A INJUSTIÇA CAPITALISTA

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De acordo com os especialistas a crise financeira dos Estados Unidos tem sido o maior colapso econômico, desde a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. Trata-se de uma problemática assistemática no mercado imobiliário. Na verdade, a situação foi provoca devido ao financiamento de imóveis por parte das financiadoras a pessoas sem histórico de qualidade monetária e sem renda fixa. Foi uma gestação de credores de característica inadimplente que não honraram com os pagamentos dos imóveis afiançados. A consequência dos comodatos não pagos foi a supressão de novos empréstimos e a elevação hiperbólica da taxa de juros. Por conseguinte, as financiadoras continuaram com inúmeras dificuldades para angariar novos compradores. Resultado: foi só uma questão de tempo para que os bancos e o mercado imobiliário declarassem falência e investissem na lei de concordatas. Sabe-se, atualmente, que a cotação completa da crise financeira já alcançou a casa de US$ 1 trilhão.

Como o mercado capitalista funciona em torno de uma teia viciosa, vemos a crise sendo distendida. Por outro lado, também há o esforço paulatino para o controle das bolsas de valores em todo o mundo. São muitos os investidores internacionais que acabam vendendo suas ações e trocando a moeda local por dólar, no intuito de honrar seus compromissos financeiros com os Estados Unidos. Perdendo o valor das ações, as bolsas assolam em queda brusca e, ao mesmo tempo, fecham em baixa alarmante. A crise tem a característica do conhecido “efeito dominó”, ainda mais pelo fato da sociedade estadunidense viver economicamente acima de padrões realmente viáveis: “acostumados aos gastos extremos muitos cidadãos estadunidenses se viram sem saída quando o ritmo dos seus gastos superou a capacidade de quitação das dívidas” (Ítalo Paulo).

Sabemos que os valores não recebidos das hipotecas imobiliárias levaram bancos à falência, dentre eles destaca-se o quarto maior banco dos Estados Unidos: o Lehman Brothers, com 158 anos de história. A crise também fez com que somas altíssimas de dinheiro fossem lançadas no mercado financeiro. O Banco da Inglaterra injetou cerca de 19,9 bilhões de libras (US$ 35,7 bilhões) e mais 19,999 bilhões de libras (25,142 bilhões de euros) no mercado financeiro em atitude emergente. Posteriormente também foram disponibilizados 5 bilhões de libras (US$ 8,93 bilhões), com o objetivo de suprir as reservas dos bancos britânicos. Até mesmo o Banco Central Europeu colocou no mercado financeiro 70 bilhões de euros (US$ 99,4 bilhões) no tentame de minimizar os efeitos da crise na Europa.

Não temos conhecimento das novas premissas salvadoras do sistema nem como será o término da crise, uma vez que até mesmo os economistas têm concedido opiniões errôneas e dados equivocados. Muitos afirmaram que os bancos não iriam falir e o que vimos foi o contrário. Contudo, o que mais nos assusta não é a crise, mas, sobretudo, a incongruência que o mercado capitalista tem para disponibilizar montantes em dinheiro para salvar a economia da crise. Claro que é um esforço descomunal e necessário, no entanto, o questionamento parte de duas realidades intrínsecas: 1. O que move o mercado financeiro à ação desesperada? 2. Quais os interesses que estão por trás das características escusas e muitas vezes injustas do sistema. Explico-me!

Junto à crise dos Estados Unidos está a fome provocada pela má distribuição da riqueza no mundo. Os estudiosos alertam que a escassez de alimentos já atingiu cerca de 815 milhões de pessoas em todo o mundo. Destas, 777 milhões estão nos países desenvolvidos, 27 milhões nos subdesenvolvidos e 11 milhões nos países ricos. Os cientistas sociais afirmam que a fome é a grande responsável por provocar os mais variados tipos de mutilações humanas, carência de incrementos vitamínicos em bebês, debilidade mental, crimes e até ceguidade.

Somados a fome também estão aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza. No Haiti, por exemplo, a população perdura até os 57 anos de idade e com a alimentação 80% acima do valor original devido à inflação. Os haitianos se mantêm por meio do chamado “bolo de lama”, composto por: terra, água, sal e margarina. No Japão cerca de 45 mil pessoas já vivem na miséria. No próprio Estados Unidos já são 3,5 milhões o número de mendigos. No Brasil, o número de doenças e epidemias aumentou, sem falar das epidemias globais que assolam o planeta. No Rio de Janeiro o fim da miséria custaria para os cofres públicos o investimento de 1,3 bilhões por ano. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação se comprometeu a reduzir em 15% o número da subnutrição no mundo e logo depois protelou a respectiva data para 2050. Adia-se a resolução para a fome e a miséria, mas não se protela a crise? Às vezes parece que o lema que nos rege é este: “salvem o mercado e delonguem as soluções para a miséria que chacina a África e a Ásia”.

