AS MÃOS…

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“Há mãos que sustentam e mãos que abalam.
Mãos que limitam e mãos que ampliam.
Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados.
Mãos que se abrem e mãos que se fecham

Há mãos que afagam e mãos que agridem.
Mãos que ferem e mãos que cuidam das feridas.
Mãos que destroem e mãos que edificam.
Mãos que batem e mãos que recebem as pancadas por outros

Há mãos que apontam e guiam e mãos que desciam.
Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas.
Mãos que dão arrogância e mãos que se escondem aos dar.
Mãos que escandalizam e mãos que apagam os escândalos.
Mãos puras e mãos que carregam censuras.

Há mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir.
Mãos que pesam e mãos que aliviam.
Mãos que operam e que curam e mãos que “amarguram”.

Há mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio.
Mãos furtivas que traficam destruição e mãos amigas que desviam da ruína.
Mãos finas que provam dor e mãos rudes que espalham amor.

Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade.
Mãos que oram e imploram e mãos que “devoram” .
Mãos de Caim que matam.
Mãos de Jacó que enganam.
Mãos de Judas que entregam.
Mas há também as mãos de Simão Cirineu, que carregam a cruz,
e as mãos de Verônica, que enxugam o rosto de Jesus.

Onde está a diferença?
Não está nas mãos, mas no coração
É na mente transformada que dirige a mão santificada, delicada.
É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos de graça.
Mãos que se levantam para abençoar,
Mãos que baixam para levantar o caído,
Mãos que se estendem para amparar o cansado.
São como as mãos de Deus que criam, que guiam,
que salvam; que nunca faltam.
Existem mãos … e mãos …

As tuas, quais são ?
De quem são ?
Para que são ?”

A GRAÇA: DO PECADO À SALVAÇÃO!

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A vida na graça é um tema polêmico dentro do Cristianismo. Trata-se da experiência fundamental da fé na qual assumimos a vida em Deus como a maior realização do humano. A Graça Divina é um projeto pela plenitude da pessoa, dentro de uma existência mais digna e uma vida mais amorizada, mediante os critérios da verdade. A vivência da graça muda a nossa relação com o Divino e nos torna cada vez mais humanos. Ela é força motora que nos potencializa para enfrentar o cotidiano com dignidade, retidão e justiça.

Graça é uma palavra latina – gratia – e significa agrado. Em sua origem está a relação de pessoalidade com o Sagrado. Deus é reconhecido como Alguém próximo e não como uma realidade distante e aquém de nós. Diante da graça, o Mistério Divino torna-se o companheiro fiel do humano em um mundo cada vez mais desumano: um mundo esquecido de sua origem em Deus.

A graça nos faz assumir um novo modo de vida sob a ótica do amor. Dá-se um basta à tentativa de vitimar-se frente aos problemas, deixamos de lado o desejo infantil de sermos preferidos em tudo, acolhemos o dom da existência como manifestação biográfica do ser, perdoamos fatos dolorosos do passado, minimizamos situações periféricas do cotidiano e evitamos a problematização de determinadas circunstâncias que outrora nos abalariam a vida.

A graça é conduzida pela fé e testemunhada pelas obras. Uma não existe sem a outra. A graça sem fé fica vazia de seu conteúdo fundamental. Já distante das obras, perde a autenticidade defronte o movimento de amizade em relação à obra da criação. A junção da fé com as obras é a síntese da graça.

Pela graça é possível perceber a presença do bem em nós e o modo como temos imprimido o mundo com as marcas de Deus. Diante dela a vida ganha um norte e a esperança passa a ter sentido. Justamente por isso, se faz necessário compreender que a graça não é uma produção do intelecto, não é uma justaposição de ideias e muito menos uma manifestação miraculosa para além da história. Pelo contrário, ela é antes, o comparecimento simples de um Absoluto em nós e para nós. A graça nos faz crer em um Deus que luta e combate em nosso favor. Ferir o humano é dilacerar o coração do Divino: as nossas mágoas, tristezas, as alegrias e esperanças, pela graça, tornam-se a mágoa, a tristeza, a alegria e esperança de Deus. Por meio dela a nossa história é resgatada e torna-se História de Salvação.

A inserção no Mistério de Deus vem através da graça. Não é uma fusão ou uma simbiose, como diria Freud, mas, sobretudo, a doação de um no Outro, o encontro da finitude com o Infinito, do temporal com o Eterno, da vida com a sua Origem. A graça gera a comunhão rompida pelo pecado. “Enquanto que o poder do pecado esfacela o ser da pessoa e, através dele, a finitude se torna algo trágico para a vida, na graça ocorre a resignificação dos conteúdos da vida. Sendo assim, viver a graça de Deus é, em si, um estado no qual a pessoa também é salva das contradições da vida e dela mesma, ao mesmo tempo em que sua teia de relações é restaurada de forma a lhe permitir se afirmar na existência de maneira sadia” (Afrânio Gonçalves Castro). Figuradamente, seria a religação existencial do nosso cordão umbilical com os céus. E aqui está o papel fundamental da religião: fazer com que o humano não se esqueça do seu caso de amor com Deus.

