerem. Água de chuva que cai do céu e escorre veloz sobre a calçada não pode molhar a terra. Vida que não se permite renascer a todo o momento permanece apenas em seu estado potencial de vida sem nunca vir a ser. Jesus veio ao mundo para reconduzir de volta ao aconchego paterno àqueles que perderam o sentido de viver e estando no mundo vivem como se não vivessem: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10a).

A condição básica, então, para alcançar a Vida Eterna (a Páscoa e Ressurreição de Jesus) antes mesmo de morrer? Mendonça diz que, “alarga infinitamente acreditar que há vida depois da morte. Porém, se eu, por algum motivo, desistir de confiar que existe vida (isto é, possibilidade de vida verdadeira) antes da minha morte, tudo fica estranho, escuro e perdido”. O caminho é aprender a viver com “Jesus, o Mestre do gratuito”. Segundo ele, o “ato gratuito” que Jesus nos ensina com sua morte de Cruz “é um gesto que nos salva e subtrai-nos à ditadura das finalidades que acabam por desviar-nos de um viver autêntico e nos faz mergulhar no Ser que nos dá acesso à polifonia da vida, na sua variedade, nos seus contrastes, na sua realidade densa, na sua inteireza”!

Pe. Edinisio Pereira 

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Ressuscitou, aleluia!

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A ressurreição de Cristo trouxe algo novo ao mundo. A partir deste acontecimento podemos dizer com sinceridade que para Deus nada é impossível, pois até na morte Ele deu jeito. O homem encontra neste acontecimento a “esperança” necessária para nunca desistir e sempre seguir em frente.

Alguns exemplos humanos, como diz Raniero Cantalamessa, podem nos ajudar. Uma pessoa passa por uma doença grave ou o temor de ter uma doença grave. Depois dos exames lhe é revelado que os temores são infundados e imediatamente ela retoma o seu trabalho e a vida quotidiana. E dizemos: ressuscitou! Um político, um atleta, sofre uma derrota desconcertante. Todos o dão por acabado. Mas eis que volta e com uma vitória estrondeante. E dizemos também dele: ressuscitou!

Cada uma dessas situações humanas nos ajuda a entender alguma coisa da ressurreição de Cristo. Seja o retorno à vida, a vitória sobre os inimigos, o triunfo do amor, mas sabemos que a ressurreição de Jesus é infinitamente mais do que tudo isso. E se existem tantas pequenas ressurreições na vida – e também na nossa –, é porque temos a ressurreição de Cristo. Essa é a causa de todas as ressurreições.

Maria Madalena quando viu o túmulo de Jesus vazio tinham pensado que alguém o roubara. Não lhe veio na mente que Ele poderia ter ressuscitado (cf. Jo 20,13). Quando os discípulos de Emaús desciam de Jerusalém para Jericó, eles estavam decepcionados, pois esperavam que Ele fosse restaurar Israel, mas já era o terceiro dia que tudo aquilo acontecera. Estavam decepcionados, desiludidos e desanimados (cf. Lc 24,21). Voltavam para casa para esquecer tudo o que acontecera. Mas, quando João, o discípulo amado, entrou no túmulo vazio diz a escritura que ele viu e creu (cf. Jo 20,8). Viu e creu porque o amava. Porque caminhou perto do Senhor por todo o tempo e Deus lhe deu o dom de acreditar. Lembremos que ele permaneceu aos pés da cruz do Senhor no momento da crucificação.

A ressurreição de Cristo nos chama a caminhar com Ele na nossa vida quotidiana, na oração pessoal e comunitária, na vivência dos sacramentos, na plena comunhão com Ele, pois se com Ele morremos com Ele também ressuscitaremos (cf. Rm 6,8). João era muito próximo do Senhor e bastou um pequeno sinal para ele entender que estava se realizando tudo quanto o Senhor havia anunciado. Ele viu e creu. Os outros encontraram outras respostas, todas erradas. João encontrou a resposta certa.

É uma exortação a caminharmos unidos ao Senhor na oração, pois é Ele quem nos dá a graça de, nas pequenas coisas, encontrar grandes respostas. Os outros viam sinal de desaparecimento, de roubo, de desânimo e de morte. Ele viu sinal da esperança e de vida. Algo novo brotou no seu coração e ninguém mais tirou isso dele. Que a ressurreição de Cristo neste ano de 2017 aumente em nós também a certeza, para que nas pequenas coisas do dia a dia saibamos ver sinais de ressurreição. E que digamos sempre e juntos: “Cristo Ressuscitou! Aleluia, aleluia!”