Por fim, ainda temos as secas e as inundações ocasionadas pelas constantes mudanças climáticas. A estas também podem ser adicionadas às turbulências políticas, sociais e econômicas dos países pobres. E agora perguntemos: quais são as tentativas coletivas do sistema vigente para amenizar, equilibrar e/ou solucionar tais situações dramáticas? Isso nos faz constatar que a ética e a dignidade humana ainda estão esquecidas e acabam sendo empecilhos para o bom desenvolvimento do mercado. É como se a valorização da pessoa não fosse cotada pelas cifras do financiamento descomprometido com a história. Não se trata de ajuda caritativa dos países ricos aos pobres, mas, sobretudo, da consciência de que somos responsáveis pela fome e a miséria do mundo!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
www.paieterno.com.br

O PECADO ORIGINAL E SALVAÇÃO!

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Ao longo do tempo, muitas foram as idéias criadas em torno da doutrina do pecado original. Idéias ambíguas e, algumas outras, libertadoras. Vejamos, em primeiro lugar, o modo como foi realizada a formulação do ensinamento referente ao Pecado Original. Vale ainda ressaltar que tal definição fundamenta-se no princípio da revelação de Deus. A partir da ação da “graça original” do Pai Eterno concebe-se o “pecado original” do humano.

Sabemos pela história, que esta doutrina foi cunhada por Santo Agostinho, no século V, e no período em que houve a luta contra o pelagianismo. Entenda-se por “pelagianismo” a heresia criada pelo monge britânico Pelágio que, defende a inexistência do pecado original, a negação da natureza pecaminosa e a não-necessidade da graça de Deus para a salvação do gênero humano. O que está em jogo na doutrina do pecado original e na heresia do pelagianismo é a salvação do ser humano: um assunto profundamente atual! A dúvida de toda pessoa religiosa é a seguinte: serei ou não serei salvo?

Santo Agostinho, entre os anos 412 e 430, ensinava que os seres humanos nasciam na condição de pecado. Nesta realidade, ninguém é capaz de salvar-se e nem de salvar os outros. Um cego não pode guiar outro cego, um surdo não pode escutar outro surdo nem um mudo pode falar a outra pessoa. Por isso na idéia de pecado sempre está a ausência de algo. Santo Agostinho observou a presença do pecado em sua época e almejou encontrar uma causa deste mal, instituindo a doutrina do pecado original. De acordo com Agostinho “fora da graça de Deus, é impossível que uma pessoa obedeça ou até mesmo busque a Deus. Com o pecado de Adão, houve uma total corrupção na raça humana, de modo que a vontade natural do homem está fatalmente cativa e submissa à nossa condição pecaminosa. Dessa forma, somente a graça de Deus, concedida livremente aos Seus eleitos, é capaz de trazer salvação aos seres humanos” (Michael S. Horton).

Por outro lado, para Pelágio, a pessoa humana era capaz de salvar-se a si mesma, sem a participação da graça divina. Assim a salvação é fruto do agir humano e não de um Ser Externo, fora de nós. Neste esquema Adão passa a ser concebido como um simples “mau exemplo” ao passo que Jesus é apenas um bom exemplo. Acaba se esquecendo da dimensão redentora da vida de Jesus. A salvação não seria doação de Deus, mas auto-salvação. Na verdade, “o que a doutrina tradicional da Igreja sobre o pecado original quer nos mostrar é como seria a nossa situação se não fosse pela redenção e pela graça de Deus. Estaríamos alienados de Deus, atolados numa situação de não-salvação” (Afonso Gárcia Rubio).

Por conseguinte, precisamos reconhecer que somos pecadores. Essa visão não pode fugir da nossa expressão de fé, por mais que ajam correntes de pensamento capazes de afirmar que o humano é perfeito e o pecado seria invenção da religião. No entanto, antes de sermos pecadores, somos filhos do Pai Eterno: antes das trevas, à luz; antes do mal, à bondade divina; antes da maledicência, à benignidade de Deus.

Pela História da Salvação sabe-se que o pecado sempre foi uma atitude de rejeição e fechamento a Deus. Justamente por isso, que o pecado original surgiu durante o processo em que o humano deixou de ser animal e se torna hominal. Em um determinado momento, o humano se fechou em seu próprio interesse, rejeitou o projeto de Deus e aos outros seres humanos. Isso originou o pecado.

Para livrar-se da condição pecaminosa, a comunidade cristã institui o Sacramento do Batismo como: adesão à pessoa de Jesus de Nazaré e seu Evangelho. O Batismo passou a ser reconhecido como sinal da capacidade libertadora de Deus, por meio de Jesus, o Salvador. A Igreja tornou-se, então, sinal desta nova realidade a partir da implantação do Reino de Deus no mundo. Cabe, hoje, aos cristãos dar continuidade à missão redentora de Jesus e a permissão para que Ele continue existindo por meio, das atitudes e palavras, de seus seguidores.