No limiar da graça está a reconciliação “do céu e da terra, de Deus e do homem, do tempo com a eternidade” (Leonardo Boff). Uma reconciliação cósmica e interior de ambas as vidas no amor pela gratuidade, em que a existência “não é tragada pela eternidade, mas a eternidade é antecipada em cada minuto da vida” (Afrânio Gonçalves Castro).

Por fim não podemos enfatizar a graça como sonho utópico dentro de um mundo paradisíaco, sem problemas e totalmente resolvido. Precisamos sim, ressaltá-la como processo plenificador do humano, sabendo dos limites da história. Não somos salvadores da pátria, contudo, podemos nos tornar pessoas mais agraciadas pela verdade e mais íntegras pela justiça. É como diz a canção: Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei… Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem… Tem gente que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá. Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar… Tem gente enganando a gente. Veja nossa vida como está, mas eu sei que um dia a gente aprende. […] Quem acredita sempre alcança… […]. Nunca deixe que lhe digam: que não vale a pena acreditar no sonho que se tem ou que seus planos nunca vão dar certo ou que você nunca vai ser alguém… Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar, mas eu sei que um dia a gente aprende. Se você quiser alguém em quem confiar…” (Legião Urbana).

Nossa confiança é no Pai Eterno! Nele e por Ele somos resignificados como filhos e filhas da graça que gerou Jesus de Nazaré, pela força do Espírito Santo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

O PAI ETERNO CONFIRMA A NOSSA IDENTIDADE!

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Na imagem da Santíssima Trindade, reverenciada no Santuário, a figura do ‘Pai’ foi a que ganhou maior destaque ao longo destes 168 anos de história da devoção. Justamente por isso, é chamada de imagem do ‘Divino Pai Eterno’. Sabemos que não se trata de um reducionismo devocional, mas, sobretudo, do reconhecimento de que a linguagem paternal é a mais próxima da realidade humana: sedenta de amor e faminta de espiritualidade!

Ao analisar a imagem percebemos que o Pai é representado como uma figura experiente. Têm barbas e cabelos brancos, também é um pouco calvo. Traja um manto vermelho e uma túnica branca com detalhes dourados. Simbolicamente, a calvície não é resultante da hereditariedade, todavia, é uma forma poética de assegurar que o Pai Eterno gastou a vida pelos seus filhos redimidos e o continua até as últimas conseqüências. Os cabelos brancos são o sinal de que podemos confiar em Deus. Ele tem experiência suficiente para nos esclarecer, direcionar e elucidar no amor.

Na história, o vermelho era a cor oficial dos imperadores, denominada de púrpura imperial. A vestimenta do manto vermelho é sinônima apelativa ao poderio, à fortaleza bélica e à conquista territorial. No entanto, o poder do Pai é totalmente diferente daquele dos césares da história. Sua autoridade não é tirana, Sua força não é bélica, Sua história não é sanguinária, Sua conquista não é territorial. A atividade do Pai Eterno só pode ser enfocada na ótica de um amor desinteressado. A veste branca significa a pureza do amor contra toda sujeira putrefata do ódio. Os ornamentos dourados expressam a realeza do Pai, diversa de todo e qualquer poder político. Trata-se de uma realeza mais assemelhada ao poder altruísta do Deus que serve e ama o mundo.
E é neste amor que a vida ganha um norte e a esperança um sentido!

O Deus da Revelação Cristã é eternamente Pai. Trata-se da experiência mais bela e fecunda da fé, pois “nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). “Mostrar aos homens o verdadeiro rosto de Deus, tal como se revelou em Jesus Cristo, é sempre a mais importante tarefa pastoral da Igreja, em todo tempo e lugar” (D. Elias Yanes). No Pai confirmamos a nossa identidade de filhos, somos gerados no amor e integrados no Mistério que nos comunica Seu próprio ser.

Conhecemos o rosto de Deus por meio das palavras e da vida histórica de Jesus de Nazaré. Ele é o sacramento universal do Pai Eterno! Graças à Sua prática e prédica, na Palestina, podemos afirmar que não fomos abandonados à sorte da história nem somos órfãos de paternidade-maternidade existencial. Existe um Deus que nos ama, nos salva e nos cria na incondicionalidade do amor. Por mais que imaginemos estar desamparados economicamente, solitários no curso da vida ou esquecidos por aqueles que amamos, o Pai Eterno afirma: “Sião dizia: ‘Iahweh me abandonou; o Senhor se esqueceu de mim’. Por acaso uma mulher se esquecerá da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? Ainda que as mulheres se esquecessem eu não me esqueceria de ti. Eis que te gravei nas palmas da mão” (Is 49,14-16a).