Feliz Ressurreição a você.

Pe. Dilmo Franco de Campos

Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianney e Seminário Propedêutico Santa Cruz

 

A plenitude do amor e a doação de si mesmo

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A Quaresma é um período em que a Igreja nos convida a intensificar nossa vivência do amor de Deus, contemplando os mistérios e os ensinamentos deixados por nosso Senhor Jesus Cristo. A experiência de viver uma vida pautada e guiada pelo Pai Eterno deve acontecer durante todo o ano. Mas, o Calendário Litúrgico da nossa Igreja tem uma maneira didática e especial de nos ajudar a relembrar o quanto o Pai Eterno nos ama a ponto de enviar Seu Filho, que passou por tantas provações e sofrimentos, para nos redimir dos nossos pecados.

E é justamente neste tempo em que estamos agora, da Quaresma, que temos a oportunidade de refletir profundamente sobre a vida, paixão e morte de Jesus. Isso acontece porque somos convidados a colocar em prática os Seus ensinamentos, e todo aquele que se assume cristão tem a incumbência de dar continuidade à missão de Jesus.

Desde a encarnação até a ressurreição, o Pai Eterno operou as Suas maravilhas na vida de Cristo e daqueles que o seguiam, para revelar todo o Seu amor pela humanidade. Em Jesus, está a plenitude de todas as promessas de Deus para a vida daqueles que se fundamentam no amor maior, que é Deus Pai.

Através de Seu Filho, Jesus Cristo, Deus se fez homem, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue, história da nossa história, com o objetivo de nos salvar a partir da nossa condição existencial. Com Suas atitudes de amor ao próximo, com as curas e o acolhimento aos pobres e aos doentes; e Sua proximidade com Deus, por meio do jejum e da oração; Jesus nos mostra como devemos agir para estar no caminho que leva ao Pai. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

Nesse sentido, devemos ser como Jesus buscar vivenciar o jejum, a caridade e a oração, especialmente neste quaresmal. Neste período, Igreja nos ajuda a viver essa plena conversão que não está relacionada somente ao meu próprio ser, mas a como eu me posiciono e ajo em comunidade, fazendo o bem aos irmãos e irmãs.

Não podemos discriminar as pessoas por seus pecados, ou por suas limitações. Ao contrário, temos que acolhê-las de forma plena, amorosa, humilde e verdadeira. É justamente por isso, que a Igreja propõe aos cristãos que vivenciem, durante os 40 dias, a oração, o jejum e a caridade. Pois, essas são formas de dar continuidade à missão iniciada por Ele aqui na Terra. Devemos pedir ao Pai Eterno que nos dê o dom da sabedoria para que não façamos nada com o sentido de envaidecer o nosso coração, mas, somente, para agradar o coração de Deus.

Na Liturgia deste tempo, Jesus nos ensina que nossas ações não devem ser para engrandecimento pessoal, mas, para a glorificação de Deus. “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu” (Mt 6,1).

Entre Jesus e a pessoa humana não há um troca de papéis ou uma inversão de valores, mas, sobretudo, uma entrega cotidiana de duas vidas, que se unem e se assumem em um único caminho rumo ao Coração do Pai Eterno. É esse o grande desafio que assumimos ao escolher a vida cristã, o de amar. Enxergar Jesus no irmão e ser Jesus para ele.

Cristo é a fonte do amor mais pleno e é Nele que devemos nos abastecer. Ele não foi um simples mensageiro. Ele é a própria mensagem de amor que o Pai Eterno nos enviou e que se mantém viva em nossos corações, por meio do Espírito Santo. Somente por meio da experiência da fé vinculada à razão, é que seremos capazes de enxergar Jesus no outro. A partir do momento que aceitamos viver e entender o Seu amor, se torna mais fácil agir conforme os ensinamentos Dele.

Tenhamos a firmeza da fé para mergulhar nessa fonte do mais puro amor, que são os exemplos deixados pelo próprio Jesus: fé, amor, oração e caridade. Reflitamos sobre a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré e aprendamos com Ele a viver como filhos queridos e amados do Pai Eterno!