Diante do pecado está também a liberdade de escolha para optar pela salvação. A pessoa humana alcança o ápice de seu desenvolvimento quando é capaz de escolher. Antes da opção não há consciência. Não havendo consciência, não há racionalidade e muito menos liberdade existencial. Sem consciência o humano torna-se irracional e, deste modo não-livre. Mas a partir da liberdade a pessoa pode escolher entre a abertura ou o fechamento. E infelizmente, por muitas vezes, a pessoa escolheu o fechamento ao projeto de amor do Pai Eterno!

Por último, a doutrina do pecado original nos ensina a falar mais da graça original do que do pecado original. Neste sentido, precisamos a aprender a conviver com o mal, sem fazer as pazes com ele, buscando incessantemente o caminho da conversão! No fim devemos exclamar com a liturgia: Ó feliz culpa que nos trouxe um Salvador da condição de Jesus Cristo, para mostrar que a vivência de Deus como Pai, no amor aos irmãos e na implantação do Reino de Deus já é salvadora por si mesma e destruidora do pecado!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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Missa em Barretos-SP

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Devotos do Divino Pai Eterno gravam pequeno momento da missa presidida pelo Pe. Robson de Oliveira e colocam imagem no YouTube. A missa aconteceu nesta segunda-feira, dia 15, na Paróquia São Benedito. Fora da igreja tinha quase o dobro de pessoas… Sucesso geral!

RESPONSABILIDADE E CONSCIÊNCIA POLÍTICA!

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Toda pessoa, consciente de sua respectiva legitimidade social e do sentido da cidadania, é um ser político por natureza. Justamente por isso, é impossível dissociar a política da vida humana. Enganam-se aqueles que a reduzem ao simples ato de votar de dois em dois anos. Seria uma minimização considerá-la a partir das urnas ao passo que a mesma se vincula a todas as esferas da sociedade: família, instituições, religião, saúde, educação, emprego, moradia, recursos hídrico-sanitários e economia, entre outros. Portanto, falar de política é também discorrer sobre as cabais realidades que fecundam e concedem sentido à vida humana, organizada em agrupamentos sociais. Hoje, não é possível mencionar o termo “política” distante das implicações pessoais que sua articulação nos condiciona. É errônea qualquer expressão na qual a pessoa se isenta da vida política, como se esta não lhe tivesse nenhuma conseqüência particular. Aqui, vale o dito do historiador britânico Arnold Toynbee: “O maior castigo para estes que não se interessam por política é que serão governados por quem se interessa”. Acredito que o problema surge ao confundirmos “política” com “politicagem”: palavras derivadas na etimologia, mas completamente diferentes na vivência.

De acordo com a legislação brasileira todas as pessoas entre 18 e 70 anos são obrigadas a votar. Aos abaixo de 18 (até os 16 anos), aos acima de 70 e aos analfabetos o voto é opcional. No entanto, a idade cronológica não pode ser o critério suficiente. Para exercer com discernimento e, por conseguinte, responsabilidade a ato de votar, faz-se necessária a constituição de uma consciência política sadia, madura e crítica. Esta deve ser apreendida desde a mais tenra idade. Caso contrário, são os fatos do cotidiano que nos conduzem à construção da consciência política crível e justa.

Por consciência política compreende-se a pessoa capaz de desempenhar sua cidadania de modo livre, sem condicionamentos previdentes ou mercantis. Trata-se do indivíduo que não coloca os interesses pessoais acima dos interesses da população. Contudo, são muitas as realidades nefastas que deturpam o genuíno sentido da consciência política, acabando por feri-la ou deformá-la na prática, a saber:

1. Fazer do voto um objeto financeiro, desqualificando-o de responsabilidade individual pelo bem ou mal estar da população;
2. Praticar o voto sem analisar a vida do candidato e sua trajetória profissional, humana e religiosa;
3. Subornar o voto de pessoas destituídas de formação profissional qualificada em troca de dinheiro, emprego, cesta básica ou quaisquer tipos de benefícios pessoais;
4. Corromper o sentido do voto por troca de favores para si ou para familiares (nepotismo) e amigos;
5. Fazer da política um carreirismo salarial ou arrimo para a prosperidade pessoal através do desvio de verbas públicas;
6. Utilizar da boa fé do eleitor fazendo promessas puramente “eleitoreiras” que durarão somente o tempo da campanha, uma vez que o município pode não possuir verbas suficientes para tal;
7. Empregar de mecanismos desfalcados ou da formação de psicólogos e publicitários, no intuito de angariar eleitores de forma inconsciente ou de modo falseado e alienado;
8. Buscar a política pela própria política, desmerecendo a participação da população nas grandes decisões municipais além do período de votação;
9. Agredir, por meio de poluição sonora e visual, a cidade e a vida dos eleitores sem adesão ou permissão;
10. Deixar-se influenciar pela beleza do candidato e não por suas propostas políticas e seu planejamento municipal.