Descobrir o amor do Pai essa é a nossa missão. Conhecer o rosto de Deus é o mesmo que tomar consciência da necessidade de amar e ser amado. “Sem jamais nos forçar, mas infinitamente interessado em nosso destino, Deus apóia-nos e acompanha-nos. Alegra-se em nossas alegrias, que são suas; luta em nós e conosco contra nossos fracassos” (Andrés Torres Queiruga). Deus não quis viver sozinho, por isso é comunhão de pessoas no amor ao encontro do humano.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

“A MAIOR DOR”

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A maior dor na vida não é morrer, mas ser ignorado. É perder alguém que nos amava e que depois deixou de se importar. É sermos deixado de lado por quem tanto nos apoiava. É constatar que esses são os resultados das nossas negligências.

A maior dor na vida não é morrer, mas ser esquecido. É ficar sem um cumprimento após uma grande conquista. É não ter um doce e amigo telefonando só prá dizer “olá”. É ver a indiferença num rosto quando abrimos nosso coração.
O que muito dói na vida é ver aqueles que foram nossos amigos sempre muito ocupados quando precisamos de alguém para nos consolar e ajudar a reerguer o nosso espírito.

É quando parece que nas aflições sobramos somente nós nos importando com nossas tristezas. Muitas dores nos afetam, mas isso pode não ser tão pesado se formos mais presentes e atenciosos: Cada um de nós tem um papel para desempenhar no teatro que chamamos vida.

Cada um de nós tem o dever de dizer ao outro que o amamos. Se você não se importa com seus companheiros de jornada, você não será punido: apenas acabará simplesmente ignorado … esquecido …… exatamente como faz com eles …

PS.: As palavras acima foram escritas por uma jovem que cometeu suicídio. Talvez se as pessoas que a rodeavam tivessem demonstrado um pouco de amor e tivessem lhe prestado mais atenção, sua morte poderia ter sido evitada.

Lembremos que podemos perceber nas expressões faciais quando alguém está triste, solitário e até mesmo com pensamentos de suicídio. Precisamos sentir mais profundamente cada pessoa que entra em nossa vida, dividir com ela nossa amizade, ser responsável por ela e dizer-lhe que ela é importante para nós.

Espero que você saiba que sempre estarei aqui. Você é muito importante para mim, mesmo distante. Ainda o nº do telefone é o mesmo, lembra?… e o endereço também.

Que Deus te abençoe!

BASÍLICA: CASA DA HUMANIDADE EM DEUS!

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De acordo com a história, as basílicas surgiram na Pérsia (atual Irã). Eram salas enormes, utilizadas para as audiências proferidas pelo rei, justamente por isso o nome de basileus (casa do rei). Devido à praticidade para reuniões e, por conseguinte, a capacidade em abarcar grande número de pessoas, estas salas foram copiadas pelos gregos. Contrariamente, na Grécia, as basílicas tornaram-se o lugar do encontro oficial de comerciantes mercantis e de autoridades políticas.

Mais adiante, foram os romanos que utilizaram da arquitetura basilical para construir os seus grandes fóruns, onde se administrava a justiça. Nas cidades importantes da Antiga Roma havia as Basílicas do Fórum Romano. Dentre elas se destacaram a Basílica de Júlia, dedicada a Júlio César em 46 a.C.; a Basílica de Emília, considerada um dos mais belos templos antigos, hoje só restam algumas partes e a Basílica de Constantino, reconhecida entre as últimas basílicas civis do fórum romano, erigida por Constantino I após obter a vitória sobre Magêncio, em 312 d.C. Essas basílicas compreendiam os tribunais civis e o local em que se organizava a administração burocrática do Império.

Com a assinatura do Edito de Milão, em 313 d.C., os cristãos deixam de ser perseguidos pelos romanos e ganham o título de religião lícita. Podiam, então, se reunir publicamente, o que antes faziam às escondidas. Em 380 d.C. o Cristianismo torna-se a religião oficial do Império e são muitos os que agora o procuram no intuito de se converter ao Evangelho e uma minoria com o interesse de assumir cargos públicos. Com o aumento do número de convertidos resta à Igreja adotar o estilo das antigas basílicas greco-romanas como arquitetura das novas Igrejas Cristãs. É o caminho paulatino das catacumbas às basílicas.