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás

Quaresma: um convite à conversão

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A vida oferece tempo e espaço para tudo e para todos. Neste sentido, nós Cristãos Católicos estamos vivenciando neste mês de março o Tempo Litúrgico da Quaresma. Ocasião oportuna para a prática da oração, do jejum e da caridade.  Um verdadeiro convite à conversão. Para que isso aconteça de modo satisfatório como a Igreja nos propõe, é preciso um profundo exame de consciência, uma corajosa revisão de vida e coração para celebrar dignamente a Páscoa de Jesus que também é nossa Páscoa e Ressurreição.

Existem situações nesta vida que não valem a pena insistir nelas. Inicialmente, por mais agradáveis que sejam, só nos causam dores, sofrimentos e amarguras. A tomada de consciência dos fracassos, erros, tropeços, quedas e pecados que cometemos dia a dia é o ponto de partida para uma sincera conversão de vida e coração. Cada um de nós somos conhecedores de nós mesmos. Por isso, sabedores do que é que nos pesa a consciência mediante situações faladas, praticadas ou omitidas para conosco mesmos, para com nossos irmãos e irmãs, e especialmente para com o Divino Pai Eterno.

Estradas retas construídas em relevos altos e planos quase sempre são perigosas e traiçoeiras. Aparentemente, dispensam atenção e cuidados para uma boa direção defensiva. Na vida, não é diferente. Aquilo que por hora se nos apresentam como realidades atraentes e prazerosas, em sua maioria são seduções enganadoras que nos conduzem à emboscadas fatais, às quais dificilmente sairemos delas ilesos, sem ranhuras, machucões ou fraturas.

Um objeto qualquer adquirido na condição de ouro, após revelar seu verdadeiro estado de bijuteria, escurece. Ao escurecer, gera no coração de quem o adquiriu um profundo sentimento de desilusão, pesar e frustração.  Seu fim último é o desprezo. O descarte total como se faz com um pedaço de pano usado que é jogado fora no fundo de um quintal, que com o passar dos tempos desaparece sem deixar vestígios, marcas ou sinais de que um dia existiu ou fez parte de história alguma.

Converter-se é mudar de um estado de vida para outro. É crer que o Pai Eterno não se cansa de nós nem de nos perdoar. É crer, confiar e aguardar pacientemente o julgamento final após nossa partida desta vida. Julgamento que não existe para nossa pronta, imediata e irrevogável condenação. Mas, para nos curar, redimir, libertar e salvar. É saber que uma vez absolvidos de nossas antigas culpas, somos conduzidos por Deus e seus anjos à Pátria Celeste, meta fundamental e esperança feliz de todos nós. É saber ainda que a condenação parte justamente do coração empedernido que rejeita e recusa o resgate da mansão triste dos mortos pelo Sangue do Cordeiro imolado na Cruz.

A conversão é condição interior que tem início nos acontecimentos simples, pequenos e diários da vida. Começa dentro de nós até alcançar o coração de Deus. Agora, se para uma transformação radical de vida for necessário mudança de casa, bairro, cidade, estado ou país, que assim o procedamos. No entanto, que deixemos para trás o objeto que nos oprime, escraviza e nos faz pecar e sofrer.  Do contrário, de nada adiantará tal esforço se ele for levado conosco. Terá sido uma luta em vão. Conforme o ditado popular, teremos apenas “mudado cebola de lugar”.

A chave que abre passagem para uma vida nova?  O perdão dado e recebido: o de Deus e dos irmãos e irmãs. Não há muros nem barreiras que resistem à força do perdão. Uma vez ao chão, o amor se encarrega de limpar definitivamente os escombros produzidos por elas. E elimina, de uma vez por todas, quaisquer sombras de vestígios, sinais, dúvidas ou cicatrizes deixadas em nossos corações. Perdoar não é fácil. É tarefa lenta, demorada e para poucos. Somente quem muito ama e vive conforme os ensinamentos de Jesus conseguem fazê-lo.

O perdão salva duas vezes. Ao que sofreu a ofensa e a quem ofendeu. Olhemos para a parábola do Pai Misericordioso do Evangelho de Lucas (Lc 15,11-32). Nela, percebemos nitidamente que o perdão do Pai Eterno devolveu a Ele a chance de ser Pai. E, ao filho arrependido a possibilidade de novamente vir a ser filho. No perdão dado e recebido, Pai e filho voltaram a ser família. Os dois juntos, igualmente se salvaram.