Sabemos bem que “todo o poder emana do povo, muito embora pouco dele em seu nome seja exercido” (Gercinaldo Moura). Assim sendo, saibamos valorizar o nosso voto como um ato lícito. Reconheçamo-lo como a oportunidade de mudarmos a vida política de nossos municípios e a estrutura social que nos norteia. Não permitamos vendas, trocas e muito menos a corrupção do ato de votar. Sejamos honestos para elegermos pessoas corretas e íntegras. Se quisermos candidatos éticos no pleito municipal precisamos efetivar a nossa cidadania com ética. Votar por coação é o mesmo que anular o próprio voto. Vale ainda ressaltar que existem duas ferramentas para aqueles que almejam exercer a consciência política: o voto e o impeachment. Pena que este último, na evolução histórica da política brasileira, só foi aplicado ao Chefe de Estado da Nação e do Governo. Se o voto representa a esperança de dias melhores para a população e a renovação das instituições sociais, o impeachment significa que o poder concedido também pode ser negado por dignos parlamentares e, ademais, pela população: início, meio e fim de toda e qualquer gestão política.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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DEIXAR-SE AMAR PARA NÃO INVEJAR!

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Sempre é bom visitar o centro das nossas emoções e nos deparar ali com alguns sentimentos que acabam corroendo a raiz do amor que o Pai Eterno infundiu em nós. Detemo-nos, por ora, na chamada “inveja”: uma realidade que surge à medida que nos comparamos com o potencial de outrem e nos martirizamos por isso, desejando ser tal como o desejado: “A inveja, em suas variadas manifestações, é uma reação agressiva quando se sente que a própria imagem é pálida diante do resplendor da imagem do outro. A luz da imagem alheia deixa a descoberto a opacidade da própria imagem. Sente-se a necessidade de eclipsar a imagem do outro. Quanto mais obscura se vir a imagem alheia, mais brilhante se verá a própria. Quanto mais centímetros tirar da altura do outro, sentir-se-á mais alto, embora, objetivamente, não tenho crescido nada” (Inácio Larrañaga).

Na inveja está um misto de sentimentos hostis, tais como: a incapacidade de crescimento interior, a comparação doentia, o ressentimento vingativo, a frustração existencial e a inferioridade estagnada. Pessoas invejosas dificilmente se relacionam com tranqüilidade, uma vez que necessitam reafirmar posses, qualidades, valores e vantagens pessoais no intuito de diminuir as pessoas com as quais convivem. Até mesmo algumas críticas destrutivas e o fato de falar mal dos outros demonstram a capacidade dissimulada da inveja.

O pior acontece quando o invejoso não assume que possui a inveja como um dos operantes de suas atitudes invasivas. Vai se formando, então, uma espécie de falseação do ser. A pessoa torna-se vítima do sucesso alheio. Estritamente reprimida, a inveja vai tomando conta da potencialidade da pessoa a ponto de torná-la cópia de tudo aquilo que almeja, pois na raiz da inveja está o sentimento oculto de ser igual ao outro. E se este último também for invejoso, tornamo-nos, portanto, “cópia da cópia”. Na psicanálise este processo é denominado simbiose competitiva: relação na qual um indivíduo se confunde com outro no intento de ocupar o melhor lugar. Justamente por isso surgem as emoções inconscientes como raiva, agitação exterior e incapacitação diante do sucesso de outrem.

Qual é o lugar da inveja? Onde ela mora? Em que parte do humano reside? Na verdade, “a inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas […]. Assiste com despeito aos sucessos dos homens e este espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício” (Ovídio, poeta latino). Assim sendo, a inveja é uma resposta cíclica que vai mergulhando a pessoa em um mundo de devaneios e profundas decepções consigo mesma. A inveja tem o poder destrutivo de nos incapacitar ao amor, de aniquilar o sentimento de perdão, de arruinar os sonhos interiores e de destruir, como uma doença viral, a potencialidade da própria pessoa, conduzindo-a ao estado terminal do ser. O invejoso assume, de forma inconsciente, o suicídio lento das suas qualidades mais belas e das suas capacidades mais longínquas.