Etimologicamente a palavra “basílica” tem um caráter universal, mas é proveniente do antigo grego Βασιλική (basiliké) e significa casa do rei ou palácio dos imperadores orientais. No sentido teológico toda a arquitetura basilical deseja ser um resplendor simbólico de Deus no mundo. A Basílica almeja proclamar o Absoluto de Deus na primazia do humano. Ao mesmo tempo, ela não pode ser compreendida como um resquício dos tempos imperiais ou medievais da Igreja, mas, sobretudo como a manifestação da imagem sacral do mundo, das pessoas e da sociedade inteira sob a ótica de Deus.

A beleza das basílicas nos remete à beleza de Deus. Elas fazem parte do tesouro artístico cristão. São um “prolongamento do Mistério da Encarnação, da descida do Divino no criado” (Cláudio Pastro). Diferente das demais Igrejas, as Basílicas estão centradas dentro de uma arquitetura histórica, no valor artístico de seu espaço litúrgico e na peregrinação constante dos devotos. Não é melhor nem pior que as demais comunidades de fé, todavia foi nas basílicas que a arte se transformou em espiritualidade. As peças, os cantos, as formas mosaicas sempre foram a visível proclamação de que ali estava a casa de Deus entre os homens.

Não podemos negar que o fato de termos uma Basílica no coração do Brasil é uma grande confirmação da religiosidade do povo goiano. Sabemos bem que foi a partir da fé de uma família de lavradores e posteriormente de pobres camponeses que a devoção ao Divino Pai Eterno foi alicerçada. Os primeiros missionários do nosso Santuário foram os pobres, os humildes, os simples. Deus acampa primeiro entre os pobres para fazê-los ricos e questionar aqueles que se acham enriquecidos de bens, mas são pobres de amor: “e o amor da Trindade gerou uma família de irmãos e irmãs em Goiás; e tornou-se amor eclesial; e construiu uma Casa de Oração coberta com folhas de buriti para abrigar e acolher essa família; e depois tornou-se santuário; e, hoje, como basílica” (D. Washington Cruz, CP).

No dia 18 de novembro o Santuário de Trindade estará comemorando dois anos de instalação do título de Basílica. Trata-se de uma ocasião de grande júbilo e agradecimento à Santíssima Trindade! Rezemos, portanto, em união de fé e vida, para que continuemos manifestando, em Goiás, a felicidade de ser e viver como filhos amados do Pai Eterno! Tenhamos a coragem do Evangelho e a lucidez histórica para testemunhar, cada vez mais, com atitudes e palavras o amor incondicional do Pai nas sendas históricas desta capital da fé! Celebrar o aniversário deste título é celebrar a fé do povo goiano, que mesmo nos momentos de dificuldades e provações, não deixa de ver no Pai Eterno o sentido de sua vida e o motivo de sua esperança!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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“HERRAR É UMANO OU ERRAR É HUMANO?

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Fomos formados dentro de uma tradição na qual os limites deveriam ser ultrapassados, muitas vezes de forma arbitrária e desumana. Limite sempre foi associado ao pecado, até tornar-se seu sinônimo, e não vinculado a determinadas situações existenciais do humano.

Contraposto ao conceito de limite surgiu o conceito de perfeição. Geralmente fomos educados dentro da escola da perfeição. Esta última foi idealizada e, de várias formas, confundida com santidade. Mas será que somos capazes de ser perfeitos? A reflexão que fazemos por ora é chamada na Filosofia de Antropologia do Limite, na Psicologia de Terapia da Imperfeição e na Teologia de Moral Transcendente. Vejamos as suas implicações em nossa vivência cristã!

Existem situações em nossa vida que não dependem de nós e dificilmente podem mudadas, como por exemplo: a história da infância, a influência do pai e da mãe, os problemas familiares do passado, as insuficiências congênitas e algumas deficiências na personalidade. Há realidades que podem ser mudadas pelo nosso esforço pessoal, outras podem ser transformadas pela graça operante de Deus e algumas jamais poderão ser modificadas. É necessário compreender o nosso limite pessoal, o limite das outras pessoas e por fim o limite da vida, para sermos mais sadios e integrados no Amor. Aquele que não aceita os seus limites não é humano, pode ser um alienígena, menos humano. Diante do conflito preferimos negar nossos limites… E quando o negamos deixamos de ser pessoa, pois o limite está na essência do nosso ser. Passamos a ser homúnculos – definição de Victor Frankl – criador da logoterapia – um ser que não pode ser chamado humano.