Procedendo-nos de tal modo, iremos perceber que em face às agitações, tribulações, tentações e aflições desta vida, haverá tempo e espaço suficientes para ouvir os apelos de Deus à conversão, e acolher a salvação gratuita que Ele tem reservada a cada um de nós desde toda a eternidade!

Pe. Edinisio Pereira

Reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno

Trabalho, princípio ordenador da sociedade

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O Papa Francisco desde o início do seu pontificado teve a preocupação de que os católicos conhecessem mais sobre a Doutrina Social da Igreja. Pediu, apoiou e divulgou o “Docat”, uma obra muito interessante para que os jovens tivessem acesso a estes assuntos. Nesta linha, apresentamos hoje algumas reflexões sobre o trabalho humano e a sociedade.

O trabalho de um homem se entrelaça naturalmente com o de outros homens: “Mais do que nunca, trabalhar é uma ação com os outros e um tarefa para os outros: torna-se cada vez mais um fazer qualquer coisa para alguém” (São João Paulo II, Centesimus annus, 31).

O trabalho, portanto, é o princípio ordenador da sociedade. Também os frutos dele oferecem ocasião de intercâmbio, de relações e de encontro. O trabalho não pode ser avaliado equitativamente, se não se leva em conta a sua natureza social. Essa noção de trabalho se encontra hoje em perigo, porque existe uma corrente de pensamento economicista que pensa que ele deve produzir somente renda.

O economicismo, ao colocar o imperativo do crescimento econômico como finalidade absoluta, subverteu as finalidades do trabalho. Fez do progresso econômico a “lei suprema”.

A sociedade, ao afastar-se de Deus, caiu nessa perspectiva economicista, na qual o trabalho é visto apenas como força e aparece subordinado exclusivamente à sua finalidade econômica. Nesse ponto de vista, o trabalho humano tem até menos valor que uma máquina. O trabalho, na perspectiva do economicismo, degrada.

“Cristo não aprovará jamais que o homem seja considerado – ou que se considere a si próprio – unicamente como instrumento de produção; que seja apreciado, estimado e avaliado apenas segundo esse princípio. Cristo não o aprovará jamais! Por isso mesmo, deixou-se pregar na Cruz (…) para opor-se a qualquer degradação realizada mediante o trabalho. Cristo permanece perante os nossos olhos na sua Cruz para que todo homem seja consciente da força que Ele lhe deu: “Deu-lhes o poder de vir a ser filhos de Deus” (Jo 1, 12. Cf. São João Paulo II, Homilia aos operários de Nova Huta, 9-VI- 1979).

São João Paulo II, na encíclica Laborem Exercens, denunciou o economicismo, condenando ao mesmo tempo o liberalismo capitalista e o coletivismo marxista. Este último seria apenas mais radical, pois tem a audácia de dizer-nos que é precisamente o trabalho entendido apenas como fator de produção, o que é o homem e o que haverá de realizar para sua libertação.

O economicismo defende a economia pela economia e, ao fazê-lo, reduz o homem a suas relações econômicas. Mas a Doutrina Social da Igreja ensina que o trabalho não somente procede da pessoa, mas é também ordenado a ela e a tem por finalidade.

O trabalho deve ser sempre orientado para o sujeito que o realiza, pois, a finalidade do trabalho, de qualquer trabalho, permanece sempre o homem. Não se pode negar que existam componentes objetivos do trabalho, mas tudo isso deve estar subordinado à realização do homem.

Portanto, é possível afirmar que o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho, e que a finalidade do labor, de todo e qualquer que seja ele realizado pelo homem – ainda que seja o mais humilde, o mais monótono na escala do modo comum de apreciação e até o mais marginalizado – permanece sempre o próprio homem. (São João Paulo II, Carta enc. Laborem Exercens, 6)

A prova disso para nós católicos é a famosa cena da Última Ceia do Senhor, em que Jesus lava os pés dos seus Apóstolos para ensinar que o trabalho, desde o mais humilde ao mais especializado, é antes e acima de tudo um serviço ao nosso próximo. (Jo 13, e ss).