Em um mundo capitalista, no qual desde a mais tenra idade somos estimulados a competir, fica evidente o alicerce da inveja. Existe até mesmo um dito popular que diz: “Enquanto o invejado sobe os píncaros da glória os invejosos sobem o calvário das lamentações”. Devemos, deste modo, visitar o nosso interior e procurar ali todas as situações que nos remetem a ‘desejar’ aquilo que não nos pertence, a ‘almejar’ o que não é fruto do nosso suor e a ‘cobiçar’ os bens e as qualidades alheias. Saibamos que, a inveja é um desequilíbrio afetivo, emocional e espiritual. Neste sentido, o primeiro passo para a libertação é o reconhecimento sincero de possuí-la. Sem disfarçar, mas, sobretudo, tentando conviver com este mal e, ao mesmo tempo, não compactuando com ele. Não se trata de travar uma guerra interior, com o objetivo de extirpar a inveja bruscamente. Pelo contrário, devemos sim construir um itinerário místico a ponto de minimizá-la até o coração ficar livre.

Se a inveja age como uma formação reativa em vista da destruição de si e do outro, precisamos descobrir que na gratuidade divina há um espaço para a cura. Tomando consciência dos próprios valores e qualidades a pessoa torna-se mais transfigurada, sendo capaz de transpor a sua figura pela figura do amor de Deus. Destituindo as comparações ou as críticas doentias é possível viver livremente sem depender dos bens de outrem para ser feliz! Amar o próprio interior já é uma forma de sair do jugo da inveja. Reconciliar-se com o corpo, perdoar os próprios aspectos físicos e genéticos já é um meio de deixar a escravidão da inveja. Em Jesus de Nazaré encontramos o alento para começarmos a viver amando o que somos e valorizando o nosso interior, sem penhorar a nossa existência nos dons, nas características e nas propriedades dos outros!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário Redentorista, Reitor da Basílica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.
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A Cruz

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A Equipe Paterno está preparando vários textos de reflexão para você que visita o nosso blog. Começamos com “A Vida…” e agora temos o que segue: “A Cruz”. Boa leitura e não deixe de comentar.

Certa vez, um homem cheio de fé cristã fez um pedido e prometeu que carregaria uma cruz sobre os ombros, até a cidade mais próxima, para que o pedido fosse atendido.
Pois bem, nosso personagem fez sua cruz e iniciou sua jornada. Aproximadamente na metade de seu trajeto, em um pequeno vilarejo, ele já sem forças e com os ombros quase sangrando, avistou uma pequena fábrica de cruzes e perguntou ao proprietário:
-”O senhor trabalha com troca?”
O fabricante sem pensar:
-”Sim, trabalho.”
O cristão:
-”Então vou ‘experimentar’ algumas pois já não estou agüentando o peso da minha…”
Passado um bom tempo “experimentando” cruzes e mais cruzes ( pois uma era muito grande, outra muito pesada, outra muito pequena… ), o cristão grita:
-”Achei ! Finalmente encontrei uma cruz na medida certa !!! Quanto lhe devo meu nobre amigo ???
O fabricante com um pequeno sorriso, suavemente responde:
-”Você não me deve nada meu amigo…”, já sendo interrompido pelo cristão, ainda eufórico:
-”Como não devo, o senhor teve trabalho e tenho que remunerá-lo por isso !!!”
O fabricante ainda com o sorriso em seu rosto:
-”Amigo, cada um tem a sua cruz a ser carregada e Deus sabe bem o peso que cada uma deve ter.”
O cristão:
-”Não estou lhe entendendo…”
O fabricante:
-”É simples: quando você começou a experimentar as cruzes, você deixou de lado a sua e no meio a bagunça feita em meu estabelecimento, você optou por esta cruz que é simplesmente a mesma que entrou apoiada em seus ombros…”

A V I D A . . .

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Alfred Henfil

“Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. Aí sim, a vida de verdade começaria.

Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!

Assim, aproveite todos os momentos que você tem. E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.

Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 quilos; até que você ganhe 5 quilos; até que você tenha tido filhos; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite; até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova; até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos; até o próximo verão, outono, inverno; até que você esteja aposentado; até que a sua música toque; até que você tenha terminado seu drink; até que você esteja sóbrio de novo; até que você morra…

E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO…

Lembre-se: “Felicidade é uma viagem, não um destino”.

Pai Eterno, Esperança e Salvação!

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Diante dos males que angustiam a pessoa humana, na atualidade, está a perda pelo sentido da vida. Muitos são os indivíduos que dificilmente conseguem questionar as razões mais profundas do ser e do existir no mundo. Trata-se de uma crise, sem precedências, que foi ocasionada pelas promessas vãs de inúmeros sistemas sociais. Estranhamente, alguns acabam se esquecendo de que “o futuro da humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar, às gerações de amanhã, razões de viver e de esperar” (Constituição Dogmática Gaudim et Spes n.31). Em uma sociedade conturbada e sem referenciais críveis e sólidos, nos remetemos à origem do existir para proclamarmos a uma só voz: Pai Eterno, vós sois a nossa esperança e salvação!