Vale ressaltar que se o limite está na ótica de condição existencial, o pecado está centrado na negação a Deus e na negação da potencialidade da pessoa. Limite precisa ser assumido, já o pecado renunciado. Limite se aceita paulatinamente, pecado se deixa processualmente. O limite, quando assumido, nos torna pessoas. Pecado, quando investido, nos torna ególatras do ter, mercenários do poder e idólatras do prazer. O limite gera conversão, pois aí “todo o nosso viver é, em sentido profundo e realíssimo, ser vivido por Deus. O que, ao mesmo tempo, significa que também nós vivemos com a mesma vida de Deus” (André Torres Queiruga). O limite não é condição prévia para permanecer no pecado. Limite é uma categoria humana, o pecado é uma deficiência no caráter filial que Deus impregnou em nós.

O limite se contrapõe à denominativa da perfeição. Sabemos pelo estudo crítico-histórico que a perfeição é uma verdade construída e amplamente difundida pela cultura helênica ou grega, principalmente por Aristóteles. A imperfeição na filosofia aristotélica denota falta de qualidade, falta de excelência, falta de finalidade em um ente. A partir do momento em que o Evangelho passa a ser difundido no mundo grego, o conceito de perfeição adentra a caminhada cristã. É o preço da inculturação, com seus aspectos positivos e negativos. Posteriormente, até mesmo a filosofia de Leibniz, Spinoza e Kant vai se referir ao conceito de perfeição em suas metafísicas e em suas morais.

Precisamos reconhecer que santidade é uma coisa, perfeição é outra. Os santos não foram perfeitos, mas foram santos. Estes homens e mulheres da fé tiveram que lutar a vida inteira contra o pecado, mas, ao mesmo tempo, também souberam conviver com seus limites. Enquanto a santidade é viver de Deus e para Deus, a perfeição é viver de si e para si. Aspirar à perfeição é uma imprudência consigo mesmo. Desejar a santidade é reconhecer o sentido da existência no Amor e as raízes do nosso ser em Deus.

Dos mais variados modos a perfeição foi vinculada a esforços inumanos, pois construiu a visão moral a partir de metas irreais. Na perfeição a vida, a oração e tudo aquilo que nos cerca passa a ser pautado pelos nossos ideais e não pelos nossos limites. E a passagem bíblica de Mt 5,48 que diz: “Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai que estás nos céus”? Pelo estudo da filologia exegética do Segundo Testamento sabe-se que o termo ‘perfeito’ tem um problema na tradução, uma vez que no original aramaico o termo utilizado é hesed ou rehamin. Ambas significam misericórdia: a nossa miséria depositada no coração de Deus. Justamente por isso, a tradução mais fidedigna e literal seria misericórdia no lugar de perfeição.

Contudo, precisamos ter a cautela da fé para não justificar nossos erros pelos limites. Não se explica uma escolha pecaminosa por um limite. Pecado é uma coisa, limite é outra. Assim como santidade e perfeição são realidades amplamente diferentes. O limite nos ensina a dialogar com a realidade mais profunda de nosso ser, não para dominá-la, mas para integrá-la em Deus. “Onde quer que apareça o humano, aparece o limite. Onde se aceita o limite, aparece a humanidade do homem. Onde se recusa o limite, desaparece a humanidade do homem” (Anselm Grün). Que a partir de nossos limites reconheçamos a potencialidade de nossa vida em Deus e cientes de que “uma das coisas mais difíceis é saber perdoar os próprios defeitos e os próprios erros” (Hillesum). Difícil, mas não impossível!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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A INJUSTIÇA CAPITALISTA

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De acordo com os especialistas a crise financeira dos Estados Unidos tem sido o maior colapso econômico, desde a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. Trata-se de uma problemática assistemática no mercado imobiliário. Na verdade, a situação foi provoca devido ao financiamento de imóveis por parte das financiadoras a pessoas sem histórico de qualidade monetária e sem renda fixa. Foi uma gestação de credores de característica inadimplente que não honraram com os pagamentos dos imóveis afiançados. A consequência dos comodatos não pagos foi a supressão de novos empréstimos e a elevação hiperbólica da taxa de juros. Por conseguinte, as financiadoras continuaram com inúmeras dificuldades para angariar novos compradores. Resultado: foi só uma questão de tempo para que os bancos e o mercado imobiliário declarassem falência e investissem na lei de concordatas. Sabe-se, atualmente, que a cotação completa da crise financeira já alcançou a casa de US$ 1 trilhão.

Como o mercado capitalista funciona em torno de uma teia viciosa, vemos a crise sendo distendida. Por outro lado, também há o esforço paulatino para o controle das bolsas de valores em todo o mundo. São muitos os investidores internacionais que acabam vendendo suas ações e trocando a moeda local por dólar, no intuito de honrar seus compromissos financeiros com os Estados Unidos. Perdendo o valor das ações, as bolsas assolam em queda brusca e, ao mesmo tempo, fecham em baixa alarmante. A crise tem a característica do conhecido “efeito dominó”, ainda mais pelo fato da sociedade estadunidense viver economicamente acima de padrões realmente viáveis: “acostumados aos gastos extremos muitos cidadãos estadunidenses se viram sem saída quando o ritmo dos seus gastos superou a capacidade de quitação das dívidas” (Ítalo Paulo).