 

Dom Levi Bonatto

Bispo auxiliar de Goiânia

Equilíbrio físico e espiritual

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Em fevereiro, dia 11, a Igreja celebra a Virgem Santíssima sob o título de Nossa Senhora de Lourdes. Neste mesmo dia, é também o Dia Mundial do Enfermo. Quando rezamos por alguém que precisa de saúde, não podemos nos limitar somente a pensar naqueles que possuem doenças no corpo, precisamos também pedir por aquelas pessoas que necessitam da saúde na alma.

Resumindo, estou falando do equilíbrio físico e do equilíbrio espiritual. Duas coisas fundamentais para que consigamos ter uma vida tranquila, feliz e saudável. Isso, porque um está ligado ao outro. Ou seja, quando estamos doentes no corpo, ficamos tristes, abatidos. Existem vários casos de pessoas que, quando ficam doentes fisicamente, tendem a ficar pessimistas, depressivas.

Não é por acaso que o Dia Mundial do Enfermo é no mesmo dia em que celebramos a memória de Nossa Senhora de Lourdes. Ela é a padroeira dos enfermos. Conta a história que, em 1858, em uma tarde muito úmida e muito fria, no interior da França, Nossa Senhora fez uma visita agraciada a uma menina muito humilde, frágil e pura, chamada Bernadette Soubirous.

A menina saiu com uma irmã e uma amiga para procurar lenha, gravetos para aquecer o lar, que era um costume muito frequente na Europa, naquele período. Elas estavam em um local um pouco afastado da cidade e Bernadette foi atraída por uma luz saindo de uma gruta. Foi então que ela viu uma linda mulher de branco, com uma faixa azul e um terço na mão. E esta mulher linda e admirável convidava à oração. A jovem começou a rezar e quando terminou a oração, a senhora desapareceu. Bernadette ficou cheia do Espírito Santo e muito feliz com aquele acontecimento que encheu seu coração de paz, amor e esperança.

As aparições foram se repetindo nos dias seguintes, até que em um dos momentos a Virgem pediu à menina que cavasse o chão da gruta e naquele exato local, brotou uma fonte que jorra águas abençoadas até os dias de hoje. A própria Bernadette, que era uma jovem doente, foi curada ali. São milhões de peregrinos que visitam Lourdes todos os anos em busca de bênçãos, curas e verdadeiros milagres. Ali é um marco do amor do Divino Pai eterno, por intermédio de Maria Santíssima.

Além das curas, que deram a Nossa Senhora de Lourdes o título de padroeira dos enfermos, a mensagem trazida ao mundo, por meio da visita a Bernadette, consistia, principalmente, no convite à conversão e à oração do terço. Outro ponto fundamental da aparição no interior da França foi quando a Virgem se identificou como a Imaculada Conceição, o que se tornou motivo da confirmação desse dogma que havia sido proclamado quatro anos antes pela Igreja.

Nossa senhora é a Imaculada Conceição e, por meio de sua santa intercessão ao Divino Pai Eterno, conseguimos alcançar graças infinitas em nossas vidas. Devemos ter uma certeza: sem Deus, nada somos. Por isso, meu irmão, minha irmão, busque viver em uma comunhão com Deus. Saiba que nós não somos merecedores da graça de Deus e, mesmo assim, Ele nos concede e nos permite viver como verdadeiros abençoados, verdadeiros miraculados, como pessoas que são libertas de todos os males que possam vir a nos atingir.

Muitos são os que estão distantes, não participam, não rezam e não buscam a Deus. Busquemos o Senhor, porque nosso tempo é curto neste mundo e nós dependemos de Deus para sermos verdadeiros filhos amados, verdadeiros cristãos neste mundo, e não somente criaturas que caminham sobre a terra.

Peçamos, então, a intercessão de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira dos enfermos, por todas aquelas pessoas que estão doentes, debilitadas na saúde do corpo, para que tenham a capacidade levantar a cabeça diante das cruzes que carrega. Rezemos também por aqueles que necessitam da saúde da alma, pedindo ao Senhor que dê força e ânimo aos corações decaídos, às pessoas com depressão, para que não se sintam acabados, nem fracassados por causa de problemas em suas vidas.

Que, pela nossa fé e oração, o Senhor possa nos reerguer para que possamos caminhar na alegria de estar em Sua presença. Que nós sejamos pessoas saudáveis no corpo e na alma e que o Senhor coloque Sua mão misericordiosa sobre todos os que sofrem, para que alcancem aquilo que necessitam. Amém!

 

Pe. Robson de Oliveira

Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás e presidente-fundador da Afipe

 

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