Na determinação psicológica da palavra ‘esperança’ está imbuído o potencial idealizador da pessoa que se tornará idêntico àquilo que ela espera. Há uma íntima relação entre expectativa e utopia na vivência da esperança. O contrário da esperança é o desespero vivencial diante do sofrimento com suas variadas mazelas, ou seja, a deseperança. Esta pode acontecer de diferentes formas. No entanto, a mais drástica delas é perder a esperança em Deus. Quando a pessoa deixa de esperar no Absoluto de sua existência, ela deixa de crer em si mesma. Desse modo, a razão de existir no mundo perde seu significado e deixa de ter a categoria de valorização.

Toda pessoa espera, na verdade, por algo além de si e aquém do humano. Falaríamos aqui de eternidade. Contudo, é no dia-a-dia que construímos a nossa fé como fundamento da esperança (Hb 11,1). Esperar não é ficar de braços cruzados diante de situações nas quais deveríamos agir como as “mãos de Deus no mundo” (Santo Irineu). Pelo contrário, na raiz da esperança está a experiência da fé no amor de Deus. Tal situação faz com que a nossa vida tenha um norte e a nossa esperança tenha sentido na pessoa de Jesus de Nazaré. Justamente Dele, brota a verdade cristã de que “é na esperança que fomos salvos” (Rm 8,24).

A palavra ‘salvação’ é proveniente do latim ‘salvation’ e a sua gênese cristã expressa que somos salvos no Deus que espera e acredita em nós. “Deus é o fundamento da esperança – não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até ao fim: cada indivíduo e a humanidade no seu conjunto” (Spes Salvi n.31). Deus é a pedra angular e o motivo maior da nossa esperança e salvação! Esperando, nos salvamos; e salvos, esperamos. É um movimento imanente que parte do coração de Deus para atingir as origens históricas do humano. Um Deus que nos cria no amor, espera na fé e salva na misericórdia.

A nós cabe sermos homens e mulheres de esperança. Não podemos deixar de ansiar por uma vida melhor, um mundo mais justo e uma sociedade mais igualitária. Da mesma forma, a nossa esperança deve estar fundamentada no Cristo, para que não se torne mais uma realidade fantasiosa ou uma promessa inútil em um mundo cansado de esperanças vãs. Saibamos nos comportar como pessoas que fazem a utopia se tornar topia: o sonho se transformar em algo verdadeiro. Pessoas de fé lúcida e transparente, aptas a proclamar ao mundo que ainda vale a pena esperar em Deus, porque Ele espera em nós. Pessoas que se fundamentam na verdade cristã para atuarem, como sinais da esperança, na vida daqueles que foram penhorados pelo medo alienante e pelo desespero da inferioridade.

A cada um de nós, também, compete a missão de agirmos como predicados da salvação, uma vez que o sujeito é Cristo. Levamos a salvação porque fizemos a experiência de sermos salvos em Deus. Salvação não é somente pertencer a uma comunidade eclesial, gerar obras de caridade nem atuar em vista de conquistar a ação do Sagrado. Esperar a salvação pelas obras é reduzi-la e desconsiderar a dimensão da fé. Uma não vive sem a outra. A salvação é configurar a vida a Cristo e atualizar sua obra redentora no mundo. Ao permitir que Jesus de Nazaré continue existindo em nós a salvação se faz presente.

A seguir, tanto a esperança quanto a salvação não precisam de advogados, pois a sua força de defesa é o Espírito de Deus. Pelo contrário, a esperança e a salvação ainda estão por aguardar gente que tenha a coragem do Evangelho e o exercício cristão, para orientar na fé todos aqueles que perderam o rumo da vida e o significado da existência em Deus.

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Quem é o Deus dos Evangelhos?

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Na atualidade, precisamos fazer a memória histórica da vida e da prática de Jesus de Nazaré testemunhada nos Evangelhos. Precisamos percorrer os ditames do povo santo de Israel no intuito de compreender, mais e melhor, a missão redentora do Filho de Deus. É na época presente que devemos resgatar o significado originário que as primeiras comunidades cristãs concederam à pessoa de Jesus e, ao mesmo tempo, o sentido que o próprio Jesus outorgou aos seus seguidores e seguidoras. Não se trata de voltar ao passado, mas, sobretudo, de trazer à tona as raízes da nossa fé e as fontes do nosso ser cristão no mundo.

Nos Evangelhos, é possível contemplar a existência humana na divindade de Jesus de Nazaré. Junto aos antigos “Pais da Igreja”, podemos entoar o canto do deserto: “O Divino se torna humano para que o humano se divinize.” O Pai Eterno havia salvado e criado o humano, mas nunca tinha sido um de nós. No entanto, é em Jesus que Deus se torna humano: carne de nossa carne, sangue de nosso sangue, história de nossa história. Nas trilhas ocultas de Nazaré o Filho de Deus vai aprendendo a ser também filho do homem. Com a espiritualidade do cotidiano judaico e na mais silenciosa oração, Jesus vai compreendendo o cerne de seu ministério quando apresenta ao mundo um Deus com rosto de Pai!