Sabemos que os valores não recebidos das hipotecas imobiliárias levaram bancos à falência, dentre eles destaca-se o quarto maior banco dos Estados Unidos: o Lehman Brothers, com 158 anos de história. A crise também fez com que somas altíssimas de dinheiro fossem lançadas no mercado financeiro. O Banco da Inglaterra injetou cerca de 19,9 bilhões de libras (US$ 35,7 bilhões) e mais 19,999 bilhões de libras (25,142 bilhões de euros) no mercado financeiro em atitude emergente. Posteriormente também foram disponibilizados 5 bilhões de libras (US$ 8,93 bilhões), com o objetivo de suprir as reservas dos bancos britânicos. Até mesmo o Banco Central Europeu colocou no mercado financeiro 70 bilhões de euros (US$ 99,4 bilhões) no tentame de minimizar os efeitos da crise na Europa.

Não temos conhecimento das novas premissas salvadoras do sistema nem como será o término da crise, uma vez que até mesmo os economistas têm concedido opiniões errôneas e dados equivocados. Muitos afirmaram que os bancos não iriam falir e o que vimos foi o contrário. Contudo, o que mais nos assusta não é a crise, mas, sobretudo, a incongruência que o mercado capitalista tem para disponibilizar montantes em dinheiro para salvar a economia da crise. Claro que é um esforço descomunal e necessário, no entanto, o questionamento parte de duas realidades intrínsecas: 1. O que move o mercado financeiro à ação desesperada? 2. Quais os interesses que estão por trás das características escusas e muitas vezes injustas do sistema. Explico-me!

Junto à crise dos Estados Unidos está a fome provocada pela má distribuição da riqueza no mundo. Os estudiosos alertam que a escassez de alimentos já atingiu cerca de 815 milhões de pessoas em todo o mundo. Destas, 777 milhões estão nos países desenvolvidos, 27 milhões nos subdesenvolvidos e 11 milhões nos países ricos. Os cientistas sociais afirmam que a fome é a grande responsável por provocar os mais variados tipos de mutilações humanas, carência de incrementos vitamínicos em bebês, debilidade mental, crimes e até ceguidade.

Somados a fome também estão aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza. No Haiti, por exemplo, a população perdura até os 57 anos de idade e com a alimentação 80% acima do valor original devido à inflação. Os haitianos se mantêm por meio do chamado “bolo de lama”, composto por: terra, água, sal e margarina. No Japão cerca de 45 mil pessoas já vivem na miséria. No próprio Estados Unidos já são 3,5 milhões o número de mendigos. No Brasil, o número de doenças e epidemias aumentou, sem falar das epidemias globais que assolam o planeta. No Rio de Janeiro o fim da miséria custaria para os cofres públicos o investimento de 1,3 bilhões por ano. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação se comprometeu a reduzir em 15% o número da subnutrição no mundo e logo depois protelou a respectiva data para 2050. Adia-se a resolução para a fome e a miséria, mas não se protela a crise? Às vezes parece que o lema que nos rege é este: “salvem o mercado e delonguem as soluções para a miséria que chacina a África e a Ásia”.

Por fim, ainda temos as secas e as inundações ocasionadas pelas constantes mudanças climáticas. A estas também podem ser adicionadas às turbulências políticas, sociais e econômicas dos países pobres. E agora perguntemos: quais são as tentativas coletivas do sistema vigente para amenizar, equilibrar e/ou solucionar tais situações dramáticas? Isso nos faz constatar que a ética e a dignidade humana ainda estão esquecidas e acabam sendo empecilhos para o bom desenvolvimento do mercado. É como se a valorização da pessoa não fosse cotada pelas cifras do financiamento descomprometido com a história. Não se trata de ajuda caritativa dos países ricos aos pobres, mas, sobretudo, da consciência de que somos responsáveis pela fome e a miséria do mundo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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O PECADO ORIGINAL E SALVAÇÃO!

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Ao longo do tempo, muitas foram as idéias criadas em torno da doutrina do pecado original. Idéias ambíguas e, algumas outras, libertadoras. Vejamos, em primeiro lugar, o modo como foi realizada a formulação do ensinamento referente ao Pecado Original. Vale ainda ressaltar que tal definição fundamenta-se no princípio da revelação de Deus. A partir da ação da “graça original” do Pai Eterno concebe-se o “pecado original” do humano.