Infelizmente, alguns se esqueceram desta dimensão tão importante da nossa fé. Não se recordam mais do Pai de Jesus, pois já o substituíram pelo Juiz Apocalíptico do Talião. É como se houvesse uma voz cruel que nos assombrasse dizendo: na morte é olho por olho e dente por dente. O Deus amor dos Evangelhos, apresentado por Jesus, passa ser o cruel castigador da história. Outros ainda defendem a existência de um Deus que fica escondido atrás das portas para ver o que fazemos… Eis o antigo “olho que tudo vê”. Deus nos vê com absoluta certeza, porém o seu olhar é movido pelo amor que compreende, perdoa, acolhe, resgata, salva, cria e nos convida à conversão com freqüência. Precisamos ser honestos o suficiente e parar de associar os nossos instintos selvagens e inconscientes em Deus. Este é o grande pecado que o livro do Gênesis condena: a criatura fazendo o Criador à sua imagem e semelhança. É uma inversão, pois na verdade, não podemos atribuir ao Pai de Jesus os nossos sentimentos totalitários e justiceiros em relação às pessoas.

Jesus, nos Evangelhos, assume a história do humano a começar por todos aqueles que viviam à margem do sistema. Seus companheiros eram os pobres, as mulheres, as crianças, as prostitutas, os leprosos, as viúvas, os homens da terra e os cobradores de impostos. Pessoas excluídas pela sociedade e pela religião vigente. O Filho de Deus não faz pacto com o pecado e muito menos se deixa alienar pelo legalismo que separava os bons dos maus, os puros dos impuros, os justos dos pecadores (Mt 5,45). Pelo contrário, senta à mesa e se torna um com estes abandonados. Não é “um deles”, mas “um com eles”. Em Jesus está a síntese, ou melhor, falando, o encontro entre o sagrado e o profano. É o Divino que corre ao encontro do humano, pois não veio para condenar, mas para salvar a humanidade (Jo 12,47).

Se quisermos ser fiéis ao Jesus dos Evangelhos precisamos existir para as mesmas pessoas que Ele existiu e assumir, na contemporaneidade, as posições que Ele assumiria se vivesse em nosso tempo. Jesus não é nenhum popstar, não é um ídolo, não é uma força cósmica e muito menos um produto para ser comercializado como vemos atualmente, nas chamadas Igrejas Pentecostais. Ele é uma pessoa divina e humana: “rosto divino do homem, rosto humano de Deus” (João Paulo II).

Em Nazaré e nos Evangelhos, a esperança sempre foi a marca indelével do Deus de Jesus. Tal Pai tal filho. Assim como o Pai Eterno é, o Filho também o é. Da mesma forma, aqueles que se tornaram filhos em Jesus precisam viver como Ele viveu. Sem interpretações intimistas, cada um é motivado a assumir as rédeas da própria história e parar de culpabilizar a Deus e as pessoas pelas intempéries da vida. Na medida em que cada um tomar consciência de si e da sua missão no coração do Pai Eterno poderemos sonhar com a esperança ativa do Reino dos céus. Quando pessoa por pessoa, declarar, para si mesma, a responsabilidade social e humana que lhe cabe haverá pão em todas as mesas, perdão dentro dos lares, reconciliação entre os pares, fraternidade entre as religiões e diálogo entre os povos. É a utopia tornando-se topia, isto é, o sonho tornando-se realidade.

Agarrado à coragem histórica de Jesus de Nazaré, finalizo o presente artigo com a frase de Voltaire ao Duque de Richelieu: “Amo apaixonadamente dizer verdades que outros não se atrevem dizer.” Não a verdade pela verdade, criada pelos intelectuais, mas, sim, a verdade de um Deus que se atreveu a nos amar como ninguém jamais nos amou! Um Deus que faz tudo pela nossa felicidade! Um Deus que não nos compra e não se vende, porque é Pai e Mãe: puro amor e total doação!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

Tortura Nunca Mais!

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Nos últimos dias a inocência infantil transformou-se em ferida existencial, quando fomos pegos de surpresa com as cenas chocantes de tortura física e psicológica, emanadas de um apartamento luxuoso em Goiânia. Trata-se do caso “Sílvia Calabresi”: empresária de quarenta e dois anos, mui renomada no campo têxtil e construtor civil, que há anos vinha transformando histórias em cativeiro de crueldades. Pertence à sua última vítima a seguinte frase: “Ela me afogava no tanque, apertava a minha língua com alicate, enforcava-me com fio, e me deixava amarrada na área de serviço”. Estamos defrontes a uma situação que nos deixa boquiabertos, pois é resultante do drama de uma criança com apenas doze anos de idade! Mas o que motiva uma pessoa a utilizar métodos de tortura como forma de pseudo-educação? Paranóia? Demência? Dissociação psíquica de esquizofrenia ou uma alienação mental? Deixemos as interpretações para os profissionais da área. O que nos interessa é adentrar as conseqüências deste tipo de realidade para aqueles que utilizam da tortura pelo simples prazer de torturar.

De acordo com a etimologia o vocábulo “tortura” é proveniente do latim e significa “tormento que se aplica a um acusado”. Na tortura encontramos a dor por intimidação, coerção, chantagem e repressão utilizada como meio de adquirir informações ou então, como processo de violência físico-mental. O caso da menor de doze anos é apenas a ponto do iceberg de inúmeros tipos de tortura raramente noticiadas pela impressa. Ainda existem outros tormentos que acontecem na calada da noite quando a sociedade assume a sua boemia e a justiça se emudece nos grutões da vida. Analisemos, portanto, alguns deles.

Muito se fala sobre os crimes de guerra nos pós-guerra e pouquíssimas vezes durante a guerra, a isso damos o nome de tortura bélica. Pesquisadores já comprovaram que a tortura psicológica utilizada nestes conflitos tem o mesmo efeito que a tortura física. A única diferença é que são evidenciados em longo prazo. Por tortura bélica compreende-se a privação do sono, a penúria da prisão, as posições físicas desumanas e amuadas, os olhos tapados com venda por difusos dias, o rosto encapuzado, a alimentação minguada e o desnudamento humilhante de pessoas. Tais circunstâncias aconteceram nas Ilhas Bálcãs na década de 90 e continuam sendo repetidas pelos Estados Unidos no Iraque e na base norte-americana de Guantánamo em Cuba. Algo muito distante das comissões internacionais dos direitos humanos.

Ademais, não podemos nos esquecer da tortura social. Esta acontece de forma mais presente e menos percebida. São torturados socialmente os milhares de brasileiros que não têm o que comer, o que vestir nem onde morar. A tortura acontece no cotidiano de pessoas flageladas pelo desemprego e consideradas fenômenos marginais do capitalismo. Não possuem poder de compra, não são formadas dentro de uma consciência crítica, não são educadas para viver em sociedade e a única herança que têm é esperança de dias melhores muitas vezes corroídos pela dor de fome em nível zero. A conseqüência é a morte cotidiana de famílias, sem nome e sem história, sacrificadas pela ganância do sistema vigente.

Camuflada nos grandes pólos rurais está também a tortura provocada pelo trabalho escravo. A história do Brasil, desde a época da dominação portuguesa e espanhola até os dias atuais, é marcada pelo trabalho escravo, principalmente de mulheres e crianças. Para muitos a Lei Áurea de 1888, sancionada pela Princesa Imperial Isabel Leopoldina, ainda não foi assinada. No silêncio das fazendas muitas matas são derribadas para a viabilização de novas pastagens e carvoarias são construídas para metalúrgicas de ferro e aço à custa do escravismo. São situações de exploração alicerçadas à distância das grandes metrópoles. O Nordeste é a testemunha ocular desta realidade cruel e inumana de maus tratos e violência!

Mais adiante e em situações limítrofes encontramos a tortura da mulher provocada pela brutalidade de seus respectivos companheiros. Além do respeito perde-se também a própria dignidade. Os maridos tornem-se proprietários de suas esposas. A relação apresenta-se, agora, como coisificada, na qual a mulher é posse do homem. Segundo o Centro de Estudos e Pesquisas do Desenvolvimento da Sexualidade Humana, o espancamento de mulheres acontece por problemas psicóticos dos maridos, pela falta de diálogo no lar, pelo alcoolismo masculino, pela insatisfação sexual do comparsa e pela auto-imagem fragilizada do homem. A insegurança pessoal somada ao ciúme obsessivo compõe um quadro dramático, no qual a vítima assume o sentimento de culpa, admitindo a situação como predestinação e dificilmente procurando a ajuda da família, de um psicólogo ou de um advogado.

Finalizemos com a frase lúcida e inteligente de quem consegue avaliar a sociedade sob o crivo da crítica, da fé e da razão quando se fala de tortura política no séc. XXI: “No Brasil, a difusão do medo, do caos e da desordem tem sempre servido para detonar estratégias de neutralização e disciplinamento planejado do povo brasileiro. Sociedades rigidamente hierarquizadas precisam do cerimonial da morte como espetáculo de lei e ordem. O medo é a porta de entrada para políticas genocidas de controle social” (Vera Malaguti Batista).

Na verdade não existe situação que justifique o estabelecimento da tortura como algo instituído. Que junto ao movimento carioca de defesa dos direitos humanos possamos dizer e lutar: pela Vida, pela paz, tortura nunca mais!

Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.
Missionário redentorista, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno e mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.

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