Sabemos pela história, que esta doutrina foi cunhada por Santo Agostinho, no século V, e no período em que houve a luta contra o pelagianismo. Entenda-se por “pelagianismo” a heresia criada pelo monge britânico Pelágio que, defende a inexistência do pecado original, a negação da natureza pecaminosa e a não-necessidade da graça de Deus para a salvação do gênero humano. O que está em jogo na doutrina do pecado original e na heresia do pelagianismo é a salvação do ser humano: um assunto profundamente atual! A dúvida de toda pessoa religiosa é a seguinte: serei ou não serei salvo?

Santo Agostinho, entre os anos 412 e 430, ensinava que os seres humanos nasciam na condição de pecado. Nesta realidade, ninguém é capaz de salvar-se e nem de salvar os outros. Um cego não pode guiar outro cego, um surdo não pode escutar outro surdo nem um mudo pode falar a outra pessoa. Por isso na idéia de pecado sempre está a ausência de algo. Santo Agostinho observou a presença do pecado em sua época e almejou encontrar uma causa deste mal, instituindo a doutrina do pecado original. De acordo com Agostinho “fora da graça de Deus, é impossível que uma pessoa obedeça ou até mesmo busque a Deus. Com o pecado de Adão, houve uma total corrupção na raça humana, de modo que a vontade natural do homem está fatalmente cativa e submissa à nossa condição pecaminosa. Dessa forma, somente a graça de Deus, concedida livremente aos Seus eleitos, é capaz de trazer salvação aos seres humanos” (Michael S. Horton).

Por outro lado, para Pelágio, a pessoa humana era capaz de salvar-se a si mesma, sem a participação da graça divina. Assim a salvação é fruto do agir humano e não de um Ser Externo, fora de nós. Neste esquema Adão passa a ser concebido como um simples “mau exemplo” ao passo que Jesus é apenas um bom exemplo. Acaba se esquecendo da dimensão redentora da vida de Jesus. A salvação não seria doação de Deus, mas auto-salvação. Na verdade, “o que a doutrina tradicional da Igreja sobre o pecado original quer nos mostrar é como seria a nossa situação se não fosse pela redenção e pela graça de Deus. Estaríamos alienados de Deus, atolados numa situação de não-salvação” (Afonso Gárcia Rubio).

Por conseguinte, precisamos reconhecer que somos pecadores. Essa visão não pode fugir da nossa expressão de fé, por mais que ajam correntes de pensamento capazes de afirmar que o humano é perfeito e o pecado seria invenção da religião. No entanto, antes de sermos pecadores, somos filhos do Pai Eterno: antes das trevas, à luz; antes do mal, à bondade divina; antes da maledicência, à benignidade de Deus.

Pela História da Salvação sabe-se que o pecado sempre foi uma atitude de rejeição e fechamento a Deus. Justamente por isso, que o pecado original surgiu durante o processo em que o humano deixou de ser animal e se torna hominal. Em um determinado momento, o humano se fechou em seu próprio interesse, rejeitou o projeto de Deus e aos outros seres humanos. Isso originou o pecado.

Para livrar-se da condição pecaminosa, a comunidade cristã institui o Sacramento do Batismo como: adesão à pessoa de Jesus de Nazaré e seu Evangelho. O Batismo passou a ser reconhecido como sinal da capacidade libertadora de Deus, por meio de Jesus, o Salvador. A Igreja tornou-se, então, sinal desta nova realidade a partir da implantação do Reino de Deus no mundo. Cabe, hoje, aos cristãos dar continuidade à missão redentora de Jesus e a permissão para que Ele continue existindo por meio, das atitudes e palavras, de seus seguidores.

Diante do pecado está também a liberdade de escolha para optar pela salvação. A pessoa humana alcança o ápice de seu desenvolvimento quando é capaz de escolher. Antes da opção não há consciência. Não havendo consciência, não há racionalidade e muito menos liberdade existencial. Sem consciência o humano torna-se irracional e, deste modo não-livre. Mas a partir da liberdade a pessoa pode escolher entre a abertura ou o fechamento. E infelizmente, por muitas vezes, a pessoa escolheu o fechamento ao projeto de amor do Pai Eterno!

Por último, a doutrina do pecado original nos ensina a falar mais da graça original do que do pecado original. Neste sentido, precisamos a aprender a conviver com o mal, sem fazer as pazes com ele, buscando incessantemente o caminho da conversão! No fim devemos exclamar com a liturgia: Ó feliz culpa que nos trouxe um Salvador da condição de Jesus Cristo, para mostrar que a vivência de Deus como Pai, no amor aos irmãos e na implantação do Reino de Deus já é salvadora por si mesma e destruidora do pecado!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

Missa em Barretos-SP

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Devotos do Divino Pai Eterno gravam pequeno momento da missa presidida pelo Pe. Robson de Oliveira e colocam imagem no YouTube. A missa aconteceu nesta segunda-feira, dia 15, na Paróquia São Benedito. Fora da igreja tinha quase o dobro de pessoas… Sucesso geral!

RESPONSABILIDADE E CONSCIÊNCIA POLÍTICA!

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Toda pessoa, consciente de sua respectiva legitimidade social e do sentido da cidadania, é um ser político por natureza. Justamente por isso, é impossível dissociar a política da vida humana. Enganam-se aqueles que a reduzem ao simples ato de votar de dois em dois anos. Seria uma minimização considerá-la a partir das urnas ao passo que a mesma se vincula a todas as esferas da sociedade: família, instituições, religião, saúde, educação, emprego, moradia, recursos hídrico-sanitários e economia, entre outros. Portanto, falar de política é também discorrer sobre as cabais realidades que fecundam e concedem sentido à vida humana, organizada em agrupamentos sociais. Hoje, não é possível mencionar o termo “política” distante das implicações pessoais que sua articulação nos condiciona. É errônea qualquer expressão na qual a pessoa se isenta da vida política, como se esta não lhe tivesse nenhuma conseqüência particular. Aqui, vale o dito do historiador britânico Arnold Toynbee: “O maior castigo para estes que não se interessam por política é que serão governados por quem se interessa”. Acredito que o problema surge ao confundirmos “política” com “politicagem”: palavras derivadas na etimologia, mas completamente diferentes na vivência.

De acordo com a legislação brasileira todas as pessoas entre 18 e 70 anos são obrigadas a votar. Aos abaixo de 18 (até os 16 anos), aos acima de 70 e aos analfabetos o voto é opcional. No entanto, a idade cronológica não pode ser o critério suficiente. Para exercer com discernimento e, por conseguinte, responsabilidade a ato de votar, faz-se necessária a constituição de uma consciência política sadia, madura e crítica. Esta deve ser apreendida desde a mais tenra idade. Caso contrário, são os fatos do cotidiano que nos conduzem à construção da consciência política crível e justa.

Por consciência política compreende-se a pessoa capaz de desempenhar sua cidadania de modo livre, sem condicionamentos previdentes ou mercantis. Trata-se do indivíduo que não coloca os interesses pessoais acima dos interesses da população. Contudo, são muitas as realidades nefastas que deturpam o genuíno sentido da consciência política, acabando por feri-la ou deformá-la na prática, a saber:

1. Fazer do voto um objeto financeiro, desqualificando-o de responsabilidade individual pelo bem ou mal estar da população;
2. Praticar o voto sem analisar a vida do candidato e sua trajetória profissional, humana e religiosa;
3. Subornar o voto de pessoas destituídas de formação profissional qualificada em troca de dinheiro, emprego, cesta básica ou quaisquer tipos de benefícios pessoais;
4. Corromper o sentido do voto por troca de favores para si ou para familiares (nepotismo) e amigos;
5. Fazer da política um carreirismo salarial ou arrimo para a prosperidade pessoal através do desvio de verbas públicas;
6. Utilizar da boa fé do eleitor fazendo promessas puramente “eleitoreiras” que durarão somente o tempo da campanha, uma vez que o município pode não possuir verbas suficientes para tal;
7. Empregar de mecanismos desfalcados ou da formação de psicólogos e publicitários, no intuito de angariar eleitores de forma inconsciente ou de modo falseado e alienado;
8. Buscar a política pela própria política, desmerecendo a participação da população nas grandes decisões municipais além do período de votação;
9. Agredir, por meio de poluição sonora e visual, a cidade e a vida dos eleitores sem adesão ou permissão;
10. Deixar-se influenciar pela beleza do candidato e não por suas propostas políticas e seu planejamento municipal.

Sabemos bem que “todo o poder emana do povo, muito embora pouco dele em seu nome seja exercido” (Gercinaldo Moura). Assim sendo, saibamos valorizar o nosso voto como um ato lícito. Reconheçamo-lo como a oportunidade de mudarmos a vida política de nossos municípios e a estrutura social que nos norteia. Não permitamos vendas, trocas e muito menos a corrupção do ato de votar. Sejamos honestos para elegermos pessoas corretas e íntegras. Se quisermos candidatos éticos no pleito municipal precisamos efetivar a nossa cidadania com ética. Votar por coação é o mesmo que anular o próprio voto. Vale ainda ressaltar que existem duas ferramentas para aqueles que almejam exercer a consciência política: o voto e o impeachment. Pena que este último, na evolução histórica da política brasileira, só foi aplicado ao Chefe de Estado da Nação e do Governo. Se o voto representa a esperança de dias melhores para a população e a renovação das instituições sociais, o impeachment significa que o poder concedido também pode ser negado por dignos parlamentares e, ademais, pela população: início, meio e fim de toda e qualquer gestão política.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

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